O Brasil é o país mais Biodiverso do planeta, e também um dos que mais sofrem com a perda acelerada de espécies. Diante desse paradoxo, surge uma boa notícia: a ciência brasileira está abrindo um novo capítulo na história da conservação.
O projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Tecnológico Vale (ITV), apresenta resultados que colocam o País na fronteira do conhecimento genético aplicado à natureza.
Em apenas dois anos, mais de 800 genomas de 413 espécies da fauna brasileira foram sequenciados, incluindo animais emblemáticos e ameaçados, como a onça-pintada, a ararajuba e o peixe-boi da Amazônia.
O projeto também já gerou 30 genomas de referência de altíssima qualidade, algo inédito em escala nacional. Esses “mapas genéticos” permitem compreender como as espécies vivem, se adaptam e respondem a desafios como doenças e mudanças climáticas.
Mas o GBB vai além do laboratório. As informações genéticas estão sendo usadas para aprimorar estratégias de manejo, apoiar planos de ação para espécies ameaçadas e ampliar o monitoramento em unidades de conservação.
Um exemplo é o uso do DNA ambiental, técnica que identifica vestígios genéticos deixados por animais e plantas em amostras de solo e água. Essa inovação permite detectar a presença de espécies sem precisar capturá-las, tornando o monitoramento mais eficiente e menos invasivo, uma revolução silenciosa, mas transformadora.
O impacto é tanto científico quanto social. O projeto já colabora com cerca de 290 pesquisadores de 107 instituições e concedeu 75 bolsas de pesquisa, formando uma nova geração de profissionais capazes de unir biotecnologia e conservação.
Além disso, o investimento previsto, US$ 25 milhões até 2028, mostra que apostar em ciência é também apostar em soberania e futuro.
A genômica da biodiversidade não é um luxo acadêmico: é uma necessidade estratégica. Em um mundo em que a perda de espécies ameaça a estabilidade dos ecossistemas e a própria sobrevivência humana, compreender o DNA da vida é compreender o DNA do nosso futuro.
O Brasil, com sua imensidão biológica, tem o dever, e a oportunidade, de liderar essa nova fronteira do conhecimento. O GBB é a prova de que, quando parcerias estratégicas, ciência, tecnologia e conservação se unem, o País pode oferecer ao mundo não apenas dados, mas esperança.

