Inaugurado há menos de três meses, o Núcleo Integrado de Atenção Infanto Juvenil Manoel de Barros, onde funciona o Centro de Especialidades Infantil (CEI), já coleciona problemas que vão de falhas estruturais a falta de água e agulhas. O que chama atenção é que o prédio localizado na Avenida Manoel da Costa Lima, no bairro Guanandi, foi recentemente reformado depois que o Centro Regional de Saúde (CRS) foi desativado pela prefeitura.
Desde maio deste ano o Ministério Público Estadual (MPE) investiga a situação porque antes mesmo da inauguração do espaço, denúncia dava conta de que o atendimento no Centro de Apoio Psicossocial Infantil, no Centro, estava deficitário em razão da mudança que estava prevista para o bairro Guanandi dali alguns meses.
Com a inauguração do novo espaço, em 31 de agosto, a promotora Paula Volpe, da 32ª Promotoria de Justiça, deu andamento à apuração e no início deste mês de novembro houve vistoria técnica no prédio realizada por assessor técnico pericial do MP. A reportagem teve acesso ao relatório da visita e uma série de problemas foram constatados.
De acordo com o documento, o centro oferece atendimento de psicologia, fonoaudiologia, nutrição, psicopedagogia, terapia ocupacional, técnico em desporto, enfermagem, assistência social, cirurgia pediátrica, otorrinolaringologia, oftalmologia, neurologia, alergologia, endocrinologia, gastroenterologia, laboratório óptico com confecção de óculos e audiometria.
A vistoria foi feita no dia 20 de outubro e entre os problemas na estrutura física do prédio estão falta de água, ar condicionado e maca em um dos consultórios, que acaba não sendo utilizado. No saguão do centro, onde fica a maioria das crianças e pais que aguardam atendimento, há a apenas um bebedouro, que gera reclamação dos usuários, conforme o responsável pela vistoria.
Problema comum em várias unidades de saúde de Campo Grande, as fezes de pombos também geram revolta de quem precisa ir até o centro de atendimento infantil. Ainda conforme o relatório, a unidade não possui local para esterilização de materiais, serviço que é feito em outros centros e os materiais são enviados para o CEI. Rachadura e risco de ceder o forro da recepção e da entrada do saguão do espaço também estão entre os problemas apontados na vistoria.
Em relação ao atendimento e insumos disponíveis para as crianças, há vários problemas. Falta de agulhas para acupuntura, falta de manutenção, de brinquedos pedagógicos, de agulhas para caneta de aplicação de insulina e até de ressuscitador manual neonatal.
O relatório também traz detalhes da fila de espera para as especialidades mais procuradas, como oftalmologia, psicologia e neurologia. Para o MP, seria necessário mais profissionais e salas para que houvesse aumento na oferta e redução da demanda reprimida.
A investigação da promotora continua e o Ministério Público Estadual (MPE) pediu parecer tanto do Conselho Municipal de Saúde quanto da prefeitura sobre a situação, mas ainda não houve retorno. A prefeitura apenas enviou ao MP a escala dos profissionais que atuam no centro. A reportagem também questionou a assessoria de imprensa da prefeitura sobre os problemas estruturais e de insumos e aguarda posicionamento.