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Após a COP15, a sombra das hidrovias põe à prova os compromissos do Brasil com a natureza

O momento é crítico. Nas últimas décadas, o Pantanal secou e queimou mais do que qualquer outro bioma brasileiro

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Enquanto delegados de dezenas de países participaram da COP15 sobre Espécies Migratórias, discutindo, entre outras pautas, diretrizes internacionais para infraestruturas compatíveis com a biodiversidade, a realidade fora dos auditórios impunha um teste imediato. Avança a passos largos a proposta de uma hidrovia que pode comprometer o pulso de inundação que sustenta o Pantanal.

O momento é crítico. Nas últimas décadas, o Pantanal secou e queimou mais do que qualquer outro bioma brasileiro. Houve perda significativa de superfície de água e incêndios sem precedentes, como em 2020 e, novamente, em 2024. Diante desse cenário, surge uma questão incontornável: como avançar com um projeto dessa magnitude justamente quando reconhecemos a crescente vulnerabilidade do bioma?

Assim como no Tapajós, os interesses por trás da hidrovia estão ligados à expansão logística de grandes cadeias produtivas. Enquanto na Amazônia o foco das hidrovias é o escoamento de grãos, no Pantanal o foco recai sobre o escoamento de minério de ferro extraído em Corumbá, com um agravante: ainda que os ritos de um processo de concessão desta magnitude, com leilão e licenciamento ambiental, as peças do tabuleiro movimentam-se como se o projeto fosse uma certeza.

No fim do ano passado, o BNDES aprovou R$ 3,7 bilhões para apoiar a mineradora LHG Mining, do grupo J&F, na construção de embarcações destinadas ao transporte de minério de ferro.

O objetivo declarado é explícito: eliminar gargalos logísticos e ampliar a capacidade de exportação mineral. Ou seja, não se trata apenas de uma proposta em debate, trata-se de uma cadeia de infraestrutura já em curso, financiada com recursos públicos.

O volume de recursos chama atenção não apenas pelo montante, mas pela prioridade política que revela. Para efeito de comparação, os R$ 3,7 bilhões destinados a esse projeto superam o orçamento anual de instituições fundamentais para o País, como o Ibama ou o CNPq.

A assimetria é evidente: bilhões para acelerar corredores de exportação, enquanto órgãos encarregados de proteger os ecossistemas e produzir conhecimento operam sob restrições.

A pergunta, então, é direta: a quem serve esse modelo de desenvolvimento?

A questão se agrava diante do escândalo recente envolvendo a J&F sobre transações financeiras suspeitas com parentes de parlamentares, reforçando preocupações sobre a influência de interesses privados em decisões públicas estratégicas.

Ainda que os casos sigam em apuração, eles reforçam um alerta já conhecido no Brasil: grandes projetos de infraestrutura frequentemente avançam em ambientes onde os limites entre interesse público e privado se tornam perigosamente difusos.

Transformar rios naturais em canais de navegação exige intervenções profundas com impactos irreversíveis. Em 2024, mais de 40 especialistas publicaram um artigo em um prestigiado jornal científico alertando sobre os impactos catastróficos da hidrovia, que seria, potencialmente, o fim do Pantanal.

De acordo com especialistas, as mudanças previstas no projeto alteram o funcionamento dos rios, encurtando e reduzindo as cheias sazonais, o pulso que regula a vida no Pantanal. Esse ciclo sustenta a reprodução de peixes, a fertilidade do solo e a diversidade de habitats.

Espécies migratórias e comunidades locais dependem diretamente dele. Alterá-lo não é apenas uma questão ambiental, mas também social e econômica.

Há ainda efeitos indiretos: cheias mais curtas favorecem o ressecamento precoce da vegetação, aumentando o risco de incêndios. A aceleração do fluxo da água a partir do aprofundamento do canal intensifica a erosão e o transporte de sedimentos, ampliando o assoreamento a montante do rio e exigindo intervenções contínuas.

