Brasil

DÍVIDA BILIONÁRIA

Com uma usina em MS, Raízen pede recuperação extrajudicial

Duas usinas do grupo em Mato Grosso do SUl foram vendidas em novembro do ano passado e agora resta somente a unidade de Caarapó

Continue lendo...

A Raízen confirmou nesta quarta-feira, 11, que protocolou seu pedido de recuperação extrajudicial na Comarca da Capital de São Paulo para renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas. A informação foi antecipada pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. 

Em Mato Grosso do Sul, a Raízen chegou a ter três usinas, mas em novembro do ano passado vendeu duas delas, localizadas em Rio Brilhante, para o grupo paulista Cocal Agroindústria por aproximadamente R$ 1,54. Mas, o grupo empresarial ainda controla a usina de Caarapó, no sul do Estado. 

Em agosto de 2023 a empresa anunciou que faria investimento de R$ 1,3 bilhão para modernizar sua usina de Caarapó e tornar viável a produção de etanol de segunda geração (E2G). 

O grupo entrou no mercado de etanol em Mato Grosso do Sul em 2021, quando adquiriu três usinas da Biosev. Na época, passou a controlar 149 mil hectares de cana-de-açúcar plantados no Estado, com produção de 508 mil toneladas de açúcar e 398 mil litros de etanol de primeira geração por safra.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa afirma que a recuperação extrajudicial foi consensualmente estruturada com seus principais credores financeiros quirografários, com o objetivo de assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das dívidas financeiras quirografárias no montante aproximado de R$ 65,1 bilhões, bem como de outros créditos intercompany.

Segundo a empresa, o plano conta com adesão expressa dos credores signatários titulares de mais de 47% das dívidas financeiras quirografárias, porcentual suficiente para o ajuizamento da recuperação extrajudicial e que demonstra apoio relevante aos esforços para viabilizar a reestruturação das obrigações financeiras do Grupo Raízen.

A companhia lembra que, nos termos da legislação aplicável, o Grupo Raízen dispõe do prazo de 90 dias, a contar do processamento da recuperação extrajudicial, para obter o porcentual mínimo necessário à homologação de seu plano de recuperação extrajudicial, assegurando, assim, a vinculação de 100% dos Créditos Sujeitos aos novos termos e condições de pagamento a serem definidos no Plano.

"O plano poderá envolver a capitalização do Grupo Raízen pelos seus acionistas; a conversão de parte dos Créditos Sujeitos em participação acionária na companhia; a substituição de parte dos Créditos Sujeitos por novas dívidas; reorganizações societárias, destinadas à segregação de parcela dos negócios atualmente conduzidos pelo Grupo Raízen; e venda de ativos do Grupo Raízen", informa.

A Raízen esclarece que a recuperação extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrangerá as dívidas e obrigações do Grupo Raízen com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios, essenciais para a sua operação e continuidade de suas atividades, as quais permanecem vigentes e continuarão sendo cumpridas normalmente nos termos dos respectivos contratos.

"As operações do Grupo Raízen seguem sendo conduzidas normalmente, no atendimento a clientes, na relação com fornecedores e na execução de seus planos de negócios", afirma.

corrupção

STF julga deputados do PL suspeitos de cobrarem propina no orçamento secreto

Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), além do ex-deputado Bosco Costa (PL-SE) começam a ser julgados nesta terça-feira (10)

10/03/2026 07h34

Deputados que serão julgados no STF teriam cobrado propina de 25% sobre o valor das emendas que repassaram a prefeituras

Deputados que serão julgados no STF teriam cobrado propina de 25% sobre o valor das emendas que repassaram a prefeituras

Continue Lendo...

Em meio à queda de braço entre Congresso e Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a transparência do Orçamento indicado por deputados e senadores, a Primeira Turma da Corte começa a julgar nesta terça-feira, 10, a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), além do ex-deputado Bosco Costa (PL-SE), acusados de integrar um esquema criminoso relacionado à destinação de R$ 6,67 milhões em emendas parlamentares. Será o primeiro julgamento na Corte sobre desvios de emendas do orçamento secreto, esquema revelado pelo Estadão.

Segundo a acusação, eles teriam solicitado, em 2020, ao então prefeito de São José de Ribamar (MA), José Eudes, o pagamento de R$ 1,6 milhão - equivalente a 25% do valor das emendas - como propina.

Os parlamentares negam irregularidades relacionadas às emendas e, à época do oferecimento da denúncia, pediram o arquivamento da ação por falta de provas.

A acusação da PGR, que imputou aos réus os crimes de organização criminosa e corrupção passiva, foi recebida pela Primeira Turma do Supremo em março de 2025.

Para o Ministério Público, "o núcleo central da organização era composto pelos deputados Josimar, Pastor Gil e Bosco Costa, responsáveis pelo envio das emendas", sendo que Josimar "ostentava a posição de liderança e, nessa condição, coordenava a destinação dos recursos patrocinados pelos demais congressistas".

