Artigos e Opinião

Editorial

Diesel subsidiado exige fiscalização

Em muitos casos, quando governos reduzem tributos, parte da cadeia de distribuição e revenda amplia suas margens, absorvendo o benefício que deveria chegar ao consumidor

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A decisão do governo federal de ampliar a subvenção ao óleo diesel, em meio à escalada de tensões provocada pela guerra no Oriente Médio, surge como uma resposta emergencial a um problema que costuma ter efeitos rápidos e profundos na economia.

O leitor saberá com mais detalhes nesta edição que a medida também deverá ser acompanhada pelo governo de Mato Grosso do Sul, por um período de dois meses, numa tentativa de amortecer os impactos imediatos da alta internacional dos combustíveis.

O efeito prático é claro: trata-se de uma desoneração do produto, com a intenção explícita de que a redução de tributos seja repassada integralmente ao consumidor final.

O diesel tem papel estratégico, pois influencia diretamente o custo do transporte de cargas, a produção agrícola e, consequentemente, o preço dos alimentos.

Ao aliviar esse componente, busca-se conter a inflação no curto prazo e evitar que a escalada internacional contamine ainda mais os índices domésticos.

No entanto, a experiência brasileira recomenda cautela. Medidas dessa natureza, embora bem-intencionadas, podem se transformar em armadilhas se não forem acompanhadas de fiscalização rigorosa.

O histórico recente mostra que, em muitos casos, quando governos reduzem tributos, parte da cadeia de distribuição e revenda amplia suas margens, absorvendo o benefício que deveria chegar ao consumidor. É justamente esse o risco que precisa ser combatido desde o primeiro momento.

Os órgãos de fiscalização devem atuar de forma firme e coordenada para evitar distorções. Procons, agências reguladoras e demais instâncias de controle precisam monitorar preços, margens e comportamento do mercado.

Sem essa vigilância, a política pública perde sua eficácia e ainda gera a percepção de que o Estado abriu mão de receita sem garantir o retorno social pretendido.

Há também outro perigo, talvez ainda mais relevante: o chamado efeito rebote. Ao fim dos dois meses, caso os subsídios sejam retirados, nada garante que o preço do combustível retornará ao patamar anterior.

Mesmo sem alterações nas refinarias, a cadeia pode manter margens mais elevadas, consolidando aumentos que deveriam ser temporários.

O resultado seria uma pressão inflacionária tardia, possivelmente mais intensa do que aquela que se buscou evitar.

A única vantagem inequívoca é a contenção da inflação no curto prazo, especialmente em um momento de incerteza internacional.

Ainda assim, trata-se de um alívio temporário, que exige planejamento para a saída. Sem isso, a medida pode apenas adiar o problema e ampliá-lo adiante.

Por isso, é essencial que a subvenção venha acompanhada de fiscalização efetiva e transparência. Caso contrário, o consumidor poderá enfrentar, em breve, um cenário ainda mais adverso, com preços elevados e inflação pressionada – exatamente o oposto do que se pretende agora.

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Qual o limite ético da inteligência artificial?

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma das forças mais transformadoras do século 21

20/06/2026 07h45

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Paulo Alexandre N. de Andrade Autor do livro de ficção científica “Cinzas do Futuro”, médico, pediatra e neonatologista

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma das forças mais transformadoras do século 21.

Em poucos anos, sistemas capazes de diagnosticar doenças, dirigir veículos, produzir textos, analisar mercados e auxiliar decisões complexas passaram a integrar o cotidiano.

O fascínio é compreensível, afinal, a humanidade jamais dispôs de ferramentas tão poderosas, mas, à medida que as máquinas se tornam mais capazes, cresce uma pergunta que não pode ser ignorada: existe um limite ético para a inteligência artificial?

A resposta mais prudente parece ser sim: a inteligência artificial, por mais impressionante que seja, não produz ética automaticamente.

Uma máquina pode processar bilhões de dados em segundos, identificar padrões invisíveis ao olhar humano e oferecer soluções extraordinárias.

No entanto, ela não conhece a experiência da dor, o peso da culpa, a sensação da perda ou o valor de um gesto de compaixão. Pode calcular consequências, mas não sente o impacto humano delas.

E essa diferença talvez seja mais importante do que parece. 

O maior risco não está necessariamente nas máquinas, mas nos objetivos que lhes são atribuídos. Toda tecnologia carrega, de forma explícita ou silenciosa, os valores de quem a desenvolve e controla.

Um sistema programado apenas para maximizar lucros pode ignorar pessoas; uma ferramenta criada para ampliar a segurança pode se transformar em instrumento de vigilância permanente; uma inteligência artificial encarregada de atingir metas sem restrições morais pode produzir resultados eficientes e, ao mesmo tempo, profundamente injustos.

