Artigos e Opinião

ARTIGO

Benedito Rodrigues da Costa: "A crise econômica e o endividamento do povo"

Economista

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Por definição estabelecida, a Economia é a ciência que estuda os processos de produção, intercâmbio e consumo de bens e serviços. Uma crise, no que lhe diz respeito, é uma mudança brusca ou uma situação de escassez (desemprego, por exemplo); isto quer dizer que uma crise econômica faz referência a um período de escassez a nível da produção, da comercialização e do consumo de produtos e serviços.

É fácil concluir que a escassez de recursos financeiros, oriundos da crise econômica, tem como consequência um travamento das atividades capaz de imobilizar, pelo efeito em cadeia, todas as fontes de produção, de distribuição e de consumo. Quer um exemplo? A greve dos caminhoneiros há pouco mais de um ano provocou uma paralisia no País cujos reflexos são sentidos até os dias atuais. Eis que a interrupção da produção provocou de imediato uma drástica redução no consumo.

A economia brasileira já se apresentava combalida naquela oportunidade, e bastou o impacto das ações dos caminhoneiros em greve para que uma nova situação resultasse num desarranjo nas estruturas permanentes que servem de controle para a segurança mínima dos meios de escoamento das produções, tanto para o País como para as exportações. Trata-se de um golpe tão potente que os gestores públicos financeiros se tornaram impotentes para solucionar tão grave problema.

Nunca é demais recordar que há pouco mais de uma década, os Estados Unidos, nação mais poderosa do planeta, enfrentaram uma situação muito grave em sua economia interna que afetou duramente a população, com milhares de famílias que, desempregadas e sem poder pagar as prestações dos imóveis financiados, passaram a morar em praças e jardins, muito embora a inflação estivesse sob controle. O presidente Barak Obama passou toda a primeira parte do seu mandato procurando uma solução que pudesse proporcionar ao povo um restabelecimento da situação.

Em nosso país, a situação parece um pouco mais agravada pelo alto nível do desemprego e em um aparente controle da inflação, porém, com altas frequentes nos preços dos derivados do petróleo, que, de maneira automática, empurram os preços dos produtos e serviços para cima, inibindo o consumo e mascarando os índices financeiros. É preocupante o fato de que, a cada quinze dias, é anunciado o aumento do nível dos brasileiros, hoje situado na faixa de 65% – isso é sufocante e inadmissível. Sem poder consumir, em razão de restrição impostas pelos órgãos controladores de crédito, a tendência é de piora na situação do povo.

A equipe econômica do governo federal deveria voltar atenção para essa difícil situação da população, encontrando uma maneira humanizada para permitir a liberação dos CPFs dos brasileiros encalacrados pelo endividamento provocado pela imoral taxa de juros cobrados pelos bancos e financeiras, que lhes proporcionam lucros absurdos, e, na outra ponta, o empobrecimento dos brasileiros.

EDITORIAL

Segurança não pode ser negligenciada

Ignorar essa realidade é abrir brechas perigosas. E, quando se trata de criminosos de alta periculosidade, qualquer brecha pode custar caro demais à sociedade

11/03/2026 07h15

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A notícia publicada hoje pelo Correio do Estado, revelando que o presídio federal de Campo Grande – unidade que abriga alguns dos criminosos mais perigosos do País, incluindo chefões do Comando Vermelho e figuras ligadas ao jogo do bicho – opera com equipe reduzida, deve acender um sinal de alerta nas autoridades.

Não se trata de um detalhe administrativo, mas de um tema sensível, diretamente ligado à segurança pública e à própria credibilidade do Sistema de Justiça brasileiro.

Os presídios federais foram concebidos justamente para isolar lideranças do crime organizado e impedir que continuem a comandar atividades ilícitas de dentro das cadeias.

São estruturas de segurança máxima, com rígidos protocolos e um modelo de funcionamento que, ao longo dos anos, conquistou reconhecimento por sua eficiência. De fato, o Sistema Penitenciário Federal é considerado um dos mais seguros do hemisfério sul.

