O calendário eleitoral avança para um dos momentos mais importantes da democracia brasileira. O período das convenções partidárias aproxima-se do fim e, já na próxima semana, terá início a propaganda eleitoral.
É quando as disputas deixam os bastidores e passam a ocupar as ruas, os meios de comunicação e as plataformas digitais, levando ao eleitor as propostas daqueles que pretendem exercer um mandato popular pelos próximos quatro anos.
As convenções merecem atenção especial da sociedade. Embora, muitas vezes, recebam menos destaque do que o período de campanha propriamente dito, é nelas que os partidos exercem uma de suas funções mais relevantes: a escolha de seus candidatos.
Trata-se do momento em que as legendas definem quem terá a responsabilidade de representar seus projetos políticos diante do eleitorado. É, portanto, uma etapa decisiva para a qualidade da democracia.
Os partidos políticos são instituições previstas na Constituição e desempenham papel essencial no regime democrático. É por meio deles que diferentes correntes de pensamento organizam propostas, constroem programas e apresentam alternativas para a administração pública.
Nenhuma democracia consolidada prescinde de partidos fortes, capazes de reunir ideias, formar lideranças e oferecer canais legítimos de participação política.
Em uma sociedade cada vez mais dinâmica, conectada e exigente, cresce a tentação de desacreditar a política como instrumento de transformação.
Esse sentimento, compreensível diante de escândalos e decepções acumuladas ao longo dos anos, não deve servir de combustível para a antipolítica. A negação das instituições democráticas jamais produziu sociedades mais livres, transparentes ou eficientes.
Ao contrário, enfraquece os mecanismos de representação e abre espaço para soluções incompatíveis com o Estado de Direito.
Quem deseja uma política melhor precisa compreender que ela não será construída apenas pela crítica. A participação continua sendo o caminho mais legítimo para aperfeiçoar a vida pública.
Isso vale para quem decide disputar eleições, para quem atua nos partidos, para quem participa dos debates públicos e também para o cidadão que acompanha, fiscaliza e vota de forma consciente. A democracia não se fortalece com a omissão, mas com o engajamento responsável.
Com o início da campanha eleitoral, aumenta também a responsabilidade dos candidatos, dos partidos e das autoridades encarregadas de garantir a lisura do processo.
O eleitor espera uma disputa baseada em propostas, na comparação de projetos e no respeito às regras estabelecidas pela legislação.
Ataques pessoais, desinformação, notícias falsas e expedientes maliciosos apenas empobrecem o debate público e afastam o cidadão da política.
Nesse contexto, será fundamental a atuação vigilante da Justiça Eleitoral. Uma eleição limpa depende não apenas da responsabilidade dos candidatos, mas também de instituições fortes e atentas.
Que o período eleitoral seja marcado pelo respeito, pela ética e pelo compromisso com a democracia. É isso que os eleitores esperam e o País necessita.


