Cidades

ULTIMA RATIO

Advogado dispensado por Vorcaro defende ex-desembargador de MS

O criminalista Pierpaolo Bottini, considerado um dos mais caros do país, defende Sideni Soncine Pimentel, que é investigado pela PF por suposta venda de sentenças judiciais

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Apontado como um dos mais caros do país e dispensado na última sexta-feira da equipe de defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, o advogado Pierpaolo Bottini é um dos defensores do desembargador aposentado Sideni Soncine Pimentel. Em outubro de 2024, quando ainda estava na ativa, o magistrado foi alvo da operação Ultima Ratio e para se defender contratou o renomado criminalista. 

Ele foi desligado da equipe de defesa do ex-dono do Banco Master porque Vorcaro estaria disposto a fazer delação premiada. E, caso realmente faça esta delação, o advogado enfrentaria atrito com outros clientes, já que seu escritório defende pessoas cujos interesses poderiam ser afetados (delatados) por Vorcaro, gerando uma incompatibilidade ética para a continuidade da defesa.

Pierpaolo Bottini foi contratado pela família de Sideni Soncini logo depois que o desembargador foi afastado do cargo, em 24 de outubro de 2024. Dois filhos de Pimentel também foram alvos da Polícia Federal, que aponstou a existência de um suposto esquema de venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Ele é especializado em ações judiciais que apontam lavagem de dinheiro.

Em abril do ano passado, depois que o ministro Cristiano Zanin, do STF, manteve o afastamento do Sideni Pimentel, o advogado Pierpaolo chegou a divulgar uma nota dizendo que "a defesa apresentou um extenso parecer técnico contábil no qual aponta a origem de todas as receitas do desembargador, todas explicadas e lícitas. O desembargador prestou depoimento na Polícia Federal e esclareceu todos os fatos, não havendo motivo para continuidade de seu afastamento", afirmou à época.

Pelo fato de não conseguir voltar ao cargo, Sideni Pimentel acabou pedindo aposentadoria em outubro do ano passado. Ele estava com 73 anos e poderia permanecer durante mais dois anos na magistratura, já que a aposentadoria compulsória por idade ocorre somente aos 75 anos. 

Mas, apesar da aposentadoria, no mês seguinte o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou, por unanimidade, Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o ex-magistrado. E, caso seja condenado, sua aposentadoria deixa de ter o status de voluntária e pass a ser compulsória. 

A operação Ultima Ratio também teve como alvo outros quatro desembargadores da ativa, dois aposentados, um conselheiro do Tribunal de Contas e um juiz de primeira instância. Um dos desembargadores voltou ao cargo e outros três seguem afastados. Contra estes três também foi instaurado Processo Administrativo no CNJ. 

Embora não exista um preço fixo para contratação de um escritório renomado semelhante ao do criminalista Pierpaolo Bottini, um jurista com experiência na atuação em tribunais superiores consultado pelo Correio do Estado acredita que uma contratação deste porte não tenha custado menos de R$ 1 milhão à família Pimentel. "Mas, possívelmente o valor final será bem superior a isso", opinou o advogado que preferiu manter o anonimato. 

 

 

DIÁRIO OFICIAL

Barradas, emendas de vereadores somam mais de R$ 200 milhões em Campo Grande

Parte vetada da LOA 2026 revela corte de propostas que incluem hospital de R$ 100 milhões, obras de infraestrutura e projetos sociais

18/03/2026 11h00

A lista foi publicada após a manutenção dos vetos do Executivo, e reúne dezenas de iniciativas aprovadas pelos vereadores, mas excluídas do orçamento final.

A lista foi publicada após a manutenção dos vetos do Executivo, e reúne dezenas de iniciativas aprovadas pelos vereadores, mas excluídas do orçamento final. Gerson Oliveira/Correio do Estado

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As emendas apresentadas por vereadores à Lei Orçamentária de 2026 e barradas pela Prefeitura de Campo Grande somam aproximadamente R$ 216 milhões, conforme levantamento com base na parte vetada da Lei nº 7.565/2025 - Lei Orçamentária Anual (LOA), publicada nesta quarta-feira (18) no Diário Oficial do Município.

