Cidades

COMOÇÃO NACIONAL

"A mãe culpava o irmão da Sophia pelas agressões", diz pai da criança

Jean Ocampo diz que quando questionava machucados, mulher dizia que eram de quedas e causados pelo irmão, de 4 anos

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Opai da menina Sophia Ocampo, de 2 anos, morta após ser espancada pela mãe, Stephanie de Jesus da Silva, 24, e pelo padrasto, Christian Campoçano Leitheim, 25, disse que a mulher culpava o irmão da criança pelos ferimentos.

Em audiência pública na Câmara Municipal, nesta quarta-feira (15), Jean disse que a mulher esperava os ferimentos da menina cicatrizarem para entregá-la a ele.

"Era sempre assim, quando a neném estava machucada, ela [a mãe] sumia. Aí quando passava os hematomas, ela aparecia querendo dinheiro", disse Jean.

Ainda segundo ele, quando ele questionava Stephanie sobre as marcas, ela culpava o irmão da criança, um menino de 4 anos, pelos machucados.

"Quando ela vinha com a coloração [dos machucados] já quase cicatrizada, dizia que ela caia o tempo inteiro e, com marcas de mordida, ela falava que era o outro menino [filho de Stephanie] que tinha lá na casa e era um pouco mais velho do que ela", afirmou.

"Então, sempre era culpa do menino, sempre era eles brincando, sempre era uma queda", acrescentou.

Ainda muito abalado pelo caso, Jean conta que o foco agora é buscar justiça por Sophia e ajudar para que outras pessoas não passem pelo mesmo.

"Em relação a tudo, não vai trazer minha filha de volta. Mas o que a gente quer é que outros pais não passam pelo que a gente passou", conta.

"Esse mal, a morte da Sophia eu não carrego nas minhas mãos, porque eu tenho, no meu coração, que o que eu pude fazer para ter a minha filha comigo viva, eu fiz, eu fiz a minha parte como pai, mas eu sou limitado".

Ele critica o fato de ter tentado diversos meios legais para tentar impedir que o caso chegasse a tal gravidade, tanto fazendo boletins de ocorrência devido à suspeita de que a filha era agredida, quanto pedindo a guarda dela na justiça.

Além disso, ele também cita possível omissão da rede de saúde, porque a menina tem histórico de 30 entradas em unidades de saúde e o caso nunca foi reportado.

Sobre estes casos, ele critica a burocracia, pois, pela demora, a menina morreu enquanto o processo ainda tramitava.

Ele disse ainda que apresentou diversos documentos para obtenção da guarda e acredita que houve "homofobia velada" para a não concessão, pelo fato dele ser casado com outro homem.

"Nós estamos buscando justiça pela Sofia e nós queremos que venha ter uma facilidade de acesso em relação aos órgãos que protegem a criança. Porque é muito difícil, você vai num lugar, aí você é encaminhado para outro. Então que todos falem uma só voz, que todos tenham um objetivo só, que é é proteção à criança", pediu.

Caso Sophia

Sophia morreu no dia 26 de janeiro de 2023. Ela foi levada pela mãe até uma unidade de saúde, onde foi constatado que ela já estava morta há cerca de 7 horas e com ferimentos que indicavam que ela foi agredida e abusada sexualmente.

Christian Campoçano Leitheim, 25, e Stephanie de Jesus da Silva, 24, padrasto e mãe da menina, respectivamente, se tornaram réus por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, contra menor de 14 anos e meio cruel, sendo que o padrasto também é denunciado pelo crime de estupro de vulnerável. 

A mãe também acumula a denúncia de homicídio doloso por omissão, já que só encaminhou a menina à Unidade de Pronto Atendimento aproximadamente sete horas após sua morte. 

Antes de morrer, a criança deu 30 entradas em unidades de saúde devido à agressões que sofria.

Após o crime, a mãe e o padrasto ainda combinaram uma versão para dar à polícia.

Audiência

A audiência foi convocada pela Comissão Permanente de Segurança Pública, composta pelos vereadores Tiago Vargas (Presidente), Coronel Villasanti, Valdir Gomes e Ayrton Araújo, para debater sobre a Rede de Proteção à Crianças e Adolescentes em situação de risco.

Conforme Vilassanti, o objetivo é ouvir todas as entidades e verificar os procedimentos da atual rede de atendimento e proteção à criança e adolescente.

"É preciso identificar se o sistema atual possui falhas e saná-las o mais rápido possível, para que não ocorra mais casos como o da menina Sophia que perdeu a vida com apenas dois anos e meio”, disse Villasanti.

Campo Grande

Homem morre após entrar em confronto com o Choque perto do aeroporto

Jean Gabriel esteve envolvido em um latrocínio contra um taxista, em 2020, quando tinha apenas 17 anos

11/08/2026 08h10

Arma usada pelo criminoso durante a abordagem dos policiais militares

Arma usada pelo criminoso durante a abordagem dos policiais militares Divulgação

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Na noite desta segunda-feira (10), um homem, identificado como Jean Gabriel Rapini de Souza, de 24 anos, foi morto após entrar em confronto com policiais militares do Batalhão de Choque. O caso ocorreu na Avenida Manoel Ferreira, no bairro Santo Antônio, próximo ao Aeroporto Internacional de Campo Grande.

