Cidades

segurança pública

A cada duas horas, 5 mulheres sofrem algum tipo de violência física no Estado

Fatores econômicos, culturais e educacionais podem contribuir para o alto índice registrado em Mato Grosso do Sul

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Mato Grosso do Sul registra, em média, 5 casos de algum tipo de violência contra mulheres a cada duas horas. Por dia, o número de ocorrências chega a 60 casos. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), até o início deste mês, 20.673 mulheres tinham sido vítimas de feminicídio, violência doméstica ou estupro em MS.

A Subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres argumenta que várias razões podem contribuir para os altos índices de violência contra as mulheres, entre elas, fatores socioeconômicos, culturais, educacionais e históricos. 

“A falta de conscientização, a impunidade, a desigualdade de gênero e a perpetuação de normas culturais prejudiciais podem ser alguns dos fatores que contribuem para esse problema”, detalha em nota ao Correio do Estado.

Além disso, é destacado pela subsecretaria que características específicas do Estado, como aspectos culturais e socioeconômicos, podem influenciar na prevalência da violência contra as mulheres.

Para a Subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres, os esforços para combater a violência contra a mulher geralmente envolvem políticas públicas, campanhas de conscientização, treinamentos para profissionais de segurança, apoio às vítimas e mudanças na legislação. O Estado pode implementar medidas para fortalecer a prevenção, a punição dos culpados e o suporte às vítimas.

Em Mato Grosso do Sul, foram registradas 20.673 ocorrências de algum tipo de violência, sendo 1.875 casos de estupro, 24 feminicídios e 18.774 notificações de violência doméstica até o início deste mês.
Em Campo Grande, a Sejusp já registrou 519 casos de estupro, 6 feminicídios e 5.664 vítimas de violência doméstica.

VÍTIMAS

Entre as vítimas de violência no Estado está Isadora (nome fictício para preservar a identidade da fonte). Ao Correio do Estado, ela relata que viveu por três anos em uma relação marcada por diversas agressões.
“Eu me relacionei com uma pessoa que no início parecia perfeita. Depois de dois anos, a gente resolveu morar junto, e foi aí que as agressões começaram”. 

Ela explica que nas primeiras semanas morando com o ex-namorado ele começou a proibi-la de sair de casa e conversar com amigos. 

“Tudo era uma desconfiança muito grande, e ele fazia eu acreditar que eu estava fazendo algo errado, mesmo não sendo verdade”. 

Quando resolveu questionar as atitudes do namorado, Isadora foi agredida pela primeira vez. 
“Eu lembro que na hora eu fiquei em choque e, depois, cheguei a acreditar que ele tinha se arrependido e nunca mais ia fazer isso”, relata. 

“Dessa vez eu não tive coragem de contar para ninguém, mas aí ele tentou me bater de novo e, antes que algo pior acontecesse, eu juntei coragem para sair de casa e buscar a ajuda de minha família e de meus amigos”. 

Atualmente, Isadora não tem nenhum contato com o ex-namorado, mas ela relata que as marcas de ser agredida ainda estão sendo tratadas na terapia. 

“Na época eu não tive coragem de denunciar. Eu comecei a fazer terapia porque tudo o que aconteceu mexia muito comigo ainda. Por mais que tenha acontecido tem alguns anos, eu ainda sofro com o que aconteceu e acho que isso vai ficar para sempre”.

Um dos últimos casos de violência que ganharam destaque no Estado ocorreu no dia 17 de outubro deste ano, quando uma adolescente de 17 anos foi resgatada após denúncias de moradores de que a vítima sofria agressões. Após o resgate, a adolescente relatou que era mantida em cárcere privado pelo companheiro, de 27 anos, e submetida a vários tipos de violências físicas e psicológicas na casa onde moravam, nas Moreninhas, em Campo Grande. 

Entre as agressões, a jovem sofreu espancamentos, queimaduras no corpo feitas com água fervente e ferro de passar roupa e choques elétricos. Além disso, ela teve partes íntimas e cabelos cortados com faca, foi obrigada a introduzir objeto também em parte íntima e a tomar remédios controlados até ficar dopada.

RECORDE

No período de janeiro a setembro, ao comparar o índice de violência doméstica contra mulheres em Mato Grosso do Sul de 2022 e deste ano, o Estado registrou recorde na série histórica, que começou em 2013, quando a Sejusp iniciou o levantamento de dados sobre as ocorrências.

