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Após exumação, versão sobre a morte de João Goulart pode ser revista

Após exumação, versão sobre a morte de João Goulart pode ser revista

terra

29/12/2013 - 16h30
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A versão sobre a morte do ex-presidente João Goulart, deposto com o golpe militar de 1964, pode ser revista, após 37 anos. Este ano, a pedido da família, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) iniciou uma investigação sobre a causa da morte do ex-presidente. A versão oficial diz que Jango, como era chamado, morreu de ataque cardíaco, mas para os familiares ele foi envenenado no período da ditadura militar, na chamada Operação Condor.

Jango governou o país de 1961 a 1964, quando foi deposto pelo golpe militar. Após o golpe, ele se exilou com a família no Uruguai e, depois, na Argentina, onde morreu, no dia 6 de dezembro de 1976 em Mercedes, cidade do Norte do país. A partir de março de 2013, quando foi anunciada a investigação, a CNV começou a reunir documentos que mostram que Goulart era constantemente vigiado pela ditadura.

Para a família, Jango foi vítima de envenenamento, como parte da Operação Condor, ação coordenada entre os regimes militares de países sul-americanos contra seus opositores.

Além da documentação, a versão da família se baseia no depoimento de Mario Neira Barreiro, um uruguaio que atuou na repressão militar em seu país. Em 2006, ele declarou à Polícia Federal que o ex-presidente foi envenenado tendo seus comprimidos, que tomava por causa de um problema cardíaco, trocados. Mario disse ainda que atuou com o apoio da CIA, o Serviço de Inteligência Americano, e do delegado Sergio Fleury, então chefe do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo. 'Foi uma operação muito prolongada e a gente não sabia que teria como objetivo a morte do presidente João Goulart', relatou.

Em maio, foi anunciada a exumação dos restos mortais para serem periciados. O trabalho, feito em novembro envolveu, além da CNV, o Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul, a Secretaria de Direitos Humanos e a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.

A exumação foi um dos trabalhos mais importantes feitos pela CNV em 2013. A equipe de peritos de diversas disciplinas forenses, coordenada pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, contou com o apoio de técnicos argentinos e uruguaios e da Cruz Vermelha Internacional que, com o conhecimento adquirido em casos como o da exumação dos restos mortais do ex-presidente chileno Salvador Allende, exerceram a função de peritos independentes.

Após terem sido exumados, os restos mortais estão sendo submetidos a exame antropológico, como medição de ossada, tomografia e radiografia, e de DNA, para confirmação de identidade. As amostras de cabelos, ossos e tecidos também passarão por exame toxicológico, com o objetivo é verificar a hipótese de morte por envenenamento.

Os peritos procuram traços de remédios que eram usados por Jango, além de substâncias que podem levar à morte. As amostras serão enviadas para laboratórios no exterior, que já foram definidos, mas que não serão divulgados para não comprometer os resultados e a transparência do processo.

O estado em que o corpo foi encontrado surpreendeu os legistas da CNV e, na prática, segundo os peritos, isso deve colaborar para um resultado mais preciso dos exames.

Embora a exumação tenha surpreendido os peritos, o resultado dos exames poderá não ser conclusivo, devido ao grande espaço de tempo entre a morte e a exumação.

A expectativa da comissão e dos parentes de Goulart é que os resultados sejam entregues no fim do primeiro semestre do ano que vem. Segundo a portaria que criou o grupo de trabalho para conduzir o processo, as atividades serão encerradas após a entrega do laudo oficial conclusivo das atividades periciais à ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, e à Comissão Nacional da Verdade.

tempo

Temporal de 39 minutos destelha casas e deixa estragos em Ivinhema

23,2 milímetros de chuva e ventos de 55-79 km/h foram registrados em menos de uma hora

09/10/2026 09h00

Estrutura metálica arrancada durante o temporal

Estrutura metálica arrancada durante o temporal Foto: Vale do Ivinhema Notícias

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Forte temporal atingiu, na tarde desta quinta-feira (8), o distrito de Vila Amandina, na região de Ivinhema, município localizado a 289 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, 23,2 milímetros de chuva e ventos de 55-79 km/h foram registrados em um intervalo de 39 minutos.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou alerta laranja (perigo potencial) e amarelo (perigo) de tempestade para o município. Isto significa que pode ocorrer chuva de 30-60 mm/h ou 50-100 mm/dia, ventos intensos de 60-100 km/h e queda de granizo, com risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos.

