Cidades

"NOTA 8"

Alunos ganham armários em volta às aulas sem celular em MS

Estudantes da Escola Estadual Maestro Frederico Liebermann veem com bons olhos a mudança sobre a proibição do aparelho telefônico em colégios de Mato Grosso do Sul

Continue lendo...

Alunos da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul voltaram às aulas, nesta segunda-feira (17), sob uma nova ótica dentro das escolas: a proibição do uso de aparelhos telefônicos nas instituições, que adotaram até armários para auxiliar seus estudantes a ficarem longe dos celulares. 

Conforme números da Secretaria de Estado de Educação (SED), as 348 unidades escolares da Rede Estadual de Ensino (REE) recebem mais de 180 mil estudantes. Somente Campo Grande (onde ficam 75 dessas escolas), comporta 40 mil desse total de estudantes. 

Além disso, houve expansão do atendimento do ensino em tempo integral, sendo que 213 do total oferecem turmas nessa modalidade que, juntos, comportam cerca de 50 mil estudantes integralmente. 

É o caso da escola estadual com quase 50 anos de história, Maestro Frederico Liebermann, que fica no Monte Castelo e, no melhor estilo "colégio estadunidense" , disponibilizou armários para seus alunos nas próprias salas de aula.

Celulares em escola do Monte Castelo ficam em armários no fundo da sala de aula. Foto: M.V

Ana Eliza Spazzapan é diretora em segundo mandato e já está há cinco anos na unidade, que atende estudantes desde o quarto ano do fundamental 1 até o terceiro ano do Ensino Médio. 

Ela esclarece as medidas adotadas na escola, frisando que o contato prévio e aviso aos pais já rendeu bons frutos para esse primeiro dia de aula. 

"Nós sabemos que temos um embate grande pela frente, mas hoje, por exemplo, tivemos a grata visão de não ter nenhum estudante com o celular na mão. Tivemos lista de transmissão pros pais já na semana que antecede ao dia de hoje (17), pedindo que não deixassem os filhos trazerem e que, se fossem trazer, que fizessem as orientações pertinentes para que eles não ficassem usando dentro da escola", diz. 

Nessa escola cada estudante recebeu um armário, que fica aos fundos da sala de aula, onde será possível armazenar o aparelho telefônico do estudante, caso seja levado para o colégio, havendo inclusive consequências que a diretora faz questão de "atenuar". 

Segundo a diretora, as estratégias do trato com os estudantes foram discutidas durante a semana pedagógica, sendo que a postura orientadora deve ser adotada nesse primeiro momento, porém, aqueles que insistirem em não obedecer à lei estarão sujeitos ao regimento escolar. 

 "Tentando primeiro um trabalho orientativo, para que eles entendam o motivo e o porquê, mas a gente sabe que sempre vai ter um que vai destoar da situação, aí esse não vai ter jeito. É educar o estudante, usar o amor, na verdade, porque não adianta ir na punição direto", afirma. 

Visão dos estudantes

Em um novo cenário de ambiente escolar, a aluna Isadora Correa, de 15 anos, lembra que, antes da nova resolução de proibição, os celulares inclusive eram usados de forma pedagógica dentro das salas de aula. 

Segundanista que em 2025 completa um ano nesse colégio do Monte Castelo, ela não deixa de ponderar ambos os lados da medida, seja o que vê como positivo e também aquilo preocupa ela e outros estudantes. 

"Às vezes a gente usava como método pedagógico, mas muita gente usava pra fazer besteira, tipo, coisas que não era pra estudar mesmo. Então eu acredito que pode ser bom, mas surgem muitas preocupações de como falar com os pais, etc.", expõe. 

Colega de sala, Heitor Saldanha, também com 15 anos, também encara com bons olhos a proibição do uso de celulares, seja pelos malefícios quanto pelos pontos flexíveis que podem extrair um melhor uso do equipamento por parte dos professores. 

"Vejo como um avanço, tanto em pensar que o celular atrapalha muito, sim, e também achei legal a ideia de não tirar totalmente, mas deixar também para fins pedagógicos", diz. 

Heitor não descarta ainda aqueles casos de rejeição à mudança, porém, ressalta que até mesmo nesses casos o impacto a longo prazo pode ser positivo. 

