Cidades

Operação Infiltrados

Advogada é presa em quadrilha de policiais traficantes em MS

Jéssica Santos foi alvo de prisão preventiva na Operação Infiltrados, que investiga desvio de drogas apreendidas por policiais; delegado também está entre os presos

Continue lendo...

A advogada Jéssica Santos é uma das pessoas presas na Operação Infiltrados, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) nesta quinta-feira (24), em Campo Grande e no interior de Mato Grosso do Sul. Contra Jéssica, apurou o Correio do Estado, pesa um mandado de prisão preventiva por integrar uma quadrilha chefiada por policiais que traficavam as drogas que apreendiam.

No grupo, há até delegado de polícia, caso de Hoffman D’Ávila Cândido Souza, titular da 6ª Delegacia de Campo Grande, mas que ficou mais de cinco anos, de 2019 a fevereiro de 2026, na titularidade da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico de Campo Grande (Denar), divisão policial que, justamente, deveria combater o tráfico de entorpecentes.

A participação de Jéssica não foi detalhada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. O Correio do Estado apurou, contudo, que ela tem um escritório de advocacia em sociedade com o marido — que não é investigado — e que teria um familiar envolvido com o narcotráfico.

Em uma busca no banco de processos criminais, o Correio do Estado encontrou processos em que Jéssica defende acusados de tráfico presos pela Denar.

Alvo de prisão preventiva, Jéssica está reclusa no Presídio Militar de Campo Grande pelo fato de ser advogada. O cumprimento do mandado de prisão contra ela foi devidamente acompanhado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS), que deve abrir processo ético-disciplinar contra a suspeita.

Por ter uma filha bebê, a expectativa é que Jéssica ingresse, nas próximas horas, com um pedido de relaxamento da prisão na Justiça.

Policiais traficantes

A Operação Infiltrados, do Gaeco, foi às ruas para cumprir 24 mandados de prisão preventiva nesta quinta-feira (24), dois mandados de prisão temporária e ainda 38 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Terenos.

A investigação teve início depois de as equipes do Gaeco descobrirem um grande esquema de desvio de droga apreendida, especialmente cocaína, por policiais. As informações chegaram ao conhecimento do Gaeco durante as operações Traquetos e Blindspot.

O desvio das drogas apreendidas ocorria por meio da omissão dos policiais ao realizarem os registros formais das ocorrências de parte da droga efetivamente arrecadada ou até mesmo pela subtração da cocaína do depósito da delegacia.

Os policiais civis, então, repassavam a droga a traficantes que não atuam no serviço público, como eles, dando seguimento ao comércio ilegal.

Entre os presos, há um delegado da Polícia Civil, policiais civis, policiais militares e um policial penal.
 

Tribunal do Júri

Após 7 anos, "Nico Bala" é condenado por homicídio motivado por briga em espetinho de Sidrolândia

Idoso foi condenado a cinco anos de prisão pela morte do então servidor público Márcio Mário Garcia de Souza, em janeiro de 2019

24/09/2026 17h14

Cena do crime em janeiro de 2019

Cena do crime em janeiro de 2019 Foto: Reprodução / Sidrolândia News

Continue Lendo...

O Tribunal do Júri de Sidrolândia condenou nesta semana Anísio Medeiros Pereira, conhecido como "Nico Bala", de 73 anos, pelo homicídio do então servidor público Márcio Mário Garcia de Souza, crime ocorrido em janeiro de 2019, após um desentendimento entre ambos em espetinho local.

A sentença foi proferida pelo juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva nesta quarta-feira (23), que condenou "Nego Bala" a cinco anos em regime semiaberto pelo homicídio.

O prazo de pena passa a valer a partir da condenação recente, uma vez que o réu (primário) se apresentou à polícia apenas após o período flagrante, seguindo em liberdade desde então. 

O caso 

De acordo com os autos do processo, na tarde do dia 26 de janeiro de 2019, Anísio e Mário Márcio, então diretor da Secretaria de Obras de Sidrolândia, bebiam em mesas separadas no estabelecimento Espetinho Mato Grosso, quando acompanhantes da vítima zombaram de Anísio, fato que provocou discussão entre ambos, conflito contido por Renato Guardiano Jamar, dono do local. 

A denúncia aponta que depois do ocorrido, "Nego Bala" teria ido até seu caminhão buscar um revólver calibre .38 e um cacetete de madeira, e retornado para provocar a vítima antes de ir embora.

