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Advogado de ex-adjunto da SED não quer que cliente preste depoimento

Com foco no habeas corpus, o advogado classificou a prisão como "medida precipitada"

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O advogado Márcio Sandim entrou com um pedido para que o cliente, Édio Antônio Resende de Castro Bloch, não preste depoimento. O secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Educação, foi exonerado na quinta-feira (30), após ter sido preso em meio a uma operação do Ministério Público Estadual que viu indícios de corrupção em contratos de licitação.

Ao Correio do Estado, o advogado Márcio Sandim considerou a prisão como "medida precipitada" e adiantou que neste momento a preocupação é a liberdade de Édio. 


"O foco é a liberdade. Não o depoimento com o cliente. Em liberdade, iremos começar uma análise minuciosa da investigação", disse Sandim e completou:

"A prisão de todos, não só do Édio, no meu modesto entendimento, é uma medida precipitada, comum em operações do GAECO - sempre representam pela prisão de investigados, operações as quais eu geralmente estou atuando na defesa técnica de algum investigado. Eu particularmente respeito o trabalho dos Promotores, mas discordo totalmente do quesito prisão - que é uma medida de exceção em nosso ordenamento jurídico. No caso poderia ser aplicada outras medidas cautelares diversas que são totalmente eficazes (ex: afastamento do cargo, proibição de contato com outros investigados, etc.) - sem necessidade de "prender".  Desta forma, sabendo da prisão preventiva, eu imediatamente busquei acesso aos autos e impetrei habeas corpus em favor do meu cliente, visando com isso cessar o constringimento ilegal da prisão como medida de justiça".

Entenda

Apontados como "mentores" do esquema estão os empresários e irmãos Lucas de Andrade Coutinho e Sérgio Duarte Coutinho Júnior. Em uma artimanha que cooptou servidores de secretarias da Saúde e Educação de Mato Grosso do Sul.

Édio Antônio atuava como secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Educação e foi exonerado do cargo após a prisão por supostamente auxiliar as empresas dos irmãos Coutinho em licitações fraudulentas. Ele está entre os oito que foram detidos na última quarta-feira (13).

No dia seguinte, por meio do Diário Oficial, Édio e outros servidores presos na Operação da Gaeco foram exonerados. Ministério Público Estadual que viu indícios de corrupção em contratos de R$ 68 milhões firmados com empresas dos irmãos Lucas de Andrade Coutinho e Sérgio Duarte Coutinho Júnior com as secretarias de Saúde e Educação.   

Segundo o Ministério Público Estadual, Édio teria recebido propina para fechar contrato com a empresa dos irmãos para aquisição de aparelhos de ar condicionado instalados em prédios da Secretaria de Educação. Os contratos sob investigação foram firmados na administração passada, que acabou no final de 2022. 

Mesmo exonerado na publicação desta sexta-feira aponta que o aditivo do contrato que passou para quase R$ 8,5 milhões foi assinado no dia 23 de novembro, mas só foi publicado agora, dois dias depois de sua prisão e um dia após a demissão.

O reajuste tornado público nesta sexta-feira é o segundo aplicado sobre o mesmo contrato, cujo valor aumentou cerca de R$ 830 mil, o que equivale a pouco mais de 10% sobre o valor inicialmente acordado na licitação. 

Reajustes sem licitação de contratos

Publicações como a desta sexta-feira são rotineiras. Sendo que no dia 30, em que Édio foi exonerado, e ainda assim houve uma publicação com a assinatura dele garantindo mais R$ 416 mil a uma construtora, a mesma que no dia anterior já havia recebido reajuste de 12,3% para reforma de uma escola, o que lhe garantiu acréscimo de R$ 738 mil ao contrato original. 

Mesmo no dia da Operação, quando Édio estava sendo preso, consta a assinatura dele no diário oficial em mais uma publicação de prorrogação de contrato, por 12 meses, com uma empresa de prestação de serviços de limpeza. Em novembro de 2021, quando exercia função como ordenador de despesas, o valor anual do contrato foi fixado em R$ 4,8 milhões. 

Agora, dois anos e vários aditivos depois, o valor do contrato subiu para R$ 7 milhões anuais, um aumento da ordem de 45%, sem licitação. 

Propina

A investigação aponta que, no ano de 2022, Andréa Cristina Souza Lima, servidora pública estadual lotada na Secretaria de Estado de Educação (SED) , e Edio Antônio Resende de Castro passaram a direcionar a compra de aparelhos de ar condicionado da empresa Comercial Isototal Eireli, de propriedade de Lucas Coutinho.

No esquema está sendo investigado a possível participação do primo dos empresários, gerente do posto de gasolina, Victor Leite de Andrade, que também está preso. Consta nos autos que ele direcionou propina para à gráfica LGS Garcia Leal, cujo destinatário supostamente seria o servidor Édio Antônio. 

