Brasil

corrupção

STF julga deputados do PL suspeitos de cobrarem propina no orçamento secreto

Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), além do ex-deputado Bosco Costa (PL-SE) começam a ser julgados nesta terça-feira (10)

Continue lendo...

Em meio à queda de braço entre Congresso e Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a transparência do Orçamento indicado por deputados e senadores, a Primeira Turma da Corte começa a julgar nesta terça-feira, 10, a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), além do ex-deputado Bosco Costa (PL-SE), acusados de integrar um esquema criminoso relacionado à destinação de R$ 6,67 milhões em emendas parlamentares. Será o primeiro julgamento na Corte sobre desvios de emendas do orçamento secreto, esquema revelado pelo Estadão.

Segundo a acusação, eles teriam solicitado, em 2020, ao então prefeito de São José de Ribamar (MA), José Eudes, o pagamento de R$ 1,6 milhão - equivalente a 25% do valor das emendas - como propina.

Os parlamentares negam irregularidades relacionadas às emendas e, à época do oferecimento da denúncia, pediram o arquivamento da ação por falta de provas.

A acusação da PGR, que imputou aos réus os crimes de organização criminosa e corrupção passiva, foi recebida pela Primeira Turma do Supremo em março de 2025.

Para o Ministério Público, "o núcleo central da organização era composto pelos deputados Josimar, Pastor Gil e Bosco Costa, responsáveis pelo envio das emendas", sendo que Josimar "ostentava a posição de liderança e, nessa condição, coordenava a destinação dos recursos patrocinados pelos demais congressistas".

Também responde ao processo João Batista Magalhães, assessor parlamentar e lobista acusado de monitorar a liberação de emendas e recrutar prefeitos para o esquema; Thalles Andrade Costa, filho de Bosco Costa, e apontado como responsável por intermediar a negociação das emendas ligadas ao pai; Antônio José Silva Rocha, ex-prefeito de Água Doce do Maranhão, acusado de auxiliar na solicitação de propina ao então prefeito de São José de Ribamar, José Eudes; além dos assessores Adones Nunes Martins e Abraão Nunes Martins Neto, apontados como participantes das investidas para solicitar propina do prefeito, atuando na cobrança dos valores em nome do grupo.

Cronograma do julgamento

Para o julgamento, a Primeira Turma reservou três sessões. A primeira está marcada para as 9h desta terça, a segunda para as 14h e, se necessário, uma terceira sessão poderá ocorrer às 9h da quarta, 11.

Após a abertura da sessão pelo presidente da Turma, Flávio Dino, o processo será chamado a julgamento e o relator da ação penal, ministro Cristiano Zanin, fará a leitura do relatório, com um resumo do caso, o histórico processual, as alegações da acusação e das defesas, bem como os crimes imputados.

Em seguida, o subprocurador-geral da República, Paulo Vasconcelos Jacobina, terá 60 minutos para se manifestar em nome da PGR, prazo que pode ser ampliado em razão da quantidade de réus. Na sequência, os advogados de defesa terão até uma hora cada para as sustentações orais.

Concluídas as sustentações, terá início a votação. Após o voto do relator, manifestam-se os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

As investigações tiveram início a partir de uma notícia-crime apresentada pelo ex-prefeito José Eudes. Ele negou participação em qualquer negociação envolvendo emendas parlamentares e relatou cobranças e intimidações que teriam sido feitas pelos integrantes do grupo.

PGR quer condenação e perda de mandatos

A Procuradoria afirma que as provas são "irrefutáveis" e que a autoria e a materialidade dos crimes estão comprovadas por diálogos e documentos obtidos na investigação.

"Embora os deputados Josimar e Bosco Costa tenham negado a autoria das emendas, aproveitando-se da baixa transparência dos dados públicos sobre a procedência desses recursos, as provas confirmam serem eles os responsáveis pelas destinações", diz a PGR.

Além da condenação, a PGR pede a perda dos mandatos e o pagamento de uma indenização por danos morais coletivos.
 

mercado aquecido

Produção de veículos cresce 4,9% em 2026, acima do previsto

Qundo o tema é emplacamentos, foi o melhor abril dos últimos 12 anos. Isso dá uma média de 12,4 mil unidades emplacadas por dia

09/05/2026 07h15

Enquanto o consumo interno segue em alta, as exportações caíram 16,9%. Crise argentina é a explicação

Enquanto o consumo interno segue em alta, as exportações caíram 16,9%. Crise argentina é a explicação

Continue Lendo...

