Depois de mais de uma década, novamente o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) aponta suspeitas de corrupção envolvendo o trabalho de manutenção de vias, que, em Campo Grande, por causa da grande deformação do pavimento, recebe o nome de tapa-buraco.
É o tipo de trabalho que não cumpre o objetivo a que foi proposto, não é mesmo? Mas vamos além disso.
Reportagem publicada nesta edição mostra que os donos da empreiteira responsável pela manutenção de mais da metade das vias públicas de Campo Grande estão atrás das grades.
Presos. Na cadeia. A suspeita é de que integrem um gigantesco esquema de corrupção que envolvia também servidores públicos, inclusive um ex-secretário.
Por enquanto, o MPMS e a Justiça são os que dão as melhores respostas para o problema. Porque a empresa, mesmo com seus donos na cadeia, segue responsável pela manutenção das vias. Aliás, conforme o leitor também verá com mais detalhes adiante, o trabalho dela deixa muito a desejar.
Para piorar a situação, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) de Campo Grande não tem titular.
Há mais de 40 dias não há um responsável por coordenar o contrato de manutenção de vias, por zelar para que as ruas da capital de Mato Grosso do Sul tenham um bom pavimento.
É lamentável constatar que, quando se trata de manutenção de vias e de obras públicas, o cidadão de Campo Grande, cidade com quase 1 milhão de habitantes e milhares de quilômetros de ruas para cuidar, esteja à deriva.
Precisamos de respostas. Não é apenas tendo acesso à investigação que a prefeitura da Capital poderá responder.
É, em primeiro lugar, nomeando alguém que chame para si a execução do contrato de manutenção de vias e que, posteriormente, faça uma auditoria, com resultados públicos ao alcance de qualquer cidadão, sobre a execução financeira deste contrato.
E, por falar em execução financeira, é curioso lembrar que, no fim do ano passado, uma das justificativas para o longo período sem equipes trabalhando nas ruas para tapar os milhares de buracos de Campo Grande era justamente a falta de dinheiro.
Pouco mais de seis meses depois, vem o MPMS e mostra que dinheiro parecia existir nesses últimos anos, tanto que foi parar nos bolsos dos envolvidos na execução dos contratos, enquanto os buracos ficaram abertos.
Enquanto os buracos de Campo Grande voltam a virar caso de polícia e de Justiça, quem vai a outras capitais encontra ruas com bons pavimentos, o chamado “asfalto liso”, bem sinalizadas e com um trânsito minimamente organizado.
Parte do caos no trânsito da cidade, é bom lembrar, advém também do descaso com a manutenção das vias, e não apenas da má educação dos condutores. Afinal, as ruas esburacadas e mal sinalizadas ajudam a compor o cenário caótico de algumas vias.

