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Mercosul fracassa em acordo de divisão da cota de carne exportada à UE

Os chanceleres de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai fracassam em tentar se entender sobre como repartir a cota

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Terminou em impasse nesta quarta-feira, 2, a reunião de ministros das Relações Exteriores do Mercosul que discutia, entre outros temas, a divisão da cota de exportação de carne bovina à União Europeia (UE).

Os chanceleres de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai fracassam em tentar se entender sobre como repartir a cota. Os quatro países sócios do Mercosul podem explorar conjuntamente uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina por ano, prevista no acordo comercial com a UE. Esse volume tem tarifa reduzida de 7,5%.

"Os países compartilharam seus pontos de vista, alguns mais próximos e outro mais distante, e não houve um acordo até o momento", relatou o chanceler do Uruguai, Mario Lubetkin, anfitrião da reunião, segundo quem houve uma discussão franca sobre os critérios. "Existe proximidade entre Brasil e Argentina e, de certa forma, o Uruguai. E existe uma diferença importante com nossos amigos paraguaios em relação à proposta de divisão em 25%."

O encontro informal, realizado em Montevidéu, tinha o assunto como uma de suas prioridades da pauta. Há um ano eles não se reuniam nesse formato.

A conversa cara a cara foi convocada pelo Uruguai, atual presidente temporário do Mercosul, para tentar destravar a divisão, diante de um desentendimento que se arrasta há meses.

Os ministros voltarão a se reunir dentro de 45 a 60 dias presencialmente e demandaram que os negociadores técnicos tentem destravar a querela.

O objetivo é ter um acordo político entre os ministros antes da cúpula de líderes, que ficou agendada para 4 de dezembro, na capital uruguaia.

A reunião ocorreu na véspera de entrar em vigor o veto sanitário da UE à comercialização da carne brasileira. Como mostrou o Estadão, o banimento do mercado europeu deve durar de dois a três anos, por causa do ciclo de vida do bovino. A carne embarcada até quinta-feira, 3, poderá ingressar. Depois desta data, não mais.

O veto se deve à exigência europeia de que não haja mais uso de antimicrobianos na pecuária, entre eles certos antibióticos, inclusive para melhoria de desempenho ou crescimento animal. O bloco excluiu o Brasil da lista de exportadores porque o governo federal não deu garantias suficientes de cumprimento da certificação.

Lubetkin disse que os ministros manifestaram preocupação com o veto ao Brasil e com o fato de que acordo Mercosul-UE deve abrir mercados sem que sejam usados mecanismos para fechar portas.

Como principal entrave permanece a posição do Paraguai. O governo Santiago Peña exige que os quatro membros do bloco tenham direito a 25% da cota cada, uma divisão igualitária. A diplomacia do Paraguai sustenta que essa divisão seria a mais justa e produtores paraguaios veem potencial de crescimento em participação.

Os demais têm uma posição mais aproximada e entendem que a cota deveria ser repartida de forma proporcional ao histórico de venda ao mercado europeu, o que favoreceria os demais, pela capacidade de produção e exportação, além do tamanho da produção e dos rebanhos para abate.

Atualmente, Brasil e Argentina lideram essa posição de rateio conforme a participação no mercado (market share), com apoio do Uruguai. Segundo o ministro uruguaio, existe ao menos uma "tendência" comum entre os três, embora não se possa dizer que as propostas sejam 100% similares. A principal divergência vem de Assunção.

Diplomatas veem na demanda uma tentativa paraguaia de obter contrapartidas em outras negociações paralelas, como a revisão do Tratado de Itaipu e a venda de energia elétrica, entre outros

Em 18 de agosto, o chanceler paraguaio, Rubén Lezcano, se reuniu com o setor privado do país em Assunção, que apoia a demanda do governo pela proposta de divisão equitativa. Apesar disso, reconheceu que seria necessário "avançar com alternativas que permitam alcançar um consenso".

Um acordo do setor privado feito em 2004 no âmbito da Federação das Associações Rurais do Mercosul (Farm) previa 42,5% do volume destinado ao Brasil, 29,5% para Argentina, 21% para Uruguai e 7% para o Paraguai. O cálculo considera a participação de cada país no mercado europeu e a produção de carne bovina pelos países.

O acordo Mercosul-UE entrou em vigência provisória em 1° de maio e, por enquanto, o preenchimento das cotas ocorre por ordem de chegada - têm prioridade na preferência tarifária os produtos que chegarem primeiro ao bloco europeu, independentemente do país de embarque.

