Cidades

Ultima Ratio

Alvo da PF, advogado da JBS recebia valores acima do mercado

Especialistas afirmam que os R$ 20 milhões pagos a Rodrigo Pimentel superam com folga os padrões da advocacia em MS

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O pagamento de R$ 20 milhões em honorários advocatícios ao escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados pela JBS S.A., um dos gigantes mundiais da produção de proteína animal, chama atenção pelo alto valor, muito acima dos praticados no mercado de Mato Grosso do Sul.

A maioria dos advogados consultados pelo Correio do Estado, alguns preferiram manter seus nomes em reserva, afirma que os valores recebidos pelo escritório de Rodrigo Pimentel, que foi indiciado por corrupção passiva na Operação Ultima Ratio, da Polícia Federal (PF), ao atingir a casa das dezenas de milhões de reais, deixam muito para trás até mesmo alguns grandes escritórios do estado de Mato Grosso do Sul com clientes importantes e alto faturamento.

A vultosidade dos valores chama ainda mais atenção no mercado pelo fato de as transferências verificadas da JBS ao escritório de Rodrigo Pimentel terem ocorrido em período inferior a 12 meses, entre dezembro de 2022 e agosto de 2023.

No intervalo, o gigante mundial da proteína animal transferiu R$ 20.857.199,71, indica o relatório final de um dos inquéritos que compõem a Operação Ultima Ratio.

Um advogado, proprietário de uma das maiores bancas do Estado e com atuação consolidada na advocacia local, disse ao Correio do Estado, sob condição de anonimato, que é muito difícil identificar os serviços prestados pelo escritório Pimentel & Mochi e, mais ainda, verificar o valor deles.

“Para se ter honorários de R$ 20,8 milhões em menos de um ano, seria preciso uma causa ou mais causas, no contencioso ou no consultivo, de mais de R$ 200 milhões pelo menos”, comentou.

Outro advogado, cuja banca também se destaca em Mato Grosso do Sul e em ações em cortes superiores, comentou os altos honorários de Pimentel citados no relatório da PF e defendeu a necessidade de investigar a origem deles.

“Um trabalho ser remunerado por milhões, em tese, não é errado, trata-se de livre negociação privada, mas valores milionários podem levantar suspeitas, que devem e podem ser investigadas”, disse o advogado.

O advogado André Borges, que também lidera uma das maiores bancas de Mato Grosso do Sul e atua em casos de grande repercussão, comentou os mais de R$ 20 milhões pagos pela JBS ao escritório de Rodrigo Pimentel em menos de um ano.

“Consultoria jurídica pode ser dos mais variados tipos, importância e valores. Honorários remuneram o trabalho e contam com respaldo legal. Normalmente, são ajustados livremente. O mercado jurídico do nosso estado não é dos maiores, raramente gerando milhões em honorários, mas há clientes com problemas grandes, e com riqueza maior ainda, que podem pagar milhões”, analisou.

Pagamentos milionários

Os pagamentos feitos pela JBS ao escritório de Rodrigo Pimentel ocorreram entre 2 de dezembro de 2022, quando foram transferidos R$ 6 milhões, e 31 de agosto de 2023, quando a JBS fez o único dos seis pagamentos via Pix, no valor de R$ 1.266.975,00.

Em 31 de janeiro de 2023, a JBS pagou mais R$ 3.974.956,05, em 27 de março, outros R$ 1.638.018,66, em 12 de maio, mais R$ 5.631.000,00 e, em 1º de junho de 2023, mais R$ 2.346.250,00.

O delegado da Polícia Federal Marcos André Araújo Damato afirmou, ao relatar o primeiro dos inquéritos da Operação Ultima Ratio, que Rodrigo Pimentel pode ter recebido ainda mais da empresa.

“Como a quebra de sigilo bancário foi determinada até o mês de setembro de 2023, os pagamentos podem ter prosseguido”.

Fac-símile

Trecho do relatório da Polícia Federal em que os relatórios de inteligência financeira do Coaf mostram os valores recebidos pelo escritório de Rodrigo Pimentel pela JBA S.A.

Patrimônio

Para o delegado, apesar de explicar sua relação com a JBS, Rodrigo Pimentel não conseguiu justificar o recebimento de aproximadamente R$ 20 milhões da multinacional, conforme números obtidos pela PF por meio de quebras de sigilo e de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

“A respeito dos recebimentos acima [ele comenta os créditos da JBS na conta do escritório], Rodrigo Pimentel manifestou-se por escrito [...], contudo, não apresenta explicações sobre sua relação com a JBS que justifique o recebimento de cerca de R$ 20 milhões, limitando-se a dizer que são serviços advocatícios”, explicou o delegado.

Para a PF, o escritório de Rodrigo Pimentel afirmou que a divulgação do volume financeiro recebido da JBS “não foi vinculado a qualquer atividade minimamente descrita como ilícita”.

Na sequência, sustenta que a publicidade dos valores recebidos por Rodrigo da JBS macula sua imagem.

