Economia

Mato Grosso do Sul

Distribuidora de combustíveis cobra do governo devolução milionária de ICMS

Ipiranga pede devolução de ICMS supostamente pago a mais ocorre em meio a disparada de preços e pressão sobre distribuidoras

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Em meio à disparada no preço dos combustíveis e às suspeitas de que as distribuidoras atuaram nos últimos anos segurando quedas nos preços e promovendo aumentos imediatos sem que os valores subam nas refinarias, a Ipiranga Produtos de Petroleo S.A. foi à Justiça para cobrar do governo de Mato Grosso do Sul a devolução de R$ 2,6 milhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que alega ter pago a mais no fim da década passada.

Ela ingressou contra o governo de Mato Grosso do Sul, no dia 30 de janeiro, com uma ação declaratória de existência de relação jurídico-tributária com repetição de indébito — o que, na tradução para a linguagem simples, significa que a distribuidora de combustíveis quer que a Justiça declare que ela pagou ICMS a mais para o governo de Mato Grosso do Sul e, agora, cobra o valor pago de forma excedente de volta.

Ao todo, a Ipiranga cobra R$ 2.653.845,91, valor que a empresa alega ter pago no período de julho a dezembro de 2018. Esse excedente vem de uma conta que, à primeira vista, é complicada, mas cujo cálculo pode ser simplificado.

A distribuidora de combustíveis afirma que a refinaria — que paga o imposto primeiro no regime de substituição tributária — recolheu o ICMS com base em um preço “estimado” pelo governo naquela época. No entanto, quando a Ipiranga vendeu o combustível para grandes consumidores (como empresas de ônibus, por exemplo), o preço real da venda teria sido menor do que o preço que o governo usou para calcular o imposto antecipadamente.

Entenda

Na época, o regime de tributação do ICMS era o plurifásico, outro termo complicado. Nesse regime, a tributação ocorre em cada degrau da cadeia de cobrança, formada por refinaria, distribuidora, posto e consumidor, nessa ordem. Para facilitar o recolhimento do ICMS, o governo usa a substituição tributária e já cobra o imposto sobre a refinaria (ou sobre a distribuidora, no caso de importação). Nesse sistema, o primeiro elo da cadeia recolhe todo o imposto, que vai sendo descontado ao longo dos faturamentos.

Ocorre que a Ipiranga alega que o preço médio informado pelo governo, que servia de base de cálculo para a tributação, era bem superior ao cobrado dos grandes consumidores, como transportadores e empresas de ônibus, que compram o combustível no atacado

Esse sistema plurifásico não existe mais. Agora, o modelo é monofásico, em que o ICMS sobre combustíveis incide uma única vez em toda a cadeia, com um valor fixo por litro, não importando o preço final na bomba.

A Ipiranga menciona isso para explicar que o processo trata do sistema antigo (plurifásico), que era mais complexo e gerava essas diferenças de valores, que a empresa agora cobra de volta do governo.

A distribuidora se baseia em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o Tema 201, que definiu ser obrigação dos Estados devolver a diferença do ICMS se o valor real da venda for menor que o valor presumido pelo governo. A empresa argumenta que, ao vender diretamente para grandes companhias, “pulou” o elo dos postos de gasolina, e o preço praticado foi menor que a estimativa oficial, gerando, segundo a empresa, o direito ao reembolso milionário.

Ainda não há decisão no processo, que está em fase inicial. Também não há manifestação do governo. O juiz ainda terá de analisar se aceita a petição, ouvir a defesa do Estado e, provavelmente, solicitar uma perícia contábil — que a própria Ipiranga já pediu — para confirmar se os cálculos dos R$ 2,6 milhões pleiteados estão corretos.

Disparada

Os preços dos combustíveis voltaram a subir com força nos postos de Campo Grande, em um movimento que surpreende até pela rapidez. A própria pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgada no sábado, já estava defasada no mesmo dia. O que chama atenção é que combustíveis que não tiveram aumento nas refinarias — como gasolina comum, aditivada e etanol — também registraram elevação, indicando pressão concentrada na etapa de distribuição.

