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Cassems 25 anos: o modelo de autogestão que mudou a geografia da saúde em MS

Criada a partir da mobilização direta dos servidores públicos, a operadora evoluiu de um projeto coletivo para um dos pilares da medicina regional

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Ao completar 25 anos em 2026, a Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems) é reconhecida por ser a força propulsora de uma revolução que transformou o mapa assistencial do Estado.

Criada a partir da mobilização direta dos servidores públicos, a operadora evoluiu de um projeto coletivo para um dos pilares da medicina regional, detendo hoje 10 hospitais próprios e quase 30% dos leitos de UTI do Estado.

O diferencial do modelo reside na autogestão, afinal, é uma operadora administrada pelos próprios beneficiários e dedicada estritamente às demandas de quem a utiliza.

Ao longo dessas duas décadas e meia, essa governança permitiu a expansão estratégica, levando infraestrutura de ponta para além de Campo Grande e equilibrando o sistema estadual, ao reduzir gargalos no atendimento médico.

No interior, por exemplo, a estratégia de descentralização da alta complexidade tem salvado vidas ao evitar deslocamentos exaustivos, já que o Estado tem municípios a mais de 450 km de distância da Capital.

Os Hospitais Cassems em Dourados, Corumbá, Três Lagoas e Ponta Porã oferecem suporte intensivo que antes era restrito a grandes centros. Um marco dessa interiorização é a UTI neonatal de Três Lagoas, a primeira da rede hospitalar na região da Costa Leste, que já assistiu 864 recém-nascidos desde sua abertura.

O pioneirismo tecnológico também alcança o centro cirúrgico dos nossos hospitais. Após realizar 256 procedimentos cirúrgicos robóticos em 2025, neste ano, o Hospital Cassems de Campo Grande deu um passo histórico com a implementação da telecirurgia robótica, somando 42 intervenções pioneiras no primeiro bimestre do ano.

Em paralelo, a Cassems mantém exclusividades estratégicas no Estado, como o único serviço habilitado para transplante de medula óssea, com 15 procedimentos realizados em quatro anos, e a única estrutura da rede privada apta a realizar cirurgias cardíacas pediátricas de alta complexidade em Mato Grosso do Sul.

Antes mesmo de se tornar uma prioridade para operadoras de planos de saúde no Brasil que estão investindo na criação de clínicas próprias especializadas no tratamento do transtorno do espectro autista (TEA), conforme abordou o jornal O Globo, a Cassems expandiu seu olhar para o cuidado multidisciplinar.

O Espaço Somos Cassems – TEA, dedicado ao transtorno do espectro autista, iniciou suas atividades em Campo Grande e Dourados. Juntas, as unidades já ultrapassaram a marca de 40 mil atendimentos, tornando-se referência em neurodivergência no Centro-Oeste.

Se os primeiros 25 anos foram marcados pela construção de uma rede hospitalar sólida e pela interiorização da assistência, os desafios que se desenham para as próximas décadas exigem uma nova camada de planejamento estratégico.

O crescente envelhecimento da população, o aumento da incidência de doenças crônicas e o crescimento da demanda por cuidados especializados pressionam muito os custos do sistema de saúde.

Nesse contexto, a sustentabilidade do modelo passa cada vez mais pela repactuação do modelo de contribuição, ampliação de políticas de prevenção, diagnóstico precoce e promoção da saúde.

O avanço de doenças como o câncer, inclusive entre os mais jovens, e a crescente demanda por acompanhamento multidisciplinar em áreas como neurodivergência reforçam a necessidade de um sistema cada vez mais integrado, tecnológico e orientado ao cuidado contínuo.

Para a Cassems, o futuro da assistência em Mato Grosso do Sul passa pela consolidação de uma gestão profissionalizada, capaz de equilibrar inovação tecnológica, eficiência administrativa e compromisso humano com os beneficiários.

Mais do que manter a estrutura construída ao longo das últimas décadas, o desafio agora é seguir expandindo o acesso, antecipando demandas e fortalecendo um modelo que colocou o Estado no mapa da saúde de alta complexidade no Centro-Oeste.

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IA: quem controla os controladores?

Algoritmos determinam o que vemos nas redes sociais, quais notícias chegam até nós, que músicas ouvimos e até mesmo quando alguém solicita um carro por aplicativo

09/03/2026 07h45

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Durante décadas, o conceito de inteligência artificial (IA) foi tratado como ficção e permeava nossa sociedade sob o prisma do imaginário. Hoje, em um salto de 4 anos, ela está silenciosamente incorporada ao cotidiano de toda a humanidade.

Algoritmos determinam o que vemos nas redes sociais, quais notícias chegam até nós, que músicas ouvimos e até mesmo quando alguém solicita um carro por aplicativo; o algoritmo decide com base em probabilidade de aceitação, tempo estimado e histórico de desempenho.

Eles não possuem consciência, mas possuem algo igualmente útil e poderoso: a capacidade analítica de prever o nosso comportamento.

Quando abrimos as redes sociais, não estamos navegando em um espaço neutro, estamos atravessando um filtro algorítmico que prioriza conteúdos com maior probabilidade de manter nossa atenção na tela. O que é apresentado como uma grande vantagem, carrega um efeito social mais complexo do que parece.

O algoritmo aprende nossas preferências, muitas das quais estão relacionadas ao nosso perfil psicológico e biológico. Nesse campo estão as nossas inclinações políticas, nossos problemas de saúde e fragilidades emocionais. Toda essa espiral de informações passa a reforçar padrões.

No mercado global, sistemas de IA já participam de decisões financeiras. Plataformas como a Amazon ajustam preços dinamicamente conforme demanda, localização e perfil de consumo.

