Cidades

PERIGO NA MINEIRAÇÃO

Acidente em barragem de Corumbá quase foi 'catastrófico', diz Vale

Arquivos confidenciais da empresa foram vazados por hackers a portal

RAFAEL RIBEIRO

30/01/2019 - 17h07
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Um acidente que não teve consequências, mas poderia ser catastrófico. Assim a Vale classificou incidente ocorrido dentro de barragem em mina subterrânea no Maciço do Urucu, em Corumbá, no último dia 5.

O  caso é um dos revelados pelo portal 'TecMundo', na tarde desta quarta-feira (30), após invasão de hackers no sistema da empresa e vazamento de documentos confidenciais internos.

De acordo com uma das planilhas vazadas pelos piratas digitais (veja abaixo), o fato ocorreu por volta das 4h. 

"A equipe de perfurtação iniciou a atividade (...) às 1h. Após realizar sete furos de cionco metros perceberam uma movimentação na lateral direita da galeria e decidiram parar a atividade e recolher as haster que estavam no furo e em seguida houve queda de material na lateral do equipamento", diz a descrição detalhada do ocorrido na ficha.

Classificado como 'quase acidente', o potencial é dito como 'catastrófico' para a saúde e segurança, segundo a ficha. Além disso, representaria risco financeiro leve à empresa.  

CASO

O 'susto', como pode ser descrito o episódio na avaliação de especialistas, é mais um a ser vazado pelos invasores.

De acordo com o 'TecMundo', os hackers teriam se aproveitado de uma falha no Microsoft SharePoint, ferramenta de software para colaboração em equipe, para resgatar atas, ocorrências e incidentes de segurança pelo mundo.

O portal recebeu os documentos na terça-feira (29) por uma fonte anônima. São cerca de 40 mil arquivos. Por lá, é possível encontrar incidentes de segurança que aconteceram entre 2017 e 2019 em áreas da Vale no Brasil, Canadá, Moçambique, Nova Caledônia e Indonésia. 

Os documentos internos mostram como a Vale lida e categoriza incidentes que aconteçam com funcionários ou ambientais

“Um dos documentos relata assalto a mão armada em um duto, e não houve registro de ocorrência policial posterior”, afirmou um dos vazadores à reportagem do 'TecMundo'. 

A Vale foi contatada sobre o incidente e a resposta da emrpesa está no final desta reportagem. 

Do outro lado, os hackers não detalharam como a companhia foi invadida, apenas notaram que os documentos foram extraídos por meio de uma falha na URL oculta que estava aberta ao público — “Indexação de documentos secretos em um subdomínio oculto, por meio de motores de busca”, notaram.

Os hackers também enviaram uma nota ao 'TecMundo' sobre os motivos da invasão."Quanto vale uma vida? Para a Vale do Rio Doce uma vida é apenas um número, uma cifra, um ponto estatístico, um risco mensurável na reputação da marca. Achamos que teriam aprendido com experiências passadas, mas é simplesmente impossível que percebam valor de uma vida, se eu mato 65 pessoas sou retirado de circulação, se uma empresa do tamanho dela mata, recebem uma multa e continuam operando normalmente. Uma multa! Não é a toa que assim a vida também tenha um preço. Eu e você todos temos um preço nessa tabela, é questão de tempo para sermos os próximos, assim que isso for rentável. Não iremos ficar quietos, lutaremos contra a estupidez com a informação. Quanto vale a vida? A vida vale mais do que a vale", contam no texto, publicado na íntegra pelo portal.

Autoridades estaduais se reúnem antes de inciiarem vistorias em barragerns de Corumbá (Governo de MS)

BARRAGENS NO PANTANAL

De acordo com o parecer técnico de 2015 do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, a Mineradora Vale S.A possui 14 barragens de rejeitos no Morro do Urucum e 1 no Morro de Santa Cruz, denominada Barragem do Gregório, ambas em Corumbá. As informações foram divulgadas pelo próprio MPE-MS, por meio de nota, justificando o arquivamento do inquérito aberto pelo órgão para averiguar parecer técnico recebido naquele ano do Governo do Estado, já sob responsabilidade de Reinaldo Azambuja (PSDB).

As 14 barragens são classificadas como de risco “muito pequeno” quanto ao volume, “baixo” quanto ao risco de acidentes e, apenas uma delas como “médio” Dano potencial Associado.

Primeiro encontro de grupo que fiscalizará situação das barragens em MS foi segunda: trabalhos começam amanhã. 