"Claro que muita gente vai se incomodar, muitos são antissociais, não gostam muito de conversar, então preferem ficar isoladas no seu celular, vendo a internet... mas também vai dar uma alavanca para pessoas que são assim a tentar se desenvolver mais, conversar, socializar", indica ele. 

Alunos volta às aulas sem celularIsadora, Carlos e Heitor deram nota 8 para a escola, já que nada é tão perfeito que não possa melhorar com o tempo”. Foto: M.V

Aluno da E.E Maestro Frederico há seis anos, Carlos Eduardo Machado, também de 15 anos, enxerga que a proibição deve mudar bastante a rotina da escola, principalmente na convivência entre os próprios estudantes. 

"Atrapalhava um pouquinho a comunicação entre os alunos. Ficou melhor pra todo mundo se conhecer e, também, vai ter mais aprendizado, estudos e pessoas inteligentes na escola", cita. 

Em um "raio-x" do passado, ele lembra que "geral ficava muito tempo no celular", sendo que a proibição servirá até como uma espécie de "detox" para os estudantes. 

"Tinha algumas pessoas que se isolavam, mexendo no celular, não se comunicavam. Tinha quem brigava porque não conseguia ficar sem internet. A gente já usa muito em casa, você vai tirando e vai se resolvendo com essa dependência dele", conclui.

Por fim, trocando os papéis e avaliando a recepção da  E.E Maestro Frederico Liebermann, cada um dos estudantes, simbolicamente, deu nota “8” para escola, dizendo que ainda estão vivendo esse experiência e, ainda que a pontuação sirva para passar de ano, eles frisam que “nada é tão perfeito que não possa melhorar com o tempo”. 

 

Assine o Correio do Estado

Oportunidade

Aberta inscrição para seleção de professor elaborador do Enade 2027

Interessados podem se inscrever até 14 de dezembro em sistema do Inep

22/10/2026 19h00

Estudante com prova do Enade

Estudante com prova do Enade Foto: UFT/Divulgação

Continue Lendo...

Os professores da educação superior de todo o país interessados em ser colaboradores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para elaborar e revisar itens/questões do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2027 podem se candidatar até 14 de dezembro.

Os colaboradores irão integrar o Cadastro de Elaboradores e Revisores de Itens da Educação Superior (Ceres).

A inscrição na chamada pública deve ser feita exclusivamente pelo Sistema do Banco Nacional de Itens da Educação Superior (BNI-ES).

O banco armazena questões de qualidade técnica que permitam a montagem de provas capazes de verificar com maior precisão a proficiência dos estudantes com relação a conteúdos, habilidades e competências nas provas do Enade.

Quem pode se cadastrar

A seleção contemplará professores de 17 áreas de bacharelado e de cursos superiores de tecnologia.

Também é necessário exercer ou ter exercido atividade docente, nos últimos 24 meses, em curso da área para a qual deseja se inscrever.

De acordo com o edital da seleção (nº 160/2026), as áreas contempladas são: agronomia, biomedicina, educação física, enfermagem, engenharia florestal, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social, turismo e zootecnia; e três de cursos superiores de tecnologia: estética e cosmética, gastronomia e radiologia.

Para participar da seleção, o candidato deverá ter diploma de graduação de nível superior, devidamente registrado, conforme os requisitos específicos da área pretendida.

Inscrições

Ao fazer a inscrição, o candidato deverá preencher as informações solicitadas, indicar as áreas de interesse e anexar a documentação que comprove as exigências.

Entre os documentos obrigatórios estão o diploma de graduação, a declaração de exercício de atividade docente (assinada pelo dirigente da instituição de educação superior ou pelo coordenador do curso) e o termo de conhecimento, compromisso e sigilo e o termo de responsabilidade.

Caso o candidato opte por concorrer em mais de uma área, será necessário apresentar uma declaração específica para cada uma delas.

Seleção

O processo seletivo é dividido em três etapas:

Eliminatória: análise da documentação exigida (requisitos básicos).
Classificatória: pontuação com base nos títulos de pós-graduação, tempo de docência no ensino superior e experiência em elaboração/revisão de itens ou participação em comissões do Inep e de outros exames/concursos.
Resultado: divulgação dos candidatos aprovados e pré-selecionados para as fases de capacitação e oficina de Itens do Enade, com possibilidade de recurso administrativo contra a decisão que indefere a sua inscrição.
Capacitação
Os colaboradores selecionados serão convocados para uma capacitação obrigatória, realizada de forma remota, prevista para ocorrer entre abril e maio de 2027.

