A nova operação deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), reforça uma constatação importante: os órgãos de controle seguem cumprindo um papel essencial no enfrentamento à corrupção no Estado.
Desta vez, o alvo das investigações são os milionários contratos de tapa-buraco da Prefeitura Municipal de Campo Grande, um tema que afeta diretamente a população e que há anos gera reclamações pela baixa qualidade do serviço prestado.
As investigações apontam suspeitas de fraude em medições, pagamentos indevidos e desvios em contratos que superam R$ 100 milhões. O principal nome atingido pela operação foi o ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese, preso preventivamente nesta terça-feira.
Os contratos sob suspeita foram assinados justamente no período em que ele comandava a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Pasta responsável pela manutenção viária da cidade.
O caso chama a atenção não apenas pelo volume de dinheiro público envolvido, mas também pela trajetória do personagem central da investigação.
Ontem, quando foi preso, Rudi Fiorese ocupava o cargo mais importante da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), órgão estratégico do governo estadual responsável pela execução de grandes obras públicas e pela administração de recursos bilionários, incluindo verbas do Fundersul.
É preciso reconhecer que o governo do Estado agiu corretamente ao exonerá-lo poucas horas após a operação do MPMS. Diante da gravidade das acusações e da prisão preventiva decretada pela Justiça, não havia outro caminho razoável.
Mas a exoneração imediata não elimina um questionamento inevitável: por que Rudi Fiorese foi nomeado para o cargo em 2023? Afinal, ele já era alvo de investigações anteriores.
O ex-secretário é denunciado pelo MPMS por improbidade administrativa no âmbito da Operação Cascalhos de Areia, que também investigava suspeitas de irregularidades na prefeitura da Capital.
Ou seja, quando deixou a prefeitura e acabou “promovido” ao governo estadual, Fiorese já carregava um histórico de suspeitas suficientemente relevante para exigir cautela política e administrativa.
A nomeação ignorou um desgaste reputacional evidente e criou o constrangimento que agora se tenta corrigir com uma exoneração emergencial.
Também merece destaque o fato de que a operação não trata de um problema distante da população. O tapa-buraco é um dos serviços mais visíveis da gestão pública municipal.
Basta circular por Campo Grande para perceber que a qualidade do asfalto continua sendo motivo diário de reclamação.
Outro ponto que exige atenção é o futuro dos contratos e da prestação do serviço. A empresa alvo da operação continua responsável pelo tapa-buraco na Capital.
Diante das suspeitas é indispensável que a prefeita Adriane Lopes esclareça quais providências serão adotadas para garantir continuidade, transparência e qualidade na manutenção das vias de Campo Grande.

