Moradores do Distrito de Nova Casa Verde reclamam da falta de unidades da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), da Agência Fazendária de Mato Grosso do Sul (Agenfa) e se dizem insatisfeitos com a necessidade de se deslocar até a cidade de Nova Andradina para legalizar venda, compra, transporte e vacinação de gado. Alguns produtores rurais percorrem 200 quilômetros de suas fazendas até o município e repetem a viagem várias vezes por semana.
Questionado, o prefeito de Nova Andradina, Roberto Hashioka (PMDB) disse que já encaminhou ofício para o Governo do Estado, mas nunca teve resposta sobre a possibilidade de ampliação de atendimento aos produtores. Já a diretora-presidente da Iagro, Cristina Carrijo, explicou que a instalação do escritório não ocorreu porque o município não doou terreno para a construção da unidade.
O distrito de Nova Casa Verde conta com cerca de 1,2 mil pequenas e médias propriedades, 500 mil cabeças de gado, sendo 30 mil vacas leiteiras, que produzem 150 mil litros de leite por dia. O local não tem escritórios da Iagro, Agenfa e nem agência bancária.

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Moradores de Nova Casa Verde se queixam da falta de unidades de Iagro e Agenfa
Peregrinação
O produtor rural, Edmar Gama, 55 anos, explicou que a área urbana de Nova Casa Verde fica distante 60 quilômetros de Nova Andradina, porém algumas fazendas estão a 180, 200 quilômetros. “A gente depende de Nova Andradina para tudo, mas principalmente da Agenfa e da Iagro. Se os dois viessem para cá, o banco seria consequência”, explicou.
Edmar disse que para vacinar o gado, por exemplo, o produtor tem que ir até a cidade para comprar a vacina e depois voltar para retirar a autorização, ou vice-versa. Para vender, comprar ou transportar gado também é preciso tirar guia em Nova Andradina. “Tem muito transporte clandestino de gado por conta da dificuldade”, alertou.
Normalmente, os fazendeiros precisam ir até o município duas vezes por mês, mas os grandes produtores chegam a fazer oito viagens mensais. “A gente pensa no pequeno produtor que para vender duas cabeças de gado tem que ir em Nova Andradina para tirar nota”, reclamou Edmar.
O escriturário da Fazenda Tupi, a 78 quilômetros de Nova Andradina, Egnaldo Pelaquin, 46 anos, disse que a distância cairia para apenas 15 quilômetros com a instalação de escritórios no distrito. “Economizaria tempo e dinheiro”, garantiu.
Sobre a possibilidade de os produtores emitirem as guias pela internet, Egnaldo explicou que o acesso é via rádio e precário, o que dificulta o serviço. E, mesmo que o produtor tire as guias pela internet, ainda assim terá que ir até Nova Andradina para pagá-las.


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Nova Casa Verde tem 500 mil cabeças de gado, sendo 30 mil vacas leiteiras
Empurra-empurra
O prefeito de Nova Andradina disse que a ampliação do serviço é necessária porque Nova Casa Verde é um ponto estratégico, que facilitaria o atendimento não só aos pequenos produtores dos assentamentos, mas também aos grandes produtores rurais. “Agenfa e Iagro é de responsabilidade do Estado. Foi solicitado, mas até então não tivemos êxito”, garantiu Roberto Hashioka.
Já a diretora-presidente da Iagro, Cristina Carrijo, contou que o governador André Puccinelli autorizou fazer um escritório em Nova Casa Verde. A verba estava destinada, mas o governo precisava que o município doasse um terreno para a edificação do prédio público.
“Tentamos, entramos em contato com as autoridades de Nova Andradina porque tínhamos a possibilidade de instalar, mas a doação não foi feita. Era uma solicitação do governador, mas não conseguimos executar. Não foi possível por questões de escriturações”, explicou Cristina Carrijo.
Parceria
O governador eleito, Reinaldo Azambuja (PSDB), ressaltou que será parceiro do prefeito de Nova Andradina para solucionar os problemas relacionados a infraestrutura do município, inclusive da região rural, que envolve o Distrito de Nova Casa Verde.
Reinaldo explicou que como o problema envolve terceiros, como empresa telefônica, por exemplo, o caso demanda estudo completo, que só será possível quando ele já estiver no Governo. Como ainda não tem dados suficientes, só poderá ter diagnóstico do problema quando assumir.
O presidente da Comissão de Assuntos Agrários e Agronegócio da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), Pedro Puttini, também tentou interceder como facilitador e enviou ofício ao atual Governo do Estado, questionando a possibilidade de instalar unidades das agências no distrito, mas não recebeu resposta.
“Pretendemos agendar uma reunião com o governador eleito para tratar dessa e de outras questões”, adiantou Pedro Puttini.