“Essa situação, de forma irreparável, macula a reputação do requerente, que, contratado, prestou os serviços advocatícios, emitiu as notas fiscais e pagou os correspondentes tributos”, afirmou Pimentel, em nota enviada à Polícia Federal.

Na investigação, o delegado Marcos André Araújo Damato ainda verificou um aumento patrimonial difícil de ser explicado.
Pimentel declarou crescimento significativo em seus rendimentos anuais: de R$ 52.500,00, em 2017, para R$ 3.310.068,00, em 2018 (aumento de mais de 62 vezes), e para R$ 9.226.989,95, em 2022 (aumento de mais de 174 vezes em 6 anos), o que foi considerado fora da normalidade.

Em nota, a JBS informou que “o escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados já atuou em diversas ações da empresa relacionadas a inúmeros temas e recebeu honorários por isso, como qualquer outro escritório que atue em defesa da JBS”.

Indiciamento

A Polícia Federal indiciou Rodrigo Pimentel por corrupção passiva no âmbito da Operação Ultima Ratio. Segundo a investigação, em 20 de junho de 2018, a empresa dele, a Ipê Assessoria Consultoria, recebeu R$ 275 mil da advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva.

Emmanuelle é esposa do ex-juiz Aldo Ferreira da Silva Júnior, aposentado compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça em 2022, após investigações por suposta venda de sentenças, corrupção e lavagem de dinheiro.

No mesmo dia da transferência para a empresa de Rodrigo, ela recebeu mais de R$ 5 milhões por meio de guia de levantamento expedida por ordem dos magistrados Paulo Afonso e Julio Roberto Siqueira Cardoso, em recursos apontados como oriundos de fraude judicial contra um aposentado.

De acordo com o relatório final da PF, as justificativas apresentadas por Rodrigo Pimentel para o recebimento dos R$ 275 mil foram consideradas falsas. A investigação sustenta ainda que ele e o advogado Fábio Leandro teriam intermediado a venda de decisões judiciais.

Além disso, a PF identificou que Rodrigo e sua esposa firmaram, dois dias antes da transferência bancária, contrato com Emmanuelle para aquisição de um terreno avaliado em R$ 1 milhão, mas negociado por R$ 400 mil.

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Fortes Chuvas

Chuvas deixam estragos e Campo Grande reforça atendimento à população

Equipes da Sisep, Defesa Civil e Emha atuam em diferentes regiões de Campo Grande para reduzir impactos causados pelo grande volume de água e atender famílias em situação de vulnerabilidade

14/06/2026 17h28

Foto: Divulgação

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A Prefeitura de Campo Grande intensificou neste fim de semana as ações de atendimento e monitoramento nas regiões afetadas pelas fortes chuvas que atingiram a Capital.

Equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), da Defesa Civil Municipal e da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) permanecem mobilizadas para atender ocorrências, realizar vistorias técnicas e executar medidas emergenciais voltadas à população.

O trabalho inclui o acompanhamento permanente das áreas impactadas, avaliação dos danos provocados pelo grande volume de água e a definição das intervenções necessárias para restabelecer as condições de segurança e mobilidade nos locais afetados.

Segundo o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Brandão, as equipes seguem em campo para atender as demandas registradas após os temporais.

“Estamos monitorando as ocorrências e atuando com equipes em campo para atender as demandas causadas pelas chuvas. Nosso compromisso é agir com rapidez e eficiência para reduzir os impactos à população”, afirmou.

De acordo com a Sisep, os serviços de limpeza e desobstrução dos bueiros já integram a programação da secretaria e serão executados conforme o cronograma operacional.

Além disso, as equipes atuarão na remoção de entulhos e em outras intervenções necessárias para melhorar a drenagem urbana e garantir melhores condições de circulação nos pontos atingidos.

Apoio às famílias

Além das ações de infraestrutura, a Prefeitura também promoveu atendimento social às famílias que necessitaram de suporte emergencial. No sábado (13), a Emha realizou a entrega de lonas para moradores da Comunidade Lagoa Park, localizada na Região Urbana Lagoa.

A iniciativa faz parte das ações do Programa CGSustentável e tem como objetivo oferecer apoio temporário às famílias em situação de vulnerabilidade, contribuindo para a proteção das moradias e minimizando os impactos provocados pelas condições climáticas adversas.

Segundo a administração municipal, o atendimento integra um trabalho contínuo desenvolvido pela agência em diversas regiões da cidade, tanto na área habitacional quanto em ações de apoio social emergencial.

“Essas ações são medidas emergenciais de apoio às famílias que enfrentam situações de necessidade e precisam de uma resposta rápida do poder público. Buscamos sempre estar presentes nas comunidades, acompanhando de perto as demandas e oferecendo o suporte possível para amenizar as dificuldades, enquanto trabalhamos por soluções mais estruturadas que garantam melhores condições de vida e moradia a essas famílias”, apontou Cláudio Marques, diretor da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha).

Defesa Civil mantém monitoramento

A Defesa Civil Municipal também segue acompanhando os pontos impactados pelas chuvas em diferentes regiões da cidade. As ocorrências recebidas estão sendo encaminhadas para avaliação das equipes técnicas, responsáveis pelas vistorias e pelo monitoramento constante das áreas afetadas.

