Cidades

HABITAÇÃO

Condomínio sustentável terá energia solar e reúso da água da chuva

Projeto será construído em terreno no Bairro Paulo Coelho Machado e previsão é de ter 164 apartamentos e lojas na fachada externa

Izabela Cavalcanti

23/11/2021 - 09h30

O projeto escolhido por Campo Grande que foi vencedor de concurso da Secretaria Nacional de Habitação/Ministério do Desenvolvimento Regional em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Internacional Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) para ser executado na Avenida dos Cafezais, no Bairro Paulo Coelho Machado, prevê várias medidas para deixar a construção mais sustentável, entre elas está a instalação de placas de energia solar e sistema para coleta e reutilização da água da chuva.

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Elaborado pela arquiteta Paula Vilela e Souza, de São Paulo, o projeto prevê a construção de quatro blocos, que serão independentes entre si e que não terão cercamento, já que entre eles será feita uma área de convivência com uma praça, cujo objetivo é que possa receber moradores não só do condomínio, como do bairro inteiro.

De acordo com a diretora de Habitação e Programas Urbanos da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Amhasf), Aleida Resende Alves Gonçalves Moreno, como a sustentabilidade é o foco central do projeto, não há no plano a separação para vagas de estacionamento, já que a ideia é fazer com que as pessoas circulem mais dentro do bairro e, assim, não necessitem de transporte individual como meio de locomoção.

“O projeto fala de sustentabilidade nos seus mais variados níveis, a concepção do projeto deles é que tivesse acesso em todos os seus níveis do lote. Como é um projeto sustentável, apregoa a diminuição de geração de gás carbônicos, então menos carro é melhor para a cidade, por isso que um dos princípios do empreendimento é menos vagas de estacionamento, porque ele quer fazer a pessoa ir de bicicleta, de transporte coletivo, a pé. Ali também, de acordo com o nome Plano Diretor, é uma nova centralidade, então é descentralizar, fazer com que a pessoa não tenha de ir ao centro da cidade comprar alguma coisa, então a ideia é essa, tirar o custo dessa viagem. Até porque ali teremos um novo atacadista, terá o shopping das Moreninhas na esquina da Avenida dos Cafezais com a saída de São Paulo. Então fazer com que essas pessoas andem a pé, andem menos de carro”, explica a diretora.

COMÉRCIO

Para promover essa integração com o bairro, lojas serão abertas no piso inferior do condomínio. 

“Teremos uma fachada ativa de lojas, porque em vez de as pessoas irem ao Centro comprar algo, ele terá ali. Até porque isso vai favorecer o comércio local, pode ser uma padaria, pode ser o que for. A locação dessas áreas vai favorecer o custo do condomínio, porque o aluguel que vai ser pago será revertido para diminuir o custo dele, então é sustentabilidade nos seus mais variados graus”, continua Aleida.

Cada uma das quatro construções terá um pátio interno que será de acesso exclusivo dos próprios moradores do condomínio, no local haverá uma hora comunitária e um ter pátio com árvores e muito verde.

Na parte esterna, os prédios terão vários níveis de altura, a parte que estará para rua será mais alta, tem quatro pavimentos, e a interna e que fica de frente com os outros prédios terá dois pavimentos.

“Nós temos áreas internas que o próprio empreendimento propõe que a prefeitura assuma quatro salas e tenha aula de informática, uma pequena creche para os moradores e, se for o caso, para a comunidade ao redor. Então, são quatro salas para o município dar curso ou atender da melhor forma”, contou a diretora de habitação da Amhasf.

Sobre os comércios, a autarquia explica que não será ela quem definirá quais tipos de empreendimentos ficarão no local.

“O que nós estamos colocando é a disponibilização para as empresas virem, não somos nós que vamos selecionar, a gente vai fazer com a comunidade, ofertar essa sala para trazer o que a comunidade tenha interesse”, contou o diretor de Atendimento, Administração e Finanças da Amhasf, Cláudio Marques Costa Junior.  

PARTE INTERNA

Os apartamentos terão de 32,15 m² a 63,60 m², a depender da quantidade de quartos dispostos dentro do local. As unidades vão de um a três quartos, porém, de acordo com a secretaria, essas especificações podem ser adaptadas de acordo com a preferência dos moradores.

“A concepção da planta interna é uma planta livre, não são paredes de alvenaria, são paredes em drywall, a gente tem uma pré concepção, mas se amanhã ou depois a pessoa quiser modificar a planta, pode ser modificada. Se você precisar alterar, vai poder mexer, com um custo muito mais baixo. O drywal é muito mais fino e teoricamente tem isolamento acústico, e ele é muito mais leve, então isso, para o custo geral da estrutura, faz com seja mais barato, de uma forma mais sustentável. E ele não gera tanto o desperdício de material”, explicou Aleida.

Drywall é um sistema de construção a seco, que tem tratamento acústico e consiste em uma placa de gesso pré-fabricada, encapada com papelão ou fibra de vidro e que pode ser fixada em estruturas. 

Construções com essas estruturas são muito mais leves, mais baratas e mais rápidas do que as construções de alvenaria. É de rápida instalação e modificação.

Na parte da frente, os apartamentos terão uma fachada com brises – um elemento que protege o interior de um ambiente da incidência da luz solar –, que são móveis, com ventilação cruzada, o que diminui o índice de calor dentro das residências.

Das 164 unidades, 25 são acessíveis para pessoas com deficiência e idosos. 

A previsão é de que o empreendimento custe, ao menos R$ 18 milhões e seja destinado para pessoas que recebem até dois salários mínimos, mas isso depende de determinação do governo federal, que também deve aportar a verba para a prefeitura. Ainda não há previsão para duração da obra. 

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