Perícia em carga apreendida em junho, apontada como a maior apreensão da droga já feita, foi concluída no dia 17
A perícia feita pelo Setor Técnico-Científico da Superintendência Regional de Polícia Federal em Mato Grosso do Sul na carga de madeira apreendida em quatro caminhões em Corumbá coletou, ao todo, 52 amostras para realizar os mais diversos exames e tentar detectar a suposta cocaína que estaria impregnada no material. Porém, em nenhuma das amostras analisadas foi encontrado o entorpecente.
Essa informação consta nos quatro laudos da perícia federal feita nas cargas apreendidas no dia 21 de junho, em Corumbá, um para cada caminhão encontrado em Mato Grosso do Sul.
Conforme os documentos obtidos pelo Correio do Estado, as cargas estavam no porto seco dos Armazéns Gerais Alfandegados de Mato Grosso do Sul (Agesa), localizado no Anel Viário de Corumbá, onde o perito criminal federal Matheus de Andrade Carvalho Souza e o perito federal Saulo Gomes, do Instituto Nacional de Criminalística (INC), coletaram as amostras, o que ocorreu entre os dias 30 de junho e 3 de julho deste ano.
Porém, no dia 23 de junho, já havia sido feita uma coleta preliminar para análise em cada um dos caminhões.
No primeiro caminhão, que estava carregado com 10 palanques e 1.080 postes de aroeira, foi feita uma coleta preliminar de três amostras. Depois, já na descarga no porto seco, mais sete mostras foram coletadas.
O segundo caminhão transportava “166 peças de madeira cortada, equivalentes ao volume total de 10.771,21 pés tablares de morado, conhecida no Brasil como caviúna, jacarandá-caviúna, pau-ferro ou jacarandá-rosa”.
Neste veículo, foram coletados quatro fragmentos no dia 23 de junho e mais 10 amostras no dia 1º deste mês.
No terceiro caminhão havia 750 postes e 80 machones de aroeira, que também tiveram uma coleta preliminar, no dia 23 do mês passado, de seis fragmentos e posterior coleta de 10 amostras.
Já o quarto caminhão estava carregado com 500 postes, 75 machones e 40 palanques de aroeira. Nesta carga foram retirados três fragmentos em um primeiro momento e depois mais nove amostras foram coletadas.
Todo esse material foi analisado pelo Setor Técnico-Científico da Superintendência Regional de Polícia Federal em Mato Grosso do Sul no local no Laboratório de Química Forense do setor e no laboratório do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (Ialf) da Coordenadoria-Geral de Perícias de MS.
Segundo os relatórios, o material coletado no primeiro dia foi encaminhado totalmente para o Laboratório de Química Forense do Setor Técnico-Científico e o laboratório do Ialf, que não encontraram vestígio de cocaína na carga.
“Todos os testes e exames instrumentais resultaram negativos para a presença de cocaína impregnada nas amostras de madeira encaminhadas a exame pericial”, concluíram os quatro laudos dos exames em laboratório obtidos pelo Correio do Estado.
A análise do material da segunda coleta, entre os dias 30 junho e 3 de julho, foi dividida: parte foi analisada no local e outra parte seguiu para o INC, para um relatório final.
Porém, nos exames feitos no local, também não foi detectada cocaína em nenhuma das amostras analisadas, segundo apontam os relatórios do perito Matheus de Andrade Carvalho Souza.
“Todos os testes preliminares resultaram negativos para a presença de cocaína impregnada nas amostras de serragem coletadas no local”.
CARGA RETIDA
Apesar de em dois exames diferentes, feitos pela Perícia da Polícia Federal, não ter sido detectada a presença de cocaína, a carga segue retida pela Receita Federal, como mostrou reportagem do Correio do Estado.
O órgão federal afirmou que aguarda a entrega dos laudos que estão sendo feitos pelo INC para, caso não haja nenhuma irregularidade adicional, liberar os caminhões e suas cargas.
“A apuração, contudo, ainda não foi concluída. Permanecem pendentes laudos periciais do Instituto Nacional de Criminalística, e a Polícia Federal determinou a instauração de inquérito policial para o prosseguimento das diligências e o esclarecimento integral dos fatos, com ciência ao Ministério Público Federal e à Receita Federal. Por essa razão, a carga permanece retida”, afirmou a Receita Federal, em nota.
“A Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal realizarão reuniões para avaliar o andamento do caso e definir as providências cabíveis, respeitadas as atribuições de cada instituição”, completou a Receita, em nota.