A pequena Ayla Emanuelly Pereira de Souza completa hoje 29 dias de vida, mas já passou por muita coisa. Encontrada em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, após supostamente ter sido sequestrada em Campo Grande, ela estava em uma unidade de acolhimento infantil de Ponta Porã até o fim da tarde de ontem e só deverá retornar à família caso haja uma decisão judicial devolvendo o bebê à mãe.
O caso foi registrado na quinta-feira, quando a mãe, uma adolescente de 17 anos, contou que foi atraída por uma mulher para uma casa com a promessa de um emprego, onde teria sido ameaçada e mantida como refém ao lado da irmã de 13 anos, enquanto a mulher e um homem sequestraram o bebê.
Ayla foi encontrada na madrugada de domingo em Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã, em ação conjunta dos agentes da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), membros da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestro (Garras) e a polícia paraguaia.
Ela estava em uma casa no Bairro Virgen de Caacupé, em Pedro Juan, com o casal Suzilaine da Graça Costa e Alex Melo de Abreu, que no momento de sua prisão apresentou identidade falsa com o nome de Weliton Aparecido Lopes.
O homem possuía mandado de prisão e uma pena de 19 anos a cumprir por homicídio cometido no estado do Amazonas. Já a mulher foi reconhecida pela família da mãe do bebê como a pessoa que teria oferecido um emprego para a adolescente.
Após a criança ser encontrada, ela foi entregue para o Conselho Tutelar de Ponta Porã, que a destinou a uma unidade de acolhimento infantil, onde ela seguia até a tarde de ontem.
Segundo a conselheira Loisa Higa, que atua no Conselho Tutelar do Anhanduizinho, em Campo Grande, até ontem eles não haviam sido informados se o bebê seria trazido para a Capital e nem quando isso aconteceria.
Porém, por se tratar de um caso policial e que envolveu o acolhimento em unidade infantil, caso ela venha para Campo Grande deverá novamente ser acolhida em um local como esse.
“Quando acontecem casos como esse, a transferência é feita de acolhimento para acolhimento. Só podemos entregar para a família caso haja uma decisão judicial que determine isso”, explicou a conselheira.
De acordo com Loise Higa, apenas ontem o Conselho Tutelar da Capital foi notificado sobre o caso e, após isso, realizou uma visita para a família.
“Fizemos hoje [ontem] uma visita ao domicílio da criança e já passamos para a saúde o pedido de acompanhamento psicológico os outros menores do local”, contou.
ACOMPANHAMENTO
Segundo a conselheira, a família da pequena Ayla já era acompanhada pelo Conselho Tutelar do Anhanduizinho muito antes da gravidez da criança.
No local, que seria uma espécie de vila, com várias casas, todas da mesma família, moram cerca de cinco menores de idade e que eram acompanhados pelos conselheiros por “algumas fragilidades”, como citou Higa.
A família contou que somente ontem a pequena Ayla foi registrada em cartório, a dois dias de completar um mês de vida.
“Eles disseram que a demora ocorreu porque aguardavam disponibilidade do genitor, para ele comparecer junto com a mãe no cartório”, contou a conselheira ao Correio do Estado.
INVESTIGAÇÃO
O caso é investigado pela DEPCA de Campo Grande. Ontem, a titular da delegacia, Anne Karine Trevisan, esteve em Ponta Porã para ouvir o casal que estava com a criança.
A Polícia Civil não quis dar detalhes sobre a investigação até o fechamento desta edição.


