O governo do Estado decretou estado de emergência ambiental diante da previsão de um super-El Niño atingir Mato Grosso do Sul no segundo semestre do ano, favorecendo a ocorrência de focos de incêndio.
A preocupação é que a situação se aproxime do registrado entre junho e agosto de 2024, uma das piores épocas da história recente em queimadas florestais.
O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) e vai durar 180 dias, valendo para os 79 municípios sul-mato-grossenses. Segundo o divulgado, as condições climáticas previstas para os próximos seis meses devem favorecer a propagação de incêndios florestais sem controle e a queda drástica na qualidade do ar.
Na previsão climática realizada pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) para os meses de junho, julho e agosto, o instituto já havia detalhado que o El Niño atuaria de forma intensa no Estado a partir do segundo semestre, o que poderia favorecer ondas de calor frequentes e intensas.
“As projeções apontam aumento progressivo da probabilidade de ocorrência de El Niño moderado a forte entre a primavera e o início do verão, o que poderá favorecer episódios de ondas de calor mais frequentes e intensos, além de potencializar períodos prolongados de temperaturas acima da média climatológica no Estado”, analisa o Cemtec-MS.
Na própria publicação que garante o decreto, o governo estadual disse que a intensificação do El Niño “favorece a formação de material combustível altamente suscetível à ignição e à rápida propagação do fogo, ampliando o risco de incêndios florestais em diversas áreas do Estado, especialmente no Bioma Pantanal”.
Segundo o capitão Samuel Pedrozo Borges, da Diretoria de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS), há uma preocupação da corporação quanto ao mês de julho, o qual deve contar com uma mobilização intensa para que grandes focos não se propaguem.
“Há uma preocupação para que já no mês de julho o Corpo Bombeiros Militar tenha o maior efetivo possível para atuar em condição de combate aos incêndios florestais. Nós estamos atentos a essas questões climáticas, principalmente no período crítico. O que mais interfere na questão do El Nino é o aumento da temperatura, que é o ponto crítico para os incêndios florestais”, analisa.
Ainda de acordo com o capitão, esse período é chamado de Triplo 30, que recebe esse nome justamente pelo registro de temperaturas acima dos 30°C, umidade relativa do ar abaixo dos 30% e a velocidade do vento acima dos 30 km/h. Todas essas condições combinadas favorecem o risco de incêndios florestais e queimadas.
Números
Conforme dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 2026 é um dos anos mais “tranquilos” em relação a focos de incêndio em Mato Grosso do Sul, com 375 registros até o momento. Entre janeiro e maio do ano passado, 100 focos a mais já tinham sido catalogados.
Porém, foi em 2024 que o El Niño mais influenciou nas queimadas florestais no Estado. Ainda de acordo com o programa do Inpe, foram registrados mais de 13 mil focos ao longo daquele ano, sendo que julho e agosto terminaram como os piores desde 1998.
Somente no Pantanal, cerca de 17% da área total – 2,6 milhões de hectares de 15 milhões de hectares – do bioma foram queimados.
Pantanal
Em matéria recente, o Correio do Estado veiculou que, há duas semanas, o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu documento direcionado a órgãos federais e estaduais sobre a situação de alerta com relação ao risco de incêndios florestais para toda a região oeste de Mato Grosso do Sul, onde está o Pantanal, e áreas do leste do Estado.
No contexto de médio prazo, o alerta aponta para riscos de atividades humanas envolvendo o manejo do fogo inadequado, que pode apresentar alta tendência de focos de calor, e um acúmulo de focos de calor em regiões do Pantanal, bem como para municípios como Três Lagoas, Bataguassu e Ribas do Rio Pardo.
Em grau de dimensão menor, ainda há o nível de classificação feito pelo Cemaden, o de alerta alto, que abrange áreas de Naviraí e Itaquiraí.
375
focos de incêndio
Este ano foram registrados 375 focos de incêndio em Mato Grosso do Sul até o momento, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

