Artigos e Opinião

RISCO

Bombeiros dão 90 dias para Santa Casa se regularizar

Apesar de o hospital anunciar ter recebido alvará do Corpo de Bombeiros, documento só é válido por 90 dias; unidade ainda precisa passar por novas vistorias técnicas

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Após a divulgação por parte da Santa Casa de Campo Grande – o maior hospital de Mato Grosso do Sul – de que a unidade havia recebido, no dia 9 deste mês, o certificado de Alvará de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), a insegurança por parte do corpo médico e de demais funcionários do hospital continua. Isto porque os trabalhadores apontam falhas que poderiam ser prejudiciais em caso de acidentes e incêndios no prédio. 

De acordo com informações apuradas pelo Correio do Estado, a Santa Casa não tem rampas entre os andares, o que poderia impossibilitar, em caso de incêndio, a retirada dos pacientes que precisam continuar em macas, já que o uso dos elevadores, nesses casos, não é recomendado.

Outro problema grave apontado é que as portas corta-fogo, usadas para impedir que incêndios avancem ou que a fumaça se alastre para outros cômodos, ficam constantemente abertas. “No corredor central as portas ficam. Será que conseguiram a licença mesmo?”, questionou o funcionário, que disse não ter visto mudanças estruturais dentro do hospital. 

Além disso, ele informou que o medo e a insegurança são constantes, principalmente depois da tragédia do Hospital Badim, no Rio de Janeiro, que matou 19 pessoas, em sua maioria, idosos. O incêndio aconteceu no dia 12 de setembro e começou com um curto-circuito no gerador, que ficava no subsolo da unidade. A fumaça se espalhou rápido nos andares superiores e os pacientes tiveram de ser retirados às pressas do local. 

A Santa Casa tem dois andares no subsolo, térreo e mais seis andares superiores. Em nota divulgada no dia 14 e editada no dia seguinte, a unidade diz que o hospital conta “com uma norma técnica (01/2017, item 6.5.9) que define medidas básicas de segurança como 220 extintores espalhados estrategicamente no edifício, iluminação e sinalização de emergência, alarme de incêndio instalado, quadro de brigadistas formados em maio de 2019 e ainda terá novas turmas com formação prevista para o fim de outubro; além disso, há 72 hidrantes espalhados nas dependências, saídas de emergência, instalações elétricas, selagem de shafts (medida de segurança corta-fogo) com espuma expansiva específica com capacidade de resistência ao fogo de 120 minutos e dutos de instalações para edificações, em conformidade com as normas e alinhadas com todas as exigências solicitadas pelo Corpo de Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) em reuniões específicas”. 

Porém, conforme informações do Corpo de Bombeiros, o certificado é temporário e tem o prazo de 90 dias, ou seja, válido até janeiro, enquanto o projeto para o certificado anual está em análise. O hospital passou por uma vistoria neste mês e, após o término do material periciado, será realizada uma nova vistoria no local para fins de confirmação. Caso seja aprovada, a unidade recebe o certificado anual, senão, será notificada para a regularização do hospital de acordo com o que está previsto nas normas vigentes. 

Desde 2013, a corporação alerta o hospital sobre as irregularidades, quando foi apontada a necessidade de implantação de medidas de segurança e sistema preventivo de combate a incêndio, pânico e outros riscos, além do certificado de vistoria da corporação para o funcionamento do local.

Prova da necessidade de alvará são os constantes casos que poderiam resultar em tragédia. Em julho de 2017, um princípio de incêndio que ocorreu em uma sala de descanso da equipe – no terceiro andar do prédio, no setor da maternidade – mobilizou funcionários e acompanhantes. Em fevereiro deste ano, outro princípio de incêndio assustou pacientes do Prontomed, que atende usuários de planos de saúde. Na época, os bombeiros autuaram na unidade.

Desde 2013, o Estado tem código de segurança contra incêndio, pânico e outros riscos que delimita todas as obrigações em prédios, instalações e áreas de risco.

HOSPITAL NÃO TEM ALVARÁ DEFINITIVO

A Santa Casa está há mais de seis anos sem alvará, conforme noticiado pelo Correio do Estado em fevereiro deste ano. A única estrutura dentro do complexo hospitalar que tem liberação é a Unidade de Trauma, inaugurada em março de 2018 e que passou a receber pacientes em setembro do ano passado, mas que ainda não opera com capacidade total.

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Violência contra a mulher e o mito do bom pai agressivo

Um homem já condenado por violência psicológica e perseguição contra a mãe de uma criança agora será denunciado por estupro da própria filha, uma menina de apenas cinco anos

13/06/2026 09h00

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Esta semana recebi a confirmação mais dolorosa de uma reflexão que há muito tempo me acompanha: “um homem que não respeita a mãe de seus filhos dificilmente pode ser considerado um pai seguro”.

Um homem já condenado por violência psicológica e perseguição contra a mãe de uma criança agora será denunciado por estupro da própria filha, uma menina de apenas cinco anos. Como mulher e advogada, a notícia me atravessou profundamente.