Já a barragem de Gregório foi considerada, de acordo com o parecer do Imasul, como “médio” risco quanto ao volume, “baixo” quanto ao risco de acidentes e “alto” quanto ao Dano de Potencial Associado. 

No entanto, o Imasul concluiu que a mesma apresenta boas condições estruturais com presença de vegetação arbórea densa nas áreas de jusante, não sendo constatadas fissuras ou degradação nos taludes e nem a presença de ocupação humana.

O Imasul constatou ainda, que nas barragens situadas na porção mais baixa do terreno referente ao Complexo Fe Pé da Serra havia extravasamento de resíduos para o solo à corrente fluvial, sendo que a deposição deste material provocou mortandade de algumas espécies arbóreas. O parecer verificou também uma pequena erosão na base na Barragem 02Fe As, interligada à barragem 03 Fe As.

Diante disso, foi instaurado Inquérito Civil em face da Vale, cujo objeto era averiguar a situação estrutural das barragens de rejeitos de minérios localizadas no Morro do Urucum e Morro Santa Cruz, ambos de responsabilidade da empresa. O inquérito objetivou ainda solicitar adoção de medidas apontadas no parecer técnico do Imasul, para saneamento das irregularidades.

Na ocasião, a 2ª Promotoria de Justiça de Corumbá notificou a empresa para que providenciasse a paralização do extravasamento e a realização da remoção dos rejeitos de minério nas barragens situadas na porção mais baixa do terreno referente ao Complexo Fe Pé da Serra, bem como a mitigação das erosões localizadas nas barragens 01 Fe AS (parte interior, nas proximidades do ponto de descarga do efluente) e 02 Fe AS (na base). 

O MPE-MS solicitou ainda a recuperação da área de 0,2208 hectares nas proximidades do Complexo de Barragens Pé da Serra do Urucum, que foi afetada pelo lançamento de resíduos.

Após a notificação da empresa, em julho de 2016, a Promotoria promoveu o arquivamento do inquérito, devido ao cumprimento na íntegra de todas as exigências feitas à Vale. De acordo com os autos, todas as correções foram realizadas para sanar as irregularidades apontadas pelo Imasul.

Já no ano passado, inspeção realizada em setembro do ano passado pela Agência Municipal de Proteção e Defesa Civil de Corumbá constatou infiltração na barragem Laís, da mineradora Vetorial, também localizada no Maciço do Urucum. 

No entanto, de acordo com o primeiro-tenente do Corpo de Bombeiros Isaque do Nascimento, diretor-executivo da agência, o problema é considerado “tênue” e não representa risco, apesar de ser sinal de alerta quanto às condições da estrutura.

Tragédia já deixou mais de cem mortos em cidade mineira

AVERIGUAÇÃO

O Governo do Estado, por meio do Imasul, coordenará o trabalho de fiscalização das barragens de rejeitos de minério de ferro em Corumbá neste ano. Os trabalhos práticos começaram nesta manhã, já que nesta terça-feira (29) mais uma rodada de reuniões foi realizada, desta vez com as mineradoras Vale, MMX e Vetorial .

Segundo o Governo, trata-se de uma ação preventiva para que se tenha de fato a garantia de segurança das mesmas, considerando os impactos humanos e ambientais causados pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG).

Segundo o engenheiro Odilon Silva, gerente de operações da Vale, simulações feitas por computador indicaram que, em caso de rompimento da principal barragem de Urucum, a Gregório, com 9 milhões de metros cúbicos de capacidade, a chamada mancha de inundação atingiria os balneários localizados no distrito de Maria Coelho, chegando à rodovia BR-262, numa extensão de 16 quilômetros. Na região residem cerca de 200 pessoas.

Apresentação do relatório da Vetorial, na sede da Administração da Hidrovia do Paraguai (Ahipar)

Para o diretor-presidente do Imasul, Ricardo Eboli, a grande preocupação é essa mancha chegar à Baía do Jacadigo, a alguns quilômetros da rodovia, que tem ligação com o Rio Paraguai, o que causaria uma destruição ambiental sem precedentes ao Pantanal.

A Vale informou que caso ocorra um incidente no fim de semana, a população flutuante na região chegaria a 600, número previsto pela gestão de crise montado pela empresa.

A Vetorial também expôs seu plano de monitoramento e de atendimento emergencial aos moradores que vivem ao redor da Morraria de Urucum, onde a empresa opera uma siderúrgica e retira o minério de suas minas.

