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Fabiane Esperança Rocha: Preconceito e falta de oportunidade

Fabiane Esperança Rocha é Psicóloga e psicoterapeuta

Redação

01/05/2017 - 02h00
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No meu último artigo, discorri sobre a escassez de vagas de trabalho para as pessoas com deficiência, e inseri ainda a contratação “formal” imposta pela lei de cotas, que não necessariamente representa o exercício de uma profissão condizente com a formação da pessoa. Este assunto é polêmico e não posso deixar de continuar argumentando sobre o tema. O caminho é longo para se atingir a conquista dos direitos do empregado, sobretudo com a flexibilização das leis trabalhistas que tramita pelo Congresso. 

As pessoas com deficiência deverão esforçar-se ainda mais para se equiparar com as demais e interagir para que os saberes e conhecimentos se multipliquem e tragam benefícios para todos os envolvidos.

Porém, como diz o ditado, “água mole, pedra dura tanto bate até que fura”. Ou seja, todos nós podemos insistir, como fez a viúva que pediu justiça a Cristo. Os preconceitos fazem parte da história da humanidade e muitos são os rejeitados e poucos os escolhidos. Então, estou aqui novamente para salientar a relevância desta luta, e mencionar que as conquistas devem servir de exemplos para não abandonarmos a batalha.

Até a década de 1990, poucas pessoas com deficiência frequentavam as escolas regulares, pois elas eram dirigidas para as escolas especiais ou ficavam em casa com os cuidadores ou pais. Isto não significava que elas estavam partilhando dos conteúdos apregoados em currículos escolares, mas sim que recebiam uma assistência diferenciada segundo as necessidades individuais. Hoje, o espaço escolar acolhe todos com igualdade, porém aqueles que possuem dificuldades para aquisição de habilidades e competências não possuem mais um docente especializado que possa acompanhá-lo.

Os docentes sentem-se em uma encruzilhada, pois não possuem formação adequada para lidar, ao mesmo tempo, com surdos-mudos, cadeirantes, pessoas com baixa visão, com baixa cognição dentre outros problemas apresentados.

Quando os pais decidem colocar seus filhos com necessidades especiais em escolas regulares necessitam contratar simultaneamente um monitor. Caso não possuam condições, podem recorrer à justiça brasileira. 

Os investimentos governamentais em educação, em todos os níveis, declinam ano a ano. Nos estados, os salários foram congelados e os direitos à carreira ascendente, retirados, sem justificativa plausível. Logo, os professores possuem empecilhos financeiros e temporais para tratar de casos mais complexos, como os das pessoas com deficiência. As questões vocacionais se defrontam com as questões de sobrevivência, de emprego e de família. Então, a formação das pessoas com deficiência, que mereceria mais estudos e pesquisas, pode ser prejudicada e refletir no momento de entrar no mercado de trabalho.

Vale salientar que este cenário “muda de cor” quando se classificam as pessoas como “normais” e “com deficiência”. A própria lei de cotas é contraditória e discriminatória na medida em que segmenta os grupos sociais diante das empresas. Ao se tomar esta assertiva como ponto de partida, parece que alguns possuem limites e outros não. Como canta Caetano Veloso, “de perto ninguém é normal”. Precisamos de espaço para nos mostrar, nos fazer conhecer e nos colocar no lugar do outro.

A perfeição era uma das metas dos gregos, os quais procuravam esculpir a beleza em suas imagens e na arquitetura. Mas ainda assim recorriam a “truques” para alcançar seus objetivos. “Não somos perfeitos e não precisamos de caridade e sim de dignidade e respeito” (Hisaac Oliveira).

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Agro brasileiro exporta mais, mas o próximo desafio é gerar mais valor

O desafio agora não é apenas ampliar a produção, mas avançar em uma agenda de inovação, processamento, rastreabilidade e sustentabilidade capaz de aumentar a eficiência e a rentabilidade ao longo da cadeia

17/08/2026 07h20

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O agronegócio brasileiro começou este ano com um recorde, US$ 38 bilhões em exportações e superavit de US$ 33 bilhões no primeiro trimestre, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Mas, por trás do resultado histórico, há um dado que merece atenção: enquanto o volume exportado cresceu 3,8%, o preço médio recuou 2,8%. O Brasil está vendendo mais, mas ainda precisa capturar mais valor por aquilo que produz.

O desafio agora não é apenas ampliar a produção, mas avançar em uma agenda de inovação, processamento, rastreabilidade e sustentabilidade capaz de aumentar a eficiência e a rentabilidade ao longo da cadeia.

A urgência também é global. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) aponta que o mundo segue distante da meta de reduzir pela metade o desperdício de alimentos até 2030.

