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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial deste sábado (23): "Prevenir é sempre melhor"

Confira o editorial deste sábado (23): "Prevenir é sempre melhor"

Redação

24/08/2019 - 03h00
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Ao dar preferência à repressão em detrimento da prevenção e da ostensividade, a Polícia Militar e outras forças com o mesmo dever assumem ônus de chegarem atrasadas sempre

Nesta semana, a população do Jardim Carioca, em Campo Grande, reviveu alguns dias similares aos de décadas passadas, em se tratando de segurança pública. Nos últimos quatro dias, a sensação de liberdade dos criminosos no bairro certamente aumentou. Mas o trabalho de policiamento ostensivo e preventivo nesta região da cidade não foi espontâneo ou planejado pela Polícia Militar.

As rondas constantes, que ocorrem desde terça-feira (20), foram motivadas por três ataques seguidos. No último deles, uma idosa foi covardemente esfaqueada e, felizmente e milagrosamente, sobreviveu ao atentado. A população do bairro, como era de se esperar, ficou com medo, muito medo.

A Polícia Civil prometeu investigar o agressor, que aparentemente age em série, enquanto a Polícia Militar começou a fazer no bairro o que deveria ser feito todos os dias: o policiamento ostensivo e preventivo. Tudo isso só ocorreu, porém, depois que a imprensa foi ao local, este veículo de comunicação inclusive, para ouvir a população e verificar de perto a situação.

O caso do Jardim Carioca, que por uma coincidência infeliz traz à tona a realidade de insegurança similar à da cidade que dá origem ao bairro, o Rio de Janeiro, também denota uma triste mudança de perfil da Polícia Militar. A instituição, que tem por dever de ofício atuar de forma preventiva, ostensiva e repressiva, infelizmente abandonou a primeira, atua muito raramente na segunda e concentrou seu foco na terceira.

O leitor que tiver menos de 30 anos de idade pode perguntar a algum amigo ou familiar mais experiente se antigamente havia mais policiais nas ruas e se a abordagem era mais amigável. Todos eles dirão que sim.

Nos dias atuais, os poucos policiais que ainda estão nas ruas – vale ressaltar que os quartéis, batalhões e repartições públicas estão cheios – dão preferência à atuação repressiva. Enquanto as rondas são reduzidas, os confrontos com quem pratica os crimes aumentam. E esses confrontos ocorrem não somente por única e exclusiva iniciativa dos criminosos. Se houvesse prevenção e repressão, certamente muitos roubos – que terminam de forma violenta, seja para bandidos, seja para as vítimas ou para os próprios policiais – nem ocorreriam.

Ao dar preferência à repressão em detrimento da prevenção e da ostensividade, a Polícia Militar e outras forças com o mesmo dever assumem ônus de chegarem atrasadas sempre. Nossos avós já diziam que prevenir é melhor do que remediar. Além disso, quem chega atrasado pode cometer injustiças mais facilmente ou não fazer o trabalho com perfeição. Ações planejadas em segurança são sempre mais seguras, mais eficientes e menos violentas. Há menos efeitos colaterais aos que cumprem a lei.

Já citamos aqui um pouco da sabedoria dos nossos antepassados. Talvez fosse o momento de os policiais perguntarem aos seus veteranos como era o contato com a comunidade nos tempos de outrora. Certamente, eles falarão que não existia o clima beligerante, em que o cidadão é tratado com mais desconfiança do que confiança, como é hoje em dia.

Editorial

O "mundo perfeito" da estatal MSGás

É curioso que uma empresa controlada pelo governo do Estado, um ente que enfrenta dificuldades de caixa, esbanje mordomias e altos salários com sua cúpula

12/05/2026 07h15

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Fundada em 1988, a MSGás é, sem dúvida, uma empresa importante para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Só que ela precisa dar passos mais largos, ser mais abrangente, para cumprir o propósito estabelecido à época de sua fundação.

Atualmente, a MSGás, uma das empresas estatais de Mato Grosso do Sul, com a Sanesul, é uma distribuidora de gás natural que parece estar blindada dos desafios de seu controlador, o governo do Estado. Temos uma gestão que foca muito em conexões, seminários e debates, e muito pouco em resultados concretos.

Desde o ano passado, por exemplo, mostramos que sua presidente, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, que passou a ganhar quase o dobro e ajustou seu salário aos de CEOs do eixo Rio-São Paulo, entrega muitas viagens, bastante discussão sobre processos, muitos eventos, mas poucos resultados concretos.

Aliás, os ganhos do alto escalão da empresa estatal não coadunam com os desafios fiscais pelos quais passa o Estado.

Sim, é claro, trata-se de uma empresa – ainda que estatal – cuja gestão e contabilidade independem da situação do caixa do governo, mas é curioso que uma empresa controlada por um ente que enfrenta dificuldades de caixa esbanje mordomias e altos rendimentos.

Enquanto a MSGás vive este mundo paralelo, quase um mundo perfeito, a empresa peca em expandir-se.

Atualmente, está construindo um duto para ligar a megafábrica da Arauco ao gasoduto Bolívia-Brasil. Mas, ao mesmo tempo, investe muito pouco na expansão da rede de gás natural por Mato Grosso do Sul, para atender os cidadãos na ponta.