ESCÂNDALO DO MASTER

Mensagem de Gonet para Vorcaro: 'tomara que tenha charuto e Macallan'

Horas após a divulgação dos diálogos, o chefe do Ministério Público Federal (MPF) pediu o arquivamento do caso

02/09/2026 07h14

Paulo Gonet alega que o relator, André Mendonça, determinou à PF a produção do relatório sem ter competência para isso

Paulo Gonet alega que o relator, André Mendonça, determinou à PF a produção do relatório sem ter competência para isso

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Relatório da Polícia Federal expôs a proximidade entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que atua no processo em que o empresário é réu. Horas após a divulgação do documento, cujo teor foi revelado pelo Estadão, o chefe do Ministério Público Federal (MPF) pediu o arquivamento do caso.

Ele alega que o relator, o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, determinou à PF a produção do relatório sem ter competência para isso.

O banqueiro utilizou um emissário, o advogado Ciro Soares, para conversar com Gonet e incluí-lo no seleto rol de convidados de uma degustação de charutos e do uísque Macallan realizada em Londres. A autoridade aceitou.

Pelas informações do relatório da PF, cujo sigilo foi derrubado por Mendonça nesta terça-feira, 1º, os gestos de Vorcaro em direção a Gonet começaram em março de 2025.

No dia 15 daquele mês, Ciro Soares enviou ao banqueiro uma foto junto ao procurador-geral. Eles estavam de camisas brancas e óculos escuros em um local ao ar livre com coqueiros no fundo. "Liga aqui. Ele quer falar com você", disse.

Depois de quatro tentativas frustradas, Vorcaro e Gonet conversaram por quase quatro minutos. Mantiveram contato nos dias seguintes. Em 28 de março, Gonet disse que estava "com saudade" de Vorcaro e disse estar torcendo por ele.

"Que bom! Estou na torcida por vocês", disse às 21 horas e 22 minutos. "Já estou com saudade de você! Estou embarcado para Roma", complementou. E finalizou pedindo ao intermediário que as mensagens chegassem a Vorcaro. "Manda essa mensagem para ele".

O banqueiro respondeu com uma figura de coração e retribuiu os cortejos. "Agradece muito o carinho. saudade dele. Vamos marcar estar juntos".

Foi então que Soares confirmou o aceite por parte de Gonet e encaminhou a mensagem do procurador-geral.

"Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan", disse o procurador em mensagem que foi encaminhada por Soares a Vorcaro, que prometeu atender as expectativas do convidado. "Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de macalan".

O chefe do Ministério Público Federal (MPF) aproveitou a receptividade para incluir seu filho, Pedro Gonet, na festa. "O Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres", disse Soares a Vorcaro no dia 29 de março de 2025.

"Obvio né", respondeu o banqueiro. O procurador agradeceu o gesto com um elogio: "Você é uma máquina kkkkkkk".

Soares reforçou o pedido três meses depois, quando a viagem já se aproximava. "O Pedrinho filho do PG pode ir com a gente né?". Vorcaro, mais uma vez, consentiu.

escândalo

PGR pede anulação de investigação sobre conversas de Moraes e Vorcaro

No entendimento do procurador, o aprofundamento da apuração sobre elo de Vorcaro e Moraes só poderia ocorrer após autorização do plenário da Corte

02/09/2026 07h00

Citações aos nomes de Moraes e Gonet foram captadas pela PF no celular de Daniel Vorcaro

Citações aos nomes de Moraes e Gonet foram captadas pela PF no celular de Daniel Vorcaro

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu na noite desta terça-feira (1º) a nulidade da investigação da Polícia Federal (PF) que encontrou as mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)

Na manifestação enviada à Corte, Gonet disse que o relator do caso, ministro André Mendonça, investigou Moraes ilegalmente ao determinar o aprofundamento da investigação sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo Moraes e o ex-banqueiro. 

No entendimento do procurador, o aprofundamento da apuração só poderia ocorrer após autorização do plenário da Corte. 

No entendimento do procurador, eventual investigação contra Moraes deveria ser direcionada o presidente da Corte, Edson Fachin, que levaria do caso ao plenário, e não diretamente para execução da PF. 

“A ordem dada à autoridade policial para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial, é nula, por exceder os limites de competência do magistrado na fase pré-processual”, afirmou Gonet. 

O parecer enviado após Mendonça pedir que a PGR se manifestasse sobre o relatório da PF que faz menções ao ministro Alexandre de Moraes e o próprio procurador-geral. 

As citações aos nomes de Moraes e Gonet foram captadas pela PF a partir da quebra de sigilo do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, alvo das investigações da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Banco Master. O sigilo do relatório de investigação foi retirado nesta terça-feira (1°). 

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