A servidora Andréa Cristina Souza de Lima por sua vez  recebeu o dinheiro oriundo da prática criminosa, em mãos no estacionamento da Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso do Sul. 

Outro que também favoreceu contrato dos irmãos com a administração pública foi o assessor do deputado federal Geraldo Resente (PSDB-MS), Thiago Haruo Mishima. Resende à época era Secretário de Saúde de Mato Grosso do Sul. 

Mishima recebeu dinheiro em espécie pela "colaboração" no processo criminoso. Neste caso o dinheiro veio por meio da empresa D.R. Comunicação, que pertence ao cunhado dele.

Conforme levantado pelo Correio do Estado, Mishima, que a época atuava como ex-gestor de contratos da Secretaria de Saúde, sugeriu aos irmãos a encerrarem um saldo remanescente em 2017 para viabilizar uma nova licitação. 

Fraude e favorecimento em licitações

Os contratos firmados com a empresa Isototal e a Secretaria de Estado de Educação sofreram alteração em relação à quantidade e adiantamentos, tudo ficou definido no dia 7 de novembro de 2022, em uma reunião entre Lucas Coutinho e Édio Castro. Depois disso foram formalizados os contratos no dia 16 de ferereiro e no dia  2 de dezembro de 2022 para serem executados em 2023.

Após a empresa passar pelo pregão houve fraude desta vez na Secretaria de Estado de Saúde em que a empresa vencedora foi a Isomed Diagnósticos Eireli-ME, que está no nome da esposa de César Coutinho.

Empresas investigadas

  • Isomed Diagnósticos Ltda.
  • Comercial Isototal Ltda. 
  • Maiorca Soluções em Saúde, Segurança e Padronização Ltda.

Prisão

Foram presos os irmãos Lucas de Andrade Coutinho e Sérgio Duarte Coutinho Júnior, e dos servidores a pregoeira-chefe da Secretaria de Estado de Administração (SAD) Simone de Oliveira Ramires Castro e o secretário-adjunto de Educação, Édio Antônio Resende de Castro.

Também estão presos Andreia Cristina Souza Lima, Paulo Henrique Muleta Andrade, Thiago Haruo Mishima e Victor Leite de Andrade. O esquema investigado têm ao todo R$ 68 milhões em contratos e convênios ativos com o governo de Mato Grosso do Sul.

As mulheres foram encaminhadas para o Estabelecimento Penal Feminino Irmã  Zorzi e os homens para o

Centro de Triagem Anizio Lima.

A operação desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). Ao todo, oito pessoas foram presas pelo esquema de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações e contratos públicos.

** Colaborou Nery Kaspary

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Tempestade

Mais de 18 horas após tempestade, semáforos continuam apagados na Capital

Danos provocados pelas rajadas de até 90 km/h afetaram a rede elétrica e comprometeram a sinalização em vários cruzamentos

11/09/2026 13h00

Cruzamento movimentado opera sem semáforo após a tempestade que atingiu Campo Grande

Cruzamento movimentado opera sem semáforo após a tempestade que atingiu Campo Grande Foto: João Pedro Zequini / Correio do Estado

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Após a tempestade que atingiu Campo Grande na tarde da última quinta-feira (10), diversos semáforos continuam sem funcionar, causando transtornos no trânsito em vários pontos da Capital.

Além da forte chuva, o temporal foi acompanhado por rajadas de vento entre 86 km/h e 90 km/h, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A ventania danificou a rede elétrica e comprometeu o funcionamento da sinalização semafórica.

A Avenida Mato Grosso está entre as vias mais afetadas. No sentido Centro–Bairro, no trecho entre as ruas Rui Barbosa e Itiquira, apenas o cruzamento com a Rua Rio Grande do Sul permanece com o semáforo desligado.

No sentido Bairro–Centro, a situação é mais crítica. Entre a Rua Itiquira e a Avenida Calógeras, vários cruzamentos continuam sem sinalização semafórica.

Os semáforos seguem desligados nos cruzamentos da Avenida Mato Grosso com as ruas Alagoas, Espírito Santo, José Alencar, Bahia, 25 de Dezembro, Arthur Jorge, 13 de Junho, José Antônio, Rio Grande do Sul, Padre João Crippa e Rui Barbosa. 

Os equipamentos dos cruzamentos com as ruas Pedro Celestino, 13 de Maio e 14 de Junho funcionam normalmente.

Na Avenida Calógeras, também foram registrados pontos sem sinalização semafórica nos cruzamentos com as ruas Maracaju e Cândido Mariano.

Mais de 18 horas após a tempestade, equipes ainda trabalham para reparar os danos provocados pela queda de árvores, postes e cabos da rede elétrica. 

