Artigos e Opinião

CORREIO DO ESTADO

Editorial desta segunda-feira: 'A conta que não fecha'

Editorial desta segunda-feira: 'A conta que não fecha'

DA REDAÇÃO

20/02/2017 - 02h00
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As instituições filantrópicas, maioria no atendimento no País, funcionam à beira do precipício por motivos que passam por ingerência e problemas de repasse financeiro

Saúde é direito de todos, preconiza a Constituição. Infelizmente, é notório o quanto isso está longe da realidade. Embora haja mecanismos que, na teoria poderiam ser eficientes, na prática, vê-se o colapso do sistema público e como a conta é cada vez mais difícil de se fechar. As instituições filantrópicas, maioria no atendimento no País, funcionam à beira do precipício por motivos que passam por ingerência e problemas de repasse financeiro.  Gestores e governo federal não chegam a um consenso sobre o impasse despesa/receita e, enquanto isso, é a população quem agoniza.

A Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) estima que aproximadamente 1,7 mil dos 2,1 mil hospitais operem no vermelho. A principal reclamação das administrações das entidades é que o Ministério da Saúde paga valor defasado pelos procedimentos via SUS. O deficit estimado é de R$ 5,1 bilhões por ano. A dívida que em 2005 era de R$ 1,5 bilhão, atualmente passa dos R$ 15 bilhões.  Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente da CMB reconheceu que a defasagem da tabela do SUS não é o único problema das entidades: há anos, as instituições têm dívidas altas e recorrem a empréstimos bancários para pagar salários e fornecedores. Como a verba proveniente do governo federal é carimbada, não pode ser usada para quitar os bancos.

Em Mato Grosso do Sul, a situação não é diferente. A Santa Casa de Campo Grande está na indesejável lista dos que gastam mais do que recebem. São R$ 160 milhões em dívidas. Segundo a gestão atual, o valor quadruplicou no período em que o hospital ficou sob intervenção judicial, de 2005 a 2013. Na tentativa de minimizar a situação, iniciou plano de contenção: desde o dia 10 de fevereiro, não atende mais à demanda espontânea,  mas somente os pacientes encaminhados via Central de Regulação. Até o fim do ano, tem a meta é mudar os porcentuais entre privado e particular. Hoje, 90% dos atendimentos são por meio do SUS e os 10% restantes, privados (particular e plano de saúde).

A intenção é que o SUS represente 40% e o privado, 60%, mais ou menos o que é feito na Santa Casa de Maceió, tida como referência por não ter dívida milionária. Na capital alagoana,  o hospital filantrópico não tem pronto-socorro e tenta equilibrar o deficit com convênios e consultas particulares. A cada dez pacientes, quatro são particulares ou plano de saúde, representando cerca de 65% da receita da instituição. Os outros 35% são bancados pelo SUS.

Deixar  de atender via SUS, uma proposta que têm força entre administradores das Santas Casas pelo país, representa o colapso no sistema público. Para a população, qual seria a vantagem de se ter hospital que prioriza o paciente da rede privada e deixaria à mercê da sorte àqueles que não tem condições de arcar com os custos? Postos de saúde já demonstraram que não tem capacidade e, principalmente, não são destinados a atendimentos de alta complexidade. Negar o direito constitucional pode ser tiro no pé dessas entidades que pretendem dar primazia às contas do que ao atendimento.

EDITORIAL

Uma história de 72 anos de confiança

Os números do Correio do Estado mostram que a tradição construída ao longo de décadas no papel migrou para o universo digital sem perder sua essência

07/02/2026 07h15

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Os anos mudam, o tempo passa, as tecnologias se transformam – mas o Correio do Estado permanece. Neste dia 7 de fevereiro, completamos 72 anos de história, uma marca que poucos veículos de comunicação no Brasil podem ostentar.

Pouquíssimos, aliás. Em um país onde jornais nascem e desaparecem com rapidez, atravessar mais de sete décadas é, antes de tudo, um atestado de relevância, resistência e confiança.

Ao longo desses 72 anos, o Correio do Estado foi testemunha e narrador de profundas transformações sociais, políticas, econômicas e culturais. Viu Campo Grande crescer, Mato Grosso do Sul nascer e se consolidar, e acompanhou gerações inteiras em momentos decisivos de sua história.

Também presenciou – e enfrentou – mudanças radicais na forma de produzir, distribuir e consumir informação. Da prensa ao offset, do papel ao digital, do impresso ao tempo real das redes, cada virada exigiu mais do que investimento tecnológico: exigiu visão, coragem e fidelidade a princípios.

E é justamente esse equilíbrio entre adaptação e permanência que explica nossa longevidade. O Correio do Estado soube incorporar novas linguagens, plataformas e ferramentas sem abrir mão de seus valores basilares.