Para o escoamento de minérios no Pantanal, a própria sociedade civil defende a existência de uma alternativa mais barata, com menor impacto ambiental e que atende a outros anseios sociais de mobilidade e impulsionamento do ecoturismo na região: a reativação da ferrovia e do famoso Trem do Pantanal.

No mês passado, o governo federal ouviu as vozes dos povos da Amazônia. No Pantanal, ainda não. Mas o debate ganha força.

Durante a COP15, pesquisadores, representantes da sociedade civil e comunidades foram ouvidos em audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, proposta pelo deputado Pedro Kemp, que atendeu aos anseios e pedidos da sociedade civil.

Durante a ocasião, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, recebeu uma carta assinada por mais de 150 organizações e pesquisadores solicitando a suspensão do projeto e demandando também participação social nos processos decisórios.

Ainda durante a COP15, representantes se reuniram com o vice-ministro, sr. João Paulo Capobianco, também para entrega formal da carta com a mesma demanda.

Decisões sobre infraestrutura não são neutras. Elas redesenham territórios, reorganizam economias e moldam o futuro. Em um bioma que já seca e queima em ritmo alarmante, nossos esforços e investimentos deveriam garantir a preservação e a recuperação do bioma.

A credibilidade dos compromissos feitos pelo governo brasileiro na COP15 e além será medida nas decisões concretas. Proteger os rios do Pantanal não é apenas uma questão local, é um teste direto de coerência entre discurso e ação.

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Qual o limite ético da inteligência artificial?

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma das forças mais transformadoras do século 21

20/06/2026 07h45

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Paulo Alexandre N. de Andrade Autor do livro de ficção científica “Cinzas do Futuro”, médico, pediatra e neonatologista

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma das forças mais transformadoras do século 21.

Em poucos anos, sistemas capazes de diagnosticar doenças, dirigir veículos, produzir textos, analisar mercados e auxiliar decisões complexas passaram a integrar o cotidiano.

O fascínio é compreensível, afinal, a humanidade jamais dispôs de ferramentas tão poderosas, mas, à medida que as máquinas se tornam mais capazes, cresce uma pergunta que não pode ser ignorada: existe um limite ético para a inteligência artificial?

A resposta mais prudente parece ser sim: a inteligência artificial, por mais impressionante que seja, não produz ética automaticamente.

Uma máquina pode processar bilhões de dados em segundos, identificar padrões invisíveis ao olhar humano e oferecer soluções extraordinárias.

No entanto, ela não conhece a experiência da dor, o peso da culpa, a sensação da perda ou o valor de um gesto de compaixão. Pode calcular consequências, mas não sente o impacto humano delas.

E essa diferença talvez seja mais importante do que parece. 

O maior risco não está necessariamente nas máquinas, mas nos objetivos que lhes são atribuídos. Toda tecnologia carrega, de forma explícita ou silenciosa, os valores de quem a desenvolve e controla.

Um sistema programado apenas para maximizar lucros pode ignorar pessoas; uma ferramenta criada para ampliar a segurança pode se transformar em instrumento de vigilância permanente; uma inteligência artificial encarregada de atingir metas sem restrições morais pode produzir resultados eficientes e, ao mesmo tempo, profundamente injustos.

A história oferece inúmeros alertas. O progresso científico ampliou o poder humano de maneira extraordinária, mas nem sempre foi acompanhado pela mesma evolução ética.

A capacidade de fazer algo nunca significou, automaticamente, que aquilo deveria ser feito. Com a inteligência artificial, essa velha lição retorna com força renovada.

Pela primeira vez, a humanidade cria sistemas capazes de influenciar decisões em escala global, afetando economias, governos e milhões de vidas simultaneamente. 

Por isso, torna-se indispensável estabelecer princípios de transparência, responsabilidade e controle.