Enquanto os equipamentos não são restabelecidos, motoristas devem redobrar a atenção e reduzir a velocidade ao passar pelos cruzamentos afetados.

corrupção

Alir Terra repassou contratos milionários a ex-sócio logo após assumir hospital

A presidente da Santa Casa e o dono das empresas que controlam o plano de saúde do hospital foram presos em operação do MPMS nesta sexta-feira (11)

11/09/2026 12h42

A presidente da Santa Casa rompeu com outra empresa apenas 19 dias após assumir o hospital

A presidente da Santa Casa rompeu com outra empresa apenas 19 dias após assumir o hospital

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A operadora do plano de saúde da Santa Casa de Campo Grande, Duarte & Cruz, que foi alvo da operação do Ministério Público nesta sexta-feira (11) foi contratada cerca de três semanas depois de a advogada Alir Terra Lima assumir a presidência do hospital.

Conforme denúncias do advogado Oswaldo Meza, ela e o controlador da empresa, o também advogado Paulo da Cruz Duarte, haviam sido sócios em um escritório de advocacia. Ambos foram presos nesta sexta-feira acusados pelo desvio de pelo menos R$ 3,5 milhões no plano de saúde do hospital somente no ano passado.

Depois de vencer a eleição com 49 votos, contra 39 da chapa concorrente, Alir Terra assumiu o hospital no dia 2 de janeiro de 2023. No dia 19 do mesmo mês ela comunicou a antiga operadora, a Plural, que fora contratada em 12 de abril de 2018, que estava rompendo o contrato. Na sequência, contratou as empresas do seu ex-sócio para operar o plano de saúde.

Mas, pelas cláusulas contratuais, qualquer rescisão só poderia ocorrer por meio de notificação formal com prazo de 90 dias de antecedência. Ocorre que a Santa Casa, antes mesmo de notificar a Plural, começou a veicular anúncios descredenciando a ex-parceira de negócios. Por conta disso, a Plural move três ações judiciais exigindo indenização do hospital.

Para defender o hospital, foi contratado o escritório de advocacia Duarte Cruz. Mas, segundo denúncia de Oswaldo Meza, Paulo da Cruz Duarte é ex-sócio da advogada Alir Terra.

Praticamente ao mesmo tempo, Paulo da Cruz Duarte, além de atuar na advocacia, passou a atuar na área da saúde, o que lhe garantiu exclusividade para comercializar os planos de saúde da Santa Casa Saúde.

E se não bastasse a entrega do plano de saúde ao escritório de advocacia comandado por Paulo Duarte, a presidente da Santa Casa ainda repassou a ele centenas de ações judiciais contra o poder público, através das quais cobra a restituição por serviços prestados a pacientes encaminhados ao hospital via decisões judiciais. Essas ações, pelo fato de serem em grande número, resultam ao final em valores significativos a título de honorários sucumbenciais, denuncia o advogado Oswaldo Meza.

Nesta sexta-feira o Ministério Público fez uma informou ter identificado irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico, grupo esse controlado pelo advogado Paulo Cruz.

Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, eles eram sócios em um escritório de advocacia, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado. A apuração apontou que, somente no ano passado a operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões para essas empresas, e gerou um prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões ao hospital.


De acordo com Oswaldo Meza, “o ponto sensível não é apenas a atuação jurídica em si, mas o fato de o advogado manter diversas empresas no ramo da saúde, concentradas no mesmo endereço comercial, atuando em segmentos como telemedicina, planos de saúde, medicamentos e tecnologia aplicada à saúde”.

Levantamentos realizados em bases públicas de CNPJ indicam que Paulo da Cruz Duarte figura como sócio ou administrador de múltiplas empresas diretamente ligadas ao mercado da saúde. Essas empresas compartilham o mesmo endereço empresarial, localizado na Rua Hélio Yoshiaki Ikeziri, nº 34, no bairro Royal Park, em Campo Grande, o que indica uma estrutura centralizada de negócios no mesmo setor econômico. E foi este endereço que sofreu devasse do MPMS nesta sexta-feira.

Para Oswaldo Meza, “entidades que lidam com vidas humanas, recursos públicos e serviços essenciais, a ética não pode ser apenas formal; precisa ser visível, ativa e transparente. Quando vínculos privados se sobrepõem ao ambiente de gestão pública ou filantrópica, o ônus da explicação recai sobre quem administra”.

Na operação desta sexta-feira, o Ministério Público cumpriu 36 mandados de busca e apreensão e seis de prisão. Além dos contratos relativos ao plano de saúde, também foi alvo um contrato que teria de digitalização de prontuários por meio do qual teriam sido desviados R$ 1,4 milhão em um ano. 

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