O compromisso com o jornalismo responsável, com a informação independente, com o contraditório e com a verdade dos fatos sempre foi – e continua sendo – o alicerce sobre o qual construímos nossa trajetória.

Não é exagero afirmar que o que nos fez durar tanto tempo foi, sobretudo, a confiança do nosso público. Confiança não se impõe, se conquista. E se renova diariamente, edição após edição, reportagem após reportagem.

É essa relação de credibilidade com o leitor que nos trouxe até aqui e que nos impulsiona a seguir em frente, mesmo em tempos de desinformação, polarização e ataques ao jornalismo profissional.

Neste espaço, portanto, mais do que celebrar, renovamos um compromisso. Um compromisso com você, que nos lê, que nos acompanha, que consome nossas notícias e que conta conosco para contar a história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Seguiremos atentos ao interesse público, vigilantes ao poder, abertos ao debate e firmes na defesa da boa informação.

Neste aniversário, também é justo destacar nosso crescimento no ambiente digital. Os números mostram que a tradição construída ao longo de décadas no papel migrou para o universo digital sem perder sua essência. A audiência cresce, o alcance se amplia, e os valores permanecem inabaláveis.

O Correio do Estado de hoje dialoga com novas gerações, novos hábitos e novas plataformas, sem renunciar àquilo que sempre nos definiu.

Por fim, neste 7 de fevereiro, a palavra que melhor resume este editorial é gratidão. Gratidão a você, leitor, que faz parte dessa história. São 72 anos porque você esteve conosco. E é com você que seguiremos escrevendo os próximos capítulos.

ARTIGOS

Soberania, desenvolvimento e geopolítica

No cenário global, é evidente que o agronegócio brasileiro não é apenas um setor de exportação de commodities

06/02/2026 07h45

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Não é raro que o debate público brasileiro reduza o agronegócio a uma disputa entre o rural e o urbano, como se aquele representasse um setor arcaico, sem tecnologia nem empregos e destruidor do meio-ambiente. Essa visão, contudo, é perigosamente enganosa.

Ao olharmos para o cenário global – marcado por tensões bélicas, insegurança alimentar e a urgência climática –, torna-se evidente que o agronegócio brasileiro não é apenas um setor de exportação de commodities; é um argumento central da nossa estratégia soberana e a ferramenta mais potente de nossa geopolítica.

A verdadeira independência de uma nação é construída pela sua capacidade de garantir a dignidade de seu povo e a estabilidade de seus parceiros. Nesse sentido, o Brasil ocupa uma posição singular. Não somos apenas o “celeiro do mundo” por vocação geográfica, mas por competência tecnológica e científica. A nossa produção de alimentos é o lastro que garante a segurança alimentar planetária.

Num mundo onde a fome volta a ser uma arma de guerra, a capacidade brasileira de produzir em escala, com regularidade e qualidade, transforma-se em “soft power” diplomático.

Somos, em última análise, embaixadores da paz social em diversas nações que dependem do nosso campo.

Mas a importância estratégica vai além da porteira. O agronegócio moderno é um complexo industrial sofisticado que impulsiona a produção de insumos, fomenta a biotecnologia e ancora a reindustrialização do País em bases modernas. É um erro crasso dissociar o agro da indústria; eles são elos da mesma corrente de desenvolvimento.

Ainda além, é na transição energética que nossa vantagem geopolítica se torna avassaladora. Enquanto potências globais lutam para descarbonizar suas matrizes a custos proibitivos, o agro brasileiro já nos oferece a solução: biocombustíveis, biomassa e uma agricultura regenerativa que sequestra carbono.

O mundo busca a “economia verde”; o Brasil já a pratica em seus canaviais e florestas plantadas. Isso nos coloca não como coadjuvantes pedindo licença em conferências climáticas, mas como protagonistas que detêm a tecnologia da sobrevivência ambiental.

Falar em preservação ambiental, aliás, exige honestidade intelectual. A tecnologia tropical desenvolvida aqui permitiu que poupássemos milhões de hectares de vegetação nativa por meio do aumento de produtividade vertical. O agro sério, legalista e tecnológico é o maior interessado na preservação, pois entende que seu maior ativo é o capital natural.

Portanto, fortalecer o agronegócio é uma política de Estado para a soberania nacional. É ele que garante as divisas que permitem ao Estado financiar políticas públicas de inclusão social e infraestrutura. É ele que nos dá voz ativa no cenário internacional.

O Brasil não precisa escolher entre ser uma potência agrícola ou uma nação ambientalmente responsável e industrializada.

Nós somos a síntese dessas potencialidades. Reconhecer a centralidade do agronegócio na nossa estratégia geopolítica é o primeiro passo para deixarmos de ser o país do futuro e assumirmos, finalmente, nossa cadeira na liderança do presente.

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