Para o agro brasileiro, isso significa que produzir mais precisa vir acompanhado de aproveitar melhor o que já é produzido, reduzindo perdas e agregando valor.

Nesse cenário, tecnologias voltadas à armazenagem, logística, rastreabilidade, bioinsumos, agricultura regenerativa, processamento e novos alimentos deixam de ser apenas ferramentas de sustentabilidade e passam a representar oportunidades econômicas.

É nesse ponto que agtechs e foodtechs ganham relevância. Startups desenvolvem soluções para problemas que vão da produtividade no campo à conexão com consumidores, enquanto plataformas de investimento ajudam a direcionar capital para negócios capazes de transformar gargalos históricos em oportunidades de mercado.

O Brasil já reúne escala produtiva, conhecimento técnico, empresas inovadoras e um ecossistema crescente de startups. O próximo passo é transformar esses ativos em maior valor agregado, seja por meio de alimentos processados, ingredientes, biotecnologia, tecnologia, certificações ou soluções climáticas.

A competitividade do agro brasileiro não será medida apenas pela quantidade que o País consegue produzir e exportar, mas também pela capacidade de capturar valor ao longo dessa cadeia.

O Brasil já é uma potência agrícola. A próxima fronteira é transformar essa escala em uma potência agroindustrial, tecnológica e sustentável.

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Domínio invisível chinês

A eficácia dessa abordagem reside no ponto cego criado para o Ocidente. Atento ao desgaste de obras como megaportos e usinas

17/08/2026 07h15

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Existe uma transformação silenciosa na América Latina. Enquanto a diplomacia se hipnotiza com a rivalidade entre superpotências, a geopolítica é reescrita nos bastidores de prefeituras, editais de transporte e câmeras urbanas. Trata-se da expansão chinesa em sua versão mais sutil: um modelo que abandona os holofotes para se enraizar na infraestrutura básica que faz as cidades funcionarem.

A eficácia dessa abordagem reside no ponto cego criado para o Ocidente. Atento ao desgaste de obras como megaportos e usinas, Pequim recalibrou suas agulhas para priorizar a negociação capilar com governadores e prefeitos, oferecendo respostas imediatas a demandas locais.

Ao fornecer ônibus elétricos, gerenciar redes de energia ou manter trens, corporações chinesas erguem uma dependência sistêmica.

Cada contrato parece inofensivo, mas o efeito cumulativo é devastador: quando um estado percebe que seus serviços dependem exclusivamente de suporte chinês, sua margem de manobra política evapora.

Essa presença física serve de veículo para o motor do domínio contemporâneo: a Rota da Seda Digital. Em vez de erguer apenas concreto e aço, a China constrói os canais invisíveis da informação.

Prefeituras sem diretrizes de segurança cibernética encontram em gigantes chinesas ofertas irrecusáveis de modernização. Redes 5G e a migração de dados para a nuvem fazem a máquina pública operar sob uma arquitetura mantida por Pequim.

Consolida-se o aprisionamento tecnológico: governos locais tornam-se reféns de atualizações e suporte contínuo, transferindo sua soberania sem que a sociedade perceba.

O desdobramento mais sensível dessa arquitetura é o processamento de dados por inteligência artificial. Sob o conceito de “Cidades Seguras”, adquirem-se sistemas para mapear o tráfego, rastrear veículos e identificar rostos em tempo real, ocultando sob o combate ao crime uma colheita ininterrupta de dados biométricos.

O perigo geopolítico vincula-se à Lei de Inteligência Nacional da China, que obriga empresas a cooperarem com o Estado. Assim, o acervo colhido na região fica exposto ao acesso direto de Pequim, estabelecendo uma vigilância preditiva sem precedentes.

A corrupção e o pragmatismo político funcionam como o lubrificante ideal para que gigantes chinesas contornem auditorias técnicas e éticas.

O caso da Hikvision no Rio de Janeiro ilustra essa dinâmica: sob o pretexto da segurança pública, o estado firmou contratos milionários de reconhecimento facial em meio a denúncias de opacidade, direcionamento e superfaturamento.

Enquanto a empresa sofria sanções por riscos de segurança e violações de direitos humanos, a administração no Rio aprofundava a parceria, entregando o controle do espaço público indiretamente para Pequim.

A Rota da Seda Digital reconfigura a soberania continental. A América Latina não está sendo submetida por doutrinação ideológica ou coerção militar, mas pela dependência operacional dos elementos básicos da sociedade moderna.

À medida que prefeituras e estados entregam redes de energia, dados biométricos e trânsito ao ecossistema tecnológico de Pequim, a autonomia dilui-se de baixo para cima.

O resultado é uma hegemonia algorítmica e invisível – erguida em cada servidor instalado, câmera ativada e licitação homologada –, que redesenha o mapa do poder global sem que o mundo perceba.

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