Lucas Pergentino Câmara, de 29 anos, confessou ter assassinado Maria Graziele Elias de Souza, de 21 anos, em 2020, dias após o crime.
Porém, o réu entrou em contradição e negou ter matado a jovem durante júri popular realizado nesta terça-feira (17), na 1ª Vara do Tribunal do Júri, localizado na rua da Paz, Jardim dos Estados.
De acordo com o acusado, ele teria confessado o crime em 2020 pois foi obrigado, torturado, sequestrado por policiais e levado para um cativeiro. “Eu confessei porque fui torturado por policiais da CEPOL, eles colocaram saco na minha cabeça, me colocaram de cabeça para baixo, soltaram bomba perto do meu ouvido”, disse.
Porém, durante o júri, promotor de justiça do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), José Arturo Iunes, desmentiu a versão de Lucas e afirmou que o réu passou por corpo de delito e que não foi constatado nenhuma agressão física contra ele.
O júri começou às 8h desta terça-feira (17) e deve durar o dia todo. A sentença sai apenas no fim do dia. Os trabalhos serão presididos pelo presidente do 1º Tribunal do Júri e Juiz de Direito Carlos Alberto Garcete de Almeida.
Lucas Pergentino responde contra as acusações do artigo 121, § 2º, incisos III, IV, VI, c/c § 2º-A, inciso I, do Código Penal.
CRIME
Técnico de segurança eletrônica, Lucas Pergentino Câmara, de 29 anos, é acusado de matar a massagista, Maria Graziele Elias de Souza, de 21 anos, no bairro Parque do Lageado e desovar o corpo da vítima na BR-262, a 200 metros da avenida Nasri Siufi. O crime ocorreu em 14 de abril de 2020.
Conforme apurado pela reportagem, no dia do crime, Lucas buscou Maria no serviço às 14h. Era aniversário dele. Eles foram para a casa do réu e tiveram relação sexual. Em certo momento, a moça recebia carinho de Lucas em seu pescoço e afirmou “eu tenho medo de você me matar”. E ele disse “então eu vou te matar”.
Em seguida, Lucas deu um golpe mata-leão e manteve a vítima de bruços. O rosto foi fixado ao travesseiro e, a partir de então, Maria foi asfixiada e morta. Ele vestiu a vítima e desovou o corpo na BR-262, a 200 metros da avenida Nasri Siufi.
RELACIONAMENTO CONTURBADO
Lucas Pergentino Câmara e Maria Graziele Elias de Souza foram casados por 8 anos, de 2012 a 2020. O casal se separou um mês antes da vítima ser assassinada. Maria Graziele se separou de Lucas porque ele era ciumento e possessivo. Mas, três dias antes do crime, reataram o relacionamento.
De acordo com testemunhas, ao longo dos 8 anos de casamento, ele batia na vítima de toalha, dava socos, a xingava e em determinada época chegou a quebrar o aparelho que ela usava nos dentes. Maria Graziele fez denúncias de violência doméstica contra Lucas.
O réu negou todas as acusações ao ser interrogado pelo juiz, promotor de justiça e assistente de acusação, durante o júri desta terça-feira (17), sobre como era o relacionamento entre os dois: conturbado, com brigas, discussões, agressões, ciúmes, possessão ou traição.
Diversas vezes o réu respondeu “não sei” e “não lembro” para muitas perguntas do juiz, promotor do MPMS e assistente de acusação.


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