Artigos e Opinião

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A rigidez religiosa e a busca da felicidade

O homem vive na expectativa de felicidade plena em outra dimensão na companhia de Deus

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As religiões, cada uma a seu modo, prometem felicidade ao homem. Entretanto, esta felicidade ele não a alcançará aqui na Terra, pois aqui, neste plano da existência, ela é inatingível. Para alcançá-la, o homem deve conduzir sua vida dentro de certos preceitos e normas rígidas.

A felicidade plena, ele só a terá em outra dimensão, na companhia de Deus, o seu criador. O homem, assim, aqui vive na expectativa desta outra vida, preparando-se, controlando desejos, reprimindo impulsos, esmagando vontades.

Nesta linha doutrinária, o homem busca satisfazer a sua sede pelo divino, acreditando ser o caminho possível para a comunhão com Deus, quando, por meio da fé, ele terá respostas às suas indagações angustiantes sobre a razão da existência.

Aqui, neste plano de compreensão finita, ele se vê impotente diante da absoluta grandeza do universo, no embate entre a sua pequenez, frente à plenitude do infinito.

Neste apregoado “vale de lágrimas”, imerso na rigidez das crenças, o homem se curva, ele mais se entrega, ele mais procura se conter aqui na Terra, para merecer a glória da eternidade.

Conclui-se que a rigidez das normas religiosas de conduta oprime a liberdade do homem, inibe a satisfação de sua vontade, impõe limites aos seus desejos, enfim, leva-o a uma espécie de aniquilamento de si mesmo, de sua existência.

A religiosidade exacerbada é um instrumento de dominação poderoso, que encarcera o homem dentro de si mesmo, extraindo quase sempre, senão a expectativa da felicidade terrena, a simples possibilidade de fugazes momentos felizes. 

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O falso conflito entre ciência e religião

Para Teilhard de Chardin, o cosmos está se dirigindo ao encontro com Deus no fim dos tempos

11/07/2026 07h45

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Já dizia Albert Einstein: “A ciência sem a religião é paralítica. A religião sem a ciência é cega”. O que motivava os cientistas de outrora? O que desejavam? Queriam, na verdade, desvendar o universo de Deus!

Cientistas como Isaac Newton, Johannes Kepler e G. W. Leibniz viam na pesquisa uma maneira de entender o divino. O paleontólogo e jesuíta Teilhard de Chardin procurou a vida toda unir ciência e religião.

Em suas palavras: “O Universo, considerado em seu conjunto, tem um fim e não pode errar de direção, nem parar no caminho”. Para ele, o cosmos está se dirigindo ao encontro com Deus no fim dos tempos. Não vivemos num universo dominado pelo acaso.

Segundo a mecânica quântica, todas as partículas estão interligadas, formando uma unidade. Aqui temos o acaso científico sendo desafiado! Essa é uma visão mística e religiosa.

“Quer queiramos, quer não, estamos todos ligados a tudo o que nos circunda, com todas as fibras de nosso ser”. Palavras do jesuíta que queria unir, e não separar.

Atualmente, físicos como Amit Goswami e Menas Kafatos procuram unir ciência e espiritualidade e até mesmo o físico brasileiro Marcelo Gleiser está caminhando nesse sentido. C. G. Jung, ao contrário de Freud, legitimava o impulso religioso do homem.

Para Jung, existe dentro de nós uma imagem de Deus e Santo Agostinho dizia algo parecido. “O Reino de Deus está dentro de vós”, falava Jesus.

O Papa João Paulo II, uma vez por ano, reunia no Vaticano os maiores astrofísicos e filósofos do mundo com o objetivo de discutir questões como a origem do universo.

Jung conversou muito com o Prêmio Nobel de Física Wolfgang Pauli. Eles aproximaram a psicologia e a física quântica que nos mostra a nossa espiritualidade.

Segundo a mesma física, a consciência humana tem participação ativa na construção da própria realidade. Ao olharmos para uma partícula como o elétron, mudamos o seu comportamento.

Joseph Campbell dizia que os mitos universais apontam para aquilo que vai além: apontam para o transcendente. Outrora, os homens elaboravam histórias para poder entender e explicar esse universo maravilhoso e aterrador.