TRAGÉDIA

A Vale está nos holofotes por um crime ambiental: o rompimento da barragem de Brumadinho, Minas Gerais, que aconteceu na última sexta-feira (25). Rompeu-se uma barragem de rejeitos de mineração construída no ribeirão Ferro-Carvão, no Córrego do Feijão, que até o momento deixou mais de 84 corpos e 276 pessoas desaparecidas.

Após o acidente, a Vale afirmou que irá desativar todas as barragens similares que existem no Brasil.

OUTRO LADO

Por meio de nota, a Vale se posicionou sobre a reportagem. Confira a íntegra:

"A Vale informa que a ocorrência citada não tem relação com nenhuma das barragens de sua propriedade. Além disso, a ocorrência refere-se a um quase acidente, ou seja, não houve lesão a qualquer empregado, nem danos materiais ou danos ambientais. Como forma de prevenção, este tipo de evento é registrado, criteriosamente analisado e tratado para que seja evitada a recorrência.

Quanto à severidade reportada como catastrófica, esta se refere às lesões que poderiam ser causadas aos empregados envolvidos no incidente. Em relação ao meio ambiente, conforme pode ser visto no registro, a classificação é “sem consequências”.

A Vale esclarece, ainda, que não houve falha técnica no site Sharepoint ou invasão de seu ambiente de TI. Os arquivos de uso interno que foram atribuídos a um vazamento, na verdade, estavam disponíveis em área pública do site da empresa (www.vale.com) . As informações contidas nos documentos são registros e tratativas dos incidentes e quase acidentes de segurança. Esse registro é obrigatório na Vale e faz parte de seu sistema de Gestão de Saúde e Segurança e Meio Ambiente."

*Reportagem editada às 16h48 do dia 31/1/2019 para acréscimo do posicionamento da Vale

 

MATO GROSSO DO SUL

Chef campo-grandense expõe culinária do Pantanal para o Brasil e mundo

Especialista local que já foi jurado convidado do Masterchef participa de eventos no Masp e no Bioparque de MS

16/05/2026 17h00

Um dos

Um dos "speakers" do evento, o chef campo-grandense afirma estar vivendo "um sonho muito especial" Reprodução/Divulgação

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Campo-grandense nato, o hoje renomado chef Paulo Machado , que já esteve inclusive como jurado convidado no maior reality gastronômico brasileiro, Masterchef, carrega a gastronomia sul-mato-grossense consigo e participará na próxima semana como representante da culinária pantaneira em agendas no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) e também no Bioparque Pantanal, que será sede de evento global.

Toda essa "correria" como expoente da gastronomia sul-mato-grossense começa já na segunda-feira (18), durante a Experiência Gastronômica Aromas & Sabores, organizada pelo governo de Mato Grosso do Sul no famoso Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP). 

Colocando a cozinha regional e pantaneira mais uma vez em evidência, esse primeiro evento vai para além de uma apresentação dos pratos típicos sul-mato-grossenses, sendo uma oportunidade de colocar a culinária local em um de expressão contemporânea, representando no paladar o "território, patrimônio e experiência". 

Logo no dia seguinte, à partir das 13h, o Bioparque Pantanal será sede de um evento global: a segunda edição do TEDxCarandá, que neste ano vêm com o tema "Encontro das Águas". 

Um dos "speakers" do evento, o chef campo-grandense afirma estar vivendo "um sonho muito especial" ao participar desta edição que envolverá meio ambiente, diversidade, cultura, causas sociais e negócios.

"É a oportunidade de transformar minhas vivências em uma maneira de inspirar pessoas. Mais do que falar de gastronomia, vou falar de territórios, histórias e vivências que moldam o que eu pesquiso há anos e responde um pouco do que é a cozinha a qual eu pertenço, a dessa gente pantaneira, de fronteira, caipira e orgulhosa de ser do interior. Minha mensagem é mostrar que a cozinha do Mato Grosso do Sul carrega identidade ímpar e que valorizar nossas raízes também é pensar futuro”, cita Paulo Machado.  

Entenda

Programa de eventos locais organizados de forma independente, o TEDx (Tecnologia, Entretenimento e Design) baseia-se no popular formato das conferências TED Talks, com o intuito de também contribuir com a disseminação de ideias relevantes por meio de palestras curtas e de alto impacto.

Essa iniciativa acontece pela segunda vez em Campo Grande, já tendo passado por diversos países com mais de quatro mil eventos por ano. A primeira foi feita há quase dois anos, em novembro de 2024. 