Não é razoável aceitar que decisões capazes de moldar destinos humanos sejam tomadas por algoritmos incompreensíveis ou protegidos do escrutínio público.

No fim, o debate não trata apenas de tecnologia. Trata da própria condição humana. A pergunta decisiva não é o que as máquinas serão capazes de fazer, mas o que nós permitiremos que elas façam.

O verdadeiro limite ético da inteligência artificial não está na potência dos algoritmos, mas na sabedoria de seus criadores.

O futuro será definido menos pela inteligência das máquinas do que pela capacidade humana de preservar valores como dignidade, liberdade, justiça e compaixão.

Porque uma civilização pode sobreviver à falta de tecnologia. Ao que ela dificilmente sobrevive é à ausência de consciência ética.

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A Copa do Mundo e a cultura

Quando citamos a cultura em um torneio de futebol tão importante, queremos demonstrar que não apenas nossos estudantes, mas também a população em geral

20/06/2026 07h30

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Com toda certeza, a Copa do Mundo de futebol é um evento que envolve não apenas a paixão das multidões pelo esporte, mas também milhões de torcedores e turistas de todo o planeta. Temos que reconhecer que, a partir do ano de 1958, quando a seleção brasileira venceu pela primeira vez o torneio mais importante do futebol mundial, esse esporte passou a ter a importância que hoje ostenta, com a movimentação de bilhões de dólares para sua organização.

Quando citamos a cultura em um torneio de futebol tão importante, queremos demonstrar que não apenas nossos estudantes, mas também a população em geral, acabam enriquecendo seus conhecimentos em diversas áreas do desenvolvimento humano.

No setor demográfico, por exemplo, uma música que caiu no gosto da torcida brasileira no ano de 1970, enaltecendo nossa seleção, registrava em sua estrofe inicial: “90 milhões em ação, pra frente Brasil...”. Hoje, no ano de 2026, contamos com mais de 200 milhões de habitantes.
Percebe-se, por meio dessa música, o tamanho do crescimento populacional do País.

Trata-se de um dado desconhecido por muitos brasileiros e que enriquece o conhecimento de nossos estudantes no campo da estatística.

O Brasil detém hoje o título de pentacampeão mundial de futebol, e tal fato aguça a inspiração de nossos compositores musicais na criação de hinos e sambas, movimentando a indústria fonográfica no campo da economia e proporcionando o surgimento de novos talentos para a música popular brasileira.

Desconheço o autor da alcunha “Seleção Canarinho do Brasil”, mas ela caiu como uma luva para nossos craques da época, considerados verdadeiros artistas do futebol e que, a partir de então, levaram essa imagem aos cinco continentes do planeta com o toque de magia de Pelé, Nilton Santos e Didi.

Eles acabaram difundindo a prática desse esporte entre as nações mais pobres do mundo, que, ano após ano, têm revelado cada vez mais jovens atletas.

O Brasil ainda é um celeiro de craques, muitos deles exportados para os países do Primeiro Mundo.

Mas é no campo político que o futebol encontra um terreno fértil. Hoje temos ex-campeões mundiais ocupando diversos cargos eletivos pelo País, inclusive no Senado da República, além de ministros de Estado que já tiveram a oportunidade de ocupar importantes posições no centro do poder.

Desde os pequenos municípios brasileiros, candidatos a prefeito e vereador investem nas agremiações futebolísticas de suas cidades.

E, hoje, vislumbrando uma carreira que possibilite fama e fortuna, muitos pais levam seus filhos para aprender a arte do futebol

Existe, atualmente, uma imensa expectativa entre nós, brasileiros, de que possamos alcançar o título de hexacampeão mundial.

Para tanto, confiamos no esquema adotado pelo competente técnico, no desempenho de seus pupilos e, de nossa parte, nunca ficou de lado o slogan: “Temos que acreditar com muita fé que Deus é brasileiro”. Amém, amém. Vamos nos preparar psicologicamente para comemorar a vitória!

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