Cidades

Operação Infiltrados

Delegado se apresenta após operação contra desvio de cocaína em Campo Grande

Operação Infiltrados apura esquema que teria retirado drogas de apreensões e até de depósitos de delegacias para devolvê-las ao tráfico; 26 ordens de prisão foram expedidas e agentes de três forças de segurança estão entre os alvos.

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O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (24), horas depois de não ter sido localizado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) durante a Operação Infiltrados, que investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul.

A apresentação do delegado é o mais recente desdobramento de uma operação que mobilizou as forças de segurança desde as primeiras horas desta quinta-feira e atingiu policiais civis, militares e penal suspeitos de participar de uma organização criminosa que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), utilizava a própria estrutura destinada ao combate ao crime para abastecer traficantes.

Ao todo, a Justiça expediu 24 mandatos de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e aprensão, cumpridos em Campo Grande, Dourados e Terenos.

No primeiro balanço divulgado pelo MPMS, o Gaeco informou o cumprimento de prisões preventivas contra nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.

As investigações apontam que o principal produto desviado seria a cocaína. De acordo com o Ministério Público, os agentes investigados teriam se aproveitado justamente do acesso que possuíam em razão das funções exercidas na segurança pública para retirar entorpecentes apreendidos e fazê-los retornar ao mercado ilegal. O esquema teria funcionado de pelo menos duas maneiras.

Em uma delas, a quantidade de droga efetivamente encontrada durante uma ocorrência seria superior àquela registrada oficialmente. A diferença, portanto, não apareceria nos documentos da apreensão e poderia ser desviada.

A segunda modalidade apontada pelo Gaeco é ainda mais direta: entorpecentes que já haviam sido formalmente apreendidos seriam retirados dos depósitos de delegacias.

Depois do desvio, segundo a investigação, a droga era repassada a traficantes ligados à organização criminosa, responsáveis por recolocá-la em circulação.

Para o MPMS, policiais que tinham como atribuição combater a criminalidade teriam passado a atuar como fornecedores do próprio tráfico.

Até agora, o Ministério Público não informou oficialmente a quantidade total de drogas que teria sido desviada nem o valor movimentado pela organização.

Delegado não foi encontrado pela manhã

Um dos principais desdobramentos da operação ocorreu no início desta quinta-feira, quando equipes foram até a residência de Hoffman D’Ávila, no Carandá Bosque, em Campo Grande, para cumprir as determinações judiciais.

O delegado, porém, não estava no imóvel quando os agentes chegaram.

Durante a manhã, a defesa de Hoffman afirmou que ele não havia fugido e que não tinha conhecimento prévio da Operação Infiltrados.

O advogado Amilton Ferreira de Almeida sustentou que o cliente simplesmente não estava em casa no momento da chegada das equipes e afirmou que ele se apresentaria caso fosse necessário.

Horas depois, já durante a tarde, Hoffman se apresentou na Corregedoria-Geral da Polícia Civil, em Campo Grande. Segundo informação obtida pelo Correio do Estado, após os procedimentos na Corregedoria, o delegado deverá ser encaminhado ao Garras, onde permanecerá preso até nova determinação judicial.

A previsão é de que Hoffman passe por audiência de custódia no sábado (26), quando a Justiça analisará a legalidade da prisão e a manutenção da medida cautelar.

A ausência levantou uma nova frente de apuração. Equipes buscaram imagens de câmeras de segurança para tentar estabelecer quando o delegado deixou a residência e esclarecer se poderia ter ocorrido algum vazamento de informações antes da deflagração da operação.

Até o momento, entretanto, não há confirmação de que informações sigilosas da operação tenham vazado nem de que Hoffman soubesse antecipadamente que seria alvo.

Horas depois, já durante a tarde, o delegado se apresentou na Corregedoria da Polícia Civil.

Hoffman tem uma trajetória profissional ligada justamente à repressão ao tráfico de drogas. Ele passou pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e pelo Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garras) e estava lotado na 6ª Delegacia de Polícia de Campo Grande.

As informações tornadas públicas até agora não detalham individualmente qual conduta é atribuída ao delegado dentro do esquema investigado.

Policiais já eram monitorados 

Outro elemento revelado ao longo desta quinta-feira é que parte dos servidores atingidos pela Infiltrados já estava no radar dos órgãos de controle da própria segurança pública.

Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que os agentes investigados já eram acompanhados pelas respectivas corregedorias. A pasta afirmou ainda que três dos servidores alvos da investigação já haviam sido presos anteriormente e que outro havia sido desligado recentemente.

A secretaria não detalhou, na manifestação, quais são os três investigados que já haviam sido presos nem as circunstâncias de cada uma dessas prisões.

As corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar participaram da operação desta quinta-feira. O cumprimento das ordens judiciais também contou com apoio do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) acompanhou uma das diligências, realizada na residência de uma advogada.

Familiares de investigado também são presos

As diligências não ficaram restritas aos integrantes das forças de segurança.

Durante a operação, familiares de um homem identificado como Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, também foram alvos de ordens judiciais. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, mãe, esposa e irmãs do investigado foram presas no decorrer da operação.

LK já estava preso antes da deflagração da Infiltrados e aparece em investigação relacionada a drogas que teriam sido subtraídas por agentes públicos.

A participação individual dos familiares e as provas atribuídas a cada um deles deverão ser esclarecidas no decorrer da investigação. As prisões decretadas nesta fase são medidas cautelares e não representam condenação definitiva.

Investigação começou há quase um ano

Embora tenha sido colocada nas ruas nesta quinta-feira, a Operação Infiltrados começou a ser construída há quase um ano.

Segundo o MPMS, a investigação específica teve início em outubro de 2025, depois da descoberta de provas durante outras duas operações do Gaeco: Traquetos e Blindspot.

A partir desses elementos, os investigadores chegaram à suspeita de que integrantes das forças de segurança poderiam estar envolvidos no desvio de drogas apreendidas.

Durante os meses seguintes, o Gaeco avançou sobre a possível estrutura da organização, os agentes envolvidos e os traficantes que receberiam os entorpecentes retirados das apreensões.

O próprio nome “Infiltrados” foi escolhido em referência à suspeita de que integrantes da organização criminosa estivessem inseridos em órgãos de segurança pública e utilizassem cargos, informações e estruturas criadas para combater a criminalidade em benefício dos crimes investigados.

Dia de buscas em Campo Grande 

Desde as primeiras horas da manhã, equipes foram vistas em diferentes pontos de Campo Grande.

Além da residência de Hoffman, houve diligências relacionadas a servidores lotados em diferentes unidades policiais. Técnicos de informática também participaram das buscas na casa do delegado, embora o material eventualmente apreendido no endereço não tenha sido oficialmente detalhado.

A dimensão da operação mostra que a investigação vai além de uma suspeita isolada de desvio de entorpecentes.

O Gaeco apura a existência de uma organização criminosa composta por agentes públicos e pessoas ligadas ao tráfico, com divisão de funções para retirar drogas do controle estatal e devolvê-las ao mercado clandestino.

A Operação Infiltrados permanece em andamento, e o MPMS ainda não apresentou a relação completa dos alvos, a quantidade de entorpecentes supostamente desviada, quais apreensões teriam sido fraudadas ou de quais depósitos de delegacias as drogas teriam sido retiradas.

Também deverá ser esclarecido o papel atribuído individualmente a cada policial e aos demais investigados no esquema.

Com a apresentação de Hoffman nesta tarde e o avanço do cumprimento dos mandados, a investigação entra agora em uma nova etapa, com análise do material apreendido e dos elementos reunidos pelo Gaeco ao longo de quase um ano de apuração.

Operação

Avião militar dos EUA usado em captura de Maduro participa de missão em Campo Grande

HC-130J Combat King II esteve sediado na Base Aérea de Campo Grande para treinamento militar conjunto.

24/09/2026 14h15

Aviões da Força Aérea dos Estados Unidos durante exercício na Base Aérea de Campo Grande; são os mesmos aviões que capturaram Nicolas Maduro

Aviões da Força Aérea dos Estados Unidos durante exercício na Base Aérea de Campo Grande; são os mesmos aviões que capturaram Nicolas Maduro

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Quem passou pela Base Aérea de Campo Grande nos últimos dias viu de perto um ícone da aviação militar dos Estados Unidos. O HC-130J Combat King II, mesmo modelo de aeronave empregado em missões históricas como a captura de Nicolás Maduro. O modelo concluiu suas atividades no Exercício Tápio 2026 e já iniciou o processo de partida de Mato Grosso do Sul. A informação foi confirmada pela assessoria de comunicação da unidade, que informou ao Correio do Estado que o avião participava de treinamento militar e não forneceu detalhes sobre a operação.