Importante destacar que essa programação no Bioparque Pantanal contará também com transmissão ao vivo, feita através do canal oficial do TEDxCarandá (CLICANDO AQUI)

Já para o evento no Masp, entre os nomes aparecem: 

  • Paulo Machado, 
  • Marcílio Galeano,
  • Lucas Yonamine, 
  • Jadicelia Miyassato Tamasiro e
  • Juanita Battilani.

No cardápio, o Museu deverá receber versões e leituras inesperadas que passam desde pelo tradicional macarrão de comitiva, até a sopa paraguaia, o steak tartare de carne de sol e o drink batizado de "MS Mule", que é feito à base de guavira. 

"Nossa gastronomia, nossos biomas e nossa cultura têm identidade, sofisticação e muita história para contar. Quero levar como mensagem a força da cozinha pantaneira e de fronteira, o trabalho das mulheres que conheci e que cozinham diariamente no Pantanal e são guardiãs de receitas, valorizando ingredientes, produtos, enfim, tradições que constroem nossa cultura todos os dias", conclui o chef em nota. 

 

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INTERIOR

MS reabre licitação para 'bondinho' em parque natural do interior

Em mais de 70 hectares de extensão, ponto já conta com uma série de atividades, entre elas o principal cartão-postal de Costa Rica: o Salto do Majestoso

16/05/2026 15h53

Em mais de 70 hectares de extensão, esse parque natural já conta com uma série de atividades, cabendo destacar entre elas o principal cartão-postal de Costa Rica, batizado de Salto do Majestoso.

Em mais de 70 hectares de extensão, esse parque natural já conta com uma série de atividades, cabendo destacar entre elas o principal cartão-postal de Costa Rica, batizado de Salto do Majestoso. Reprodução/Sectur-CostaRica

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Nesta semana o Governo do Estado anunciou a reabertura da licitação que deve trazer um "bondinho" no chamado Parque Natural Municipal Salto do Sucuriú, em Costa Rica, em um valor estimado de quase três milhões de reais. 

Conforme exposto em diário oficial do Governo do Estado, pelo Executivo Municipal de Costa Rica, o investimento total previsto para contratação de empresa especializada para construção de infraestrutura turística tipo plano inclinado, somam exatos R$2.905.314,69. 

Essa licitação retomada têm agora também uma nova data para abertura de propostas, marcada para 1° de junho, às 07h30 pelo horário de Mato Grosso do Sul. Confira o anúncio:

Em mais de 70 hectares de extensão, esse parque natural já conta com uma série de atividades, cabendo destacar entre elas o principal cartão-postal de Costa Rica, batizado de Salto do Majestoso.Reprodução/DOE-MS

Entenda

Distante aproximadamente dois quilômetros do centro de Costa Rica, cidade que por sua vez está longe cerca 338 km da Capital do Mato Grosso do Sul, o Parque Natural Municipal Salto do Sucuriú pode ser acessado pela rodovia MS-316 rumo ao município de Paraíso das Águas. 

Em mais de 70 hectares de extensão, esse parque natural já conta com uma série de atividades, cabendo destacar entre elas o principal cartão-postal de Costa Rica, batizado de Salto do Majestoso. O local em si é cercado por vegetação nativa e consiste em uma queda d'água de 64 metros de altura, de onde pode-se admirar todo o parque. 

Nesse local há uma série de atrações baseadas em esportes de aventura, como rapel e tirolesas oferecidos pelo Parque Natural Municipal Salto do Sucuriú, que oferta ainda um acompanhamento com condutores especializados, o que garante proteção tanto aos turistas como para a própria natureza. 

Sendo que todas as atividades são asseguradas, no espaço o visitante poderá realizar trilhas autoguiadas, um circuito de arvorismo e até mesmo piscinas abastecidas com água do Rio Sucuriú, perto de onde ficam também quiosques com churrasqueira, piscina de biribol, parquinho infantil, restaurante e mais. 

Nesse caso, a dita infraestrutura turística tipo plano inclinado, também chamada de funicular, trata-se de um sistema de transporte sobre trilhos tracionado por cabos, consistindo na maioria das vezes em dois bondes ou cabines interligados para basicamente superar os mais variados obstáculos geográficos como morros e encostas. 

Interessados podem encontrar o edital através do site do Município de Costa Rica (CLICANDO AQUI), ou no Portal Nacional de Contratações Públicas PNCP

 

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