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morte lenta

Após 111 anos, ferrovia Malha Oeste deu o "último suspiro"

Última viagem com minérios foi realizada na segunda-feira, entre o distrito de Maria Coelho e o Porto Esperança, em Corumbá. Agora, empresa de mineração LHG está usando caminhões

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Inaugurada há 111 anos, em 1914, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que tem 1.622 quilômetros e liga Bauru (SP) a Corumbá, e que já estava na UTI  havia anos, deu nesta segunda-feira (1) aquilo que pode ser considerado seu "último suspiro". 

É que nesta data foi feita a última viagem de transporte de minérios entre o distrito de Antônio Maria Coelho até o Porto Esperança, num trecho de 46 quilômetros. E, com o fim deste transporte, também foram desativados outros 41 quilômetros, entre o distrito e a cidade de Corumbá. 

O fim do transporte de minérios no último trecho que "seguia vivo" na histórica ferrovia foi comunicado oficialmente por represenantes da Rumo, responsável pela ferrovia desde 2015, ao sindicato dos ferroviários durante videoconferência no dia seguinte ao da "morte" da ferrovia. 

Entre as consequêncis imediatas da desativação do serviço, segundo Roberval Duarte Placce, presidente do sindicato, está a demissão em massa dos poucos ferroviários que restavam. De acordo com ele, restavam em torno de 90 trabalhadores. Ele acredita que 30 já tenham sido demitidos, outros 30 estão sendo transferidos para outras cidades onde a Rumo opera e o restante ainda não sabe exatamente o que vai acontecer. 

Na ata desta reunião de terça-feira (2) consta a informação, repassada pelos representantes da Rumo, de que o contrato com a LHG Mining - MRC- Mineração Corumbaense, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, foi encerrado.

A alegação, segundo esta ata, é "devido ao custo financeiro" deste transporte. A partir de agora, o transporte dos minérios até o Porto Esperança, local onde é feita a maior parte dos embarques da LHG,  será feito por caminhões, segundo o sindicalista Roberval Placce. 

Além do impacto social, provocado pela demissão de dezenas de pessoas, Roberval lembra que haverá uma sobrecarga de caminhões na BR-262 e principalmente na sucateada ponte sobre o Rio Paraguai, já que a extração de minérios é feita na margem direita do rio e o embarque em Porto Esperança é feito do outro lado do rio. 

Somente nos primeiros nove meses deste ano a LHG despachou 4,2 milhões de toneladas de minérios pelo Rio Paraguai a partir do terminal Gregório Curvo, no distrito de Porto Esperança. Praticamente tudo foi levado de trem, num trajeto de 46 quilômetros. 

Se este volume tivesse sido levado por caminhões, seriam pelo menos 84 mil viagens de carretas bi-trem, que levam em torno de 50 toneldas por viagem. Isso equivale  a uma média de 310 viagens diárias. E este volume equivale somente às idas. Todos eles precisam retornar às minas. 

Eu estive recentemente naquela região e "os acidentes já constantes atualmente. Imagina a partir de agora, com todos estes caminhões naquela rodovia. E isso sem falar sobre as condições da ponte sobre o Rio Paraguai. Será que ela vai aguentar todas essas carretas?", questiona. 

Além de percorrerem em torno de 45 quilômetros pela BR-262, estes caminhões precisam rodar mais 11 quilômetros por uma estrada sem asfalto que recentemente rececebeu pontes de concreto e foi aterrada para evitar que fique submersa em períodos de cheia no Pantanal. 

O fim do transporte por ferrovia somente não terá impacto significatio imediatamente na rodovia porque o nível do Rio Paraguai está baixo e o transporte de minérios está praticamente suspenso desde meados de outubro e deve ser retomado somente em janeiro ou fevereiro. 

Sem o transporte ferroviário, centenas de caminhões terão de percorrer diariamente a estrada sem asfalto até Porto Esperança

Tudo isso ocorre, segundo o sindicalista, "por conta da ganância da Rumo. Eles metem a faca nos clientes para que eles desistam do transporte ferroviário e assim a empresa Rumo possa abandonar aquilo que ainda restava da Malha Oeste". 

