Se estiverem corretos e baseados na vida real, os números do site da transparência da prefeitura de Campo Grande demonstram que a administração elevou em 5,9% seu faturamento nos primeiros quatro meses do ano se comparados com igual período de 2025. E, por conta disso, a prefeita Adiane Lopes (PP) está prevendo conceder o primeiro reajuste linear a servidores desde que assumiu, em abril de 2022.
Nos primeiros quatro meses do ano passado entraram R$ 2,173 bilhões nos cofres municipais, somando o faturamento próprio e as transferências estaduais e federais. Neste ano, o valor aumentou para R$ 2,301 bilhões. O crescimento de 5,9% está um pouco acima do índice da inflação, que nos últimos doze meses está na casa dos 4,4%.
Mas, uma das principais apostas para melhorar a arrecadação, que foram as mudanças no IPTU (reajuste de 5,32% , redução do desconto de 20% para 10% no pagamento à vista e o aumento do valor da taxa de lixo) surtiram efeito quase nulo até agora.
Apesar de todas estas medidas, a arrecadação aumentou em apenas 1,4% nos quatro primeiros meses, passando de R$ 392,5 milhões para R$ 398 milhões.
Porém, por conta do maior número de contribuintes que parcelou o pagamento do imposto, nos próximos meses a receita tende a superar a dos anos anteriores. Em abril, por exemplo, entraram R$ 43 milhões, ante R$ 28,3 milhões em abril do ano passado. Nos primeiros 28 dias de maio deste ano foram R$ 39,9 milhões, o que equivale a R$ 13,5 milhões a mais que em maio do ano passado.
O repasse do ICMS feito pelo Governo do Estado, outra importante fonte de receita, está literalmente estagnada. No ano passado foram repassados R$ 173,9 milhões nos primeiros quatro meses. Agora, o valor subiu para R$ 174 milhões.
Se os repasses tivessem pelo menos acompanhado o índice da inflação, o volume de dinheiro repassado pelo Governo do Estado deveria ter ultrapassado os R$ 181,5 milhões. Na prática, então, o repasse estadual teve recuo real da ordem de R$ 7,5 milhões.
Até mesmo os repasses relativos ao Iposto de Renda, sobre os quais havia previsão de queda significativa, tiveram desempenho melhor. Por conta da isenção concedida aos assalariados que recebem até R$ 5 mil mensais, a secretaria de finanças esperava queda da ordem de R$ 3 milhões mensais.
Em vez disso, porém, ocorreu aumento. No ano passado a retenção do imposto de renda rendeu R$ 101,2 milhões nos primeiros quatro meses aos cofres municipais. Em 2026, o valor aumentou para R$ 104 milhões.
Uma ds principais explicações para o aumento de 5,9% na arrecadação total é o bom desempenho do ISS, que nos últimos dois anos passou a ser a principal fonte de receita da prefeitura de Campo Grande.
No ano passado o imposto sobre o setor de serviços garantiu R$ 225 milhões nos quatro primeiros meses. Agora, o montante somou R$ 239 milhões, representando alta de quase 6,3%.
Índice de crescimento parecido foi o repasse do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM, rateado pelo Governo Federal. O valor passou de R$ 101,3 milhões para R$ 106,1 milhões.
A principal explicação para o aumento médio de quase 6% nos cofres municipais está no item "demais receitas". No ano passado, conforme os dados da transparência, foram contabilizados R$ 523 milhões. Agora, o valor chegou a R$ 619 milhões, o que é 18,3% acima do valor do ano passado.
Embora apareça como o de maior relevância para os cofres municipais, na contabilidade da prefeitura o item "Demais Receitas" é uma rubrica para agrupar todas as rendas correntes ou de capital que não possuem valor ou volume suficiente para serem detalhadas individualmente.
Reajuste
E, com base nesta melhora é que a prefeitura de Campo Grande já informou a lideranças sindicais que até o fim da próxima semana vai definir o índice de reajuse que deve ser concedido a servidores.
A previsão inicial é de que seja reposta, em duas parcelas, a inflação dos últimos 12 meses, de 4,39%. Porém, desde o último reajuste linear, concedido em 2021, ainda pelo prefeito anterior, a inflação acumulada chega a 33%.
Neste período, professores, guardas municipais e algumas outras categorias obtiveram melhorias salariais. O salário da própria prefeita, que serve de teto para os demais servidores, teve dois reajustes nos últimos dois anos e tem outro aumento previsto para fevereiro do próximo ano.
O primeiro reajuste entrou em vigor em abril do ano passado, quando o salário passou de R$ 21,2 mil para R$ 26.943,05. A segunda parcela entrou em vigor no começo de fevereiro de 2026, quando o salário passou para R$ 31.912,56. E, conforme a previsão, em fevereiro do próximo ano ele sobe para R$ 35.462,22. Isso significa alta de 67% no salário da prefeita e da elite do funcionalismo municipal em dois anos.