A história oferece inúmeros alertas. O progresso científico ampliou o poder humano de maneira extraordinária, mas nem sempre foi acompanhado pela mesma evolução ética.

A capacidade de fazer algo nunca significou, automaticamente, que aquilo deveria ser feito. Com a inteligência artificial, essa velha lição retorna com força renovada.

Pela primeira vez, a humanidade cria sistemas capazes de influenciar decisões em escala global, afetando economias, governos e milhões de vidas simultaneamente. 

Por isso, torna-se indispensável estabelecer princípios de transparência, responsabilidade e controle.

Não é razoável aceitar que decisões capazes de moldar destinos humanos sejam tomadas por algoritmos incompreensíveis ou protegidos do escrutínio público.

No fim, o debate não trata apenas de tecnologia. Trata da própria condição humana. A pergunta decisiva não é o que as máquinas serão capazes de fazer, mas o que nós permitiremos que elas façam.

O verdadeiro limite ético da inteligência artificial não está na potência dos algoritmos, mas na sabedoria de seus criadores.

O futuro será definido menos pela inteligência das máquinas do que pela capacidade humana de preservar valores como dignidade, liberdade, justiça e compaixão.

Porque uma civilização pode sobreviver à falta de tecnologia. Ao que ela dificilmente sobrevive é à ausência de consciência ética.

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A Copa do Mundo e a cultura

Quando citamos a cultura em um torneio de futebol tão importante, queremos demonstrar que não apenas nossos estudantes, mas também a população em geral

20/06/2026 07h30

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Com toda certeza, a Copa do Mundo de futebol é um evento que envolve não apenas a paixão das multidões pelo esporte, mas também milhões de torcedores e turistas de todo o planeta. Temos que reconhecer que, a partir do ano de 1958, quando a seleção brasileira venceu pela primeira vez o torneio mais importante do futebol mundial, esse esporte passou a ter a importância que hoje ostenta, com a movimentação de bilhões de dólares para sua organização.

Quando citamos a cultura em um torneio de futebol tão importante, queremos demonstrar que não apenas nossos estudantes, mas também a população em geral, acabam enriquecendo seus conhecimentos em diversas áreas do desenvolvimento humano.

No setor demográfico, por exemplo, uma música que caiu no gosto da torcida brasileira no ano de 1970, enaltecendo nossa seleção, registrava em sua estrofe inicial: “90 milhões em ação, pra frente Brasil...”. Hoje, no ano de 2026, contamos com mais de 200 milhões de habitantes.
Percebe-se, por meio dessa música, o tamanho do crescimento populacional do País.

Trata-se de um dado desconhecido por muitos brasileiros e que enriquece o conhecimento de nossos estudantes no campo da estatística.

O Brasil detém hoje o título de pentacampeão mundial de futebol, e tal fato aguça a inspiração de nossos compositores musicais na criação de hinos e sambas, movimentando a indústria fonográfica no campo da economia e proporcionando o surgimento de novos talentos para a música popular brasileira.

Desconheço o autor da alcunha “Seleção Canarinho do Brasil”, mas ela caiu como uma luva para nossos craques da época, considerados verdadeiros artistas do futebol e que, a partir de então, levaram essa imagem aos cinco continentes do planeta com o toque de magia de Pelé, Nilton Santos e Didi.

Eles acabaram difundindo a prática desse esporte entre as nações mais pobres do mundo, que, ano após ano, têm revelado cada vez mais jovens atletas.

O Brasil ainda é um celeiro de craques, muitos deles exportados para os países do Primeiro Mundo.

Mas é no campo político que o futebol encontra um terreno fértil. Hoje temos ex-campeões mundiais ocupando diversos cargos eletivos pelo País, inclusive no Senado da República, além de ministros de Estado que já tiveram a oportunidade de ocupar importantes posições no centro do poder.

Desde os pequenos municípios brasileiros, candidatos a prefeito e vereador investem nas agremiações futebolísticas de suas cidades.

E, hoje, vislumbrando uma carreira que possibilite fama e fortuna, muitos pais levam seus filhos para aprender a arte do futebol

Existe, atualmente, uma imensa expectativa entre nós, brasileiros, de que possamos alcançar o título de hexacampeão mundial.

Para tanto, confiamos no esquema adotado pelo competente técnico, no desempenho de seus pupilos e, de nossa parte, nunca ficou de lado o slogan: “Temos que acreditar com muita fé que Deus é brasileiro”. Amém, amém. Vamos nos preparar psicologicamente para comemorar a vitória!

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