Somente após a etapa de capacitação, os docentes podem ser convocados para participar de oficinas de elaboração e revisão de itens.

O Inep avisa que a convocação para a capacitação não garante a participação nas oficinas, que estão previstas para ocorrer de 14 de maio a 21 de junho de 2027, também no formato remoto.

uso experimental

Polilaminina gera divergência entre pesquisadora e Anvisa; MS tem 4 pacientes

Pesquisadora Tatiana Sampaio critica restrições impostas pela Anvisa, enquanto agência aponta falta de dados sobre segurança e eficácia da substância experimental

22/10/2026 17h30

Pesquisadora Tatiana Sampaio criticou restriçõe da Anvisa em estudo com a polilaminina

Pesquisadora Tatiana Sampaio criticou restriçõe da Anvisa em estudo com a polilaminina Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Continue Lendo...

A pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelos estudos sobre tratamento de lesão medular com a polilaminina, uma substância produzida em laboratório a partir da proteína laminina, acusou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de impor restrições ao uso compassivo da substância, que já foi realizadosem quatro pessoas de Mato Grosso do Sul. A Anvisa, por sua vez, repudiou as declarações de Tatiana e disse que as restrições ocorrem após registro de mortes e que o foco é a saúde da população.

A pesquisa com a polilaminina é desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a farmacêutica Cristália. A substância tem potencial de ajudar pessoas com lesão na medula a recuperarem seus movimentos. 

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Tatiana afirmou que até abril deste ano, pacientes com lesão de até três meses conseguiam a autorização para o uso compassivo da substâmcia na Anvisa, mas que agora, a agência passou a autorizar apenas pacientes com lesões de até 72 horas, localizadas entre as vértebras T2 e T10, na altura do tórax.

O uso compassivo é a liberação oficial de um medicamento que ainda não possui registro na Anvisa e continua em fase de testes. A autorização é concedida pelo órgão e avaliada caso a caso.

“Em abril desse ano, a diretoria da Anvisa chamou a empresa fabricante da polilaminina para uma reunião de alinhamento. Nessa reunião, a diretora Daniela Marreco informou que não ia mais autorizar os pedidos que estavam chegando e obrigou a empresa a impor restrições ao uso compassivo", disse Tatiana em vídeo.

Segundo ela, as restrições fazem com que haja uma “correria louca” para pacientes que necessitam do tratamento de forma emergencial.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (22), a Anvisa repudia o vídeo gravado por Tatiana e afirma que as regras foram impostas por uma série de fatores, incluindo a morte de nove pacientes, e que as normas tem como base critérios técnicos.

Segundo a Anvisa, o pedido de anuência do estudo clínico demorou três anos devido a ausência de informações primárias necessárias para a avaliação de qualquer estudo clínico de medicamentos.

"Somente em janeiro de 2026, a Agência recebeu o mínimo de dados necessários para autorizar o estudo. O longo período de avaliação demonstra o esforço da Anvisa para adequar um estudo submetido sem os documentos necessários para garantir, minimamente, a segurança dos participantes da pesquisa", diz a nota.

A Anvisa diz ainda que, ao contrário do que afirma a pesquisadora, "não há dados de segurança confiáveis até o momento", sustentando que os pacientes submetidos ao uso da substância não estão sendo acompanhados pela empresa ou pela pesquisadora e que esse seria, fundamentalmente, o objetivo do estudo clínico atual.

"Apesar de aprovado pela Anvisa desde janeiro de 2026, a empresa não iniciou, até o momento, o estudo clínico de fase 1. Ou seja, apesar de alegar demora da Agência, 10 meses após a aprovação, o estudo ainda não foi iniciado", afirma a agência.

A agência também alega que o programa de uso compassivo conduzido pela pesquisadora não segue critérios rígidos de inclusão e exclusão de pacientes, nem evidências confiáveis, capazes de comprovar se o produto é seguro e eficaz.

Por fim, a Anvisa alega que médicos especialistas do painel técnico foram unânimes ao não recomendar a ampliação do uso compassivo do produto experimental, além de ressaltar preocupações com as mortes ocorridos até o momento, com a via de administração do produto e com a sua segurança.