“Essa aeronave é americana. Inclusive, ela tá indo embora. Ela tá realizando o exercício Tápio”, informou a comunicação da Base Aérea de Campo Grande.

A aeronave pertence à Força Aérea dos Estados Unidos e foi identificada como um HC-130J Combat King II, de matrícula 12-5773. O modelo é associado a missões de busca e salvamento, apoio a operações especiais e reabastecimento de helicópteros.

Questionada pelo Correio do Estado, a assessoria de comunicação da Base Aérea afirmou que não possui autorização para repassar informações específicas. “Como qualquer outra aeronave militar estrangeira, a gente não tem autorização de passar qualquer tipo de informação específ A menos o que tá exposto aí nas mídias”, declarou.

O exercício Tápio 2026 reúne militares e aeronaves em simulações de cenários de busca, salvamento e apoio a operações especiais. A atividade ocorre na região de Campo Grande e envolve cooperação entre forças brasileiras e estrangeiras.

Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o horário exato da saída da aeronave da Base Aérea de Campo Grande nem sobre o destino do avião após o encerramento da participação no treinamento.

tempo

Após frente fria, MS tem alerta vermelho para onda de calor

Temperaturas podem chegar a 43°C em alguns municípios do Estado; alerta é válido de sábado até a próxima quarta-feira

24/09/2026 13h00

Mato Grosso do Sul tem alerta de onda de calor vigente a partir de sábado

Mato Grosso do Sul tem alerta de onda de calor vigente a partir de sábado Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Após a passagem de uma frente fria que derrubou ligeiramente as temperaturas em Campo Grande, a Defesa Civil emitiu alerta vermelho, de risco de onda de calor na Capital na semana a partir deste sábado (26).

Conforme o alerta, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), há risco de aumento de mais de 5°C nas temperaturas, com vigência das 11h de sábado até às 18h de quarta-feira (30).

O alerta vermelho foi emitido pela possibilidade de elevação nas temperaturas por um período superior a cinco dias. Na Capital, a máxima deve ficar próxima dos 40°C, com sensação de mais calor.

Ainda conforme o comunicado, o calorão traz risco elevado à saúde.

Caso seja atingido por qualquer condição climática intensa, a população pode acionar a Defesa Civil através do telefone 199, ou solicitar serviços, como a remoção de árvores pelo 156. O serviço de emergência também poderá ser acionado através do 193.

Mato Grosso do Sul tem alerta de onda de calor vigente a partir de sábado

Onda de calor

Além de Campo Grande, a onda de calor deve atingir todo o Mato Grosso do Sul.

Previsão do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima aponta que o tempo deve ser firma nos próximos dias, devido à atuação de um sistema de alta pressão atmosférica, que favorece a estabilidade do tempo, a redução da nebulosidade e a manutenção de condições mais quentes e secas.

O principal destaque será o calor intenso, com rápido aquecimento das temperaturas ao longo do dia.

As temperaturas já estarão elevadas nas primeiras horas da manhã e, durante a tarde poderão atingir 40°C a 43°C em algumas localidades, principalmente nas regiões Pantaneira e Sudoeste.

"A persistência desse padrão ao longo do fim de semana caracteriza um período de temperaturas acima da média, podendo configurar onda de calor em algumas regiões, marcando o primeiro episódio de calor intenso da primavera", diz o órgão.

Ainda conforme o Cemtec, mais importante do que a classificação meteorológica são os impactos sobre a população.

A combinação de temperaturas muito elevadas e baixa umidade do ar pode favorecer desidratação, mal-estar e agravamento de problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas expostas ao calor.

A recomendação é reforçar a hidratação, evitar exposição prolongada ao sol e atividades físicas nos horários de maior aquecimento, além de manter atenção especial com os grupos mais vulneráveis.

As condições de calor persistente e baixa umidade também aumentam significativamente o risco de ocorrência e rápida propagação de incêndios florestais, devido ao ressecamento da vegetação e à maior disponibilidade de material combustível. 

Diante desse cenário, também é fundamental não utilizar o fogo para limpeza de terrenos, manejo da vegetação, queima de resíduos ou outras finalidades, além de seguir rigorosamente as medidas vigentes de suspensão da queima controlada em Mato Grosso do Sul.

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