Também responde ao processo João Batista Magalhães, assessor parlamentar e lobista acusado de monitorar a liberação de emendas e recrutar prefeitos para o esquema; Thalles Andrade Costa, filho de Bosco Costa, e apontado como responsável por intermediar a negociação das emendas ligadas ao pai; Antônio José Silva Rocha, ex-prefeito de Água Doce do Maranhão, acusado de auxiliar na solicitação de propina ao então prefeito de São José de Ribamar, José Eudes; além dos assessores Adones Nunes Martins e Abraão Nunes Martins Neto, apontados como participantes das investidas para solicitar propina do prefeito, atuando na cobrança dos valores em nome do grupo.

Cronograma do julgamento

Para o julgamento, a Primeira Turma reservou três sessões. A primeira está marcada para as 9h desta terça, a segunda para as 14h e, se necessário, uma terceira sessão poderá ocorrer às 9h da quarta, 11.

Após a abertura da sessão pelo presidente da Turma, Flávio Dino, o processo será chamado a julgamento e o relator da ação penal, ministro Cristiano Zanin, fará a leitura do relatório, com um resumo do caso, o histórico processual, as alegações da acusação e das defesas, bem como os crimes imputados.

Em seguida, o subprocurador-geral da República, Paulo Vasconcelos Jacobina, terá 60 minutos para se manifestar em nome da PGR, prazo que pode ser ampliado em razão da quantidade de réus. Na sequência, os advogados de defesa terão até uma hora cada para as sustentações orais.

Concluídas as sustentações, terá início a votação. Após o voto do relator, manifestam-se os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

As investigações tiveram início a partir de uma notícia-crime apresentada pelo ex-prefeito José Eudes. Ele negou participação em qualquer negociação envolvendo emendas parlamentares e relatou cobranças e intimidações que teriam sido feitas pelos integrantes do grupo.

PGR quer condenação e perda de mandatos

A Procuradoria afirma que as provas são "irrefutáveis" e que a autoria e a materialidade dos crimes estão comprovadas por diálogos e documentos obtidos na investigação.

"Embora os deputados Josimar e Bosco Costa tenham negado a autoria das emendas, aproveitando-se da baixa transparência dos dados públicos sobre a procedência desses recursos, as provas confirmam serem eles os responsáveis pelas destinações", diz a PGR.

Além da condenação, a PGR pede a perda dos mandatos e o pagamento de uma indenização por danos morais coletivos.
 

guerra do petróleo

França promete escolta a embarcações no Estreito de Ormuz

Macron anunciou que a França mobilizará oito fragatas e dois porta-helicópteros para o Mediterrâneo Oriental, o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz

10/03/2026 07h26

Macron diz que fará uma movilização sem precedentes para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz

Macron diz que fará uma movilização sem precedentes para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz

Continue Lendo...

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta segunda-feira, 9, durante visita ao Chipre, que planeja organizar uma missão futura "puramente defensiva" para reabrir o Estreito de Ormuz e escoltar embarcações "após a fase mais volátil do conflito" no Oriente Médio, com o objetivo de garantir o fluxo livre de petróleo e gás natural.

Macron anunciou que a França mobilizará oito fragatas e dois porta-helicópteros para o Mediterrâneo Oriental, o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz, com objetivo de reforçar a defesa contra ataques iranianos e assegurar o fluxo contínuo de energia.

"Essa mobilização da nossa marinha é sem precedentes", afirmou Macron, em entrevista na base aérea de Pafos, ao lado do presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, e do primeiro-ministro da Grécia, Kyriákos Mitsotákis. O Chipre, que abriga duas bases britânicas, é parte da União Europeia e já foi alvo de ataques de drones iranianos.

A União Europeia afirmou ontem estar preparada para reforçar suas missões de proteção do tráfego marítimo em meio à escalada da guerra e aos riscos para cadeias globais de abastecimento e segurança energética.

Segurança

O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, criticou ontem as iniciativas ocidentais para garantir a segurança no Estreito de Ormuz. Em publicação no X, ele afirmou ser "improvável que qualquer segurança seja alcançada sob o fogo da guerra iniciada por EUA e Israel".

Larijani acrescentou que a estabilidade na via marítima estratégica também não pode depender de atores que, segundo ele, ajudaram a alimentar o conflito. De acordo com o representante de Teerã, a segurança do Estreito de Ormuz é improvável, especialmente se depender de países que apoiam a guerra. Cerca de 20% do tráfego de petróleo global passam pela via marítima.

Ontem, em entrevista à CBS News. Donald Trump afirmou que seu governo está "pensando" em assumir o controle total do Estreito de Ormuz - sem explicar no que isso implicaria. O presidente americano afirmou ainda que a passagem marítima está aberta, o que contradiz informações de monitores internacionais.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).