Com dois dias úteis a menos devido a feriados, a produção de veículos no Brasil no mês de abril não repetiu os bons números de março. Mesmo assim, a produção apresentou crescimento na comparação anual, o que demonstra, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que o mercado está em recuperação contínua.

Em abril, a produção registrou crescimento de 2,4% em comparação ao mesmo mês de 2025 e teve uma queda de 9,5% ante março deste ano, com a produção de 238,5 mil unidades.

Com o desempenho, o setor fechou o primeiro quadrimestre com a fabricação de 872,6 mil veículos, avanço de 4,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Isso está acima das projeções da Anfavea. No final do ano projetávamos 3,7% de [crescimento na] produção”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea, em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (8).

Já em relação aos emplacamentos, o crescimento foi de 19% em relação a abril do ano passado, com 248,3 mil unidades comercializadas.

“Esse é o melhor abril dos últimos 12 anos”, comemorou o presidente da Anfavea. Ele destacou que isso dá uma média de 12,4 mil unidades emplacadas por dia, melhor marca do ano e melhor média diária para um mês de abril desde 2014.

Quando se considera o acumulado do ano, o volume total de emplacamentos somou 873,5 mil autoveículos, com aumento significativo de 14,9% sobre os quatro primeiros meses do ano anterior.

Exportações

Entre janeiro e abril deste ano, 142,4 mil veículos foram enviados ao exterior, o que significou um recuo de 16,9% ante o mesmo período do ano passado. Segundo a Anfavea, embora os embarques tenham crescido 8,2% em abril em relação ao mês de março, eles caíram 11,7% na comparação com o ano passado.

Isso se deve principalmente porque o mercado argentino já não vem absorvendo um grande volume de produtos brasileiros.

“O mercado argentino caiu 6% no primeiro quadrimestre de 2026”, informou Calvet.

Veículos pesados

A venda de caminhões continua em queda, no entanto, ressaltou a Anfavea, essa queda vem se reduzindo nos últimos meses. Isso é resultado do programa federal Move Brasil, que oferece juros reduzidos na troca de caminhões mais antigos.

“O Move Brasil continua ajudando, mas ainda não foi capaz de reverter a queda nas vendas. Essa segunda etapa do programa, que foi recentemente anunciada, vem sim em um bom momento e a gente espera que agora nós consigamos reverter essa queda nas vendas”, disse o presidente da Anfavea.

Em abril, foram emplacados 8,8 mil caminhões, crescimento de 0,1% em relação a março e queda de 5,8% ante abril de 2025. No acumulado do ano, os emplacamentos de caminhões somaram 30,7 mil unidades, queda de 17,2% sobre igual período.

Já os ônibus tiveram crescimento de 4,6% nos emplacamentos em relação a março, com 2.049 unidades vendidas, o que representou queda de 6,9% em relação a abril de 2025.

Elétricos

Os veículos eletrificados apresentaram um novo recorde de participação, alcançando a marca de 18,3% do total de vendas do país.

“Temos um total de 48,7 mil unidades de veículos eletrificados emplacados no Brasil no mês de abril. Nesse ritmo a Anfavea já está prevendo em torno de 420 mil a 450 mil veículos eletrificados emplacados nesse ano, o que seria um número bastante robusto”, informou Calvet.

OPERADORES

Estrangeiros operam 90% dos aeroportos em capitais e Infraero encolhe

, grupos de sete países atuam em 25 dos 29 aeroportos com maior movimentação anual de passageiros nas capitais do País

03/05/2026 21h00

O Aeroporto de Campo Grande é administrado pela concessionária espanhola Aena

O Aeroporto de Campo Grande é administrado pela concessionária espanhola Aena Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

A presença de operadores estrangeiros em aeroportos brasileiros supera a observada em outros setores de infraestrutura e já domina os principais terminais do País. Hoje, empresas internacionais controlam cerca de 90% dos aeroportos localizados em capitais, segundo levantamento do Broadcast (sistema de noticiais em tempo real do Grupo Estado) com dados da Aeroportos do Brasil (ABR).