Em todo MS, 16.313 pessoas sofreram violência doméstica de janeiro a setembro deste ano, a maioria eram mulheres. Em 2022, no mesmo período, foram 16.053 pessoas e, em 2021, foram 14.686 vítimas de violência doméstica. 

Em todos os anos desde o início da série histórica, Campo Grande segue com números alarmantes de casos de violência doméstica, sendo registradas no ano passado 5.630 ocorrências de janeiro a setembro. Em 2021, no mesmo período, foram 4.933 vítimas e, neste ano, 5.483 pessoas sofreram violência doméstica.

Atendimento

Atualmente, existem redes de apoio disponíveis de maneira remota e presencial para realizar o atendimento às vítimas.

Existem várias formas de se pedir ajuda. Em caso de urgência e emergência, ligue 190. Para fazer uma denúncia ou pedir informações, ligue 180. Para solicitar uma visita da Patrulha Maria da Penha, ligue 153.

Para denunciar e passar pelo primeiro atendimento, procure a Casa da Mulher Brasileira ou uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, ressaltando que o atendimento na Capital é 24 horas. A Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, Lote A, Quadra 2, no Jardim Imá, e o telefone é (67) 2020-1300.

O Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) atende mulheres vítimas da violência doméstica ou de qualquer outra agressão por causa do gênero. Primeiro, a mulher passa por uma triagem para, depois, ser atendida por psicólogas e assistentes sociais. O Ceam fica na Rua Piratininga, nº 559, no Jardim dos Estados, e o telefone é 0800-067-1236

Para denunciar violência doméstica pela internet, basta acessar o site da Delegacia Virtual da Polícia Civil, clicar em “Registrar denúncia” e, posteriormente, em “Violência contra a mulher”. O registro no site pode ser feito de qualquer local de Mato Grosso do Sul. 

O Ministério Público realiza atendimento pelo WhatsApp: (67) 99825-0096. O telefone da 72ª Promotoria de Justiça da Casa da Mulher Brasileira é 3318-3970. A Defensoria Pública pode ser contatada pelo número (67) 99247-3968 e pelo site defensoria.ms.def.br. O telefone do Núcleo de Defesa da Mulher é (67) 3313-4919.

 

Terra Forjada

Operação que investigou grilagem apura fraude em posse de terras

Polícia Federal foi novamente a empresa especializada em topografia que estaria envolvida no esquema

08/04/2026 08h00

Empresa Toposat, especializada em georreferenciamento, recebeu a visita de agentes da PF ontem

Empresa Toposat, especializada em georreferenciamento, recebeu a visita de agentes da PF ontem Marcelo Victor/Correio do Estado

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Após ser investigada por suspeita de grilagem de terras no Pantanal, a empresa Toposat, que é especialista em topografia, loteamento e georreferenciamento, foi novamente alvo de investigação da Polícia Federal (PF), desta vez, por possível esquema de fraude mediante a inserção de informações falsas sobre propriedade de terras rurais.

De acordo com a PF, a investigação, que resultou na Operação Terra Forjada, apurou que havia suposta “manipulação de dados em sistemas públicos federais, com a finalidade de simular domínio ou posse sobre áreas rurais, incluindo terras públicas e propriedades privadas regularmente constituídas”. 

Ainda segundo a investigação, também foram encontrados indícios de fraudes relacionadas à reserva legal, ou seja, o investigado inseria “informações inconsistentes para conferir aparência de regularidade ambiental”.

“Apurou-se que um dos responsáveis teria inserido dados ideologicamente falsos nos sistemas oficiais, inclusive com uso indevido de informações vinculadas a imóvel diverso, viabilizando a tentativa de apropriação de terra pública e a sobreposição indevida de área particular”, diz trecho da nota da PF.

Dentro dessa investigação, uma das empresas alvo de mandados de busca e apreensão foi a Toposat, em Campo Grande. A mesma empresa já foi envolvida em outro esquema, em 2023, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Terra Nullius, que investigou fraudes fundiárias envolvendo a inserção de dados falsos em sistemas públicos com o objetivo de simular posse e viabilizar a regularização indevida de áreas rurais, inclusive com indícios de grilagem de terras.

Dois anos depois, no ano passado, outra operação, a Pantanal Terra Nullius, apontou novamente a empresa como envolvida em um esquema de suposta grilagem de terras no Pantanal de Mato Grosso do Sul, em que foi detectada a tentativa de regularização fundiária em áreas da União desde, pelo menos, 2020.

