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Inércia política dificulta combate contra a fome, diz papa Francisco

Pontícife pediu a "intervenção" da ONU para a Agricultura e Alimentação

Redação

03/07/2017 - 13h07
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O papa Francisco fez hoje (3) uma dura crítica à “inércia” dos países e das entidades internacionais na luta contra a fome e pediu a “intervenção” da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), liderada pelo brasileiro José Graziano da Silva. “A solidariedade deveria ser o critério de inspiração de qualquer relação internacional. Quando um país não é capaz de oferecer respostas adequadas, é necessário que a FAO e as organizações intergovernamentais tenham a capacidade de intervir”, disse o líder da Igreja Católica.   

Francisco enviou uma mensagem aos participantes da 40º Conferência da FAO, inaugurada hoje, em Roma, na presença de ministros e líderes políticos, como o premier italiano, Paolo Gentiloni, e o ministro brasileiro de Agricultura, Blairo Borges Maggi.   

“A fome e a desnutrição não são fenômenos estruturais de algumas regiões, mas sim, condições de um subdesenvolvimento geral causado pela inércia de muitos e pelo egoísmo de poucos”, disse Francisco no texto lido pelo secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin. O representante do Vaticano também confirmou que o Papa estará em 16 de outubro na sede da FAO, na capital italiana, para celebrar o Dia Mundial da Alimentação, que neste ano é dedicado ao tema “Dar um Futuro aos Imigrantes”. O diretor-geral da FAO fez o mesmo apelo que o Papa e reforçou que o combate à fome não deve se limitar à entidade. “O objetivo da ‘Fome Zero’ não é exclusivo da FAO, mas de todos nós. É preciso que todos embarquem neste desafio global. Necessitamos da ajuda de todos, porque a população rural não pode ficar abandonada”, pediu José Graziano da Silva. “A desnutrição voltou a crescer em escala global. No Sudão do Sul, já foi declarado estado de emergência pela fome, mas outros países também estão em risco, como o Iêmen e a Somália, e áreas da África Subsaariana. São 19 os países em crise extrema por secas e conflitos”, disse. “O objetivo de erradicar a fome é importante, mas não suficiente. É preciso também resolver os conflitos no mundo e combater a seca e as consequências das mudanças climáticas. Mas a paz é a chave que permite um freio na crise alimentar do planeta”, explicou. A “Fome Zero” consta nos objetivos globais instituídos pela FAO, assim como o combate à escassez de água, às mudanças climáticas e a manutenção da segurança alimentar. O premier italiano, em seu discuro, também afirmou que a paz é crucial para a erradicação da fome no mundo. “A comunidade internacional fixou um novo objetivo ambicioso: colocar fim à fome até 2030. Somente uma humanidade livre da fome será capaz de perseguir os valores da paz, da justiça e da igualdade”, afirmou Gentiloni. “A paz é um objetivo e, ao mesmo tempo, uma condição deste desafio”.   

A conferência bienal da FAO foi inaugurada hoje e ocorre até 8 de julho na capital italiana. Durante as reuniões, os 194 países-membros revisão a agenda criada pelo diretor-geral e o orçamento da entidade, além de discutirem medidas e soluções para as crises alimentares. José Graziano da Silva, de 67 anos, é diretor-geral da FAO pelo segundo mandato consecutivo. Ele foi eleito em 2011, após atuar como ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome do gabinete do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   

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