Artigos e Opinião

ARTIGO

Gilson Cavalcanti Ricci: "Emancipação já para os índios!"

Advogado

Redação

18/06/2016 - 02h00
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O índio está miseravelmente manietado à entidade tutora governamental, a Funai, criada pela Lei nº 5.971/67. Tal entidade nada mais faz do que marginalizar seu pupilo, o índio, condenando-o a viver à margem da sociedade, sem capacidade jurídica para gerir sua própria vida, como assim define a Lei nº 6.001/73 (Estatuto do Índio): “São nulos os atos praticados entre o índio não integrado e qualquer pessoa estranha à comunidade indígena, quando não tenha havido assistência do órgão tutor competente”. 

O índio não pode celebrar compromisso com terceiros, como, por exemplo, comprar uma geladeira a crédito, sem a absurda autorização da Funai! Esse dispositivo legal por si só coloca o índio numa intolerável posição de inferioridade diante dos cidadãos brasileiros, jogando-o na marginalidade. Trata-se de piramidal afronta à premissa da igualdade perante a lei insculpida no caput do art. 5º da Constituição. 

Na verdade, a emancipação do índio é algo inconcebível aos olhos dos agitadores incrustados em organizações religiosas e outros segmentos de esquerda, que enxergam o índio como mero subserviente a seus interesses escusos.

Essas pessoas se ocupam em acirrar a animosidade de índios contra produtores rurais e vice-versa, provocando conflito de grandes proporções nas áreas rurais. Isto porque, imprudentemente, espalham notícia sensacionalista de que os indígenas são donos de milhares de hectares de áreas ocupadas pelos produtores rurais e, assim, além do terror no campo, fomentam a insegurança jurídica da Lei dos Registros Públicos. Sem sopesar consequências, instigam criminosamente índios à invasão de propriedades produtivas, perpetrando destruição e morte nas áreas de conflito, como ocorre agora no sul de MS, quando mais de seiscentos indígenas invadiram uma área produtiva, lamentando-se a morte de um índio. 

O que chama a atenção é que o índio, numa visão geral, é pessoa sociável e fácil de travar amizade com estranhos. Portanto, bem diferente de como é visto no imaginário popular. Digo isto porque já mantive contato com índios e verifiquei pessoalmente o jeito deles. De outro lado, entendo que não há mais motivo algum para o índio continuar sob a tutela da Funai. 

O Estatuto do Índio é evidente ao colocar a emancipação dos índios nas mãos do presidente da República: “Mediante decreto do Presidente da República, poderá ser declarada a emancipação da comunidade indígena e de seus membros, quanto ao regime tutelar estabelecido em lei, desde que requerida pela maioria dos membros do grupo e comprovada, em inquérito realizado pelo órgão federal competente, a sua plena integração na comunhão nacional” (art. 8º). Não há mais índio não integrado à comunhão nacional, como mostra frequentemente o noticiário da mídia. Apesar disto, nenhum presidente da República até agora se interessou em emancipar os índios. Por quê?

Temos de considerar o índio como ser humano, como todos nós somos. A diferença é a forma de vida dele comparada à nossa. Tem as mesmas necessidades básicas de todos: alimentação adequada; moradia digna; saúde; escola para os filhos; segurança; transporte; etc. Por que não conceder ao índio a regalia de morar em local dotado de todos esses melhoramentos, nos moldes das vilas residenciais, onde vivem milhões de trabalhadores brasileiros? Uma forma correta de florescer a paz no campo seria primeiramente a emancipação de todos os índios; em seguida, barganha da terra supostamente indígena com a construção de vilas residenciais em módulos de 50 hectares, situadas nas aldeias atuais, onde o índio pudesse dispor de espaço para viver com dignidade, ter suas reses e lavoura de subsistência. 

Por que não?

EDITORIAL

Mais caminhos rumo ao Pacífico

Quando se trata de comércio internacional, quanto mais rotas, melhor. A integração física da América do Sul não precisa ser um jogo de soma zero

24/02/2026 07h15

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A manifestação de interesse do governo da Bolívia em integrar-se à Rota Bioceânica recoloca Mato Grosso do Sul no centro de uma discussão estratégica que atravessa décadas.

Para o Estado, que já tem encaminhada a obra do corredor rodoviário que o ligará aos portos do Pacífico por meio do Paraguai, a entrada boliviana no debate não representa concorrência, mas ampliação de horizontes.

Há cerca de duas décadas, quando se falava em Rota Bioceânica em solo sul-mato-grossense, o traçado prioritário passava justamente pela Bolívia. O grande projeto da época era pavimentar a “carretera” entre Porto Suárez e Santa Cruz de la Sierra, criando um corredor mais direto rumo ao Oceano Pacífico.