A disparada aparece com mais clareza nos valores praticados nos postos. A gasolina comum, que era vendida a R$ 6,29 em estabelecimentos mais baratos, chegou a R$ 6,49 em poucos dias.

O diesel S-10 seguiu o mesmo caminho: saiu da média de R$ 6,49 para R$ 6,99, mesmo após a compensação tributária que reduziu parte do impacto do reajuste anunciado pela Petrobras. Já o etanol, produzido em larga escala em Mato Grosso do Sul e sem dependência direta do petróleo, foi encontrado a R$ 4,39 o litro, acima do preço médio recente.

Diante desse cenário, crescem as suspeitas sobre a etapa de distribuição. O Procon-MS passou a monitorar a formação de preços e realizou reunião com representantes de postos e distribuidoras para entender os motivos das altas. 

Na semana passada, o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda (Comsefaz), acusou as distribuidoras de não repassar a queda de 21,3% no preço da gasolina nas refinarias em 2025 ao consumidor. Ao contrário, o preço subiu, no período, 0,3%. 

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Diversificação

Citricultura avança em MS com aporte de R$ 3 bilhões

Estado tem 35 mil hectares destinados ao cultivo de cítricos e presença em 44 municípios

01/06/2026 08h00

Álvaro Rezende/Divulgação

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Mato Grosso do Sul vive uma expansão acelerada da citricultura e já acumula mais de R$ 3 bilhões em investimentos privados no setor.

Com aproximadamente 35 mil hectares destinados ao cultivo de laranja e de outras frutas cítricas, o Estado se consolida como uma das novas fronteiras da atividade no País, atraindo grandes grupos empresariais e ampliando sua participação na diversificação do agronegócio.

A expansão dos pomares pode ser observada em diferentes regiões sul-mato-grossenses, principalmente na Costa Leste, onde a atividade avança sobre áreas antes ocupadas por pastagens. Parte dos plantios também está integrada a regiões de cultivo de eucalipto, formando novos polos produtivos.

Segundo dados apresentados pelo governo do Estado durante a ExpoCitros 2026, realizada em Cordeirópolis (SP), Mato Grosso do Sul já conta com mais de 13 milhões de mudas cítricas plantadas.

Atualmente, pelo menos seis grandes grupos do setor têm operações no Estado, entre eles Cutrale, Cambuí, Junqueira Rodas, Agroterena, Citrosuco, Cruzamento, Agro Hernandes e Agro GB.

Considerando que o custo médio de implantação de um pomar gira em torno de R$ 80 mil por hectare, os projetos em andamento já superam a marca de R$ 3 bilhões em investimentos.

O secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Rogério Beretta, atribui o crescimento da atividade a uma combinação de incentivos, segurança jurídica e controle sanitário.

“MS se tornou um destino atrativo para o setor porque reúne incentivos, linhas de crédito e uma gestão eficiente da pressão sanitária. Além disso, temos áreas disponíveis para expansão, condições naturais favoráveis e um ambiente regulatório que oferece segurança para quem deseja investir”, afirmou.

EXPANSÃO

Dos cerca de 35 mil hectares destinados à citricultura, 26 mil hectares já estão implantados e outros 8,6 mil hectares encontram-se em fase de implantação.

O crescimento também é percebido no aumento das autorizações para produção de mudas emitidas pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro).

Hoje, a atividade está distribuída em 44 municípios de MS, formando um novo polo de produção cítrica no País.

De acordo com a Semadesc, a competitividade do Estado está baseada em três pilares: condições climáticas e de solo favoráveis à produção, segurança econômica para investidores e rigor técnico no controle fitossanitário.

O titular da Semadesc, Artur Falcette, afirmou que a expansão da citricultura integra a estratégia estadual de diversificação econômica.

