Em um texto de 697 páginas assinado por uma procuradora e seis promotores de justiça, o Ministério Público Estadual entregou nesta quarta-feira (17) as denúncias finais do chamado “processo mãe” de toda a operação Omertà, pedindo a condenação de 17 pessoas por envolvimento com organização criminosa e grupo de extermínio.
Em uma espécie de hierarquização da importância nesta suposta organização criminosa, o primeiro nome que aparece na denúncia é o de Fahd Jamil, conhecido como “rei da fronteira”. Ele está sendo acusado por “integrar organização criminosa armada”, “corrupção ativa” e “trafico de arma de fogo”. Com 82 anos, ele chegou a ficar em prisão domiciliar e a usar tornozele
Logo na sequência aparecem o filho dele, Flávio Correia Jamil Georges, o Flavinho, que está foragido. Contra ele são quatro acusações. As mesmas que pesam contra o pai e ainda “violação ao sigilo funcional”.
Em terceiro lugar aparece Jamil Name Filho, o Jamilzinho, detido no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Desta vez está sendo acusado de “corrupção ativa” e “aquisição de arma de fogo de uso restrito”.
Entre os denunciados também aparecem o policial federal Everaldo Monteiro de Assis e o policial civil Frederico Maldonado Arruda. Além da condenação criminal, o MPE pede a exoneração dos policiais “haja vista que a acentuada gravidade das condutas criminosas por eles praticadas tornam incompatível a permanência deles nas Polícias Federal e Civil”
Além de ser o principal, este é também o último processo decorrente da operação Omertà. Por conta das investigações iniciadas em 2019, quando foi descoberto um arsenal com mais de 20 armas, o MPE propos 19 ações criminais. Parte delas já foi julgada e ocorreram condenações e absolvições.
Jamil Name Filho, por exemplo, já está condenado a pouco mais de 43 anos depois que começou a investigação. A pena principal, de 23 anos, ocorreu pelo assassinato do estudante Matheus Xavier. Nesta ação, está sendo acusado de “aquisição de arma de fogo de uso restrito”.
Depois da entrega das considerações finais feita nesta quarta-feira pelo MPE, os advogados de defesa dos 17 denunciados têm dez dias para contrapor os argumentos do MPE e depois disso o juiz Roberto Ferreira poderá proferir as sentenças.
A investigação apontou que as famílias de Fahd Jamil e Jamil Name teriam organizações criminosas individuais, mas que colaboravam entre si para o cometimento de crimes, entre os quais uma série de assassinados ao longo de vários anos.
Os assassinatos, segundo as denúncias do MPE, teriam aumentado depois do desaparecimento de Daniel Alvarez Georges, filho de Fahd (Fuad). As duas famílias teriam unido forças para executar os supostos responsáveis pelo desaparecimento de Daniel.
Tudo começou a ruir depois do assassinato do estudante de Direito Matheus Xavier, em 9 de abril de 2019. O alvo dos pistoleiros era seu pai, o ex-PM Paulo Xavier. Depois deste crime a família Name entrou na mira da polícia e pela primeira vez uma apuração envolvendo a família evoluiu até as últimas consequências.
E isso somente aconteceu porque, segundo a ivestigação, além de Paulo Xavier havia a planos para executar um advogado famoso de São Paulo e o filho de um ex-governador. Com essa descoberta, a Omertà não parou mais e agora chega ao capítulo final, pelo menos na primeira instância do Judiciário.


