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Além do Rio Doce, águas subterrâneas
da bacia também estão contaminadas

Além do Rio Doce, águas subterrâneas
da bacia também estão contaminadas

Agência Brasil

15/04/2017 - 17h23
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Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Greenpeace, revelou que, além do Rio Doce, as águas subterrâneas da região estão contaminadas com altos níveis de metais pesados. A água dos poços artesianos locais apresentaram níveis desses metais acima do permitido pelo governo brasileiro. Os pequenos agricultores são os mais prejudicados, já que não têm outra fonte de água para a produção e para beber.

As águas do Rio Doce foram contaminadas pelo rompimento da Barragem de Fundão, pertencente à mineradora Samarco, no município mineiro de Mariana, em 5 de novembro de 2015. O incidente devastou a vegetação nativa e poluiu toda a bacia do Rio Doce, atingindo outros municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo. Dezenove pessoas morreram e diversas comunidades foram destruídas. O episódio é considerado a maior tragédia ambiental do país.

Após o desastre, agricultores familiares recorreram a poços artesianos para irrigar suas plantações e ter água para beber. As amostras coletadas pela equipe da UFRJ apresentaram altos níveis de ferro e manganês, que prejudicam o desenvolvimento das plantações e oferecem riscos à saúde, no longo prazo, segundo os pesquisadores.

Um dos objetivos do estudo do Instituto de Biofísica da UFRJ, em parceira com o Greenpeace, foi avaliar se os agricultores, impossibilitados de utilizar em suas plantações as águas do Rio Doce contaminadas pelo desastre, poderiam empregar com segurança os poços artesianos como fonte de irrigação e consumo.

Pesquisadores analisaram a presença de metais pesados na água em 48 amostras coletadas de três regiões diferentes da bacia do Rio Doce: Belo Oriente (MG), Governador Valadares (MG), e Colatina (ES). As amostras foram coletadas em poços, em pontos do rio e na água tratada fornecida pela prefeitura ou pela Samarco.

A cidade de Belo Oriente apresentou cinco pontos de coleta com níveis de ferro e manganês acima do estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), órgão do Ministério do Meio Ambiente. Em Governador Valadares foram identificados 12 pontos e, em Colatina, dez pontos com os valores acima do permitido. Segundo o estudo, a água desses locais não é adequada para consumo humano e, em alguns casos, também não é recomendado o uso para irrigação de plantas – situação de alguns pontos de Governador Valadares e Colatina.

A contaminação do Rio Doce se deu pelos rejeitos que vazaram com o rompimento da barragem. No entanto, os pesquisadores disseram não poder afirmar que os poços sofreram a contaminação por conta da lama vinda da barragem, por falta de estudos prévios na região. “Contudo, podemos afirmar que a escavação dos poços e sua posterior utilização se deu por conta do derramamento da lama na água do rio, que porventura, a inutilizou”, diz o relatório.

No longo prazo, para a saúde, a exposição ao manganês pode causar problemas neurológicos, semelhantes ao mal de Parkinson, enquanto o ferro, em quantidades acimas das permitidas, pode danificar rins, fígado e o sistema digestivo.

“A contaminação por metais pesados pode ter consequências futuras graves para as populações do entorno, que necessitam de suporte e apoio pós-desastre. Isso deve ser arcado pela Samarco e suas controladoras, Vale e BHP Billiton, e monitorado de perto pelo governo brasileiro”, defendeu Fabiana Alves, da Campanha de Água do Greenpeace.

Agricultura

No curto prazo, o grande impacto tem sido na agricultura, identificou a pesquisa. O estudo buscou pequenos produtores locais para analisar como seus modos de vida foram atingidos pela lama. Muitos dos que não abandonaram suas terras enfrentaram dificuldades financeiras por não conseguir mais produzir com o solo e a água que têm.

De acordo com o relatório, 88% dos entrevistados afirmaram ter alterado o tipo de cultivo e/ou criação realizada pela família após o incidente. A produção de cabras foi bastante afetada pelo desastre e as atividades de pesca e criação de peixes praticamente desapareceram na bacia.

Dados apresentados pelos pesquisadores após entrevistas com os agricultores demonstraram também que, antes do desastre, 98% dos entrevistados utilizavam água do Rio Doce para atividade econômica do dia a dia. Após a tragédia, somente 36% continuaram usando a mesma água. Destes, 87% utilizam a água para irrigação. Cerca de 60% dos entrevistados considera a água imprópria para uso, o que demonstra a insegurança no uso desse recurso fundamental para as populações que vivem à beira do rio.