“Estamos estruturando Mato Grosso do Sul para ser referência nacional na citricultura, com planejamento, segurança jurídica, defesa sanitária eficiente e políticas públicas que garantam competitividade ao produtor e confiança ao investidor”, declarou.

Além das condições produtivas, o governo aposta na localização estratégica do Estado para ampliar a atração de investimentos.

A proximidade dos polos de processamento, a malha rodoviária e a disponibilidade de áreas para expansão são apontadas como vantagens competitivas.

Outro diferencial destacado pelo Executivo estadual é a Rota Bioceânica, corredor logístico que ligará o Brasil aos portos do norte do Chile e facilitará o acesso a mercados da Ásia e da Costa Oeste dos Estados Unidos.

Segundo Falcette, a nova rota poderá reduzir em até 16 dias o tempo de transporte de produtos destinados à exportação.

“A infraestrutura está avançando com a conclusão de obras e a ampliação das conexões logísticas. Isso cria novas oportunidades para produtos de maior valor agregado e fortalece a competitividade do Estado”.

DIVERSIFICAÇÃO

Para o governo estadual, o avanço da citricultura representa mais um capítulo do processo de diversificação da economia sul-mato-grossense, tradicionalmente baseada na soja e na pecuária.

Segundo Falcette, mais de 5 milhões de hectares de áreas degradadas passaram a ser ocupados por novas atividades produtivas nos últimos 15 anos, ampliando a geração de riqueza e empregos no campo.

“Nossa proposta é mostrar Mato Grosso do Sul como uma área segura para produzir, com foco em sustentabilidade, proteção sanitária, incentivos econômicos e desburocratização. Queremos consolidar o Estado como referência nacional no desenvolvimento agrícola sustentável”, concluiu.

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crime

Furto de energia em 2026 poderia abastecer 65 mil casas por um ano em MS

Energisa realizou 19.880 inspeções técnicas para desfazer as artimanhas contra a rede elétrica; 4 pessoas foram presas

31/05/2026 08h45

Energisa MS atende cerca de 1,17 milhão de unidades consumidoras em MS

Energisa MS atende cerca de 1,17 milhão de unidades consumidoras em MS ARQUIVO/CORREIO DO ESTADO

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Dados divulgados pela Energisa apontam que 2.977 irregularidades foram identificadas, em unidades consumidoras, de janeiro a abril de 2026, em Mato Grosso do Sul.

Desse número, 1.400 casos são relativos à “gatos de energia” (desvio de energia) e 1.577 são modificações irregulares em medidores (adulteração do consumo real).

As irregularidades desfeitas garantiram a recuperação de 5,4 gigawatt-hora (Gwh). Isto seria suficiente para abastecer cerca de 65 mil residências, em um ano, no Estado.

Campo Grande, Corumbá, Dourados, Ladário, Rio Brilhante, Aparecida do Taboado, Ponta Porã, Sidrolândia, Anastácio e Itaquiraí são os municípios com maior número de ocorrências no Estado.

Quem arca com o prejuízo financeiro do furto de energia é a empresa e os consumidores.  “Além do prejuízo direto a empresa, todos os consumidores da área de concessão da Energisa também arcam com uma parcela do custo desta energia furtada, pois este montante de energia furtada faz parte da composição do custo do kWh, ou seja, este custo é rateado entre os consumidores no pagamento de sua fatura de energia elétrica”, informou a concessionária por meio de nota enviada ao Correio do Estado.

“Os furtos e fraudes de energia impactam diretamente na qualidade do fornecimento de energia elétrica, na arrecadação de impostos e na vida dos clientes regulares, uma vez que os custos de energia decorrentes desses furtos são rateados entre todos, prejudicando diretamente quem paga suas contas em dia”, complementou Alex Leite, coordenador de Medição e Combate a Perdas da Energisa MS.