Quando atuei no caso de violência doméstica, concentrei meus esforços na proteção da mulher. Lembro com nitidez de uma pergunta que fiz à mãe. Quis saber se ela acreditava que aquele homem seria capaz de fazer algum mal à filha. A resposta foi negativa. Ela acreditava que apesar da violência psicológica que sofria ele não faria mal a criança. Durante décadas, a sociedade construiu a ideia de que um homem pode ser um companheiro abusivo e, ao mesmo tempo, um pai adequado. Criou-se uma espécie de compartimentalização moral que separa a violência praticada contra a mulher da relação mantida com os filhos.

Hoje penso diferente. Quem humilha, controla, ameaça e viola a dignidade de uma mulher já demonstra desprezo pelos limites e pela integridade do outro. E uma criança é ainda mais vulnerável.

A violência doméstica não pode ser tratada como um problema restrito ao casal. Ela deve ser vista como um sinal de risco para toda a família. Filhos que convivem com agressores precisam estar no centro da análise das autoridades e do sistema de proteção.

A experiência mostra que muitas tragédias não surgem do nada. Elas são precedidas por sinais. Comportamentos abusivos, perseguições, ameaças e agressões emocionais costumam ser vistos como episódios isolados quando, na realidade, podem integrar uma escalada de violência muito mais ampla.

Nem todo agressor de mulheres cometerá violência contra os filhos. Mas ignorar os sinais que a violência doméstica revela pode ter consequências irreparáveis. A proteção das crianças exige que deixemos de separar, de forma automática, o homem violento do pai que ele afirma ser.

Precisamos urgentemente rever a forma como as instituições enxergam a violência doméstica. A violência contra a mulher não pode ser tratada como um conflito isolado do ambiente familiar. Ela é um alerta de risco para todos ao redor, especialmente para os filhos.

Essa reflexão é dura. Mas necessária.

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Porto Esperança tem petróleo

As composições de cargas e passageiros tinham nesse distrito a sua parada, e os passageiros com destino a Corumbá, bem como as cargas, seguiam pelo Rio Paraguai, por meio de navios que faziam a linha regularmente

13/06/2026 08h30

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Porto Esperança é um distrito do município de Corumbá e foi durante alguns anos o ponto final da linha ferroviária Noroeste do Brasil. Isso porque a ponte ferroviária ainda não estava concluída. As composições de cargas e passageiros tinham nesse distrito a sua parada, e os passageiros com destino a Corumbá, bem como as cargas, seguiam pelo Rio Paraguai, por meio de navios que faziam a linha regularmente. Com isso, o distrito era dotado de toda a infraestrutura necessária para esse transbordo.

Havia um destacamento do Exército, uma Capitania dos Portos comandada pela Marinha de Guerra, agência dos Correios, Mesa de Rendas (atualmente posto da Secretaria de Fazenda), escritório da empresa marítima estatal Bacia do Prata, posto policial e um serviço de telégrafos da NOB que atendia também a população. Havia ainda duas escolas de primeiro grau (até a 3ª série primária), uma pista de aviação para pequenas aeronaves, além de dois armazéns de secos e molhados. Não poderia faltar a Igreja Católica, cujo padre se deslocava de Miranda para rezar a missa de domingo.

Como ponto final da Ferrovia Noroeste do Brasil, e para dar continuidade ao transporte das cargas até o destino final, eram necessários os profissionais denominados estivadores, que trabalhavam em turnos de seis horas, fazendo com que o distrito tivesse uma movimentação ininterrupta durante as 24 horas do dia. O mesmo ocorria com os manobristas das composições da NOB. Os moradores eram acostumados com o apito das máquinas e os ruídos de engates e desengates dos vagões.

Porém, algo chamava a atenção de quem ali vivia ou transitava: uma torre metálica de cerca de cinco ou seis metros de altura. Poucos sabiam explicar para que servia, porém as pessoas mais antigas afirmavam que se tratava de uma torre para exploração de petróleo, erguida naquele local no início da década de 1940 por uma empresa norte-americana, que, após a perfuração do poço, constatou a presença de um líquido de cor escura que possivelmente seria petróleo.

Infelizmente, eclodiu a Segunda Guerra Mundial e o poço foi lacrado por uma camada de concreto. Os funcionários, técnicos e engenheiros americanos foram embora.

Os moradores aproveitavam o líquido que vazava e o utilizavam em suas lamparinas, pois ali não havia luz elétrica. Sabe-se que houve tentativas de uma empresa nacional de dar continuidade à pesquisa. Uma delas foi liderada por Monteiro Lobato, que chegou a instalar um escritório em Corumbá, em cuja fachada havia uma placa com os seguintes dizeres: Companhia Matogrossense de Petróleo.

Porém, ele tentou por todos os meios obter licença do Senado para levar a cabo seu intento, sendo vencido por um fortíssimo lobby em favor da empresa norte-americana.

Posteriormente, já como Mato Grosso do Sul, um estudo realizado pela Petrobras via satélite veio confirmar a presença do ouro negro não apenas em Porto Esperança, mas também em municípios do Bolsão e, pasmem, no município de Campo Grande.

Está na hora de nossas autoridades mexerem os pauzinhos e, quem sabe, acreditando que eleições fazem milagres, poderemos transformar Porto Esperança em um polo industrial de petróleo.

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