CAMPO GRANDE (MS)

Sete mil fiéis se reúnem para montar um quilômetro do tapete de Corpus Christi

Famosos tapetes reúnem cores, desenhos, ilustrações e imagens e são feitos com pedrinhas, sal, sal grosso, serragem, areia e pó colorido

04/06/2026 11h30

Tapete com desenho de flores da Paróquia Santa Luzia, bairro Santa Luzia

Tapete com desenho de flores da Paróquia Santa Luzia, bairro Santa Luzia Naiara Camargo

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Feriado de Corpus Christi é celebrado nesta quinta-feira (4) em todo o Brasil.

De acordo com o coordenador pastoral, padre Cleber Rosa, 7 mil fiéis, de 48 paróquias e 280 comunidades, se reuniram para confeccionar 1.121 metros do famoso tapete de Corpus Christi, na manhã desta quinta-feira (4), nas avenidas Afonso Pena, 13 de Maio e Fernando Corrêa da Costa, em Campo Grande.

Expressão latina que significa "Corpo de Cristo", a data é uma comemoração litúrgica das igrejas Católica Apostólica Romana e Anglicana que ocorre na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes.

É marcada por celebrações religiosas, confecção do famoso tapete, missas, procissão, visitas a hospitais e presídios, shows e bênçãos.

A confecção dos tapetes é uma tradição católica popular que simboliza a preparação e o caminho que os fiéis devem percorrer para receber o Corpo de Cristo durante a Eucaristia, que é o cerne das celebrações de Corpus Christi.

Os tapetes reúnem cores, desenhos, ilustrações e imagens. São postos no asfalto, geralmente em avenidas importantes da cidade, e feitos de pedrinhas, sal, sal grosso, serragem, areia, café e pó coloridos. Cada paróquia apresenta seu tema, desenho e material.

Confira o trajeto dos tapetes e os detalhes da metragem de cada paróquia:

Tapete com desenho de flores da Paróquia Santa Luzia, bairro Santa Luzia
Tapete com desenho de flores da Paróquia Santa Luzia, bairro Santa Luzia
Tapete com desenho de flores da Paróquia Santa Luzia, bairro Santa Luzia

Milhares de fiéis madrugaram, chegaram cedo, levaram café da manhã e apostaram na caixa de som com música gospel para animar a montagem do tapete.

Tapete com desenho de flores da Paróquia Santa Luzia, bairro Santa LuziaPadre Luiz Gustavo Winkler, da Paróquia São José da Anchieta. Foto: Naiara Camargo

Padre, Luiz Gustavo Winkler, levou 40 fiéis da Paróquia São José de Anchieta (bairro Piratininga), para confeccionar tapetes e celebrar a data religiosa, no centro de Campo Grande.

"Hoje é aquele dia em que o católico de Campo Grande acorda mais cedo e não é para nós um feriado qualquer. Acordar mais cedo para nós hoje é uma alegria. Acordei 6 horas da manhã para estar aqui às 7 horas com a minha paróquia e com toda a arquidiocese e confeccionamos tapetes", contou.

Para o padre, a data de Corpus Christi significa fé. “É uma data muito importante para nós dizermos a Campo Grande, ao Mato Grosso do Sul, ao mundo que acreditamos na Eucaristia. Hoje é um dia que nós, como cristãos católicos, publicamente mostramos a nossa fé, que cremos na Eucaristia, que é o corpo e sangue de Cristo, então é uma data onde nós saímos às ruas, na parte da manhã, tradicionalmente aqui em Campo Grande confeccionamos os tapetes, e na parte da tarde celebramos a Eucaristia e saímos em procissão com o corpo e sangue de Cristo, mostrando nossa fé publicamente", complementou.

Tapete com desenho de flores da Paróquia Santa Luzia, bairro Santa LuziaFiéis da Paróquia São Leopoldo Mandique, comunidade Santa Luzia, bairro Vivendas do Parque. Foto: Naiara Camargo

Empresária, Carol Oliveira Camargo, pertence a Paróquia São Leopoldo Mandique, comunidade Santa Luzia (bairro Vivendas do Parque). Neste ano, o desenho de sua paróquia, no tapete, abrange a bandeira do País.