A Energisa Mato Grosso do Sul realiza eventualmente operações, com apoio da Polícia Militar e Polícia Civil, para combater esse tipo de crime. Até o fim do ano, a concessionária prevê a realização de outras 18 operações integradas com as forças de segurança. 

Neste ano, a Energisa realizou 19.880 inspeções técnicas, de janeiro a abril, para desfazer as artimanhas contra a rede elétrica. Durante a fiscalização, quatro pessoas foram presas.

O coordenador de combate a perdas da Energisa Mato Grosso do Sul, Alex Almeida, afirmou que operações policiais não são a única forma de combater essa irregularidades.

“Realizamos ações contínuas de combate ao furto de energia por meio de tecnologia, monitoramento da rede e inspeções técnicas em campo. Também investimos na modernização do sistema elétrico e na regularização de áreas com ligações irregulares. Em 2026, a previsão é investir cerca de R$ 16 milhões no combate às irregularidades no Estado”, explicou.

CRIME

O furto de energia é crime previsto no Código Penal Brasileiro e pode resultar em prisão e obrigatoriedade de ressarcimento dos valores desviados.

Os criminosos são conduzidos à delegacia para registro de boletim de ocorrência e aplicação das sanções cabíveis.

A pena é de reclusão de 1 a 4 anos e multa, podendo aumentar em algumas situações qualificadas. Confira os crimes:

  • “Gato” com ligação clandestina direta na rede elétrica: se enquadra como furto de energia
  • Fraude no medidor/relógio para pagar menos: se enquadra como estelionato

A Energisa não aplica punição a quem furta energia. Conforme procedimento determinado pelo Órgão Regulador, constante na Resolução 1000 da ANEEL, a Energisa apura o montante de energia não faturado devido ao furto de energia e efetua esta recuperação através da emissão de uma fatura com o valor referente a energia furtada.

RISCO

As instalações elétricas irregulares representam grave risco à população, como:

  • Choque: ligação clandestina normalmente é feita sem isolamento adequado; contato direto com fios energizados pode causar choque elétrico grave ou morte
  • Incêndio: fios improvisados podem sobreaquecer, gerar faíscas ou curtos-circuitos; incêndios podem se propagar rapidamente, causando ferimentos e mortes
  • Queda de energia: interferência na rede elétrica pode causar quedas de energia inesperadas, afetando casas, hospitais, escolas, e sistemas de transporte; danificar eletrodomésticos e equipamentos essenciais, como geladeiras e bombas de água 

O coordenador de combate a perdas da Energisa Mato Grosso do Sul, Alex Almeida, afirmou que o furto de energia não causa só prejuízos financeiros, mas também risco de vida à sociedade.

“Essa é uma prática ilegal e extremamente prejudicial para a segurança da população e para o sistema elétrico. As ligações clandestinas aumentam os riscos de choques elétricos, incêndios e acidentes graves, além de comprometerem a qualidade do fornecimento de energia. A sobrecarga na rede pode provocar interrupções no serviço, afetando não apenas quem realiza a irregularidade, mas toda a comunidade ao redor”, explicou.

O coordenador ainda afirmou que só as equipes da concessionária estão autorizadas a fazer serviços na rede elétrica.

“Quem furta energia está lesando os demais clientes e ainda colocando em risco a própria vida e dos vizinhos. Somente as equipes da Energisa têm autorização legal, instruções técnicas e de segurança para fazer serviços e quaisquer intervenções na rede elétrica. Ou seja, adulterar o medidor ou fazer ligações diretas na rede é um crime e uma prática de alto risco à vida”, enfatiza Alex.

A participação da população é fundamental no combate ao furto de energia. As denúncias podem ser feitas de forma anônima, pelos canais de atendimento da Energisa, call center pelo 0800 722 7272, aplicativo Energisa On e Whatsapp da Gisa (67) 99980-0698, ou diretamente à polícia, pelo número 190.

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