Em Campo Grande, os domicílios atendidos pela estatal são praticamente os mesmos de anos atrás. Em cidades por onde o gasoduto passa, como Corumbá, os serviços da MSGás praticamente inexistem. Ainda nem falamos da cidade de Dourados, uma promessa não cumprida há anos.

A gestão atual fala em investir em gás biometano. Mas não há projeção clara de ganho de escala; tudo é muito incipiente, parecendo mais um produto de marketing, com aposta quase exclusiva no conceito e na propaganda, e não na efetividade.

Evidentemente, o biometano pode representar uma alternativa importante para o futuro energético. Porém, entre anunciar projetos em eventos e transformá-los em realidade concreta existe uma distância enorme.

É claro que, para expandir, é preciso aprovação do Conselho de Administração e concordância dos sócios – inclusive do sócio privado, que detém 49% da empresa.

Nem sempre o sócio privado quer investir em expansão; ele pode se satisfazer com os resultados cotidianos obtidos a partir do que já existe.

O problema é que uma empresa estatal não deveria pensar apenas na lógica da acomodação financeira, mas também no interesse público e na indução do desenvolvimento.

E, por falar em expansão, o sócio privado foi contra o fato de a atual CEO quase ter dobrado o salário no ano passado. Foi voto vencido.

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Artigo

Os cuidados com a saúde mental na adolescência

O período em que a vida ganha cores novas, em que as primeiras grandes descobertas acontecem e em que a liberdade começa a ter gosto próprio

11/05/2026 07h45

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A adolescência é um território cheio de contrastes, e talvez seja justamente isso que a torna tão marcante. É uma fase em que tudo parece acontecer ao mesmo tempo: o corpo muda, as relações mudam, as expectativas aumentam e a sensação de que o mundo inteiro está observando cada passo se torna quase constante.

Ao mesmo tempo, é também o período em que a vida ganha cores novas, em que as primeiras grandes descobertas acontecem e em que a liberdade começa a ter gosto próprio. De um lado, estão as dores.

A insegurança é uma das mais presentes. O espelho vira um juiz implacável, e qualquer detalhe – uma espinha, um cabelo fora do lugar, uma roupa que não parece “certa” – pode parecer um problema enorme.

Há também a pressão por pertencimento: querer fazer parte de um grupo, ser aceito, ser compreendido. E quando isso não acontece, a sensação de isolamento pesa.

Além disso, surgem as primeiras responsabilidades reais: decisões sobre o futuro, cobranças escolares, expectativas familiares. Tudo isso enquanto o cérebro ainda está tentando entender quem você é.

A Pense 2024 entrevistou 118.099 estudantes e apontou prevalência elevada de tristeza, irritabilidade e pensamentos de que a vida não vale a pena, com diferenças de gênero marcantes – meninas apresentam índices mais altos em quase todos os indicadores.

Além disso, 26,1% disseram sentir que ninguém se preocupa com eles e menos da metade das escolas públicas oferece algum tipo de suporte psicológico. Esses dados colocam solidão, sensação de desamparo e insatisfação corporal como fatores centrais da crise.

Mas, do outro lado, estão as delícias, e elas são muitas. A adolescência é o momento das primeiras paixões, intensas e desajeitadas, mas inesquecíveis.

É quando a música favorita parece falar diretamente com você, quando cada amizade tem o potencial de durar para sempre, quando sair de casa sem destino pode ser a melhor aventura do dia.

É a fase em que a criatividade explode, em que você começa a testar limites, a experimentar estilos, a descobrir talentos que nem imaginava ter.

Existe também uma delícia silenciosa: a sensação de que tudo é possível. Mesmo com as dúvidas, existe uma energia única, uma vontade de mudar o mundo, de ser alguém que faça diferença. É um período em que a imaginação corre solta e em que o futuro, apesar de assustador, parece cheio de portas abertas.

Ser adolescente é viver em um constante vai e vem entre euforia e frustração, coragem e medo, liberdade e confusão. É contraditório, é intenso, é cansativo e, ao mesmo tempo, é profundamente formador.

As dores moldam, as delícias impulsionam. E, quando essa fase passa, o que fica é uma coleção de memórias que ajudam a explicar quem você se torna depois.

Um dos métodos mais eficazes no cuidado é a psicoterapia. Muitas vezes, quanto mais cedo começa o tratamento em crianças e jovens, melhor.

Ela tem se mostrado uma ferramenta eficaz no combate a depressão e ansiedade. Revisões brasileiras e internacionais mostram que intervenções psicossociais reduzem sintomas e melhoram funcionamento social e escolar.

Ela atua em habilidades de regulação emocional, reestruturação cognitiva e estratégias de enfrentamento, complementando intervenções médicas, quando necessárias.

Porém, além de tratamentos psicológicos, a saúde mental entre jovens brasileiros exige resposta integrada: políticas públicas para ampliar suporte escolar e atenção primária, triagem precoce e acesso a psicoterapias baseadas em evidência como parte central do cuidado.

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