Entre as situações observadas estão alagamentos pontuais, enxurradas e processos erosivos, problemas comuns durante períodos de precipitação intensa e concentrada, que exigem acompanhamento permanente e respostas rápidas por parte do poder público.

O coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, Eneas Netto, destacou a importância da participação da população no registro das ocorrências.

“A Defesa Civil está acompanhando de forma permanente os pontos impactados pelas chuvas e realizando os encaminhamentos necessários junto aos órgãos competentes. É fundamental que a população registre situações de risco por meio do telefone 199”, destacou.

Segundo o município, o acionamento oficial permite maior agilidade no direcionamento das equipes e auxilia na definição das prioridades de atendimento. Mesmo com a continuidade das chuvas, a Prefeitura mantém equipes de plantão e segue monitorando a situação em toda a Capital.

A administração municipal informou que continuará adotando as medidas necessárias para reduzir os transtornos causados pelos eventos climáticos, preservar a segurança da população e garantir respostas rápidas às demandas registradas.

previsão

Após fim de semana chuvoso, últimos dias do outono terão tempo estável e frente fria

Chuvas ainda podem cair em algumas regiões, mas em menor intensidade; temperaturas podem ficar abaixo de 7°C

14/06/2026 17h14

Milhares de raios caíram em Campo Grande entre sexta-feira e domingo

Milhares de raios caíram em Campo Grande entre sexta-feira e domingo Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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As fortes chuvas que caíram durante todo o fim de semana em Mato Grosso do Sul devem dar uma trégua a partir desta segunda-feira (15). Na última semana do verão, que dá espaço para o inverno no próximo domingo (21) ainda podem ocorrer precipitações, mas a previsão indica tempo estável, além de frio de 7°C.

Desde sexta-feira, Campo Grande foi atingida por um grande volume de chuvas, que causou alagamentos  estragos em algumas regiões, mobilizando equipes da prefeitura para atender as ocorrências.

Conforme o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), as chuvas devem dimunuir a partir desta segunda-feira, quando a previsão indica tempo mais firme, com sol e variação de nebulosidade em grande parte do Estado.

No entanto, não se descartam pancadas de chuva isoladas em alguns munípios.

Entre segunda-feira e ao longo da semana, a passagem de uma massa de ar frio deve provocar queda acentuada das temperaturas.

As mínimas deverão variar entre 7°C e 9°C, com possibilidade de registros pontuais abaixo dos 7°C, especialmente na região sul do Estado.

As menores temperaturas devem ser registradas na região sul, cone sul e grande Dourados. Na Capital, as temperaturas variam entre 16°C e 22°C, subindo ligeiramente a partir de quinta-feira, mas ainda abaixo de 30°C.

Fim de semana chuvoso

As chuvas dos últimos dois dias deixaram acumulados expressivos em Campo Grande, com registros que se aproximaram dos 100 milímetros em algumas regiões da cidade.

Desde sexta-feira (12), a Capital foi atingida por chuva e descargas elétricas. Em apenas duas horas e meia, a cidade foi atingida por 5.750 raios, o maior volume registrado em um único dia desde o início do ano, segundo a estação meteorológica da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp).

Somente no último sábado (13), choveu o equivalente a 85,4 milímetros na região do Shopping Norte Sul Plaza, segundo dados do meteorologista Natálio Abrão. Na estação da Coca-Cola, foram registrados 54,2 milímetros. No bairro Carandá, o acumulado foi de 35,7 milímetros.

O domingo também foi de chuva em Campo Grande, mas até a publicação desta reportagem não havia o quantitativo do acumulado de precipitações.

No interior do Estado, também foram registrados volumes significativos durante o final de semana. Dourados ocupou a segunda posição entre as cidades brasileiras onde mais choveu no último sábado, chegando a 54,8 milímetros em 24 horas. Água Clara ficou em terceiro lugar, com volume de 51,2 milímetros, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). 

Inverno

Em 2026, o solstício de inverno no Hemisfério Sul, que marca o início do inverno, ocorre no dia 21 de junho, às 4h24, horário de Mato Grosso do Sul, fazendo com que a noite do dia 20 para 21 de junho seja a mais longa do ano.

Em Campo Grande, o inverno tem aproximadamente 2h30 a menos de sol, resultando em 10h53min de luz no dia. Em comparação, no início do verão, os dias duram 13h22min na Capital de MS. 

Segundo o Cemtec, No Mato Grosso do Sul é a estação que apresenta os menores índices pluviométricos do ano, ou seja, é o período conhecido como estiagem. Durante o período seco, observam-se baixos índices de umidade relativa do ar o que pode favorecer a ocorrência de incêndios florestais.

Para este ano, o prognóstico aponta para um padrão de chuvas ligeiramente acima da média histórica durante a estação, porém, a distribuição da chuva ainda deve seguir um padrão irregular. 

Com relação as temperaturas, o inverno terá condições mais quentes do que a média climatológica em Mato Grosso do Sul.

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