Em 2018, no campo político, veio à tona o caso da Cambridge Analytica, que utilizou dados do Facebook para influenciar campanhas políticas, evidenciando como informações coletadas por meio das redes sociais podem ser usadas para segmentar mensagens eleitorais. O dado se tornou insumo de estratégia e micro direcionamento de massas.

Outro exemplo são as chamadas Big Techs, que concentram a capacidade de processamento e armazenamento de dados. Empresas como Meta, Google, Amazon e Microsoft monopolizam a controladoria de serviços essenciais: busca, nuvem, comunicação, armazenamento e publicidade.

A inteligência artificial é absoluta no gerenciamento em larga escala: quanto mais preciso, maior a vantagem competitiva. A discussão atual não é sobre máquinas conscientes dominando o mundo. É sobre sistemas automatizados influenciando decisões humanas globalmente.

E a grande reflexão que fica é: quem faz a regulação desses sistemas? Como proteger a privacidade e a autonomia individual? As leis referentes à IA que já vemos implementadas na União Europeia são suficientes?

O futuro aponta para sistemas cada vez mais integrados à estrutura social e eficientes, porém, invisíveis e difíceis de auditar. A tecnologia seguirá evoluindo e essa vigilância velada se enraizando cada vez mais nos dispositivos do dia a dia.

Vivemos um momento histórico em que a inteligência artificial não é mais hipótese distante e aqueles que detêm os dados, detêm capacidade de influenciar, modelar e definir o comportamento coletivo. A pergunta não é se a IA controla. A pergunta é: quem controla a IA? E, sobretudo, quem controla os controladores?

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Os supersalários e seus penduricalhos

O teto atual, fixado pela Constituição, é de pouco mais de R$ 46 mil, enquanto o piso, correspondente a um salário-mínimo para este ano, é de R$ 1,6 mil

09/03/2026 07h30

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Não é de hoje que esse assunto está na mesa de discussão. Aliás, foi devidamente disciplinado no teor da Constituição de 1988, cujas Disposições Transitórias, no art. 17, assim explicitam a questão:

“Art. 17 – Os vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título”.

Veja você, leitor. As letras da lei maior abrangem tudo: remuneração, vantagens, adicionais. Só não querem entender. Falta definir o que pode ser considerado supersalário. Isso depende do grau de correlação entre a menor remuneração e a máxima, no âmbito do serviço público, em todas as esferas de poder.

Suponhamos que o piso salarial seja de, pelo menos, um salário-mínimo e o teto de vinte vezes esse valor.

Evidentemente, nas diferentes funções seria estabelecida uma escala de níveis, respeitados os dois limites. E, naturalmente, ninguém pode receber além do máximo que, no Brasil, corresponde ao subsídio do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

É indecente e imoral que a diferença entre o menor e o maior salário no serviço público seja, como constatou pesquisa realizada há algum tempo pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 187 vezes.

O teto atual, fixado pela Constituição, é de pouco mais de R$ 46 mil, enquanto o piso, correspondente a um salário-mínimo para este ano, é de R$ 1.621,00.

Aqui já se constata a primeira anomalia: o teto ultrapassa em mais de 28 vezes o valor menor. Portanto, uma primeira conclusão se impõe: ou o salário-mínimo é minimorum, ou o teto já se pode considerar supersalário.

Ocorre que o teto não tem sido respeitado! Aliás, o teto tem sido deliberadamente violado, a fim de que o comando tão claramente exposto no artigo acima transcrito seja considerado letra morta.

A regra é clara, como diz aquele comentarista esportivo: não pode haver percepção de excesso a qualquer título: remuneração, vantagem ou adicional.

Portanto, podem criar diversas denominações para os tais “penduricalhos”. Por exemplo, um elemento bem antigo e conhecido: o adicional por tempo de serviço.

De novo, ninguém pode ignorar a regra. A soma do subsídio e do adicional de tempo de serviço não pode ultrapassar o teto constitucional, equivalente ao subsídio do ministro do STF. O mesmo se aplica a qualquer outro “penduricalho” que a inventiva humana conceba.

O teto é um limitador objetivo. Ninguém deve levar para casa quantia superior àquela claramente fixada. Ora, quem por primeiro deveria diligenciar para o cumprimento da Constituição seria, naturalmente, o Poder Judiciário. É o que intenta fazer, presentemente, o ministro Flávio Dino.

Mas todos sabem que os diferentes níveis de poder tudo farão para ignorar o comando constitucional e afrontar o teto. Criam, então, certa expressão genérica: indenizações; ou, como popularmente também são chamadas tais verbas: atrasados. Deixaram de pagar algum valor devido a alguém e, agora, é necessário efetuar o acerto.

Por que não se observa, então, o roteiro ao qual se sujeitam os segurados do Regime Geral de Previdência Social? São as chamadas Requisições de Pequeno Valor (RPVs). Tudo o mais deve seguir o rito normal dos débitos: o precatório.

Quem deveria fiscalizar as irregularidades, porém, fica em silêncio. É o caso dos tribunais de contas em todos os níveis de Governo. Por quê? Porque eles mesmos pagam além do teto. Estamos diante daquela velha questão que já se fazia Juvenal em uma das suas sátiras: quem fiscaliza os fiscais?

A resposta, no Estado de Direito, é elementar. O fiscal é o povo que, constatando tanta desordem, tem o poder de mudar os governantes pela via democrática do voto. A burla ao comando constitucional ressalta à evidência. Estamos diante de uma oportunidade única, criada pelos processos que serão julgados em breve.

Oxalá magistrados e governantes estejam a fim de cumprir a Constituição.

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