Mais tarde, por volta das 18h50, Márcio, de 41 anos, se aproximou da residência de Anísio proferindo ameaças. Neste momento, o acusado disparou contra a vítima, que não resistiu aos ferimentos. Para o advogado André Borges, assistente de acusação, os jurados foram exemplares na condenação.

“Jurados de Sidrolândia foram exemplares, afastaram a alegação de legítima defesa e puniram quem agiu em desacordo com a lei, causando prejuízo irrecuperável à família da  vítima. Sidrolândia não tolera condutas abusadas e perigosas; a lei foi cumprida, o que é sempre muito bom e justo”, destacou ao Correio do Estado.

Na dosimetria da pena, o magistrado Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva destacou que a provocação teve "reduzida intensidade objetiva", tratando-se de uma brincadeira que evoluiu para o campo verbal, sem agressões físicas anteriores.

A arma e as munições apreendidas no processo serão encaminhadas ao Comando do Exército para destruição ou doação, conforme prevê o Estatuto do Desarmamento. Conforme a Justiça, "Nico Bala" tem cinco dias para colocar a tornozeleira eletrônica.  

Operação Infiltrados

Delegado se apresenta após operação contra desvio de cocaína em Campo Grande

Operação Infiltrados apura esquema que teria retirado drogas de apreensões e até de depósitos de delegacias para devolvê-las ao tráfico; 26 ordens de prisão foram expedidas e agentes de três forças de segurança estão entre os alvos.

24/09/2026 16h57

Delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil após ser alvo da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco nesta quinta-feira (24).

Delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil após ser alvo da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco nesta quinta-feira (24). Foto: Sejusp.

Continue Lendo...

O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (24), horas depois de não ter sido localizado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) durante a Operação Infiltrados, que investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul.

A apresentação do delegado é o mais recente desdobramento de uma operação que mobilizou as forças de segurança desde as primeiras horas desta quinta-feira e atingiu policiais civis, militares e penal suspeitos de participar de uma organização criminosa que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), utilizava a própria estrutura destinada ao combate ao crime para abastecer traficantes.

Ao todo, a Justiça expediu 24 mandatos de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e aprensão, cumpridos em Campo Grande, Dourados e Terenos.

No primeiro balanço divulgado pelo MPMS, o Gaeco informou o cumprimento de prisões preventivas contra nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.

As investigações apontam que o principal produto desviado seria a cocaína. De acordo com o Ministério Público, os agentes investigados teriam se aproveitado justamente do acesso que possuíam em razão das funções exercidas na segurança pública para retirar entorpecentes apreendidos e fazê-los retornar ao mercado ilegal. O esquema teria funcionado de pelo menos duas maneiras.

Em uma delas, a quantidade de droga efetivamente encontrada durante uma ocorrência seria superior àquela registrada oficialmente. A diferença, portanto, não apareceria nos documentos da apreensão e poderia ser desviada.

A segunda modalidade apontada pelo Gaeco é ainda mais direta: entorpecentes que já haviam sido formalmente apreendidos seriam retirados dos depósitos de delegacias.

Depois do desvio, segundo a investigação, a droga era repassada a traficantes ligados à organização criminosa, responsáveis por recolocá-la em circulação.

Para o MPMS, policiais que tinham como atribuição combater a criminalidade teriam passado a atuar como fornecedores do próprio tráfico.

Até agora, o Ministério Público não informou oficialmente a quantidade total de drogas que teria sido desviada nem o valor movimentado pela organização.

Delegado não foi encontrado pela manhã

Um dos principais desdobramentos da operação ocorreu no início desta quinta-feira, quando equipes foram até a residência de Hoffman D’Ávila, no Carandá Bosque, em Campo Grande, para cumprir as determinações judiciais.

O delegado, porém, não estava no imóvel quando os agentes chegaram.

Durante a manhã, a defesa de Hoffman afirmou que ele não havia fugido e que não tinha conhecimento prévio da Operação Infiltrados.

O advogado Amilton Ferreira de Almeida sustentou que o cliente simplesmente não estava em casa no momento da chegada das equipes e afirmou que ele se apresentaria caso fosse necessário.

Horas depois, já durante a tarde, Hoffman se apresentou na Corregedoria-Geral da Polícia Civil, em Campo Grande. Segundo informação obtida pelo Correio do Estado, após os procedimentos na Corregedoria, o delegado deverá ser encaminhado ao Garras, onde permanecerá preso até nova determinação judicial.

A previsão é de que Hoffman passe por audiência de custódia no sábado (26), quando a Justiça analisará a legalidade da prisão e a manutenção da medida cautelar.

