Artigos e Opinião

EDITORIAL

Guerra de facções exige resposta rápida

As facções não atuam mais apenas nas ruas, utilizam redes sociais e aplicativos de mensagens para planejar crimes, recrutar integrantes e manter suas atividades

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A operação desencadeada ontem pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) mostra, mais uma vez, que a guerra entre facções criminosas é um problema que precisa ser contido com urgência.

O dado mais alarmante revelado pela investigação é a existência de uma lista com 24 pessoas que seriam assassinadas. Não se trata mais apenas de uma disputa pelo domínio de territórios ou de negócios ilícitos, trata-se de uma estrutura organizada para eliminar adversários e impor o medo.

Diante de um cenário como esse, não há espaço para ações isoladas ou improvisadas. É preciso método, inteligência e integração entre as instituições responsáveis pela segurança pública.

O combate ao crime organizado precisa produzir resultados no curto e no médio prazo, mas também deve ser pensado para impedir que essas organizações continuem crescendo e recrutando novos integrantes.

Nesse aspecto, o trabalho realizado pelo MPMS merece reconhecimento. A investigação utilizou informações disponíveis em redes sociais para chegar aos criminosos e identificar a dimensão da ameaça.

É um exemplo de como a inteligência pode ser decisiva quando as instituições conseguem transformar dados dispersos em informações capazes de orientar uma investigação e prevenir crimes.

O episódio também deixa uma pergunta que não pode ser ignorada: como impedir que jovens sejam atraídos para essas organizações? Prender integrantes de facções é necessário, mas não suficiente: é preciso reduzir a capacidade que esses grupos têm de recrutar e manter seus chamados soldados do crime.

Para isso, entre outras medidas, o Estado precisa construir mais presídios e ampliar o número de vagas no sistema penitenciário.

Quanto maior a capacidade do poder público de manter presos aqueles que representam ameaça à sociedade, menor tende a ser o poder das facções de utilizar a própria fragilidade do sistema prisional para ampliar seus quadros.

A falta de vagas e o controle de unidades por organizações criminosas não podem ser tratados como problemas secundários.

Ao mesmo tempo, é indispensável ampliar os investimentos em inteligência. As facções não atuam mais apenas nas ruas, utilizam celulares, redes sociais, aplicativos de mensagens e outros instrumentos para planejar crimes, recrutar integrantes e manter suas atividades. A resposta do Estado precisa acompanhar essa transformação.

Também será fundamental aplicar, neste caso específico, os instrumentos previstos na nova legislação antifacção.

A legislação precisa deixar de ser apenas uma promessa de endurecimento contra o crime organizado e se transformar em ferramenta efetiva para desarticular essas estruturas, atingir suas lideranças e impedir sua expansão.

O mais importante, porém, é agir antes que a ameaça se torne ainda maior. A existência de uma lista com 24 possíveis vítimas demonstra que a capacidade de organização dessas facções pode ser maior do que se imagina. Esperar que a violência aconteça para depois reagir é sempre a pior estratégia.

ARTIGOS

A formação do docente contemporâneo: pilares da excelência pedagógica

Não há ensino de excelência sem docentes devidamente qualificados, apoiados por ecossistemas institucionais que promovam sua contínua evolução

03/09/2026 07h35

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A educação contemporânea atravessa um momento de profunda ressignificação. Em um cenário marcado por aceleradas transformações sociais, científicas e tecnológicas, a discussão sobre a qualidade do ensino precisa retornar ao seu núcleo fundador: a figura do professor.

Não há ensino de excelência sem docentes devidamente qualificados, apoiados por ecossistemas institucionais que promovam sua contínua evolução.

Para responder a essa urgência, a formação docente deve se estruturar sobre três pilares fundamentais: a formação continuada em tecnologia, a vivência de oficinas e rodas de conversa integradas às semanas pedagógicas e o incentivo permanente à qualificação acadêmica em nível de pós-graduação stricto sensu, os mestrados e doutorados.

Nesse sentido, como educadora há 28 anos, destaco que o primeiro pilar se tornou inadiável. Diante da emergência das ferramentas digitais e da inteligência artificial na educação, é preciso desenvolver no professor um letramento digital crítico, para que ele integre o presencial e o virtual com intenção pedagógica.

Com mediação do professor, a tecnologia pode tornar a aprendizagem mais diversa, autônoma e conectada à realidade.

Agora, o segundo pilar. O fazer docente é essencialmente relacional e dialógico. As semanas de planejamento não podem se resumir a encontros burocráticos de repasse de diretrizes, devem constituir verdadeiros laboratórios de aprendizagem colaborativa e reflexão sobre a própria prática.

