Artigos e Opinião

Artigo

Às portas do Judiciário transferência da responsabilidade sobre veículos

A legislação de trânsito impõe ao antigo proprietário a obrigação de ele proceder com a comunicação de venda do veículo

Continue lendo...

Entre as demandas que têm empanturrado o Judiciário, especialmente nas varas e nos juizados da Fazenda pública, estão os casos de cobranças de multas e de tributos, após a venda de veículos.

Nesse cenário, têm-se algumas variáveis que devem ser consideradas, para não se incorrer no risco de se formular uma conclusão genérica, pois tudo tende a impactar a relação do antigo ou do novo proprietário do bem com o Estado.

Em um primeiro momento, temos a situação mais comum, consistente naquela transação realizada entre comprador e vendedor, em que praticamente só se tem o céu por testemunha. Trata-se da velha situação, hoje inadmissível, em que se transfere a posse de um veículo, sem que se formalize, minimamente, a compra e venda. 

É a famosa situação do “dinheiro para cá, veículo para lá”, em que o interesse imediato do vendedor é o recebimento do valor, e o do comprador é o bem entregue.

Nessa hora, a pressa em fechar o negócio acaba deixando em segundo plano a diligência de se comunicar a venda ao órgão de trânsito, o que, embora não tenha o condão de invalidar o negócio celebrado entre as partes, é o motivo alegado para se responsabilizar o antigo dono. 

Essa conduta poderá tornar o sonho da compra e venda em um indesejável pesadelo, que se perpetuará por noites em claro.

A legislação de trânsito impõe ao antigo proprietário a obrigação de ele proceder com a comunicação de venda do veículo, ao órgão de trânsito, dentro do prazo de 30 dias. 

Essa exigência está disposta tanto no art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro, como na Resolução nº 398, de 13 de dezembro de 2011, do Contran.

Na prática, quem fecha o negócio está mais preocupado em seguir a vida, a partir dali, olvidando que a tradição de um bem veicular não se assemelha a de um objeto qualquer. 

No entanto, pode subsistir a responsabilidade solidária do vendedor pelas multas e demais encargos incidentes sobre o veículo, excetuando-se o IPVA, conforme entendimento assim sumulado (nº 385), pelo Superior Tribunal de Justiça: “A responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), não abrange o IPVA incidente sobre o veículo automotor, no que se refere ao período posterior à sua alienação”.

Afora esse caso mais comum que envolve responsabilidade tributária na compra e venda de veículo, existem situações em que, por força da própria legislação, não mais deve incidir a cobrança de IPVA, para veículos com mais de 20 anos de fabricação, conforme a novel redação da Emenda Constitucional nº 137, promulgada em dezembro de 2025.

Essa alteração constitucional uniformizou a legislação pertinente, que variava, conforme o estado da Federação.

Em outros casos, como quando a transação já se dera há remotos tempos, em que não eram exigíveis formalidades legais, não se torna mais razoável a incidência dos encargos tributários, seja porque o veículo se encontra formalmente como “frota desativada”, seja por estar em situação em que assim se presuma.

De toda forma, não vivemos mais naqueles saudosos tempos de nossos avós, em que a palavra de homem era cláusula pétrea, tampouco os negócios hoje celebrados geram efeitos intrínsecos e inofensivos às partes. 

Daí a importância de se formalizarem as transações de compra e venda, pois o veículo pode até morrer de velho, mas o seguro, como consagrado na experiência popular, não pode, nem deve morrer jamais.

Assine o Correio do Estado

Artigo

Qual o limite ético da inteligência artificial?

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma das forças mais transformadoras do século 21

20/06/2026 07h45

Continue Lendo...

Paulo Alexandre N. de Andrade Autor do livro de ficção científica “Cinzas do Futuro”, médico, pediatra e neonatologista

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma das forças mais transformadoras do século 21.

Em poucos anos, sistemas capazes de diagnosticar doenças, dirigir veículos, produzir textos, analisar mercados e auxiliar decisões complexas passaram a integrar o cotidiano.

O fascínio é compreensível, afinal, a humanidade jamais dispôs de ferramentas tão poderosas, mas, à medida que as máquinas se tornam mais capazes, cresce uma pergunta que não pode ser ignorada: existe um limite ético para a inteligência artificial?

A resposta mais prudente parece ser sim: a inteligência artificial, por mais impressionante que seja, não produz ética automaticamente.

Uma máquina pode processar bilhões de dados em segundos, identificar padrões invisíveis ao olhar humano e oferecer soluções extraordinárias.

No entanto, ela não conhece a experiência da dor, o peso da culpa, a sensação da perda ou o valor de um gesto de compaixão. Pode calcular consequências, mas não sente o impacto humano delas.

E essa diferença talvez seja mais importante do que parece. 

O maior risco não está necessariamente nas máquinas, mas nos objetivos que lhes são atribuídos. Toda tecnologia carrega, de forma explícita ou silenciosa, os valores de quem a desenvolve e controla.

