Nos últimos cinco anos, o País já contabiliza dois acidentes com aeronaves bimotor LET-410. Em ambos os casos, ninguém sobreviveu. O mesmo modelo que caiu no limite entre Recife (PE) na manhã desta quarta-feira também esteve envolvido em outra queda no Rio de Janeiro, em 2006, quando 19 pessoas morreram. Na ocasião, no entanto, foi rechaçada qualquer falha na aeronave. "É um modelo seguro que modernizou a aviação ao substituir as aeronaves bandeirantes", avaliou o ex-ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Mauro Gandra.
No primeiro acidente com o LET-410 do País, registrado entre o Aeroporto Santos Dumont, no Rio, e Macaé (RJ), o avião atingiu uma região montanhosa da Serra de São João, uma situação considerada distinta pelo especialista, se comparada com a queda de hoje. "Naquela vez, ficou claro que não houve falha mecânica, mas sim um problema de outra ordem. Aparentemente, são acidentes bem diferentes", explicou Gandra.
A empresa Team, que tem sede na capital fluminense, era a proprietária do LET-410 que caiu no RJ. O modelo também é usado hoje no nordeste, pela companhia Noar, dona da aeronave envolvida no acidente de hoje, e por outra empresa no Rio Grande do Sul. "È uma aeronave bem motorizada e que parece ser mais robusta, do que os bandeirantes aviões civis de médio e pequeno porte, fabricados no Brasil. Ela tem também boas condições de peso para um pouso de emergência."
Para o brigadeiro, as imagens do acidente indicam que possivelmente não havia qualquer chance de pouso para o piloto do LET-410, na queda registrada logo depois de uma decolagem no aeroporto dos Guararapes, na capital pernambucana. "É muito difícil saber o motivo do acidente, mas é possível observar que possivelmente houve uma explosão, ou uma queda abrupta, na qual a aeronave emplacou no terreno", disse. "Outra possibilidade é a perda de sustentação nas asas", complementou.
Fabricado na República Tcheca, o LET-410 é fabricado pela empresa Let Aircraft. Sua configuração de asas altas permite operações em pistas curtas, o que ajuda o modelo, a ser usado largamente em todo o mundo, principalmente em rotas regionais. A capacidade máxima é de 19 passageiros.
(Fonte: Terra)