"A gente trouxe a bandeira do Brasil representando esse período que Jesus está caminhando no meio de nós. Então acho que é um momento muito importante que a gente se une aqui com os irmãos para a gente poder fazer o nosso tapete e agradecer a Deus por esse dia", afirmou.

Padre Vander Casemiro, da Paróquia Santa Luzia (bairro Santa Luzia), ressaltou a importância da data para o catolicismo.

Tapete com desenho de flores da Paróquia Santa Luzia, bairro Santa LuziaPadre Vander Casemiro, da Paróquia Santa Luzia (bairro Santa Luzia). Foto: Naiara Camargo

"Essa data, além de celebrar a Eucaristia, representa também a unidade da Igreja, a unidade das comunidades, é um momento forte que marca também a passagem de Jesus e Eucarístico entre nós. Então, sem dúvida, é um momento muito importante para a nossa fé católica", disse.

Neste ano, o desenho do tapete, da Paróquia Santa Luzia, é um jardim de flores. "Nos, 200 pessoas da nossa pároquia, estamos aqui hoje usando cerca de mil quilos de sal grosso tingido em 22 metros de tapete. Os preparativos eles tiveram início há um mês atrás. Então nós tivemos duas equipes trabalhando, uma equipe no tingimento do sal e uma equipe no desenho. E essas equipes envolvem desde criança até os idosos", finalizou.

RENDA EXTRA

Vendedores ambulantes aproveitam o feriado de Corpus Christi para tirarem um ‘dinheirinho extra’ aos arredores do famoso tapete, na manhã desta quinta-feira (4), no centro de Campo Grande.

Diferente da maioria dos trabalhadores, nada de descansar no feriado. É hora de faturar uma renda extra. 

Tapete com desenho de flores da Paróquia Santa Luzia, bairro Santa LuziaLucineia Vilagra, vendedora pipocas no centro de Campo Grande. Foto: Naiara Camargo

Carrinhos/barracas de pipoca salgada/doce, cachorro quente, água de coco, água natural/gaseificada, algodão doce, churros, salgados, chipa e até de roupas de frio marcaram presença nas principais avenidas do centro da Capital.

Ambulante, Lucineia Vilagra, vende pipocas e afirmou que os feriados rendem mais dinheiro do que dias normais.

"Meu ponto de venda é na 14 de Julho, esquina com Marechal Rondon. Eu acredito que o movimento aqui hoje vai ser bom, bem melhor, porque o centro está muito parado, o centro morreu. Em dias normais, vendo R$ 110 - R$ 200, e, em feriados, chego a vender até R$ 700 - R$ 800", contou.

Geralmente, os feriados que mais dão dinheiro para a classe são Corpus Chrsti, Independência do Brasil (7 de setembro) e Aniversário de Campo Grande (26 de agosto).

PROGRAMAÇÃO

Confira a programação do feriado de Corpus Christi em Campo Grande:

  • Confecção dos tapetes: a partir das 5h30min, ao longo da Avenida Afonso Pena (a partir da Praça do Rádio), Rua 13 de Maio e Avenida Fernando Corrêa da Costa, encerrando em frente ao Memorial da Cultura (antigo Fórum)
  • Visita do Santíssimo Sacramento: às 9h, com passagem por hospitais, UNEIs e penitenciárias, levando a presença de Cristo aos lugares de dor
  • Santa Missa: às 15h, na Praça do Rádio Clube
  • Procissão: logo após a Santa Missa – rota: avenida Afonso Pena > Rua 13 de Maio > avenida Fernando Corrêa da Costa
  • Show: à noite, com música gospel, louvor, oração e alegria

CORPUS CHRISTI

Corpus Christi significa Corpo de Cristo. É uma festa religiosa da Igreja Católica que tem por objetivo celebrar o mistério da eucaristia, o sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo.

A festa de Corpus Christi acontece sempre 60 dias depois do Domingo de Páscoa ou na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, em alusão à quinta-feira santa quando Jesus instituiu o sacramento da eucaristia.

Ano Jubilar - O Ano Santo é celebrado a cada 25 anos e marca um tempo especial de perdão, reconciliação e renovação espiritual na Igreja. Em 29 de dezembro de 2024, a abertura da Porta Santa deu início ao Jubileu, que tem como lema "Peregrinos da Esperança".