A tempestade - acompanhada de chuva, ventos, raios, relâmpagos e trovoadas - causou estragos na cidade, destelhou casas, danificou móveis e eletrodomésticos, deixou moradores desabrigados, provocou queda de luz, derrubou árvores e postes de energia, arrancou barracos e estruturas metálicas e deixou ruas e avenidas alagadas e lamaçentas.

Conforme apurado pela reportagem, o temporal começou no fim da tarde, por volta das 16 horas, quando adultos ainda estavam no trabalho e crianças na escola.

Conforme apurado pela mídia local, alunos tiveram que se proteger debaixo de carteiras na Escola Estadual Joaquim Gonçalves Ledo.

Quando chegaram em casa, alguns moradores encontraram suas residências sem teto. De acordo com o site de notícias Vale do Ivinhema, 40 casas foram destelhadas e várias famílias ficaram desabrigadas. Não houve vítimas fatais.

Defesa Civil e Prefeitura Municipal de Ivinhema estão prestando assistência às famílias que foram atingidas pelo vendaval.

Fotos e vídeo: Vale do Ivinhema Notícias

OUTROS MUNICÍPIOS

De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec-MS), outros municípios também registraram fortes ventos e chuva na tarde desta quinta-feira (8), mas sem estragos signficativos. Confira:

Estrutura metálica arrancada durante o temporal
Estrutura metálica arrancada durante o temporal

investigação

Corrupção em Sidrolândia não parou mesmo após 1ª operação, aponta MPMS

Nova fase da Dirty Pix levou três à cadeia esta semana e afastou secretários e vereadores que foram alvo pela segunda vez

09/10/2026 08h25

Investigação do Gecoc aponta que recursos entravam na conta do hospital de Sidrolândia e depois eram desviados para outras finalidades

Investigação do Gecoc aponta que recursos entravam na conta do hospital de Sidrolândia e depois eram desviados para outras finalidades Foto: Divulgação

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A primeira fase da Operação Dirty Pix, deflagrada em novembro de 2025, já havia identificado um suposto esquema de corrupção sistêmica envolvendo membros da administração municipal, vereadores e pessoas ligadas ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa. Na época, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão. Mesmo após essa primeira investida contra o grupo, a corrupção não cessou.

De acordo com fontes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), apesar de vereadores, secretários e do diretor-presidente do hospital terem recebido a visita do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), o esquema não foi encerrado.

Na época, foram alvo de mandados de busca e apreensão os vereadores Adavilton Brandão (MDB), Izaqueu de Souza Diniz (PSD) e Cledinaldo Marcelino Costócio (PSDB), os ex-vereadores Ademir Gabardo e Eliel da Silva Vaz, além dos secretários municipais de Desenvolvimento Rural, Cleyton Martins Teixeira, e de Desenvolvimento Econômico, Enelvo  Felini Júnior.

Nesta nova fase, além das prisões de Jacob Meeuvis Breure – diretor-presidente do hospital –, da policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e do assessor político Júlio César Alves da Silva, a Justiça determinou o afastamento por 180 dias dos vereadores e secretários que haviam sido alvo na primeira fase.

A decisão foi proferida pela juíza May Meike Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias da Comarca de Campo Grande, no âmbito das investigações conduzidas pelo MPMS.

Os investigados são suspeitos de envolvimento em suposto esquema de recebimento de vantagens indevidas relacionado a contratos e convênios destinados ao Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia.