Durante a ocorrência, viaturas do Choque fecharam ruas na região do Aeroporto e do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). Conforme o relato da Polícia Militar, Jean estava em um veículo e reagiu a abordagem dos agentes. Ele estava armado e, em determinado momento, saltou do carro em movimento quando foi baleado.

O homem chegou a ser socorrido pelos militares, mas morreu. A Perícia e a Polícia Civil foram acionadas.

Conforme apurado, Jean Gabriel esteve envolvido em um caso de latrocínio, em abril de 2020, quando tinha apenas 17 anos. O caso ocorreu em Campo Grande e a vítima foi o taxista Luciano Barbosa Franco, de 44 anos. O criminoso, menor de idade, foi apreendido na Unidade Educacional de Internação (Unei).

Latrocínio em 2020

Na noite do dia 25 de abril de 2020, Jean Gabriel Rapini de Souza e duas mulheres estiveram envolvidos em um latrocínio contra o taxista Luciano Barbosa Franco.

Na ocasião, o taxista aceitou uma corrida do Shopping Campo Grande ao Jardim Carioca. Na manhã do outro dia, o carro de Luciano, um Volkswagen Virtus, foi encontrado sem as rodas, no bairro Santa Emília.

O corpo do taxista foi localizado em um matagal, com um tiro na cabeça, no prolongamento da Avenida Duque de Caxias, na região do Indubrasil.

A irmã do taxista foi quem procurou a polícia durante a madrugada, para denunciar o desaparecimento. Ela relatou que o irmão recebeu o chamado da corrida por volta das 23 horas do sábado, e, mesmo considerando o pedido estranho, decidiu fazer a corrida.

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Em Investigação

Acolhida em unidade infantil, Ayla só volta para a família após decisão judicial

Menina que teria sido sequestrada dias após o nascimento na Capital e resgatada no Paraguai está com o Conselho Tutelar

11/08/2026 07h45

Ayla foi sequestrada na semana passada e levada ao Paraguai

Ayla foi sequestrada na semana passada e levada ao Paraguai Foto: Reprodução

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A pequena Ayla Emanuelly Pereira de Souza completa hoje 29 dias de vida, mas já passou por muita coisa. Encontrada em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, após supostamente ter sido sequestrada em Campo Grande, ela estava em uma unidade de acolhimento infantil de Ponta Porã até o fim da tarde de ontem e só deverá retornar à família caso haja uma decisão judicial devolvendo o bebê à mãe.

O caso foi registrado na quinta-feira, quando a mãe, uma adolescente de 17 anos, contou que foi atraída por uma mulher para uma casa com a promessa de um emprego, onde teria sido ameaçada e mantida como refém ao lado da irmã de 13 anos, enquanto a mulher e um homem sequestraram o bebê.

Ayla foi encontrada na madrugada de domingo em Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã, em ação conjunta dos agentes da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), membros da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestro (Garras) e a polícia paraguaia.

Ela estava em uma casa no Bairro Virgen de Caacupé, em Pedro Juan, com o casal Suzilaine da Graça Costa e Alex Melo de Abreu, que no momento de sua prisão apresentou identidade falsa com o nome de Weliton Aparecido Lopes. 

O homem possuía mandado de prisão e uma pena de 19 anos a cumprir por homicídio cometido no estado do Amazonas. Já a mulher foi reconhecida pela família da mãe do bebê como a pessoa que teria oferecido um emprego para a adolescente.

Após a criança ser encontrada, ela foi entregue para o Conselho Tutelar de Ponta Porã, que a destinou a uma unidade de acolhimento infantil, onde ela seguia até a tarde de ontem.

Segundo a conselheira Loisa Higa, que atua no Conselho Tutelar do Anhanduizinho, em Campo Grande, até ontem eles não haviam sido informados se o bebê seria trazido para a Capital e nem quando isso aconteceria.

Porém, por se tratar de um caso policial e que envolveu o acolhimento em unidade infantil, caso ela venha para Campo Grande deverá novamente ser acolhida em um local como esse.

“Quando acontecem casos como esse, a transferência é feita de acolhimento para acolhimento. Só podemos entregar para a família caso haja uma decisão judicial que determine isso”, explicou a conselheira.

De acordo com Loise Higa, apenas ontem o Conselho Tutelar da Capital foi notificado sobre o caso e, após isso, realizou uma visita para a família.

“Fizemos hoje [ontem] uma visita ao domicílio da criança e já passamos para a saúde o pedido de acompanhamento psicológico os outros menores do local”, contou.

ACOMPANHAMENTO

Segundo a conselheira, a família da pequena Ayla já era acompanhada pelo Conselho Tutelar do Anhanduizinho muito antes da gravidez da criança. 

No local, que seria uma espécie de vila, com várias casas, todas da mesma família, moram cerca de cinco menores de idade e que eram acompanhados pelos conselheiros por “algumas fragilidades”, como citou Higa.

A família contou que somente ontem a pequena Ayla foi registrada em cartório, a dois dias de completar um mês de vida.

“Eles disseram que a demora ocorreu porque aguardavam disponibilidade do genitor, para ele comparecer junto com a mãe no cartório”, contou a conselheira ao Correio do Estado.

INVESTIGAÇÃO

O caso é investigado pela DEPCA de Campo Grande. Ontem, a titular da delegacia, Anne Karine Trevisan, esteve em Ponta Porã para ouvir o casal que estava com a criança.

A Polícia Civil não quis dar detalhes sobre a investigação até o fechamento desta edição.

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