A sessão de hoje na Câmara Municipal de Campo Grande será movimentada. Mais de 500 pessoas devem acompanhar os trabalhos dos vereadores que decidirão se mantém o veto do prefeito Alcides Bernal (PP) à lei da mordaça, medida aprovada em março pela Casa de Leis e que prevê censura a professores durante as aulas.
Desde a noite de ontem há segurança reforçada na Câmara. Manifestantes chegaram a acampar em frente do prédio. No início da manhã 360 senhas foram distribuídas para quem vai acompanhar a sessão nas cadeiras e outras 50 estão sendo entregues para quem assistirá em pé.
A maioria dos que lotam o plenário da Casa são contra a lei e devem pressionar os vereadores para que mantenham o veto do prefeito.
Uma das que é contra à lei e quer a manutenção do veto é a estudante de Pedagogia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Carla Alvarez, de 35 anos. Segundo ela, o projeto é um retrocesso e pode gerar bullying nas salas de aula. “A sociedade está mudando e as crianças precisam acompanhar esse processo”.
Para a dona de casa, Julia D'Amore, 53 anos, a lei tem caráter informativo e deve ser promulgada pela Casa de Leis. "A lei cria um cartaz com deveres previstos na Constituição, que informa direitos através dos deveres do professor, não proíbe e nem amordaça, é uma lei informativa de dispositivos que já existiam".
Mais cedo, parlamentares se reuniram para definir qual posicionamento terão durante a sessão. A tendência, segundo apurado pela reportagem, é que os vereadores sigam o pedido daqueles que protestarão durante a manhã.
O presidente da Casa, João Rocha (PSDB), Acredita que não haverá intercorrência durante a sessão e consenso “busca o equilíbrio em meio a convictos que existem em ambos os lados”.
A Guarda Municipal mantém efetivo de 4 homens e a segurança está reforçada com 18 agentes particulares contratados pela Câmara para evitar conflitos.
O PROJETO
Projeto foi aprovado pela Câmara Municipal no dia 31 de março, e diz respeito aos professores que atuam com alunos do 1º a 4º ano do ensino fundamental. Proposta foi vetado pelo prefeito Alcides Bernal (PP).
Autor do projeto, vereador Paulo Siufi defendeu a proposta alegando que os professores não devem ser intitulados ativistas políticos e sexuais. “Com esse projeto, queremos que os professores tenham isenção quanto à opção sexual, política partidária e religião de cada um”, disse, em ocasião anterior.
Polêmica, a proposta prevê que cartazes sejam afixados na sala dos professores para que estes não interfiram ou direcionem orientação sexual, político-partidária e religiosa aos alunos.