Entre as propostas rejeitadas está a de maior valor individual: uma emenda de R$ 100 milhões da vereadora Luiza Ribeiro, que previa a implantação de um complexo hospitalar na Capital.

A lista foi publicada após a manutenção dos vetos do Executivo, e reúne dezenas de iniciativas aprovadas pelos vereadores, mas excluídas do orçamento final.

Na área de infraestrutura, que concentra a maior parte dos recursos barrados, aparecem propostas como a destinação de R$ 10 milhões, também de Luiza Ribeiro, para obras de pavimentação e drenagem no Bairro Parque do Lageado. Já o vereador Maicon Nogueira teve vetadas emendas de R$ 3 milhões para pavimentação no Bairro Nossa Senhora Aparecida e outros R$ 3 milhões para intervenções no Bairro Bom Retiro.

O presidente da Casa, Epaminondas Neto (Papy), também teve barradas propostas relevantes, como R$ 5 milhões para pavimentação no Residencial Oliveira I e II e R$ 3 milhões para obras em vias do transporte coletivo no Bairro Riviera Park.

Na mesma linha, o vereador Ronilço Guerreiro teve rejeitada emenda de R$ 5 milhões para pavimentação e drenagem no Bairro Bosque da Saúde, enquanto o vereador Landmark propôs R$ 4,5 milhões para implantação asfáltica no Residencial Betaville, igualmente vetados.

Na saúde, os cortes também atingem projetos expressivos. O vereador Jean Ferreira teve barradas duas emendas de R$ 6 milhões cada para implantação de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) nos bairros Parque do Lageado e Vila Nasser. Já o vereador Junior Coringa propôs R$ 2 milhões para criação de um centro especializado no atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista, que também não foi incluído no orçamento.

Ainda na área, Luiza Ribeiro teve vetada uma emenda de R$ 7,6 milhões voltada à ampliação de castrações de cães e gatos, enquanto Ronilço Guerreiro propôs R$ 200 mil para equipar unidades dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

As emendas barradas também atingem ações sociais e culturais. Jean Ferreira, por exemplo, teve rejeitada proposta de R$ 600 mil para manutenção de uma casa de acolhimento à população LGBTQIA+ e outra de R$ 700 mil para implantação de restaurantes populares. Na cultura, o mesmo vereador sugeriu R$ 1,4 milhão para repasses a escolas de samba.

Mesmo propostas de menor valor, mas com impacto direto nos bairros, ficaram de fora. É o caso de emendas do vereador Beto Avelar, como R$ 4 milhões para recapeamento da Avenida Madri e R$ 700 mil para asfalto na Rua Aquidaban, além de iniciativas de requalificação de praças apresentadas pelo vereador Carlão, na faixa de R$ 150 mil cada.

Embora aprovadas pela Câmara, as propostas podem ser vetadas quando consideradas incompatíveis com o planejamento financeiro ou com as diretrizes da administração municipal. Na prática, isso significa que os recursos previstos nessas ações não serão executados em 2026, após a manutenção dos vetos.

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"Figura Carimbada"

PF prende dois policiais civis envolvidos em esquema de contrabando

Policial civil que atua na delegacia de Sidrolândia, preso em outras operações, agora vira alvo por supostamente facilitar a entrada de mercadorias contrabandeadas no país

18/03/2026 10h48

O policial civil Célio Rodrigues Monteiro, o

O policial civil Célio Rodrigues Monteiro, o "Manga Rosa", já foi alvo de outras investigações e voltou a aparecer em nova operação da PF Imagem Divulgação

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A Polícia Federal (PF) prendeu os policiais civis Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca, durante operação contra um esquema de entrada de produtos contrabandeados do Paraguai no Estado.

Célio Rodrigues Monteiro atua na Delegacia de Sidrolândia, para onde os agentes da PF se deslocaram. Além disso, a casa dele, no bairro Pioneiros, foi alvo de busca e apreensão.

Célio Monteiro é figura conhecida e já apareceu em outras operações policiais que investigaram lavagem de dinheiro e associação com o tráfico de drogas, como as operações Omertà, em 2020, e Snow, em 2024.

