Cidades

ABANDONO

Terrenos abandonados abrigam bandidos e proliferação da dengue

Terrenos abandonados abrigam bandidos e proliferação da dengue

Redação

25/11/2010 - 06h00
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Abandono, descaso e um matagal que serve tanto para o abrigo de bandidos quanto para a proliferação do mosquito da dengue. A equipe de reportagem do Portal Correio do Estado percorreu nesta terça-feira alguns dos vários terrenos baldios da cidade. Na Rua Rocha Pombo, bairro Caiçara, o mato e até mesmo árvores tomaram conta de uma área de aproximandamente doze por trinta metros. “A gente sempre vê gente entrando e saindo daí de dia, de noite. Eles usam drogas e a gente se sente muito impotente”, reclamou Lia Maria dos Santos, moradora do bairro há pelo menos vinte anos. No início, a casa onde mora nem tinha portões, agora, vive fechada pelo medo de possíveis ocorrências policiais.

A reportagem chegou no momento em que equipes da prefeitura realizavam as habituais limpezas de calçadas e recolhimento de entulhos que os moradores dispões em frente da casas, “mas lá dentro a gente não pode mexer”, afirmou o chefe da equipe, Cícero Cândido da Silva. “Quando é assim, melhor que o dono da casa ao lado se prontifique a pagar alguém para a limpeza”, alertou o funcionário público lembrando que para o serviço qualquer pessoa cobraria pelo menos R$ 150. Isso sem contar que, para ele, seriam necessários pelo menos dez homens para a limpeza.

Lia não esquece de mencionar o perigo que é para a saúde das pessoas um terreno como aquele por causa do acúmulo de sujeira e água da chuva, que serve de criadouro para mosquitos da dengue. “Aqui em casa três pessoas contraíram a doença este ano”, reclama. Ela e a cunhada dividem o mesmo terreno e pelo menos uma vez por semana se dispõem a entrar no mato em busca de possíveis reservatórios de água. “A gente tira as latinhas e coloca tudo em um saco para o lixeiro levar, mas toda semana tem sujeira la”, afirmou.

A dona de casa Marly Catarina Martins de Jesus, moradora há 15 anos no mesmo local diz que já fez várias reclamações à prefeitura. “Até agora de nada adiantou”, diz. A casa ao lado já teve vários materiais de construção furtados do quintal e segundo a proprietária que prefere não se identificar, os bandidos pularam o muro em plena luz do dia. “Eu estava trabalhando quando recebi o telefonema de um vizinho alertando que tinha gente na minha casa. Isso é um problema sério pra mim”, afirmou.

O mesmo problema tem causado insegurança no bairro Marcos Roberto. Na Rua do Ébano, é comum observar jovens fazendo uso de drogas em um dos terrenos baldios [em uma quadra apenas são três]. Uma moradora que não quis ter seu nome revelado reclama que já cansou denunciar a aglomeração de pessoas em atitudes suspeitas no local, mas nenhuma providência é tomada.
Em um estabelecimento comercial próximo dali, no cruzamento da Rua do Ebano com a Bom Sucesso a comerciante optou por grades que fecham todo o local. Maria José diz que nunca passou por assalto no local onde trabalha há sete anos, mas já ouviu muitos casos e prefere não arriscar.

Apenas este ano, a prefeitura de Campo Grande já notificou, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semadur), seis mil proprietários de terrenos sunos e cheios de entulho.

A responsabilidade

Segundo informações da assessoria de comunicação da prefeitura, é do proprietário a responsabilidade por manter o local limpo e conservado, conforme prevê a Lei municipal número 2909 de 28 de julho de 1992. São eles também os responsáveis pela construção de calçadas e por mantê-las limpas, caso contrário está sujeito a punição administrativa. No primeiro flagrante de descumprimento, o dono da área é notificado e recebe um prazo para regularizar a situação. Se o terreno não for limpo, ele pode receber uma multa que varia de R$ 1.375,00 a R$ 5.500,00.

Denúncias podem ser feitas através da Divisão de Áreas Verdes e Postura Ambiental da Semadur pelo telefone 3314-3151.

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