"A Anvisa segue trabalhando pela segurança, qualidade e eficácia de medicamentos e demais insumos que integram a saúde pública, sempre pautada por evidências científicas e cumprindo o que a legislação brasileira determina. Agressões verbais e ofensas, além de covardes, são veementemente repudiadas pela Agência, que sempre esteve aberta ao diálogo construtivo e colaborativo com toda a sociedade", conclui a nota.

Pacientes em MS

Conforme reportagem do Correio do Estado, em Mato Grosso do Sul, quatro pessoas já realizaram a cirurgia para aplicação da polilaminina, são eles: Maria José Gonçalves, de 64 anos, Dhiego Paredes Teixeira, de 35 anos, Daniel Aparecido Costa dos Santos, de 32 anos, e Luiz Otávio Santos Nunes, de 19 anos. Além deles, outras 103 pessoas em todo o País já foram operadas.

O primeiro a receber o tratamento no Estado foi o militar Luiz Otávio, em janeiro deste ano. A lesão do rapaz ocorreu em outubro do ano passado, quando foi atingido por um tiro acidental no pescoço, causando uma lesão medular grave que o deixou sem o movimento dos membros inferiores e superiores, conhecida como tetraplegia. Essa condição é marcada por relatos raros de pessoas que recuperaram parcialmente os movimentos.

A cirurgia, que precisou ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foi realizada no dia 21 de janeiro, no Hospital Militar de Campo Grande, e levou cerca de 40 minutos.

Em setembro, a mãe de Luiz Otávio, Viviane Ponciano Machado, relatou que o filho apresenta bastante sensibilidade na região pélvica, além de já conseguir se sentar sozinho e levantar peso com uma das mãos.

Em março deste ano foi a vez de Daniel receber o tratamento. O morador de Sidrolândia sofreu um acidente de trabalho no dia 9 de dezembro de 2025.

Daniel é montador de silos (onde são armazenados soja e milho) e contou que uma parte do equipamento usado no serviço foi amarrada de maneira errada e caiu sobre dele.

Como resultado do acidente, ele ficou paraplégico, condição que o tornou elegível para receber o tratamento. Ao Correio do Estado, Daniel contou que tem tido muito formigamento nas pernas, seis meses após a aplicação da proteína.

Açém dos que já receberam a substância, três sul-mato-grossenses buscam na Justiça o direito a receber o tratamento de lesão medular com a polilaminina.

O que é a polilaminina

A polilaminina é uma substância desenvolvida em laboratório a partir da laminina, uma proteína encontrada naturalmente no corpo humano. Ela foi descoberta pela professora e pesquisadora da UFRJ Tatiana Sampaio, que investiga seu potencial há mais de 20 anos. 

No sistema nervoso, a laminina atua como base para a movimentação dos axônios, partes dos neurônios responsáveis pela transmissão de sinais elétricos e químicos. Por isso, acredita-se que a polilaminina pode reestabelecer a conexão interrompida quando há lesão na medula. 

Depois de obter resultados positivos em ratos, os pesquisadores realizaram um estudo-piloto, entre os anos de 2016 e 2021, aplicando a substância em oito pessoas que também passaram por cirurgia de descompressão. 

Dentro deste período, três faleceram em decorrência das lesões, mas os cinco que se recuperaram apresentaram algum ganho motor. No entanto, ainda não é possível afirmar que isso é resultado direto da polilaminina, por isso, a substância ainda precisa ser testada em ensaios clínicos controlados.

No entanto, a divulgação dos resultados preliminares gerou grande comoção, e dezenas de pessoas receberam autorização para usar a substância de forma compassiva, que é o caso dos sul-mato-grossenses, uma licença especial concedida pela Anvisa para o uso de substâncias experimentais, em casos de grande gravidade. 

Como essas aplicações não foram realizadas sob protocolo científico, não é possível atestar se a polilaminina funcionou ou não.

Se a substância for bem sucedida na fase 1 de testes, a equipe poderá pedir autorização à Anvisa para dar seguimento aos testes em humanos. Nas fases 2 e 3, o número de participantes aumenta e pesquisadores podem avaliar se a substância realmente funciona e produz resultados superiores aos tratamentos disponíveis atualmente.

Somente após a conclusão de todas as fases de testes, é que o medicamento pode ser registrado e disponibilizado para a população. 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).