Cidades

FRONTEIRA

Apreensão de R$ 1 milhão gera temor de enxurrada de notas falsas

Motorista disse que cédulas iriam para feiras que têm 320 comerciantes e atraem mais de 10,5 mil pessoas por semana nas cidades de Corumbá e Ladário, em MS

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No período de 12 meses, a Receita Federal e a Polícia Militar, na região de fronteira com a Bolívia, ainda não tinham apreendido notas falsas em um volume tão alto como ocorreu na primeira semana deste mês. Foram encontradas notas falsas de reais e dólares que poderiam somar mais de R$ 1 milhão.

O homem que transportava esse montante alegou às autoridades que a quantia seria destinada a feiras que acontecem em Corumbá.

Depois dessa revelação, o setor comercial, que tem 326 empresários e chega a atrair mais de 10,5 mil consumidores semanalmente, teme uma possível enxurrada de dinheiro falso no mercado.

A tentativa de passar a montanha de dinheiro falso na fronteira da Bolívia com o Brasil, que após ter sido apreendida resultou em 24 fileiras amontadas em notas de R$ 50, R$ 100 e R$ 200 no Posto Esdras, foi feita por um homem que seria taxista e tem nacionalidade boliviana.

Ele cruzou a região por volta das 20h30min de sábado, na tentativa de driblar a fiscalização por conta do horário e da data.

“Questionado pelas autoridades, o condutor do veículo, também de nacionalidade boliviana, afirmou que as cédulas foram impressas na cidade de Santa Cruz [de la Sierra], na Bolívia, e que seriam distribuídas em feiras populares de Corumbá. Segundo o taxista, o dinheiro falso seria utilizado em um ritual tradicional boliviano, que envolve o enterro de oferendas com pedidos de prosperidade à Pachamama [Mãe Terra]”, detalhou a Receita Federal em nota sobre a apreensão.

A alegação do motorista criou preocupação no setor comercial de Corumbá, principalmente para feirantes, por causa do risco de prejuízo. Entre as centenas de feirantes da cidade, em torno de 90% são bolivianos.

Apesar de o motorista com o dinheiro falso alegar que as notas seriam para um tipo de ritual, ele não ponderou que a data de celebração de Pachamama só ocorre em agosto, entre os dias 15 e 16.

A Associação de Comerciantes de Feiras Livres de Corumbá 2 de Maio, que representa os mais de 300 feirantes da cidade fronteiriça, confirmou que semanalmente são identificadas notas falsas, principalmente no valor de R$ 20 e, em menor quantidade, no valor de R$ 50. Porém, desde dezembro, notas falsas de  R$ 100 foram usadas para pagar feirantes.

“Já tivemos várias tentativas e, infelizmente, casos de comerciantes que acabaram recebendo notas falsas. Temos um grupo de celular em que sempre relatamos o que ocorre e esse problema é algo que preocupa muito. Agora, em dezembro, começaram a aparecer notas de R$ 100 e resultou em prejuízo de R$ 300, o que é muito para um feirante”, detalhou o presidente da Associação 2 de Maio, Lucídio Morel.

“A gente procura a Polícia Militar quando encontra a nota, mas isso sempre acontece na correria da venda, muitas vezes nas feiras da noite, e o feirante que é vítima acaba vendo depois que a pessoa foi embora”, completou.

Por conta do caso incomum do flagrante feito no Posto Esdras, envolvendo o dinheiro falso, a Receita Federal não conseguiu quantificar precisamente o total de notas que estavam sendo transportadas.

O que ocorreu foi uma estimativa de valor diante do volume apreendido. Além disso, apesar do risco iminente de prejuízo financeiro para o setor comercial popular de Corumbá, a reportagem apurou que não existe aplicação de penalidade administrativa para quem estava com as cédulas.

Contudo, o caso foi encaminhado para a Polícia Federal em Corumbá para ser investigado, tanto na tentativa de revelar a origem do dinheiro e quem seria o dono da quantia como a forma que poderia ocorrer a distribuição das notas.

A reportagem procurou a delegacia da PF, porém as autoridades informaram que ainda não poderiam se pronuncia sobre o caso e que a investigação estava em estágio inicial.