As rodas de conversa e as oficinas práticas oportunizam a troca de experiências curriculares, a análise de casos clínicos de ensino e o aprimoramento contínuo da didática específica. 

Assim, o terceiro pilar sugere estimular e viabilizar a titulação stricto sensu para os professores. Isso é garantir que a prática em sala de aula esteja ancorada em evidências científicas, na reflexão epistemológica e na produção de saberes originais.

O professor pesquisador leva para a graduação e para a Educação Básica a dúvida metódica, a capacidade analítica e o compromisso com a investigação rigorosa, qualificando o debate acadêmico e elevando o patamar das instituições às quais se vincula.

Como membro do Conselho de Educação da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em recente reunião de trabalho ao lado de referências nacionais do setor educacional debatemos os caminhos da carreira e da formação docente no Brasil.

Na ocasião, o tema sobre contribuições sobre a necessidade de superar visões corporativistas e integrar competências digitais e inteligência artificial às novas diretrizes de formação foi claramente endossado.

Por aqui, no Insted Centro Universitário, acreditamos que a transformação da educação brasileira só vai acontecer com investimento sistemático na qualificação daqueles que conduzem o processo educativo.

Formar o professor contemporâneo é um compromisso de mão dupla: exige do docente a busca incansável pelo aperfeiçoamento e exige das instituições a oferta de condições materiais, científicas e tecnológicas para que essa jornada seja plena.

EDITORIAL

Inteligência para proteger a sociedade

Quando os órgãos de controle e investigação dispõem de estrutura, conhecimento técnico e autonomia para cumprir suas funções, toda a sociedade ganha proteção

03/09/2026 07h20

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Faz bem o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ao ampliar a infraestrutura destinada ao combate à corrupção e ao crime organizado.

Em uma realidade na qual grupos criminosos estão cada vez mais estruturados e sofisticados, as instituições responsáveis pela fiscalização e aplicação da lei também precisam estar preparadas para acompanhar essa evolução.

Investir em inteligência não é luxo nem gasto secundário. É necessidade. O crime organizado conta com planejamento, divisão de tarefas, recursos financeiros e ferramentas tecnológicas para dificultar a ação do poder público.

Para enfrentar esse cenário, o Estado precisa de instrumentos capazes de identificar movimentos, conexões e padrões que não seriam percebidos em uma investigação convencional.

O Ministério Público fiscaliza o cumprimento da lei e atua na defesa da sociedade. Para exercer esse papel com eficiência, precisa conhecer o terreno daqueles que pretendem agir à margem da legislação.

A inteligência permite acompanhar movimentos, antecipar riscos, reunir provas e oferecer melhores condições para desarticular organizações criminosas.

Esse tipo de investimento fortalece não apenas o MPMS, mas o próprio Estado Democrático de Direito. Instituições fortes são sinais de sociedades e democracias saudáveis.

Quando os órgãos de controle e investigação dispõem de estrutura, conhecimento técnico e autonomia para cumprir suas funções, toda a sociedade ganha proteção.

É importante, contudo, que o fortalecimento institucional venha acompanhado de controle, transparência e respeito aos limites legais. Instituições fortes não são aquelas que podem tudo, mas as que conseguem cumprir suas atribuições dentro das regras estabelecidas pela democracia.

Recursos públicos destinados à inteligência devem resultar em capacidade efetiva de investigação e prevenção, sempre dentro da lei.

O ideal, evidentemente, seria que as pessoas não cometessem crimes. Mas uma sociedade não pode depender apenas da consciência individual para garantir o cumprimento das regras.

O combate ao crime precisa ser permanente, inclusive como forma de dissuadir aqueles que possam considerar a prática ilegal uma alternativa.

A presença de instituições preparadas, capazes de investigar e responsabilizar quem viola a lei, aumenta o risco para quem pretende delinquir e contribui para a prevenção. Não se trata apenas de reagir ao crime depois que ele acontece, mas de criar condições para que seja mais difícil praticá-lo.

Por isso, investimentos em inteligência e estrutura de investigação devem ser vistos como instrumentos de proteção coletiva. Quanto mais sofisticados forem aqueles que desafiam a lei, mais preparados precisam estar os que têm a responsabilidade de fazê-la cumprir.

Fortalecer a inteligência do MPMS é, em última análise, fortalecer a capacidade do Estado de proteger a sociedade e preservar as regras que sustentam a democracia.

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