Nos tempos áureos da ferrovia, por volta dos anos 80 do século passado, o sindicato presidido por Roberval chegou a ter 3,1 mil sócios que atuavam entre Bauru e Corumbá. Atualmente, são apenas 116, lembra ele. Agora, porém, com o fim do transporte de minérios, até o sindicato tende a fechar as portas, já que praticamente nnão existem mais ferroviários nesta região, admite ele. 

A esperança dele e de uma série de setores da economia local é que apareça, no leilão previsto para o próximo ano, alguma empresa interessada em "ressuscitar" a ferrovia. Ela foi incluíada pel Ministério dos Transportes e pela ANTT no calendário de concessões de 2026, com abertura de edital em abril e leilão previsto para julho. 

O vencedor do certame vai ter de investir R$ 35,7 bilhões para recuperar os 1.973 quilômetros entre Corumbá (MS) e Mairinque (SP).

HISTÓRICO

A construção da ferrovia na margem esquerda do Rio Paraguai (Porto Esperança) começou em maio de 1908. As obras no meio do Pantanal seguiram rumo a Campo Grande, região onde existia outro canteiro de obras seguindo no sentido contrário. 

Em 1914 as duas frentes se encontraram e por conta disso essa passou a ser a data oficial da inauguração. Do outro lado do Rio Paraguai as obras ocorreram bem mais tarde. Somente em 1952 a ferrovia chegou até a cidade Corumbá.

Para interligar o lado brasileiro com uma ferrovia que estava sendo construída na Bolívia,  em 1937 decidiu-se pela construção da ponte ferroviária sobre o Rio Paraguai. Por conta da grande complexidade da região pantaneira, as obras desta ponte se estenderam ao longo de dez anos. 

Depois de Corumbá a ferrovia segue até Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, num trecho superior a 600 quilômetros. Na parte brasileira são em torno de cinco quilômetros e nesta parte o transporte continua, segundo Roberval Placce. 

O único cliente do lado brasileiro atendido pela Rumo é a Arcelor Mital, que no ano passado embarcou 144 mil toneladas de vergalhões e chapas de aço em Corumbá rumo à Bolívia. Todo este material é levado por caminhões de São Paulo até Corumbá para ser colocado em trens a partir dalí.

Por conta das características do Pantanal, a onstrução da ponte ferroviária em Porto Esperança se estendeu ao longo de dez anos 

Cidades

OAB-MS divulga calendário de vacinação contra gripe

Campanha da advocacia prevê aplicação de doses em Campo Grande e em mais de 30 subseções do interior entre abril e maio

27/03/2026 21h25

Campanha pretende vacinar milhares de advogados

Campanha pretende vacinar milhares de advogados Arquivo

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A maior campanha de vacinação contra a gripe já realizada pela advocacia brasileira começou a ser implementada pelo Conselho Federal da OAB, com a distribuição de 105 mil doses da vacina contra a Influenza para advogadas e advogados em todo o país.

A aplicação nas seccionais ocorre de forma escalonada, conforme cronogramas definidos pelos estados.

A iniciativa é promovida em parceria com o Fundo de Integração e Desenvolvimento Assistencial dos Advogados e com a Coordenação Nacional das Caixas de Assistência dos Advogados.

O fornecimento das doses ocorre por meio de contrato firmado com o Instituto Butantan. As vacinas são do tipo influenza trivalente monodose, que protegem contra duas cepas de Influenza A (H1N1 e H3N2) e uma de Influenza B.

Em Mato Grosso do Sul, a vacinação será coordenada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul, que divulgou calendário com atendimento em diversas subseções do estado entre abril e maio.

Cronograma

Em Mato Grosso do Sul, a vacinação será coordenada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul, conforme o seguinte cronograma:

  • Campo Grande — 01/04/2026, das 08:00 às 18:00

  • Campo Grande — 02/04/2026, das 08:00 às 18:00

  • Aquidauana — 27/04/2026, das 08:30 às 09:30

  • Miranda — 28/04/2026, das 08:30 às 09:30

  • São Gabriel do Oeste — 28/04/2026, das 14:30 às 15:30

  • Rio Verde — 28/04/2026, das 17:00 às 18:00

  • Corumbá — 29/04/2026, das 08:00 às 09:30

  • Coxim — 29/04/2026, das 16:00 às 16:30

  • Sonora — 30/04/2026, das 08:00 às 08:30

  • Pedro Gomes — 30/04/2026, das 13:30 às 14:00

  • Sidrolândia — 04/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Maracaju — 04/05/2026, das 14:30 às 15:30