A determinação judicial afastou da Câmara: Adavilton Brandão; Cledinaldo Cotócio; e Izaqueu de Souza Diniz. Os parlamentares ficam temporariamente impedidos de exercer suas funções legislativas.

Além deles, o prefeito Rodrigo Borges Basso publicou no Diário Oficial de ontem o afastamento de Enelvo Iradi Felini Junior, do cargo de Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, e de Cleyton Martins Teixeira, do cargo de Secretário Municipal de Agricultura e Abastecimento, também por 180 dias.

Segundo a publicação, que segue a determinação judicial, durante o período de afastamento “o prefeito municipal exercerá a ordenação de despesas das Secretarias Municipais mencionadas nos incisos I e II do art. 1º, competindo-lhe praticar os atos necessários à execução orçamentária, financeira e administrativa das respectivas Pastas, observada a legislação vigente”.

“Durante o período de afastamento, ficam preservadas as atividades e os serviços públicos sob responsabilidade das respectivas Secretarias, cabendo ao prefeito municipal adotar as providências necessárias à continuidade administrativa das Pastas. Decorrido o prazo estabelecido no art. 1º, os secretários deveram retornar às suas funções, salvo disposição em contrário decorrente de ato administrativo ou determinação legal”, completa o decreto. 

No caso da Câmara, o presidente da Casa, Otacir Pereira Figueiredo, deverá providenciar a convocação dos respectivos suplentes para ocupar as cadeiras durante o período estabelecido pela Justiça.

A previsão é de que sejam convocados Maria Tereza Fiúza Ferreira, a Maria Fiúza (MDB), Itamar de Souza Silva (PSDB) e Claésio Lechner de Albuquerque (PSD).

ESQUEMA

Segundo a investigação, o Ministério Público identificou uma série de movimentações financeiras após analisar dados obtidos mediante quebra de sigilos bancários.

Entre os valores apontados na investigação estão R$ 25 mil destinados a Cledinaldo Cotócio e R$ 120 mil, a Gabriel Autocar. Os investigadores também identificaram um repasse de R$ 20 mil para Adriana Zarati Franco Brandão, esposa do vereador Adavilton Brandão.

No caso de Cleyton Martins, foram identificadas transferências de R$ 20 mil e R$ 5 mil. Já Ademir Gabardo aparece relacionado a movimentações nos mesmos valores.

O levantamento aponta ainda que Cristina Fiúza, Enelvo Felini Júnior e Ademir Gabardo teriam recebido R$ 20 mil cada, por intermédio de Júlia Carla Nascimento.

Ela é filha de Júlio César Alves da Silva, identificado nas investigações como representante comercial de empresas envolvidas nas contratações investigadas.

Segundo os dados apresentados, Júlio César recebeu R$ 482,5 mil das empresas, quantia registrada como comissão comercial. Desse montante, R$ 100 mil teriam sido posteriormente transferidos à sua filha, que aparece como intermediária de parte dos pagamentos investigados.

O Ministério Público apura se essas movimentações financeiras foram utilizadas para viabilizar pagamentos indevidos a agentes políticos.

SEGUNDA FASE

Na primeira fase, o esquema descoberto tinha gerado prejuízo ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa de R$ 5,4 milhões. Nesta nova etapa, as investigações foram ampliadas e passaram a abranger convênios que somam mais de R$ 18 milhões em recursos públicos destinados ao Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa.

Segundo o Ministério Público, o esquema atingiu recursos públicos destinados à aquisição de equipamentos e materiais hospitalares, de unidade de terapia intensiva (UTI) móvel, bem como à execução de obras de reforma do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, cujos valores ultrapassaram
R$ 18 milhões.

* Saiba 

Conforme o MPMS, o esquema fazia uma triangulação do dinheiro desviado; após o ingresso dos recursos públicos nas contas do hospital, parte dos valores era desviada das finalidades previstas nos respectivos convênios e posteriormente redistribuída por meio de sucessivas movimentações financeiras, envolvendo repasses diretos e indiretos a agentes políticos e intermediários.

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