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A guerra invisível por data centers

Em um ecossistema global, é interessante notar que a América Latina, que por muito tempo foi vista como mercado consumidor de tecnologia

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Este artigo traz um tema de ouro, pois reúne geopolítica, tecnologia e investimento pesado. Isso porque, enquanto o mundo discute inteligência artificial (e todas as suas variáveis e aplicações), uma disputa silenciosa e extremamente estratégica acontece nos bastidores: a corrida por infraestrutura (mais especificamente, por data centers).

Em um ecossistema global, é interessante notar que a América Latina, que por muito tempo foi vista como mercado consumidor de tecnologia, começa a se consolidar como território-chave nessa nova geopolítica digital.

E isso não é por acaso. Países como Brasil, Chile e México passaram a atrair investimentos massivos por três fatores principais.

O primeiro é por demanda digital crescente: a região vive uma aceleração no consumo de serviços digitais – de streaming a fintechs, passando por e-commerce e IA.

O segundo é relativo à localização estratégica: proximidade de grandes mercados e necessidade de atender a regulações de soberania de dados.

E o terceiro é a energia (ainda) competitiva: especialmente em países com forte matriz renovável, como o Brasil, o que é crítico para operações intensivas em consumo energético.

Durante anos, a narrativa foi de que “dados são o novo petróleo”. Mas essa visão está incompleta. Na prática, o ativo mais estratégico hoje é a capacidade de armazenar, processar e, principalmente, proteger esses dados em larga escala.

É aí que entram os data centers. Com o avanço de IA, computação em nuvem e serviços digitais, a demanda por infraestrutura explodiu.

E aqui reforço que não basta mais ter data centers, é preciso tê-los próximos aos usuários, com baixa latência e dentro de regulações locais.

A região da América Latina tem se destacado tanto que players gigantes como Amazon Web Services, Microsoft e Google já estão expandindo agressivamente suas operações por aqui.

Além disso, há também a atuação exponencial de operadores locais, fundos de infraestrutura e até governos entrando nesse jogo e disputando terrenos estratégicos, acesso à energia, incentivos fiscais e conectividade.

Como em tudo na vida, nem todas as notícias são boas. Se, por um lado, a demanda cresce exponencialmente, por outro, surgem limitações reais, como, por exemplo, a quantidade de energia que os data centers consomem.

Nesse sentido, a América Latina é atrativa justamente por sua energia, mas pode não conseguir expandir na mesma velocidade da demanda.

Além disso, na região existem gargalos de impacto, como licenciamento ambiental, infraestrutura de transmissão e disponibilidade de terrenos adequados.

O que estamos vendo, portanto, não é apenas expansão de infraestrutura, é a construção de um novo mapa de poder. Isso porque quem controla data centers controla o fluxo de dados, a capacidade de processamento e, cada vez mais, a própria inovação.

Ou seja, vale concluir que a corrida agora não é apenas por IA, trata-se de uma mistura de tecnologia, política e economia.

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EDITORIAL

O valor do asfalto bem cuidado

O tapa-buraco, portanto, está longe de ser um detalhe administrativo. É uma política pública que influencia segurança, economia, mobilidade e bem-estar

15/07/2026 07h15

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Há temas da administração pública que costumam ser tratados como meros serviços de rotina, quando, na verdade, estão diretamente ligados à qualidade de vida, à segurança e ao respeito ao cidadão. A manutenção das vias públicas de Campo Grande, especialmente das avenidas e ruas de maior circulação, é um deles.

O estado do asfalto e da sinalização urbana não representa apenas uma questão estética ou de conforto. Trata-se de uma obrigação elementar do poder público e de um dos pilares da boa gestão.

Uma cidade depende de suas ruas para funcionar. É por elas que trabalhadores chegam ao emprego, estudantes às escolas, ambulâncias aos hospitais e mercadorias aos estabelecimentos comerciais. O próprio Estado depende dessa infraestrutura para prestar serviços e exercer seu poder de fiscalização.

Não por acaso, utiliza essas mesmas vias para monitorar o trânsito e arrecadar recursos por meio das multas aplicadas aos motoristas que descumprem a legislação.

Essa relação, porém, pressupõe uma contrapartida. Se o cidadão deve respeitar as regras de circulação e pode ser penalizado quando as infringe, é razoável esperar que o poder público também cumpra sua parte, oferecendo pavimentação adequada e sinalização clara.

Em Campo Grande, essa reciprocidade há muito deixou de existir. Buracos, remendos mal-executados, faixas apagadas e placas insuficientes transformaram a exceção em regra, expondo motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres a riscos permanentes.