Em um cenário marcado pela redução da presença da estatal Infraero, grupos de sete países atuam em 25 dos 29 aeroportos com maior movimentação anual de passageiros nas capitais do País. A predominância estrangeira reflete fatores regulatórios e operacionais, além do histórico de concessões, segundo especialistas.

O diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein, relaciona a forte presença estrangeira ao processo de concessões que classifica como "bem-sucedido", iniciado em 2011. "Não havia empresas brasileiras desenvolvidas para gerir esses ativos. As concessões abriram espaço para grupos estrangeiros com expertise", afirmou à Broadcast.

A maior padronização do setor também favorece a atuação de operadores globais, segundo a sócia do BMA Advogados, Ana Cândida. "A regulação do transporte aéreo tem forte coordenação internacional, o que traz maior uniformidade e reduz incertezas para o investidor. Isso não acontece em outros setores de infraestrutura, como saneamento e rodovias, que têm características mais locais", explicou.

Apenas quatro aeroportos em capitais não são controlados por operadores estrangeiros: Santos Dumont (RJ), Belém (PA), Cuiabá (MT) e Macapá (AP). O terminal no Rio de Janeiro é o único sob gestão exclusiva da estatal Infraero, enquanto os demais são operados por grupos privados brasileiros, como a Norte da Amazônia Airports (NOA) e a Centro-Oeste Airports (COA).

Por outro lado, a espanhola Aena lidera o mercado, com sete aeroportos, incluindo Congonhas (SP) e o Galeão (RJ), segundo e terceiro mais movimentados do Brasil. Controlada pelo governo da Espanha, a concessionária ampliou presença no País nos últimos anos e, recentemente, venceu a relicitação do terminal fluminense, em disputa com a suíça Zurich Airport e a concessionária anterior, Changi Airports International, de Cingapura.

Já o grupo mexicano Asur controla seis terminais em capitais brasileiras após adquirir parte dos ativos da Motiva no País, incluindo os aeroportos de Palmas, São Luís, Teresina, Goiânia, Belo Horizonte e Curitiba. A francesa Vinci Airports, por sua vez, administra cinco terminais e ocupa a sétima posição no ranking por movimentação.

Infraero

O avanço dos operadores estrangeiros ocorreu em paralelo à redução da Infraero. Em 2010, a estatal gerenciava 67 aeroportos no País. Com o início das concessões, perdeu representatividade e hoje controla 23 aeroportos, sendo apenas 10 com voos regulares.

Nas primeiras rodadas, a estatal compartilhava as concessões com construtoras nacionais, que atuavam como parceiras dos operadores estrangeiros. Com a saída desses grupos, em meio aos impactos da Operação Lava Jato e à reestruturação das empresas, a presença nacional nos consórcios foi reduzida.

Esse movimento ganhou novo impulso com a saída da estatal da concessão do Galeão (RJ), na qual detinha 49% de participação, após a relicitação do ativo. Na avaliação do sócio do VLR Advogados, Luís Felipe Valerim, a tendência é de continuidade desse encolhimento. "A Infraero caminha para um papel cada vez mais residual no setor", disse.

A estatal ainda mantém participação em concessões relevantes, como na concessionária GRU Airport (Guarulhos) e no Aeroporto de Brasília. No entanto, a relicitação em andamento para o terminal da capital federal prevê a saída da estatal do ativo. Com isso, o Santos Dumont deve se manter como último ativo mais relevante no portfólio da Infraero.

Perspectivas

No início de abril, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o processo de solução consensual para a concessão do Aeroporto de Brasília e determinou a inclusão de 10 aeroportos regionais do programa AmpliAR no novo contrato. A expectativa é que o leilão ocorra ainda neste ano.

O modelo tende a reforçar a presença dos operadores já estabelecidos, segundo Valerim. "Ao incorporar aeroportos regionais a contratos existentes, o programa amplia a escala das concessões e favorece grupos já instalados, o que pode concentrar ainda mais a operação", afirmou.

Apesar do número limitado de ativos, há espaço para novos entrantes, segundo Ana Cândida, que cita como exemplo a venda de ativos da Motiva. "Ainda há oportunidades no mercado secundário, mas os grandes grupos tendem a concentrar os ativos", reforçou.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).