Mas nenhum sistema, por mais robusto que seja, pode prescindir de pessoal suficiente e de investimentos constantes. Segurança de alto nível exige vigilância permanente, profissionais capacitados e estrutura adequada.

Trabalhar com equipe reduzida em um presídio desse porte não é apenas inadequado: é um risco que não deveria sequer ser cogitado.

A situação expõe, mais uma vez, uma falha recorrente na forma como o poder público trata a segurança pública. E aqui não se fala apenas do Executivo federal.

O Congresso Nacional, que todos os anos destina milhões de reais em emendas parlamentares para as mais diversas finalidades, também precisa compreender que essa área exige prioridade absoluta. Não pode faltar dinheiro – e muito menos pessoal – para uma unidade penitenciária federal.

Outro ponto que merece atenção é a conclusão da muralha prevista no projeto do presídio federal de Campo Grande. A obra, planejada justamente para reforçar a proteção do complexo, não pode se arrastar indefinidamente. O Ministério da Justiça deve tratar o tema com a urgência que ele exige.

É importante reconhecer que o modelo brasileiro de presídios federais já demonstrou ser eficaz. Contudo, isso não significa que ele deva permanecer estático.

Pelo contrário: sistemas de segurança precisam ser permanentemente aprimorados para acompanhar a evolução das ameaças e das estratégias do crime organizado. Um presídio federal pode ser seguro – mas sempre pode, e deve, tornar-se ainda mais seguro e impenetrável.

Já dissemos anteriormente neste espaço que investir em presídios não costuma render dividendos eleitorais. Não é uma obra vistosa, não gera inaugurações festivas nem discursos empolgados. Ainda assim, trata-se de um dos investimentos mais importantes para a segurança pública e para a correta aplicação da Justiça.

Ignorar essa realidade é abrir brechas perigosas. E, quando se trata de criminosos de alta periculosidade, qualquer brecha pode custar caro demais à sociedade.

ARTIGOS

Por que o Brasil afasta a inovação farmacêutica?

No Brasil, dados não contam com um prazo claro de proteção legal quando se trata de medicamentos de uso humano

10/03/2026 07h45

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Quando um novo medicamento chega à farmácia, raramente o consumidor percebe o caminho percorrido até ali. Antes de um comprimido ser vendido, ele passa por anos de pesquisa, testes laboratoriais, estudos em animais e ensaios clínicos em seres humanos para comprovar segurança e eficácia.

Esse processo pode levar mais de uma década e custar bilhões de dólares. Todo esse esforço gera um conjunto valioso de informações técnicas, conhecido como dossiê de testes, que precisa ser obrigatoriamente entregue à autoridade sanitária para que o produto seja aprovado.

O problema é que, no Brasil, esses dados não contam com um prazo claro de proteção legal quando se trata de medicamentos de uso humano.

Na prática, isso permite que medicamentos genéricos e similares sejam aprovados com base nos testes realizados pelo inovador, sem que o responsável pelo investimento tenha qualquer controle ou compensação por esse uso.

Ou seja, quem assume o risco e o custo da inovação acaba financiando, involuntariamente, seus concorrentes.

Essa lacuna regulatória acaba por criar um ambiente persistente de insegurança jurídica, no qual empresas passam a reavaliar seus investimentos em estudos que promovam novas descobertas no País.

Pesquisadores veem enfraquecerem-se os incentivos à inovação, e o Brasil, como consequência, deixa de atrair projetos voltados ao desenvolvimento de medicamentos mais avançados.

Trata-se de um risco que não se limita à dimensão econômica, pois, na ausência de estímulos adequados à inovação, o acesso a novos tratamentos tende a ocorrer de forma mais lenta, o que reduz, no médio e longo prazo, as opções terapêuticas efetivamente disponíveis à população.

Curiosamente, o Brasil já protege esse tipo de dado em outros setores, como medicamentos veterinários e agrotóxicos, e a maioria dos países desenvolvidos adota prazos claros de exclusividade regulatória sem impedir a entrada de genéricos.

A pergunta que fica é simples e incômoda: até quando o País vai aceitar perder investimentos, inovação e competitividade por não enfrentar um problema regulatório que o resto do mundo já resolveu?

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