Cidades

Campo Grande

Justiça decreta prisão preventiva de PRF que matou empresário a tiros

Juiz plantonista que havia libertado o policial decidiu pela nova prisão

Redação

05/01/2017 - 07h54

Foi decretada ontem à noite prisão preventiva do policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, de 47 anos, que matou a tiros o empresário Adriano Correia do Nascimento, de 32 anos, em briga de trânsito no dia 31 de dezembro, na Avenida Ernesto Geisel, em Campo Grande.

O mesmo juiz plantonista que havia libertado o policial um dia depois do crime, José Andrade Neto, foi o responsável por nova decisão que atende pedido do Ministério Público Estadual (MPE) feito anteontem. Três promotores de plantão elencaram uma série de argumentos que justificam o pedido de prisão preventiva.

O plantão do Fórum de Campo Grande informou ao Portal Correio do Estado que a decisão ainda não foi protocolada no processo digital  para evitar que Ricardo Moon fugisse. A decisão foi entregue para Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestros (Garras) e policiais devem cumpri-la ainda nesta manhã.

"Deve ser esclarecido, para que fique bem claro e para que o conteúdo desta decisão não seja deturpado ou divulgado erroneamente por pessoas mal intencionadas, que não está havendo alteração ou revisão da decisão de f. 73-76, que concedeu a liberdade provisória ao representado Ricardo. Este magistrado não está "voltando atrás" e revendo o que já restou afirmado na decisão que concedeu a liberdade", afirma o juiz.

O magistrado ainda disse que a mudança de decisão é algo comum em casos desse tipo. "O que está havendo e que é plenamente normal ocorrer durante uma investigação, é que, agora, com a representação feita pelo Ministério Público e com a apresentação de novas provas e elementos objetivos, este juízo verificou a necessidade de ser decretada a prisão preventiva do indiciado Ricardo, para garantir que não haja qualquer tipo de contaminação ou influência na apuração dos fatos, para garantir a integridade da instrução criminal", completou. 

PEDIDO DO MP

Na justificativa apresentada na representação, os promotores João Girelli, Allan Arakaki e Bolívar Vieira afirmam que a procedimento da Polícia Civil no momento do flagrante não foi o correto porque delegado deixou de ouvir, por exemplo, os dois passageiros que estavam no carro conduzido pelo empresário.

“Deixando-se de ouvir as vítimas sobreviventes que se encontravam em suficiente estado de saúde para serem ouvidas no prazo legal de 24 horas”. Ordem para que testemunhas fossem ouvidos chegou, inclusive, a ser feita pelo juiz José de Andrade Neto à Polícia Civil, que só depois colheu os depoimentos.

A decisão do magistrado em libertar o policial também é criticada pelo MP. Para os promotores a atitude “não foi acertada”.

Ainda como justificativa do pedido de prisão preventiva, os promotores afirmam que há indícios que Ricardo Moon “inovou artificiosamente o estado de coisa e pessoa, a fim de induzir os órgãos de segurança a erro, bem como obteve tratamento privilegiado por parte do Poder Público”.

O fato do policial ter trocado de roupa para prestar depoimento à Polícia Civil também é questionada pelo Ministério Público. Os promotores afirmam que imagens de testemunhas revelam que Ricardo cometeu o crime vestido com uma camiseta listrada por cima do uniforme, no entanto, na delegacia ele chegou sem a camiseta, apenas com o uniforme da PRF.

O CASO

O empresário Adriano Correia foi morto por um policial rodoviário federal após briga de trânsito no dia 31 de dezembro, no Centro de Campo Grande, atingido por cinco disparos, segundo a perícia. Ele sofreu duas perfurações no tórax, uma na costela e outra no braço direito. O crime aconteceu enquanto vítima e dois familiares retornavam de uma casa noturna onde foram comemorar aniversário.

Informações da Polícia Civil apontam que Ricardo Moon teria disparado pelo menos sete vezes. O caso ocorreu na Avenida Presidente Ernesto Geisel, entre a Rua 26 de Agosto e a Avenida Fernando Corrêa da Costa, quase em frente à Capela da Pax Mundial. No cruzamento da 26 com a Ernesto Geisel, peritos apreenderam sete cápsulas de pistola, e mais uma perto do veículo da vítima.

Adriano era proprietário do Madalena Restaurante e de uma unidade do Sushi Express. Ele estava na casa noturna com dois homens da família antes de ser morto. De acordo com testemunhas, por volta das 5h50, ele e os acompanhantes seguiam em uma caminhonete Toyota Hilux pela Ernesto Geisel, quando perto do cruzamento com a Avenida Afonso Pena supostamente teriam fechado a Mitsubishi Pajero ocupada pelo PRF. Este, por sua vez, estaria indo para o trabalho e não gostou da situação. Por isso, perseguiu Adriano e os demais para tirar satisfações.

A assessoria da PRF em Mato Grosso do Sul afirmou que, na versão do policial preso em flagrante, ele teria tentado abordar a caminhonete Toyota Hilux conduzida por Adriano Correia, que teria desobedecido e avançado com o veículo na direção do agente. Diante da ocorrência, o policial, que dirigia uma Mitsubishi Pajero, teria perseguido a vítima e efetuado os disparos em seguida.

 

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