A sessão desta quinta-feira na Câmara Municipal foi histórica para parte da plateia que nunca conseguiu entender o que os vereadores falavam no plenário. Depois de mais de 100 anos de existência do Legislativo, uma tradutora de libras traduziu de forma simultânea o que estava sendo dito.
Bastante emocionada Helga Silva Pereira Rosa assumiu o cargo após ser a primeira colocada no concurso realizado pela Casa de Leis. Ela concorreu com outros 35 candidatos.
“É um passo muito importante para a acessibilidade. Não é só uma realização profissional para mim, mas para a comunidade surda é uma conquista de anos. A lei municipal existe de 2005 e agora eles conseguiram esse espaço aqui”, afirmou.
Formada em fonoaudiologia ela começou a estudar libras depois de perceber as dificuldades que essas pessoas portadores de deficiência auditiva possuíam. “ Sempre me chamou atenção por serem uma minoria que não tem vez. Fiquei nervosa hoje porque é uma responsabilidade muito grande”, acrescentou.
Desde 2004 aprendendo libras ela vai ser a voz dos parlamentares sempre que for preciso. “É um processo que está em construção. Ainda vamos ver a questão de espaço e a direção quer fazer a tradução em tempo real ao vivo, na transmissão”, revelou.
Na plateia estava Carlos Magno Leonel Terrazas, um dos surdos que presenciou tradução. “De verdade é muito importante ter libras na Câmara para proporcionar uma comunicação que era interrompida. A acessibilidade não existia. Agora temos conforto da linguística e prazer em estar assistindo”.
Na oportunidade ele foi receber uma homenagem de um dos parlamentares e ficou feliz de poder se sentir incluído. “Antes minha cidadania era parcial. Agora posso usar todos os meus direitos”, assegurou.