A Receita Federal detalhou que o Código Penal Brasileiro aborda a questão da falsificação de moeda e classifica o caso como crime, com pena de reclusão de 3 anos a 12 anos, além de multa.

“A legislação prevê ainda que incorre na mesma pena quem importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz moeda falsa em circulação, independentemente da finalidade alegada”, apontou em nota. Nesse caso, o motorista pode ainda responder criminalmente.

Depois que o homem que estava com o dinheiro falso prestou depoimento e apresentou suas alegações, ele acabou sendo liberado por não ter flagrante que justificasse a prisão. Não foi possível confirmar se ele vive no Brasil ou na Bolívia, em cidades fronteiriças como Puerto Quijarro ou Puerto Suárez.

A Associação 2 de Maio sugere que os feirantes de Corumbá, que são uma das principais vítimas nesse tipo de crime, façam um trabalho conjunto com autoridades, como a Polícia Federal, para haver uma maior ação na tentativa de inibir os pagamentos com notas falsas.

“A gente, como associação, precisa desse apoio das autoridades. Seria muito importante ter atividades que ajudem a orientar os feirantes para evitar situações de dinheiro falso circulando”, indicou o presidente Lucídio Morel.

Em Corumbá e Ladário, há ao menos uma feira livre ocorrendo em todos os dias. Aos sábados, há três feiras em diferentes bairros. Aos domingos, a feira em Corumbá é a maior da região fronteiriça e chega a atrair até 5 mil pessoas entre 6h e 13h.

Entre os produtos vendidos, há uma diversidade que vai de móveis de madeira a alimentos, roupas e utensílios de casa.

*Saiba

O dinheiro falso apreendido resultou em 24 fileiras amontoadas em notas de R$ 50, R$ 100 e R$ 200 no Posto Esdras da Receita Federal, em Corumbá. O taxista acabou liberado pela PF.

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Inquérito

Juiz diz que Bernal é "risco" e mantém ex-prefeito preso

Magistrado afirmou que ainda não havia provas para considerar o caso como legítima defesa

26/03/2026 08h15

Juiz diz que Bernal é considerado um

Juiz diz que Bernal é considerado um "risco" Álvaro Rezende

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O juiz Ronaldo Gonçalves Onofri, que comandou a audiência de custódia do ex-prefeito Alcides Bernal, na manhã de ontem, manteve o advogado na cadeia. Entre as suas razões para mantê-lo preso está o fato de que o magistrado o considerou um “risco à segurança das pessoas envolvidas e à ordem pública”.

Alcides Bernal foi preso na tarde de terça-feira, após matar a tiros o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, que havia entrada na sua casa, imóvel que havia sido arrematado pela vítima, mas que ainda não estava em sua posse.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva pelo magistrado durante a audiência de custódia, realizada na manhã de ontem no Fórum da Comarca de Campo Grande. 

O magistrado derrubou todos os argumentos da defesa em sua deliberação. Sobre a tese de legítima defesa, principal linha dos advogados de Bernal, o juiz alegou falta de provas para subsidiá-la.

“A defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento. Ao contrário, os elementos constantes dos autos indicam versão distinta”, afirma Onofri.

“Destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho e efetuado disparos de imediato. Relatou, ainda, que nem ele nem a vítima estavam armados, tampouco houve discussão ou confronto prévio”, completou.

Em outro ponto, o juiz afirma que a alegação de que o ex-prefeito tem saúde fragilizada ainda não foi comprovada, por isso não viu necessidade de converter a prisão para outras medidas.

“No que tange às condições de saúde, deverá o custodiado ser submetido à avaliação médica, a fim de se aferir a real dimensão de eventuais necessidades clínicas. Todavia, até o presente momento, não há elementos que indiquem a impossibilidade de tratamento no âmbito da unidade prisional, tampouco prova de enfermidade grave que justifique a substituição da prisão preventiva por medida diversa. Assim, não se verifica, neste momento, a necessidade de conversão da prisão preventiva em outra medida, permanecendo adequada a custódia cautelar nos termos já delineados”, alega.