Em Campo Grande, Corpus Christi é feriado desde 1967.

CLIMA

Risco de super-El Niño põe Estado em emergência contra incêndios florestais

Previsão já havia alertado que o fenômeno deve favorecer ondas de calor frequentes e intensos no 2º semestre do ano

04/06/2026 10h00

Fenômeno deve ser forte e provocar altas temperaturas em MS

Fenômeno deve ser forte e provocar altas temperaturas em MS Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O governo do Estado decretou estado de emergência ambiental diante da previsão de um super-El Niño atingir Mato Grosso do Sul no segundo semestre do ano, favorecendo a ocorrência de focos de incêndio.

A preocupação é que a situação se aproxime do registrado entre junho e agosto de 2024, uma das piores épocas da história recente em queimadas florestais.

O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) e vai durar 180 dias, valendo para os 79 municípios sul-mato-grossenses. Segundo o divulgado, as condições climáticas previstas para os próximos seis meses devem favorecer a propagação de incêndios florestais sem controle e a queda drástica na qualidade do ar.

Na previsão climática realizada pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) para os meses de junho, julho e agosto, o instituto já havia detalhado que o El Niño atuaria de forma intensa no Estado a partir do segundo semestre, o que poderia favorecer ondas de calor frequentes e intensas.

“As projeções apontam aumento progressivo da probabilidade de ocorrência de El Niño moderado a forte entre a primavera e o início do verão, o que poderá favorecer episódios de ondas de calor mais frequentes e intensos, além de potencializar períodos prolongados de temperaturas acima da média climatológica no Estado”, analisa o Cemtec-MS.

Na própria publicação que garante o decreto, o governo estadual disse que a intensificação do El Niño “favorece a formação de material combustível altamente suscetível à ignição e à rápida propagação do fogo, ampliando o risco de incêndios florestais em diversas áreas do Estado, especialmente no Bioma Pantanal”.

Segundo o capitão Samuel Pedrozo Borges, da Diretoria de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS), há uma preocupação da corporação quanto ao mês de julho, o qual deve contar com uma mobilização intensa para que grandes focos não se propaguem.

“Há uma preocupação para que já no mês de julho o Corpo Bombeiros Militar tenha o maior efetivo possível para atuar em condição de combate aos incêndios florestais. Nós estamos atentos a essas questões climáticas, principalmente no período crítico. O que mais interfere na questão do El Nino é o aumento da temperatura, que é o ponto crítico para os incêndios florestais”, analisa.

Ainda de acordo com o capitão, esse período é chamado de Triplo 30, que recebe esse nome justamente pelo registro de temperaturas acima dos 30°C, umidade relativa do ar abaixo dos 30% e a velocidade do vento acima dos 30 km/h. Todas essas condições combinadas favorecem o risco de incêndios florestais e queimadas.

Números

Conforme dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 2026 é um dos anos mais “tranquilos” em relação a focos de incêndio em Mato Grosso do Sul, com 375 registros até o momento. Entre janeiro e maio do ano passado, 100 focos a mais já tinham sido catalogados.

Porém, foi em 2024 que o El Niño mais influenciou nas queimadas florestais no Estado. Ainda de acordo com o programa do Inpe, foram registrados mais de 13 mil focos ao longo daquele ano, sendo que julho e agosto terminaram como os piores desde 1998. 

Somente no Pantanal, cerca de 17% da área total – 2,6 milhões de hectares de 15 milhões de hectares – do bioma foram queimados.

Pantanal

Em matéria recente, o Correio do Estado veiculou que, há duas semanas, o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu documento direcionado a órgãos federais e estaduais sobre a situação de alerta com relação ao risco de incêndios florestais para toda a região oeste de Mato Grosso do Sul, onde está o Pantanal, e áreas do leste do Estado.

No contexto de médio prazo, o alerta aponta para riscos de atividades humanas envolvendo o manejo do fogo inadequado, que pode apresentar alta tendência de focos de calor, e um acúmulo de focos de calor em regiões do Pantanal, bem como para municípios como Três Lagoas, Bataguassu e Ribas do Rio Pardo.

Em grau de dimensão menor, ainda há o nível de classificação feito pelo Cemaden, o de alerta alto, que abrange áreas de Naviraí e Itaquiraí.

375
focos de incêndio

Este ano foram registrados 375 focos de incêndio em Mato Grosso do Sul até o momento, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

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