Edivaldo Quevedo da Fonseca, em dezembro de 2024, foi preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) com o carro cheio de mercadorias do Paraguai sem qualquer documentação.

Após a prisão, Edivaldo, vinculado à 5ª Delegacia de Polícia Civil, recebeu liberdade em 2025, mas assumiu o compromisso de comparecer à Justiça Federal, confirmar endereço fixo e informar o local de trabalho.

Investigações

Após a terceira fase da Operação Omertà, ligada ao jogo do bicho, e outros desdobramentos,  a investigação caminhou por um esquema de propina para ocultar provas de um homicídio. 

O que levou ao afastamento de Célio Rodrigues Monteiro, o Manga Rosa, em 23 de julho de 2020, conforme publicação no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul.

Na época, Célio era investigado por possível atuação na ocultação de provas da morte do policial militar aposentado Ilson Figueiredo.

Segundo levantamento feito pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), os investigados seriam chefiados por Jamil Name e Jamil Name Filho.

O esquema incluía propina de R$ 100 mil para o delegado da Polícia Civil Márcio Shiro Obara, que também chegou a ser afastado de suas funções e terminou posteriormente inocentado das acusações.

Em 2023, a Justiça absolveu Márcio Rios e Célio Rodrigues Monteiro no âmbito do crime de lavagem de dinheiro.

Apontados no esquema de milícia armada como “lideranças”, Fahd Jamil, conhecido como “Rei da Fronteira”, Flávio Correia Jamil Georges e Jamil Name Filho, que respondiam por obstrução de Justiça, também foram absolvidos.

Na decisão proferida pelo juiz Roberto Ferreira Filho, em 16 de fevereiro de 2023, todas as medidas cautelares contra o policial civil Célio Rodrigues Monteiro foram retiradas.

Figura conhecida

Em 2024, durante a Operação Snow, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Célio foi alvo de busca e apreensão em investigação que apurava um esquema de tráfico de cocaína com participação de agentes de segurança pública. Entretanto, em nenhuma dessas operações o policial foi condenado.

Com a operação deflagrada nesta quarta-feira (18), esta é a terceira vez que o policial civil se torna alvo de investigação.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), que informou, por meio de nota, que acompanha a investigação e adiantou que não compactua com desvios de conduta por parte de servidores.

Confira a nota na íntegra:

“A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) informa que acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Iscariotes, por meio das corregedorias das instituições estaduais de segurança pública.

A Sejusp ressalta que não compactua com quaisquer desvios de conduta por parte de seus servidores, adotando postura de rigor e transparência na apuração dos fatos.

Destaca, ainda, que serão instaurados os competentes Processos Administrativos Disciplinares para a apuração individual de eventuais responsabilidades, e tomará medidas cabíveis necessárias ao longo de toda apuração.

A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética e a integridade no serviço público”.

Entenda

Operação deflagrada na manhã desta quarta-feira (18), que interditou o entorno do Camelódromo de Campo Grande, revelou a participação de agentes de segurança pública que facilitavam a entrada de mercadorias contrabandeadas no Estado.

A Operação Iscariotes é um desdobramento que ocorre simultaneamente em outras capitais e investiga crimes de descaminho, lavagem de capitais, corrupção passiva, violação de sigilo e outros ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional.

A ação ocorre após investigação que indicou a atuação estruturada de um grupo criminoso especializado em facilitar a entrada de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado por meio de um esquema de importação fraudulenta.

Ainda conforme o levantamento, o grupo trazia as mercadorias sem qualquer documentação ou regularização necessária para o controle aduaneiro.

Após a entrada irregular no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande e o restante seguia para outras unidades da federação, tendo como principal destino Minas Gerais (MG), em entregas fracionadas misturadas a outras cargas ilícitas.

O trabalho de inteligência revelou que o grupo utilizava veículos modificados com compartimentos ocultos para ludibriar fiscalizações e facilitar o transporte e a distribuição das mercadorias ilícitas.

Também foram identificadas diversas condutas voltadas à ocultação e à dissimulação da origem criminosa dos valores obtidos com a atividade ilegal.

Participam da ação a Polícia Federal e a Receita Federal, por intermédio da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul (Delefaz/MS), com apoio da Receita Federal do Brasil.

 

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