Por fim, Onofri alega que pelo fato de Alcides Bernal ter antecedentes criminais, já que foi condenado por crime de calúnia, em processo que já transitou em julgado, e pela gravidade do crime, a sua soltura representaria insegurança para pessoas ligadas ao fato.

“O custodiado é acusado da prática de crime doloso contra a vida, o que, por si só, evidencia elevada gravidade concreta. Soma-se a isso o contexto fático, no qual se verifica a existência de conflito patrimonial ainda em curso, o que potencializa o risco à segurança das pessoas envolvidas e à ordem pública, caso lhe seja concedida liberdade”, defende o magistrado.

“É certo que a prisão preventiva constitui medida excepcional. Contudo, no presente caso, estão presentes elementos concretos que evidenciam o perigo gerado pelo estado de liberdade do custodiado, revelando-se a medida extrema necessária e adequada, sendo insuficientes quaisquer medidas cautelares diversas da prisão para a preservação da ordem pública”, completa Onofri.

O CRIME

A vítima foi morta com dois tiros nas laterais da barriga. Um dos disparos transfixou e saiu nas costas, de acordo com o boletim de ocorrência.

Roberto Carlos e Bernal disputavam a posse de uma verdadeira mansão, localizada na Avenida Antônio Maria Coelho, no Bairro Jardim dos Estados. A propriedade havia sido arrematada pela vítima, em um leilão feito pela Caixa Econômica Federal, porém, o ex-prefeito continuava no imóvel e recusava-se a sair.

Segundo testemunhas disseram à polícia, Bernal havia, inclusive, trocado, por várias vezes, a fechadura da residência. Na terça-feira, no entanto, Roberto Carlos, acompanhado de um chaveiro, se dirigiu até a casa. O profissional abriu o portão e quando estava abrindo a porta da frente os dois foram surpreendidos pelo ex-prefeito.

Conforme depoimento do chaveiro, Maurilio da Silva Cardoso, o ex-prefeito teria apontado a arma para Roberto Carlos e perguntado o que ele estava fazendo no local.

A testemunha afirma que antes mesmo da vítima responder foi atingida por um tiro e caiu. Já Bernal garante que haviam três homens e que ele teria sido atacado, por isso respondeu com os tiros.

Por outro lado, o chaveiro garantiu, em depoimento, ter ouvido apenas um disparo, no entanto a vítima foi atingida por dois tiros. 

Após atirar, Bernal foi até a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) e confessou o crime, alegando legítima defesa. O caso segue em investigação.

* Saiba

O caso foi registrado como homicídio qualificado como traição e emboscada e pode ser levado ao Tribunal do Júri.

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Cidades

Júri nos EUA considera Instagram e YouTube responsáveis em julgamento sobre vício em redes

Após mais de 40 horas de deliberação ao longo de nove dias, os jurados da Califórnia decidiram que a Meta e o YouTube foram negligentes no design ou operação de suas plataformas

25/03/2026 23h00

Crédito: Marcelo Casal Jr / Agência Brasil

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Um júri considerou a Meta e o YouTube responsáveis nesta quarta-feira, 25, em um processo inédito que visava responsabilizar as plataformas de mídia social por danos a crianças que usam seus serviços, concedendo a autora US$ 3 milhões em danos.

Após mais de 40 horas de deliberação ao longo de nove dias, os jurados da Califórnia decidiram que a Meta e o YouTube foram negligentes no design ou operação de suas plataformas.

O júri também decidiu que a negligência de cada empresa foi um fator substancial na causa do dano à autora, uma mulher de 20 anos que afirma ter se tornado viciada em mídias sociais quando criança e que esse vício exacerbou seus problemas de saúde mental.

Este é o segundo veredicto contra a Meta esta semana, depois que um júri no Novo México determinou que a empresa prejudica a saúde mental e a segurança das crianças, violando a lei estadual

Meta e YouTube (de propriedade do Google) emitiram declarações discordando do veredicto e prometendo explorar suas opções legais, o que inclui apelações.

O porta-voz do Google, Jose Castañeda, afirmou na declaração da empresa que o caso "não entende o YouTube, que é uma plataforma de streaming construída de forma responsável, não um site de mídia social". Fonte: Associated Press.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado

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