ESQUEMA

Conforme investigação do ano passado, o esquema envolvia empresários, servidores da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), um engenheiro cartógrafo e a empresa Toposat.

Matéria do Correio do Estado de maio de 2025 mostrou que os investigados inseriram, em agosto de 2020, por meio do engenheiro cartógrafo Mário Maurício Vasquez Beltrão, pedido de regularização fundiária da Fazenda Carandá Preto, de 2.225 hectares, imóvel que, segundo a PF, iniciou a suspeita de fraude das autoridades.

As apurações indicam que empresários e fazendeiros da região pantaneira falsificavam documentos e os inseriam em processos administrativos de titulação para obterem áreas do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, localizado em faixa de fronteira.

A Operação Pantanal Terra Nullius visou desarticular esse esquema de grilagem de terras da União no Pantanal, que fraudava Cotas de Reserva Ambiental (CRAs) ou Títulos de Cota de Reserva Ambiental estadual (TCRAEs) na emissão e na comercialização desses documentos.

O esquema envolvia agentes internos da Agraer, que “escondiam” terras da União no processo de regularização fundiária.

Conforme a corporação policial, “de forma dolosa, os responsáveis omitiriam que as áreas em questão pertenciam à União”, o que, em tese, tornaria a agência em questão incompetente para decidir sobre tais terrenos.

De acordo com a PF, o esquema funcionava da seguinte forma: se ninguém identificasse a origem pública da terra, a titularização era concluída de forma ilegal.

Porém, caso a fraude fosse percebida durante o trâmite, o processo era cancelado sob a justificativa de irregularidade, alegando-se erro no reconhecimento da titularidade da área.

Na operação do ano passado, os alvos foram, além de Mário Beltrão: Bruna Feitosa Beltrão Novaes, engenheira sanitarista e ambiental; Nelson Luis Moia, funcionário da empresa Toposat Engenharia e Ambiental Ltda.; Elizabeth Peron Coelho, empresária e pecuarista; André Nogueira Borges, ex-diretor-presidente da Agraer; Evandro Efigênio Rodrigues, funcionário da Agraer; Jadir Bocato, gerente de Regularização Fundiária da Agraer; e Josué Ferreira Caetano, funcionário da Agraer.

No ano passado, foram cumpridos mandados na Agraer, porém, desta vez, a autarquia estadual não esteve entre os alvos.

André Nogueira Borges foi diretor-presidente da Agraer na gestão de Reinaldo Azambuja e seria uma das peças principais do esquema.

* Saiba

Na operação do ano passado, a Pantanal Terra Nullius, além da apreensão de bens, foi feito o bloqueio de valores dos suspeitos que superariam os R$ 3 milhões.

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Cidades

Fenabrave revela que Programa Carro Sustentável elevou vendas em 31% no 1º trimestre

A instituição reiterou que, mesmo com o bom desempenho, não deve alterar suas projeções para o primeiro semestre do ano

07/04/2026 22h00

Crédito: José Cruz / Agência Brasil / Arquivo

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O Programa do governo federal "Carro Sustentável" promoveu uma evolução nas vendas de veículos de 31% no primeiro trimestre do ano, em comparação com 2025, segundo dados divulgados durante coletiva de imprensa, na manhã desta terça-feira, 7, pela Fenabrave, a entidade que representa as concessionárias. O número de automóveis que se enquadravam no programa subiu de 69 417 para quase 110.000 após o benefício, no primeiro trimestre de 2026.

O presidente Arcelio Junior, da Fenabrave, explicou que o melhor resultado para o mês de março em 13 anos foi puxado pelos descontos no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) do programa e por promoções do setor. "O mercado brasileiro é muito competitivo, e as promoções de automóveis estão incentivando bastante as compras dos consumidores", observa.

Além disso, Junior também elencou um terceiro motivo: o calendário de março teve mais dias úteis, o que contribuiu para o desempenho robusto do mês.

A instituição reiterou que, mesmo com o bom desempenho, não deve alterar suas projeções para o primeiro semestre do ano.

Segundo a Fenabrave, "a palavra do momento é incerteza", em referência ao impacto dos conflitos geopolíticos, de forma que é muito cedo para novas estimativas. A associação deve fazer um novo anúncio somente em julho de 2026.
 

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