Nesta edição, o Correio do Estado mostra que o Ministério Público atua em duas frentes igualmente importantes. De um lado, responsabiliza criminalmente servidores públicos e empresários suspeitos de integrar um esquema de corrupção envolvendo contratos de tapa-buraco.

De outro, cobra da administração municipal uma solução efetiva para um problema que se arrasta há anos e que afeta diariamente milhares de pessoas. Combater desvios de recursos é indispensável, mas garantir que o serviço seja prestado com eficiência é igualmente essencial.

Governar é assumir responsabilidades. Não basta apontar dificuldades financeiras ou entraves burocráticos. Cabe ao gestor público organizar prioridades e assegurar que serviços básicos funcionem adequadamente.

A negligência com a conservação das vias compromete a mobilidade, aumenta os custos de manutenção dos veículos, favorece acidentes e transmite à população a sensação de abandono.

Uma cidade bem pavimentada e corretamente sinalizada também comunica organização. Ambientes urbanos cuidados estimulam o respeito às normas, fortalecem o sentimento de pertencimento e tornam a convivência cotidiana mais agradável.

Quando o espaço público transmite ordem e funcionalidade, a qualidade de vida melhora e cresce a confiança da população nas instituições.

O tapa-buraco, portanto, está longe de ser um detalhe administrativo. É uma política pública que influencia segurança, economia, mobilidade e bem-estar. Tratar esse serviço como secundário é ignorar que a boa gestão começa justamente onde a vida das pessoas acontece todos os dias: nas ruas da cidade.

Campo Grande merece mais do que operações emergenciais. Merece planejamento, manutenção permanente e respeito ao contribuinte. Tomara que isso ocorra um dia.

ARTIGOS

A eliminação do Brasil na Copa e o Enem

Um aluno que deseja uma vaga em uma universidade pelo Enem pode estar treinando errado

14/07/2026 07h45

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Se o resultado de um jogo de futebol fosse determinado por uma metodologia como a do Enem, o Brasil perderia para a Noruega por um placar ainda mais desagradável. Motivo? Incoerência.

A TRI, metodologia adotada para contar pontos na prova, premia mais quem sabe o que está fazendo, quem domina o jogo porque treinou para ele. O futebol contemporâneo está assim também.

Um aluno que deseja uma vaga em uma universidade pelo Enem e estuda para verificar se um texto literário é “cultista” ou “conceptista” e para classificar um único verbo de uma frase como “oração subordinada substantiva completiva nominal reduzida de infinitivo” está treinando errado.

Pode até acertar questões que porventura cobrarem isso, mas esses conteúdos, se forem cobrados assim, farão parte de questões difíceis (bem difíceis) de duas habilidades: a 16 e a 18.

Mas é muito improvável que esses conteúdos caiam, mais provável é simplesmente reconhecer um jogo de palavras e notar o significado que a adição de um verbo traz para uma frase, coisas relativamente simples para quem está estudando certo.

E tem mais: muitos que estão estudando para acertar qual variante do Barroco está em um texto e classificar uma oração com nome gigantesco não conseguem acertar o que de fato se pede no Enem.

Se caírem essas quatro questões, as duas improváveis e difíceis junto com as duas fáceis, provavelmente aqueles que estão presos aos materiais tradicionais deixarão de acertar ao menos uma das fáceis e conseguirão gabaritar as improváveis.

Resultado? Incoerência pedagógica. Nota baixa pela TRI. Perdem a partida.

Algo parecido aconteceu com a seleção brasileira: errou questões fáceis e acertou algumas difíceis. Errou um pênalti aos 13 minutos, perdeu um gol cara a cara com o goleiro norueguês, não trocou passes na sua intermediária.

A Noruega acertou as fáceis (trocou bola muito bem), as medianas (soube marcar nossos jogadores) e as difíceis (conseguiu defender pênalti e outros chutes muito bem dados). Se o Brasil não errasse as fáceis, o resultado seria outro.

Agora, o que nos resta no futebol é torcer na próxima Copa. Já no Enem… Temos tempo. É hora de estudar o que cai de verdade – as habilidades cobradas na prova, e não o conteúdo tradicional escolar, que não cai nesse exame desde sua criação.

É hora, também, de usar a TRI em nosso favor. Ando afirmando: Enem é futebol de campo; vestibular tradicional, de salão. Não somos campeões no estádio, mas podemos ser na nossa vida estudantil. Bora treinar certo e, no fim, comemorar o título: aprovado.

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