Então surgiu a ciência empírica. Gradualmente os cientistas foram deixando de lado a religião até banirem completamente Deus. Mas agora muitos deles já estão percebendo que não é possível explicar o universo abandonando completamente a hipótese Deus.

Toda disputa entre ciência e religião não terá futuro se dependermos da nova ciência espiritualista que está surgindo. Precisamos urgentemente unir os conhecimentos humanos.

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Colapso climático e degradação da empatia

O descaso ambiental aparece como expressão de uma deformação profunda: a perda da capacidade de perceber o mundo não como estoque, mas como morada

11/07/2026 07h30

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Se a Terra não está sendo destruída por uma fatalidade cega. Não está sendo aniquilada por uma tragédia inevitável da natureza. Sua iminente destruição acontece, antes de tudo, por razões éticas e políticas.

É resultado de uma longa pedagogia da indiferença, fruto de reiteradas más escolhas e consequência de um modelo civilizacional que tomou o lucro por critério e o planeta por matéria descartável.

O descaso ambiental aparece como expressão de uma deformação profunda: a perda da capacidade de perceber o mundo não como estoque, mas como morada; não como reserva de exploração, mas como comunidade de vida.

O colapso climático não decorre apenas das emissões, da devastação florestal, do esgotamento hídrico, da desertificação ou do aquecimento global. Decorre, em camada mais funda, de uma civilização que deixou de sentir empatia.

Nosso iminente desastre também é consequência do avanço de lideranças negacionistas do clima, para as quais a realidade ecológica é tratada como inconveniente político, entrave econômico ou invenção ideológica.

Em vez de enfrentar a crise, elas a ridicularizam. Em vez de mobilizar responsabilidade, organizam a dúvida. Em vez de convocar solidariedade, estimulam ressentimento, anti-intelectualismo e brutalidade.

O negacionismo climático não é apenas erro cognitivo. É a vontade de governar pelo curto prazo, pelo cálculo eleitoral e pela fabricação de inimigos. Quando essa lógica se articula a correntes autoritárias inspiradas no unilateralismo, o dano se multiplica.

A devastação ambiental passa a caminhar ao lado da devastação da ética. Minorias tornam-se bodes expiatórios, a empatia é tratada como fraqueza, a compaixão como ingenuidade, e a própria ideia de bem comum começa a dissolver-se sob o peso da propaganda, do medo e da polarização permanente.

É nesse ponto que o papel das big techs e dos megaoligarcas da tecnologia assume dimensão central. A Terra caminha para a ruína porque permite que a tecnologia cresça sem freios, sem regulação pública, sem responsabilidade democrática e sem imaginação ética.

A inteligência artificial é deixada à lógica do mercado e da competição estratégica. As redes sociais, em vez de servirem ao encontro humano, converteram-se em máquinas de amplificação do ódio, da mentira e da fragmentação coletiva.

Os grandes sistemas algorítmicos descobriram que a atenção humana pode ser minerada como recurso bruto e que o ressentimento rende mais do que a verdade.

Passaram a explorar a vulnerabilidade das massas e a envenenar a informação com mentiras, transformando seres humanos em perfis manipuláveis, isolados em bolhas e cada vez menos capazes de perceber o sofrimento do outro.

A ausência de controle sobre a IA e sobre as plataformas digitais não produz apenas desordem comunicacional, produz um rebaixamento antropológico. O mundo perde a empatia global e a capacidade de reconhecer no estranho um semelhante. Nosso planeta endurece o coração enquanto sofistica os sistemas.

Nesse sentido, o colapso climático não pode ser separado do colapso da sensibilidade. A catástrofe ambiental é inseparável de uma catástrofe moral.

O planeta está sendo destruído porque a humanidade dominante perdeu a capacidade de impor limites a si mesma. Porque aceita ser governada por elites econômicas sem empatia e por líderes políticos sem grandeza ética.

Essa ausência de grandeza se manifesta no aumento dos preconceitos contra quem é diferente, na brutalização das relações humanas e na conversão do outro em ameaça. A devastação ecológica é, portanto, a face material de uma desertificação interior. A Terra seca por fora porque está secando por dentro.

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