A ausência levantou uma nova frente de apuração. Equipes buscaram imagens de câmeras de segurança para tentar estabelecer quando o delegado deixou a residência e esclarecer se poderia ter ocorrido algum vazamento de informações antes da deflagração da operação.

Até o momento, entretanto, não há confirmação de que informações sigilosas da operação tenham vazado nem de que Hoffman soubesse antecipadamente que seria alvo.

Horas depois, já durante a tarde, o delegado se apresentou na Corregedoria da Polícia Civil.

Hoffman tem uma trajetória profissional ligada justamente à repressão ao tráfico de drogas. Ele passou pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e pelo Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garras) e estava lotado na 6ª Delegacia de Polícia de Campo Grande.

As informações tornadas públicas até agora não detalham individualmente qual conduta é atribuída ao delegado dentro do esquema investigado.

Policiais já eram monitorados 

Outro elemento revelado ao longo desta quinta-feira é que parte dos servidores atingidos pela Infiltrados já estava no radar dos órgãos de controle da própria segurança pública.

Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que os agentes investigados já eram acompanhados pelas respectivas corregedorias. A pasta afirmou ainda que três dos servidores alvos da investigação já haviam sido presos anteriormente e que outro havia sido desligado recentemente.

A secretaria não detalhou, na manifestação, quais são os três investigados que já haviam sido presos nem as circunstâncias de cada uma dessas prisões.

As corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar participaram da operação desta quinta-feira. O cumprimento das ordens judiciais também contou com apoio do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) acompanhou uma das diligências, realizada na residência de uma advogada.

Familiares de investigado também são presos

As diligências não ficaram restritas aos integrantes das forças de segurança.

Durante a operação, familiares de um homem identificado como Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, também foram alvos de ordens judiciais. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, mãe, esposa e irmãs do investigado foram presas no decorrer da operação.

LK já estava preso antes da deflagração da Infiltrados e aparece em investigação relacionada a drogas que teriam sido subtraídas por agentes públicos.

A participação individual dos familiares e as provas atribuídas a cada um deles deverão ser esclarecidas no decorrer da investigação. As prisões decretadas nesta fase são medidas cautelares e não representam condenação definitiva.

Investigação começou há quase um ano

Embora tenha sido colocada nas ruas nesta quinta-feira, a Operação Infiltrados começou a ser construída há quase um ano.

Segundo o MPMS, a investigação específica teve início em outubro de 2025, depois da descoberta de provas durante outras duas operações do Gaeco: Traquetos e Blindspot.

A partir desses elementos, os investigadores chegaram à suspeita de que integrantes das forças de segurança poderiam estar envolvidos no desvio de drogas apreendidas.

Durante os meses seguintes, o Gaeco avançou sobre a possível estrutura da organização, os agentes envolvidos e os traficantes que receberiam os entorpecentes retirados das apreensões.

O próprio nome “Infiltrados” foi escolhido em referência à suspeita de que integrantes da organização criminosa estivessem inseridos em órgãos de segurança pública e utilizassem cargos, informações e estruturas criadas para combater a criminalidade em benefício dos crimes investigados.

Dia de buscas em Campo Grande 

Desde as primeiras horas da manhã, equipes foram vistas em diferentes pontos de Campo Grande.

Além da residência de Hoffman, houve diligências relacionadas a servidores lotados em diferentes unidades policiais. Técnicos de informática também participaram das buscas na casa do delegado, embora o material eventualmente apreendido no endereço não tenha sido oficialmente detalhado.

A dimensão da operação mostra que a investigação vai além de uma suspeita isolada de desvio de entorpecentes.

O Gaeco apura a existência de uma organização criminosa composta por agentes públicos e pessoas ligadas ao tráfico, com divisão de funções para retirar drogas do controle estatal e devolvê-las ao mercado clandestino.

A Operação Infiltrados permanece em andamento, e o MPMS ainda não apresentou a relação completa dos alvos, a quantidade de entorpecentes supostamente desviada, quais apreensões teriam sido fraudadas ou de quais depósitos de delegacias as drogas teriam sido retiradas.

Também deverá ser esclarecido o papel atribuído individualmente a cada policial e aos demais investigados no esquema.

Com a apresentação de Hoffman nesta tarde e o avanço do cumprimento dos mandados, a investigação entra agora em uma nova etapa, com análise do material apreendido e dos elementos reunidos pelo Gaeco ao longo de quase um ano de apuração.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).