Um sistema programado apenas para maximizar lucros pode ignorar pessoas; uma ferramenta criada para ampliar a segurança pode se transformar em instrumento de vigilância permanente; uma inteligência artificial encarregada de atingir metas sem restrições morais pode produzir resultados eficientes e, ao mesmo tempo, profundamente injustos.

A história oferece inúmeros alertas. O progresso científico ampliou o poder humano de maneira extraordinária, mas nem sempre foi acompanhado pela mesma evolução ética.

A capacidade de fazer algo nunca significou, automaticamente, que aquilo deveria ser feito. Com a inteligência artificial, essa velha lição retorna com força renovada.

Pela primeira vez, a humanidade cria sistemas capazes de influenciar decisões em escala global, afetando economias, governos e milhões de vidas simultaneamente. 

Por isso, torna-se indispensável estabelecer princípios de transparência, responsabilidade e controle.

Não é razoável aceitar que decisões capazes de moldar destinos humanos sejam tomadas por algoritmos incompreensíveis ou protegidos do escrutínio público.

No fim, o debate não trata apenas de tecnologia. Trata da própria condição humana. A pergunta decisiva não é o que as máquinas serão capazes de fazer, mas o que nós permitiremos que elas façam.

O verdadeiro limite ético da inteligência artificial não está na potência dos algoritmos, mas na sabedoria de seus criadores.

O futuro será definido menos pela inteligência das máquinas do que pela capacidade humana de preservar valores como dignidade, liberdade, justiça e compaixão.

Porque uma civilização pode sobreviver à falta de tecnologia. Ao que ela dificilmente sobrevive é à ausência de consciência ética.

Assine o Correio do Estado

Artigo

A Copa do Mundo e a cultura

Quando citamos a cultura em um torneio de futebol tão importante, queremos demonstrar que não apenas nossos estudantes, mas também a população em geral

20/06/2026 07h30

Continue Lendo...

Com toda certeza, a Copa do Mundo de futebol é um evento que envolve não apenas a paixão das multidões pelo esporte, mas também milhões de torcedores e turistas de todo o planeta. Temos que reconhecer que, a partir do ano de 1958, quando a seleção brasileira venceu pela primeira vez o torneio mais importante do futebol mundial, esse esporte passou a ter a importância que hoje ostenta, com a movimentação de bilhões de dólares para sua organização.

Quando citamos a cultura em um torneio de futebol tão importante, queremos demonstrar que não apenas nossos estudantes, mas também a população em geral, acabam enriquecendo seus conhecimentos em diversas áreas do desenvolvimento humano.

No setor demográfico, por exemplo, uma música que caiu no gosto da torcida brasileira no ano de 1970, enaltecendo nossa seleção, registrava em sua estrofe inicial: “90 milhões em ação, pra frente Brasil...”. Hoje, no ano de 2026, contamos com mais de 200 milhões de habitantes.
Percebe-se, por meio dessa música, o tamanho do crescimento populacional do País.

Trata-se de um dado desconhecido por muitos brasileiros e que enriquece o conhecimento de nossos estudantes no campo da estatística.

O Brasil detém hoje o título de pentacampeão mundial de futebol, e tal fato aguça a inspiração de nossos compositores musicais na criação de hinos e sambas, movimentando a indústria fonográfica no campo da economia e proporcionando o surgimento de novos talentos para a música popular brasileira.

Desconheço o autor da alcunha “Seleção Canarinho do Brasil”, mas ela caiu como uma luva para nossos craques da época, considerados verdadeiros artistas do futebol e que, a partir de então, levaram essa imagem aos cinco continentes do planeta com o toque de magia de Pelé, Nilton Santos e Didi.

Eles acabaram difundindo a prática desse esporte entre as nações mais pobres do mundo, que, ano após ano, têm revelado cada vez mais jovens atletas.

O Brasil ainda é um celeiro de craques, muitos deles exportados para os países do Primeiro Mundo.

Mas é no campo político que o futebol encontra um terreno fértil. Hoje temos ex-campeões mundiais ocupando diversos cargos eletivos pelo País, inclusive no Senado da República, além de ministros de Estado que já tiveram a oportunidade de ocupar importantes posições no centro do poder.

Desde os pequenos municípios brasileiros, candidatos a prefeito e vereador investem nas agremiações futebolísticas de suas cidades.

E, hoje, vislumbrando uma carreira que possibilite fama e fortuna, muitos pais levam seus filhos para aprender a arte do futebol

Existe, atualmente, uma imensa expectativa entre nós, brasileiros, de que possamos alcançar o título de hexacampeão mundial.

Para tanto, confiamos no esquema adotado pelo competente técnico, no desempenho de seus pupilos e, de nossa parte, nunca ficou de lado o slogan: “Temos que acreditar com muita fé que Deus é brasileiro”. Amém, amém. Vamos nos preparar psicologicamente para comemorar a vitória!

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).