  • Camapuã — 04/05/2026, das 08:30 às 09:30

  • Figueirão — 04/05/2026, das 14:30 às 15:00

  • Jardim — 05/05/2026, das 14:00 às 15:00

  • Costa Rica — 05/05/2026, das 15:30 às 16:30

  • Bela Vista — 06/05/2026, das 13:30 às 14:30

  • Chapadão do Sul — 06/05/2026, das 15:00 às 16:00

  • Bonito — 07/05/2026, das 14:30 às 15:30

  • Cassilândia — 07/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Inocência — 07/05/2026, das 14:30 às 15:00

  • Nioaque — 08/05/2026, das 08:30 às 09:00

  • Água Clara — 08/05/2026, das 08:00 às 08:30

  • Ribas do Rio Pardo — 08/05/2026, das 15:00 às 15:30

  • Bataguassu — 11/05/2026, das 12:30 às 13:30

  • Fátima do Sul — 11/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Caarapó — 11/05/2026, das 15:30 às 16:00

  • Brasilândia — 11/05/2026, das 16:00 às 16:30

  • Três Lagoas — 12/05/2026, das 08:00 às 10:30

  • Amambai — 12/05/2026, das 15:30 às 16:30

  • Aparecida do Taboado — 13/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Paranaíba — 13/05/2026, das 14:30 às 15:30

  • Selvíria — 14/05/2026, das 11:00 às 11:30

  • Nova Alvorada do Sul — 18/05/2026, das 09:00 às 09:30

Cada subseção é responsável pela organização local da imunização e pela divulgação de horários específicos de atendimento.

A campanha tem como objetivo ampliar a proteção dos profissionais da advocacia em um período de maior circulação de vírus respiratórios, especialmente entre aqueles que atuam diariamente em fóruns, audiências e repartições públicas.

Advogadas e advogados devem consultar sua subseção ou a Caixa de Assistência local para confirmar horários e orientações específicas sobre a vacinação.

Cidades

Ministério da Saúde firma parceria para produzir remédio oncológico nacionalmente

A ideia é que a produção local amplie o uso da terapia no Sistema Único de Saúde, onde já é utilizada no tratamento de melanoma

27/03/2026 19h00

Crédito: Marcelo Casal Jr / Agência Brasil

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O Ministério da Saúde anunciou na quinta-feira, 26, um termo de compromisso de transferência de tecnologia com a farmacêutica estadunidense Merck Sharp & Dohme (MSD) para viabilizar a produção nacional do medicamento oncológico pembrolizumabe (comercializado como Keytruda).

A ideia é que a produção local amplie o uso da terapia no Sistema Único de Saúde (SUS), onde já é utilizada no tratamento de melanoma. O medicamento é um tipo de imunoterapia. Ele atua reativando células de defesa do paciente, fortalecendo a resposta imunológica contra a doença.

Além da oferta no tratamento do melanoma, o uso da terapia para pacientes com câncer de mama, pulmão, esôfago e colo do útero está em análise na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

A cooperação segue o modelo de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) e prevê que a MSD atue em conjunto com o Instituto Butantan.

"Essa é uma PDP que começa agora e ao longo de 10 anos o Instituto Butantan vai incorporar essa capacidade produtiva e ser capaz de produzir no Brasil um medicamento que é muito importante", destaca Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, em comunicado à imprensa.

Doenças negligenciadas

Durante o evento de oficialização, o governo também anunciou a criação da primeira encomenda tecnológica voltada ao combate de doenças que atingem populações vulneráveis, como hanseníase, tuberculose, doença de Chagas e leishmaniose.

Para isso, o ministério firmou um acordo de cooperação técnica (ACT) com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que vai viabilizar a iniciativa. A expectativa é que a chamada pública seja lançada ainda em 2026.

A parceria prevê apoio técnico da ABDI em etapas como definição de demandas, escuta de mercado, avaliação de riscos tecnológicos e seleção de instituições participantes, enquanto o ministério será responsável pelas decisões e diretrizes estratégicas e implementação do instrumento.

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