A ideia mobilizou lideranças políticas e empresariais, que viam na ligação com o território boliviano uma alternativa concreta para reduzir distâncias e custos logísticos. Essa rodovia está asfaltada há muitos anos.

O cenário mudou quando o Estado boliviano passou a ser governado por Evo Morales e seus sucessores. A partir dali, o traçado da rota foi deslocado para o Sul, abrindo espaço para a articulação de um novo corredor por dentro do Paraguai.

Surgiu, então, a possibilidade de se construir uma rodovia atravessando o inóspito Chaco Paraguaio, obra complexa que hoje está em execução e que deverá consolidar um eixo relevante de integração regional.

A Rota Bioceânica via Paraguai avança e tende a cumprir papel importante na logística do Centro-Oeste brasileiro. Ainda assim, o interesse boliviano reacende a perspectiva de múltiplas conexões rumo ao Pacífico. E esse ponto é central: em termos de comércio exterior, redundância logística não é desperdício, é estratégia.

Uma viagem de Campo Grande ao porto chileno de Iquique apresenta tempo semelhante, seja pelo trajeto que cruza o Paraguai, seja por aquele que passa pela Bolívia.

Em um cenário de integração efetiva, a existência de duas rotas operantes amplia a competitividade, reduz riscos e oferece alternativas diante de eventuais entraves políticos, climáticos ou estruturais.

Corredores internacionais não são apenas estradas; são instrumentos de inserção econômica. Eles definem fluxos de exportação, atraem investimentos e redesenham cadeias produtivas.

Para Mato Grosso do Sul, cuja economia depende fortemente do agronegócio e da indústria de base, a diversificação de saídas logísticas representa ganho de eficiência e poder de negociação.

A história recente mostra que decisões geopolíticas podem alterar prioridades e trajetos. Por isso, manter diálogo aberto com países vizinhos e estimular a convergência de interesses é medida prudente. Se a rota pelo Paraguai está em construção e a via boliviana volta ao radar, o momento é de pensar em complementaridade.

Quando se trata de comércio internacional, quanto mais rotas, melhor. A integração física da América do Sul não precisa ser um jogo de soma zero. Para Mato Grosso do Sul, a coexistência de caminhos rumo ao Pacífico pode significar mais competitividade, mais resiliência e maior protagonismo regional.

ARTIGOS

Trump sem tarifas, e agora?

Ao tentar utilizar uma legislação concebida para situações excepcionais como atalho para impor tarifas amplas, o presidente tensionou os limites institucionais da política comercial norte-americana.

23/02/2026 07h45

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A Suprema Corte norte-americana declarou ilegais as tarifas emergenciais impostas por Donald Trump. A decisão expõe uma fragilidade recorrente de sua estratégia econômica: a substituição de política pública estruturada por voluntarismo executivo.

Trump, ao tentar utilizar uma legislação concebida para situações excepcionais como atalho para impor tarifas amplas, tensionou os limites institucionais da política comercial norte-americana.

Ao restabelecer a prerrogativa do Congresso sobre matéria tributária e comercial, a Corte não apenas corrigiu uma distorção jurídica, mas também reforçou um princípio central da economia política moderna: decisões que alteram preços relativos, cadeias produtivas e relações internacionais não podem ser fruto de discricionariedade individual.

Do ponto de vista econômico, as tarifas emergenciais representaram um choque artificial nos termos de troca, elevando custos para empresas e consumidores sob a justificativa simplista de “proteção nacional”.

A literatura empírica é clara ao demonstrar que tarifas amplas tendem a gerar perda líquida de bem-estar, aumento de preços domésticos e ineficiências alocativas.

A tentativa de concentrar no Executivo a capacidade de impor tais medidas amplia o risco de políticas erráticas, guiadas por ciclos eleitorais ou disputas geopolíticas conjunturais.

Ao recolocar o Congresso no centro do processo decisório, a decisão judicial fortalece a deliberação democrática, amplia a transparência e reduz a probabilidade de choques unilaterais que desorganizem expectativas empresariais.

Mais do que um embate jurídico, trata-se de um episódio emblemático sobre governança econômica. O Congresso, como instância representativa e deliberativa, oferece maior previsibilidade e responsabilidade na formulação de política comercial.

Centralização tarifária no Executivo, como a ensaiada por Trump, cria incentivos à volatilidade normativa e à instrumentalização política do comércio exterior. Economias complexas exigem instituições que limitem impulsos personalistas e preservem regras estáveis.

Ao reafirmar o papel do Legislativo, a Suprema Corte contribui para restaurar racionalidade institucional em um tema que impacta diretamente investimento, inflação e inserção internacional dos Estados Unidos.

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