A Prefeitura de Campo Grande teve prejuízo de mais de R$ 5 milhões somente neste ano com obras de reparo em estragos ocasionados pela chuva. Isso porque locais como a Avenida Filinto Müller, adjacente ao Lago do Amor, e a ponte sobre a Avenida Fernando Corrêa da Costa com a Rua José Antônio entraram na lista para receber intervenções em 2023.
O reparo na ponte sobre a Avenida Fernando Corrêa da Costa com a Rua José Antônio começou a ser feito há um pouco mais de um mês e está na etapa final. A prefeitura informa em nota que, por conta das chuvas, houve um atraso na obra. “Com o terreno encharcado, o trabalho das máquinas fica prejudicado”, completa.
A ponte começou a apresentar problemas em fevereiro. Após semanas interditada, foi constatado que havia a possibilidade de aumento da área erodida, o que oferecia riscos ao local. As obras têm previsão de 90 dias para serem entregues, e os custos serão de aproximadamente R$ 800 mil.
Já na Avenida Filinto Müller as obras começaram a ser realizadas em abril e têm previsão de duração de 120 dias. O local sofre com o impacto das chuvas desde janeiro e, com o passar das semanas, a cratera só aumentou.
A prefeita Adriane Lopes (Patriota) informou que as duas obras são prioridades para a prefeitura. O reparo na via lateral do Lago do Amor terá um custo de R$ 3.842.000,00.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) relatou que os reparos no local estão sendo executados normalmente, mas que “eventualmente pode ocorrer algum atraso, pelo mesmo problema com as chuvas, mas, como se trata de uma obra maior, o tempo perdido pode ser recuperado nas janelas de tempo seco”.
Se somadas, as duas obras em andamento resultam em um investimento aproximado de R$ 4.642.000,00.
Se contabilizado o valor do recapeamento feito no acesso ao Hospital São Julião, entre 2019 e 2020, que integra um pacote de drenagem e pavimentação do Jardim Anache de R$ 1 milhão, o montante chega a R$ 5 milhões. A prefeitura não informou o valor atualizado da recuperação na área do hospital.
Parte da via de acesso ao São Julião, na Rua Lino Villacha, e a passarela da calçada foram derrubadas em razão da chuva de terça-feira, inclusive removendo parte da cerca de proteção do local.
A Sisep informa que já iniciou, por meios próprios, as obras de recuperação do local, as quais devem ser feitas até o fim do mês. Além disso, a secretaria também reforça que “os serviços estão sendo intensificados conforme as condições meteorológicas e devem ser concluídos em breve”.
Porém, em outros locais da Capital, como na Rua Rivaldi Albert, via que dá acesso à Avenida Guaicurus, no Bairro Roselândia, uma cratera foi aberta, também em decorrência das chuvas dos primeiros meses do ano, e as obras de reparo ainda não começaram.
A equipe do Correio do Estado esteve no local e verificou que apenas motocicletas conseguem passar pela via – e ainda com dificuldades. Os carros têm de fazer retorno e tentar um outro acesso.
A Sisep informou que está na fase de finalização do projeto estrutural da ponte na rua Rivaldi Albert e que o próximo passo será a licitação para a empresa que executará a obra. Ou seja, um valor a mais para os reparos das chuvas.
Na terça-feira, além do Hospital São Julião, outros pontos da Capital também tiveram de passar por reparos de drenagem, manutenção de vias, limpeza, retirada de árvores e manutenção da iluminação, como a Avenida Cônsul Assaf Trad, a Rua Francisco Pereira Coutinho, a Avenida Guaicurus, a Rua Dário Anhaia Filho, a Rua Lagoa da Prata e a Avenida Nasri Siufi.
CHUVAS
Desde o início de 2023, houve um aumento na ocorrência de chuvas em Campo Grande, o que resultou no montante de obras a serem realizadas. De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, o maior volume de chuvas registrado na terça-feira foi de 34,2 mm, na região da UPA do Bairro Universitário.
O profissional alerta que este é um volume alto para menos de duas horas de chuva. Já o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou um volume acumulado de 15,4 mm nos 9 primeiros dias de maio, o que corresponde a 27,3% do total notificado em maio de 2022, que foi de 56,4 mm.
O aumento das chuvas foi observado em três dos outros quatro meses deste ano. Em janeiro deste ano, o Inmet registrou 328,6 mm de precipitação, enquanto no mesmo período de 2022 foram notificados 115 mm pelo instituto. Em fevereiro, a diferença também é grande. Neste ano, foi registrados 242,2 mm de chuvas, enquanto no ano passado foram 73,2 mm.
Já março foi o único mês deste ano que ficou atrás do registrado no mesmo período de 2022. Neste ano, foram notificados 196 mm de chuvas, enquanto em 2022 foram 211 mm. Abril também teve um aumento nas precipitações. Neste ano, foram resistrados 141,4 mm na Capital, enquanto no ano passado, no mesmo mês, o volume acumulado foi de 90 mm. (Colaborou Leo Ribeiro)